Marcelo Caetano Monteiro
JESUS CRISTO E JÚLIO CÉSAR: QUANDO A INFLUÊNCIA MORAL SUPERA O PODER.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Não é correto afirmar que há mais evidências HISTÓRICAS para Jesus do que para Júlio César. Os especialistas em história antiga reconhecem que César possui documentação mais abundante, incluindo seus próprios escritos, moedas cunhadas em vida, inscrições oficiais e testemunhos de contemporâneos.
Contudo, isso não diminui a força histórica da existência de Jesus. Pelo contrário. O que torna Jesus extraordinário é que, sendo um humilde pregador da Galileia, sem cargo político, sem exército, sem riqueza, sem posição aristocrática e sem deixar uma única linha escrita de próprio punho, sua existência histórica é aceita por praticamente todos os estudiosos da Antiguidade.
A verdadeira comparação não está na quantidade de documentos, mas na desproporção entre os meios utilizados e os resultados alcançados.
Júlio César conquistou o mundo romano através de legiões, guerras, poder político e recursos estatais. Seu nome tornou-se célebre porque comandava exércitos e governava territórios. Jesus, ao contrário, percorreu uma pequena região do Império Romano durante aproximadamente três anos de ministério público, cercado por pescadores, trabalhadores simples e pessoas marginalizadas pela sociedade de sua época. Ainda assim, sua influência atravessou vinte séculos e alcançou praticamente todas as civilizações da Terra.
Como observam os historiadores, existem múltiplas fontes independentes que confirmam a existência de Jesus, entre elas as cartas de Paulo, os Evangelhos, os testemunhos de Flávio Josefo e de Tácito. A existência de Jesus é considerada uma questão praticamente encerrada na historiografia moderna.
O próprio consenso acadêmico é resumido pela constatação de que a hipótese de que Jesus nunca existiu permanece à margem da pesquisa histórica séria.
O ponto mais impressionante, porém, não é apenas que Jesus existiu.
É que um homem que jamais ocupou um trono modificou mais tronos do que qualquer imperador.
Jamais comandou um exército, mas inspirou milhões a enfrentar impérios.
Jamais escreveu um livro, mas tornou-se o personagem mais estudado da história humana.
Jamais fundou uma universidade, mas influenciou profundamente a filosofia, a ética, o direito, a arte, a literatura e a própria concepção ocidental de dignidade humana.
Enquanto César precisou das legiões romanas para expandir sua influência, Jesus contou apenas com a força de suas palavras e do exemplo de sua vida.
Por isso, a supremacia histórica de Jesus não se encontra na quantidade de registros arqueológicos ou documentais quando comparados aos de César. Nessa categoria, César leva vantagem. A supremacia de Jesus encontra-se em algo muito mais difícil de explicar historicamente: o alcance incomparável de sua influência.
Em termos puramente humanos, César conquistou vastos territórios. Jesus conquistou consciências.
César transformou a geografia política de seu tempo. Jesus transformou a história espiritual da humanidade.
Eis o paradoxo que continua fascinando historiadores, filósofos e teólogos: um carpinteiro da Galileia, que pregou durante cerca de três anos numa remota província romana, produziu consequências históricas incomparavelmente maiores do que as dos mais poderosos governantes da Antiguidade. Essa é, talvez, a evidência mais impressionante da singularidade de sua passagem pela Terra.
Jesus Além da Historicidade: A Supremacia que Não se Explica Apenas Pela História
Quando estudamos Jesus apenas como personagem histórico, encontramos um homem inserido em uma Palestina dominada por Roma, marcada por violência, desigualdade, conflitos religiosos e expectativas messiânicas. Era um mundo onde o poder pertencia aos imperadores, aos governadores, às elites sacerdotais e às instituições que controlavam a vida social e religiosa.
Mas limitar Jesus ao contexto histórico é não compreender o fenômeno que ele representa.
A história explica o cenário em que Jesus apareceu; não explica plenamente o impacto que ele causou.
Muitos líderes viveram sob Roma. Muitos pregadores percorreram a Judeia. Muitos revolucionários desafiaram o sistema. Quase todos desapareceram com a própria morte.
