Northon Salomao
“O Direito é uma humilde invenção humana contra a antiga tentação de homens se comportarem como deuses.”
“Há injustiças cometidas em nome de Deus que revelam menos sobre o céu do que sobre a ambição dos homens.”
“Talvez a grandeza do Direito esteja em proteger o homem justamente quando Deus é invocado como razão para abandoná-lo.”
“Onde ninguém pode falar em nome de Deus para retirar a liberdade de outro, o Direito encontrou talvez sua forma mais humana de transcendência.”
“O Direito não concede existência ao homem; concede à sua existência uma linguagem contra o arbítrio.”
“A injustiça mais profunda talvez seja aquela que transforma uma existência real em uma existência juridicamente invisível.”
“O Direito é a memória institucional de que nenhuma existência deve depender inteiramente da vontade de outra.”
“Toda pessoa carrega consigo uma pergunta que nenhum tribunal pode ignorar: por que minha existência valeria menos que a sua?”
“A lei organiza a sociedade; o Direito, quando é justo, impede que a sociedade desorganize a dignidade da existência.”
“Existir precede o Direito; ser reconhecido pelo Direito transforma a existência em presença civil.”
“O poder pergunta quem pode existir; o Direito deveria perguntar por que alguém poderia decidir isso sozinho.”
“A fronteira mais perigosa do Direito é aquela que separa uma existência protegida de uma existência descartável.”
“Quando o Direito esquece a existência concreta, a justiça pode sobreviver nos códigos e morrer nas pessoas.”
“Nenhuma Constituição é verdadeiramente humana se protege instituições com mais rigor do que protege existências.”
“O Direito nasceu para limitar o poder, mas sua obra mais difícil é impedir que o poder determine quem merece existir plenamente.”
“Há leis que regulam a existência e há leis que a reconhecem; somente estas últimas aproximam o Direito da justiça.”
“A existência não pede licença ao Direito para acontecer; pede ao Direito que não a destrua quando acontece.”
“Toda violação de direitos começa, em algum lugar, com a redução de uma existência à insignificância.”
