Northon Salomao
“Uma lei injusta pode exigir obediência; jamais conseguirá exigir, ao mesmo tempo, respeito à razão.”
“O Direito não existe para tornar o poder absoluto; existe para impedir que o poder seja a última palavra.”
“No fim de toda grande questão jurídica permanece uma pergunta que nenhuma lei consegue eliminar: temos razão para fazer isso?”
Não aceites aquilo que te relatam como verdade jurídica; não aceites a tradição apenas por ser antiga; não aceites uma afirmação apenas porque está nos livros, na doutrina ou na jurisprudência; nem porque corresponde à tua convicção ou foi proferida por uma autoridade. Submete toda norma, argumento e decisão ao exame da razão, da Constituição e das provas. Sê, no Direito, uma lâmpada para ti mesmo.
O Direito que tolera a censura assina sua própria certidão de óbito, transformando a justiça em um monólogo do poder.
Onde a censura dita o verbo, o Direito deixa de ser a arte do justo para se tornar a coreografia da tirania.
Tirar a voz de um homem sob o pretexto de defendê-lo é o supremo sofisma da opressão institucionalizada.
O verdadeiro jurista vê na censura o sintoma de que a lei faliu na sua promessa de dignidade humana.
Um Estado que teme a crítica na ponta da língua é um Estado que já perdeu o controle sobre a justiça das suas próprias ações.
O Direito sem a liberdade de expressão é apenas uma prisão com assoalho de mármore e paredes de papel.
Silenciar o erro alheio pela força da censura é atestar a incompetência da própria verdade jurídica.
A palavra livre é o oxigênio do pacto social; a censura, o veneno injetado nas veias da constituição.
Quando a lei se arma contra a palavra, ela deixa de proteger a praça pública para fortificar o calabouço.
A censura é o curto-circuito da democracia: desliga a luz para que o arbítrio possa reinar sem testemunhas.