Jesus, porém, produziu o efeito contrário.
Quanto mais distante de seu tempo, maior se tornou sua influência.
O Paradoxo Histórico
Historicamente falando, Jesus não possuía nada do que costuma perpetuar um nome na memória humana.
Não escreveu livros.
Não comandou exércitos.
Não governou reinos.
Não acumulou riquezas.
Não fundou universidades.
Não ocupou cargos políticos.
Não deixou monumentos.
Não pertenceu à aristocracia.
Morreu executado da forma mais humilhante reservada pelo Império Romano: a crucificação.
Se analisarmos apenas pelos critérios normais da história, tudo indicava que seu nome desapareceria em poucas décadas.
Entretanto, ocorreu exatamente o contrário.
O carpinteiro da Galileia tornou-se a figura mais estudada, discutida, amada, odiada, admirada e influente da civilização humana.
A pergunta deixa de ser "Jesus existiu?" para tornar-se:
Como um homem sem poder material produziu um efeito histórico maior que imperadores, reis, filósofos e conquistadores?
A Grandeza Não Está Nos Milagres
Muitas vezes a discussão sobre Jesus fica presa aos milagres.
Mas mesmo retirando temporariamente os milagres da análise, algo extraordinário permanece.
Sua visão moral.
Enquanto a civilização antiga exaltava força, vingança, honra tribal e domínio, Jesus proclamou:
Amar os inimigos.
Perdoar os ofensores.
Ajudar os pobres.
Valorizar os humildes.
Servir em vez de dominar.
Vencer o mal com o bem.
Esses princípios continuam desafiando a humanidade dois mil anos depois.
A maioria dos grandes impérios foi construída pela espada.
Jesus construiu sua influência por meio de palavras.
Jesus Como Fenômeno Espiritual
É aqui que a mera historicidade torna-se insuficiente.
A história pode demonstrar que Jesus viveu.
Pode demonstrar que foi crucificado.
Pode demonstrar que surgiu um movimento em seu nome.
Mas não consegue medir algo mais profundo:
o efeito interior que sua personalidade continua produzindo.
A história registra acontecimentos.
Jesus transformou consciências.
E consciências transformadas não cabem integralmente nos arquivos da história.
Por isso, para milhões de pessoas ao longo dos séculos, Jesus não é apenas um personagem do passado.
Ele é uma presença.
Uma referência moral.
Um modelo espiritual.
Um arquétipo de perfeição humana.
A Visão Espírita
Segundo Allan Kardec, a superioridade de Jesus não decorre de privilégios sobrenaturais arbitrários, mas de sua condição de Espírito de ordem elevadíssima.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo.
A resposta dos Espíritos é simples e direta:
"Jesus."
Na perspectiva espírita, sua grandeza não está apenas no que fez, mas no que era.
Seu domínio sobre si mesmo.
Sua ausência de egoísmo.
Sua perfeita união entre pensamento, sentimento e ação.
Sua capacidade de amar sem distinções.
Sua completa fidelidade à lei divina.
Por isso, para o Espiritismo, Jesus não é apenas um mestre entre outros mestres.
É o modelo mais elevado conhecido pela humanidade terrestre.
O Cristo Que Ultrapassa a História
A história nos mostra Jesus caminhando pelas estradas da Galileia.
A filosofia revela a profundidade de seus ensinamentos.
A moral evidencia a perfeição de seus exemplos.
A espiritualidade percebe algo ainda maior.
Há figuras históricas que pertencem ao seu século.
Jesus parece pertencer a todos os séculos.
Há homens que marcaram uma nação.
Jesus marcou a civilização.
Há líderes que transformaram governos.
Jesus transformou consciências.
Por isso sua supremacia não repousa apenas em documentos, testemunhos ou debates acadêmicos.
Ela repousa no fato singular de que, após dois milênios, sua figura continua sendo medida não pelo que recebeu do mundo, mas pelo que continua oferecendo ao mundo.
A história prova sua existência.
Mas sua influência transcende a própria história.
E talvez seja exatamente aí que resida sua maior supremacia: não apenas ter vivido no tempo, mas continuar falando ao espírito humano como se jamais tivesse partido.
