Northon Salomao
A permanência do Estado no controle formal de uma empresa não impede que a função estatal seja progressivamente privatizada pela fragmentação de sua estrutura econômica.
No Direito, a privatização não se define apenas pelo que o Estado vende, mas também pela função pública que deixa de poder exercer depois da venda.
A privatização juridicamente relevante não se mede apenas pelo ato que transfere a propriedade, mas também pelo processo que transfere, progressivamente, a substância econômica da função estatal.
O tempo perdido não se recupera permanecendo no lugar onde foi perdido. Não permita que aquilo que o passado lhe roubou determine também o que você ainda pode viver. O tempo que resta não é uma dívida com o que passou, mas a última liberdade que o futuro lhe oferece.
Você pode passar a vida esperando que o caos se dissipe, que as circunstâncias se alinhem e que o mundo finalmente lhe conceda a tranquilidade necessária para começar a viver. Até descobrir, tarde demais, que a vida nunca esteve à sua espera em algum lugar depois da tempestade: ela acontecia justamente no intervalo entre uma incerteza e outra, enquanto você adiava o presente à espera de um futuro que nunca prometeu ser mais sereno.
Não espere que a vida se torne tranquila para começar a vivê-la; a tranquilidade que você espera pode nunca chegar, enquanto o tempo que você desperdiça esperando jamais retornará. Há uma forma silenciosa de morrer: continuar adiando a própria vida até que o futuro se torne passado.
Não é a brevidade da vida que nos condena, mas a facilidade com que entregamos aos outros aquilo que jamais poderemos recuperar: o nosso tempo.
Enquanto esperamos que a vida finalmente comece, o tempo, indiferente às nossas hesitações, transforma cada adiamento em passado.
A vida não é necessariamente curta; nós é que frequentemente a reduzimos ao desperdiçar aquilo que nenhum patrimônio poderá comprar de volta.
Sofremos duas vezes quando permitimos que a imaginação transforme uma possibilidade futura em um sofrimento presente.
Nenhum caminho pode ser verdadeiramente favorável àquele que desconhece o destino que deseja alcançar.
Muitas coisas parecem impossíveis não porque excedam nossas forças, mas porque o medo as torna maiores antes mesmo que tenhamos coragem de enfrentá-las.
A fortuna é uma hóspede instável: pode permanecer conosco durante anos, mas jamais devemos confundi-la com aquilo que realmente nos pertence.
A verdadeira riqueza começa quando aquilo que possuímos deixa de ser menor que aquilo que desejamos.
Passamos grande parte da vida aprendendo a sobreviver às circunstâncias e somente tarde percebemos que ainda precisávamos aprender a viver.
Há homens tão ocupados administrando a própria existência que jamais encontram tempo para propriamente existir.
Quem necessita constantemente da aprovação alheia entrega aos outros uma autoridade que deveria permanecer dentro de si.
A felicidade torna-se mais possível quando o presente deixa de ser sacrificado em nome de um futuro que talvez jamais corresponda às nossas expectativas.
A verdade pode ser desconfortável, mas viver contra aquilo que sabemos ser verdadeiro é transformar a própria consciência em adversária.
A liberdade começa quando deixamos de ser governados por aquilo que desejamos, tememos ou esperamos que os outros pensem de nós.
A adversidade não cria necessariamente a grandeza, mas revela aquilo que permanecia oculto quando a vida ainda não havia exigido coragem.
A dificuldade é muitas vezes o lugar em que nossas capacidades, adormecidas pela facilidade, finalmente são obrigadas a despertar.
A ira promete vingança contra quem nos feriu, mas frequentemente começa destruindo aquele que a abriga.
Perdoar não significa declarar justa a ofensa; significa recusar ao passado o direito de continuar governando o presente.
