Paulo Ricardo Zargolin
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É preciso resistir com delicadeza à dança que a morte performa ao redor de todos e cada um de nós.
Em um mundo de grilhões invisíveis, quem planta consistência colhe liberdade.
Chegar também é acender uma vela onde antes havia breu.
Às vezes, perguntar é tocar sem encostar.
Há gestos que vestem a alma com a leveza que o espelho inveja.
Quando o silêncio agradece, é sinal de que a troca valeu.
Toda despedida é um nome que se desfaz no ar.
Quem espera o tempo certo não chega: já está.
Quando a verdade chega atrasada, o equívoco já decorou a casa.
Entre o verbo e o véu há mais vãos do que filosofia e região são capazes de preencher com crenças acolhedoras ou duras racionalidades.
Há vezes. Ora somos caminho, ora pedra. Um momento porta, noutro pedágio. Ser fronteira aberta não implica em ser visitado.
Ser direto, certeiro e reto é preciso, mas não poético.
Para cada palavra que se lança, há três alvos memoráveis: a arte da curva; o risco do entrelinha; e a beleza do impensável.
A palavra escrita, uma vez compreendida, não repousa: ela coloniza o ser, germina nele e cria vínculos invisíveis entre pensamento, corpo e mundo.
Vivências enriquecidas exigem uma dobra do tempo, um sismógrafo emocional e existencial calibrado para registrar o quase invisível.
Silêncio em noite escura, com lua tímida entre gélidas nuvens, pode ser presságio do dia mais solar e vibrante de todos os tempos.
Urutau cantando em uma madrugada fria desvela a beleza aterradora da noite.
Situações improváveis beijam os sonhos e dançam com o tempo.
Em certos momentos, a inspiração surge de um suspiro que aspira ser eterno.
O entendimento enfrenta barreiras, desvios e ruídos das linguagens.
Se o luzir de um olhar pode ser forjado, entregar-se será sempre um risco indubitável.
Há quem confie em IA como um taumaturgo do século XXI; mas, antes de uma apocatástase linguística, busco a palingenesia na simbiose da escrita.
Há, nos rincões da sociedade, segredos sigilosos secretos guardados a cadeados mudos e singelos.
De repente, uma colher de pequenas cordas, aterrissa em meio ao caos, criando um universo inteiro feito de sorvete e quarcks.
Tem coisa que a gente só conta quando o outro consegue amar o que doeu na gente.