Fontes:
O Livro dos Espíritos.
A Gênese.
Christiane Saulnier e Bernard Rolland, A Palestina no Tempo de Jesus.
#JesusCristo #JesusHistórico #Cristo #Espiritismo #AllanKardec #FilosofiaCristã #HistóriaDoCristianismo #SuperioridadeMoral #Evangelho #ConsciênciaEspiritual #Cristianismo #EstudoEspírita #ModeloEGuia #ReinoDeDeus #JesusAlémDaHistória
O MUNDO ESPIRITUAL.
Esse tema de O Livro dos Espíritos é um dos mais profundos de toda a Codificação, porque estabelece uma inversão completa da maneira comum pela qual a Humanidade costuma enxergar a existência.
Kardec pergunta qual dos dois mundos é o principal: o espiritual ou o material. A resposta dos Espíritos é categórica:
"O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo."
Isso significa que o mundo espiritual não é uma consequência do mundo físico; ao contrário, o mundo físico é que constitui uma condição transitória dentro da realidade espiritual.
O significado de "Mundo Normal Primitivo"
A expressão "mundo normal primitivo" não deve ser entendida como algo rudimentar ou atrasado.
Na linguagem empregada por Kardec, "primitivo" significa primeiro, originário, fundamental.
Assim, o mundo dos Espíritos é chamado de:
Mundo normal, porque nele os Espíritos vivem em seu estado natural.
Mundo primitivo, porque ele existe antes da encarnação e permanece depois da desencarnação.
A vida corporal é temporária; a vida espiritual é permanente.
O Espírito não foi criado para ser homem ou mulher, rico ou pobre, jovem ou velho. Essas são circunstâncias passageiras da experiência terrestre. Sua verdadeira condição é a de ser espiritual.
A matéria é secundária
A questão 86 é extraordinária:
"O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?"
"Decerto."
A resposta mostra que o universo material não é a base da realidade.
Se toda a matéria desaparecesse, os Espíritos continuariam existindo.
Isso não significa que a matéria seja inútil. Pelo contrário. Ela é instrumento de progresso.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec demonstra que a encarnação é uma necessidade educativa. O Espírito utiliza a matéria para desenvolver inteligência, sentimentos, experiência e responsabilidade moral.
A matéria é escola.
O Espírito é o aluno.
Os Espíritos estão por toda parte
A questão 87 talvez seja uma das mais impressionantes de toda a obra.
Os Espíritos afirmam:
"Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos."
Não existe um "céu" localizado em alguma região específica do universo.
O mundo espiritual não é um lugar isolado.
Ele interpenetra toda a criação.
Os Espíritos vivem ao nosso redor, movem-se entre nós e compartilham os mesmos espaços físicos sem serem percebidos pelos sentidos corporais.
Por isso os Benfeitores acrescentam:
"Tendes muitos deles de contínuo ao vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando."
Essa observação possui enorme consequência filosófica e moral.
Jamais estamos verdadeiramente sós.
Nossos pensamentos, sentimentos e atos repercutem no ambiente espiritual que nos cerca.
Criamos afinidades.
Atraímos companhias.
Estabelecemos sintonia.
Daí a importância que toda a Codificação dá à vigilância dos pensamentos, à reforma moral e à elevação das intenções.
Uma potência da Natureza
Outro ponto frequentemente ignorado é quando os Espíritos afirmam:
"Os Espíritos são uma das potências da natureza."
Kardec não apresenta os Espíritos como seres sobrenaturais.
Para o Espiritismo, não existe sobrenatural.
Os Espíritos fazem parte das leis divinas da criação, assim como a gravidade, o magnetismo, a eletricidade ou qualquer outra força natural.
A diferença é que a ciência da época ainda não possuía instrumentos adequados para estudar plenamente essa dimensão da realidade.
Por isso Kardec insistia que o Espiritismo não veio destruir as leis da Natureza, mas revelar leis ainda desconhecidas.
Regiões interditas aos menos adiantados
A resposta termina com uma observação importante:
"Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados."
