Northon Salomao
Há homens que procuram uma mulher para completar sua existência quando ainda não começaram a escrever a primeira página dela.
A autonomia não elimina o amor; elimina a necessidade de transformar amor em mecanismo de sobrevivência.
O indivíduo que conhece seus limites não precisa transformar cada despedida em tragédia nem cada encontro em promessa eterna.
A vida não deve ser medida pela quantidade de pessoas que desejam permanecer conosco, mas pela qualidade da pessoa que conseguimos ser quando ninguém está olhando.
Quem vive para corresponder às expectativas alheias pode chegar ao fim da vida com uma biografia impecável e uma identidade inexistente.
A solitude é intelectualmente fecunda quando deixa de ser ressentimento contra o mundo e se transforma em investigação sobre si mesmo.
O homem que transforma sua paz em condição para qualquer relacionamento talvez tenha compreendido algo que muitos descobrem tarde demais: nenhuma companhia vale o preço da própria desintegração.
A liberdade começa onde termina a necessidade de explicar continuamente nossas escolhas a quem não viverá suas consequências.
Não escolher o caminho esperado não significa fracassar; às vezes significa finalmente perceber que o caminho nunca foi nosso.
Nenhuma tradição deveria possuir autoridade suficiente para transformar uma possibilidade de felicidade em dever existencial.
O homem livre não pergunta qual vida será mais admirada; pergunta qual vida poderá habitar sem vergonha diante da própria consciência.
A pior forma de solidão talvez seja estar acompanhado por alguém diante de quem já não podemos ser nós mesmos.
Existem relacionamentos que aproximam duas pessoas e outros que afastam cada uma delas de si própria.
A intimidade verdadeira não exige dissolução da individualidade; exige que duas individualidades possam coexistir sem se colonizarem.
Quem precisa possuir para amar ainda não compreendeu completamente a diferença entre vínculo e domínio.
O amor maduro não promete eternidade porque conhece a contingência; promete apenas presença enquanto a liberdade de ambos puder sustentá-la.
A dignidade começa quando o medo de perder alguém deixa de ser maior que o medo de perder a própria integridade.
Nenhuma pessoa é propriedade emocional de outra, por mais profunda que seja a história compartilhada.
O homem que aceita a possibilidade de partir torna-se paradoxalmente mais capaz de permanecer sem submissão.
Cuidar de si não é necessariamente colocar-se acima dos outros; muitas vezes é apenas recusar-se a desaparecer abaixo deles.
A solidão pode ser dolorosa, mas a renúncia permanente à própria identidade cobra juros existenciais ainda maiores.
A liberdade afetiva exige aceitar uma verdade difícil: ninguém nos pertence e ninguém nos deve permanência.