Não se trata de castigo arbitrário.
É uma questão de afinidade vibratória e moral.
Assim como uma criança não acompanha um curso universitário porque ainda não possui preparação intelectual, os Espíritos inferiores não conseguem permanecer em esferas mais elevadas porque lhes faltam condições morais para isso.
Cada Espírito habita naturalmente o ambiente compatível com seu grau de adiantamento.
O progresso moral amplia os horizontes da alma.
Quanto mais o Espírito se purifica, mais vasto se torna o universo ao qual pode ter acesso.
Reflexão:
Essas quatro questões (84 a 87) condensam uma das teses centrais da Doutrina Espírita:
Nós não somos seres materiais que ocasionalmente possuem uma alma. Somos Espíritos imortais que temporariamente utilizam um corpo.
Antes do nascimento já existíamos.
Depois da morte continuaremos existindo.
A encarnação é apenas um capítulo da jornada infinita da alma.
O mundo espiritual não é um lugar distante para onde iremos um dia. Segundo Kardec, ele nos envolve neste exato instante, constituindo o verdadeiro cenário da vida universal.
A Terra é uma estação de aprendizado.
O Espírito é o viajante eterno.
E o mundo espiritual é sua pátria de origem e de destino.
Fonte: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
ABISMO DE CHUVA E SILÊNCIO.
A noite escorria pelas vidraças como um lamento antigo. A chuva, paciente e infinita, desenhava caminhos líquidos sobre o mundo adormecido, enquanto o vento carregava murmúrios que pareciam nascer das regiões mais esquecidas da alma.
Havia olhos perdidos diante da tempestade. Olhos que já contemplaram auroras e, ainda assim, encontravam-se aprisionados em crepúsculos intermináveis. Pupilas saturadas de desalento, refletindo relâmpagos distantes como se cada clarão revelasse uma ferida escondida sob camadas de resignação.
A solidão sentava-se ao lado da tristeza como uma companheira inseparável. Não havia vozes. Não havia braços. Apenas o eco de pensamentos vagando por corredores escuros da consciência. Dentro do peito, um precipício. E, no fundo desse precipício, outro abismo ainda mais profundo, onde desciam as esperanças abandonadas, os sonhos desfeitos e as palavras jamais pronunciadas.
Existem momentos em que o ser humano passa a acreditar naquilo que lhe imputam. Chamam-no de fracasso, e ele se vê derrotado. Nomeiam-no insignificante, e ele se sente invisível. Tratam-no como sombra, e ele aprende a caminhar entre as sombras. Aos poucos, a identidade torna-se uma veste costurada pelas opiniões alheias, até que resta apenas a sensação de ser nada.
Nada diante dos julgamentos.
Nada perante as expectativas.
Nada sob o peso das comparações.
E então surge a impressão de que o vazio venceu.
Mas o vazio mente.
Porque mesmo nas profundezas onde a luz parece impossível, permanece uma centelha indestrutível. Ela não grita. Não exige atenção. Não se impõe. Apenas resiste.
A chuva continua caindo.
Os olhos continuam chorando.
A noite continua extensa.
Contudo, nenhuma tempestade possui autoridade sobre a eternidade do amanhecer.
O abismo pode parecer infinito para quem está à sua margem, porém nenhum desfiladeiro é capaz de devorar aquilo que nasceu para ascender. A dor ensina permanência, mas a essência ensina transcendência.
Talvez hoje você caminhe entre ruínas.
Talvez carregue ausências.
Talvez sinta o coração cercado por névoas.
Ainda assim, existe algo em você que não foi derrotado.
Algo que sobreviveu a todas as quedas.
Algo que atravessou todas as noites.
Algo que permaneceu vivo quando tudo parecia perdido.
E é justamente esse fragmento luminoso que conduzirá seus passos para fora da escuridão.
Quando a chuva cessar, você perceberá que nunca foi o nada que disseram.
Era apenas uma estrela esquecida sob nuvens densas, aguardando o instante de voltar a brilhar.
Mensagem final
Nem toda tristeza anuncia um fim; muitas vezes ela prepara uma transformação. Os abismos que hoje parecem definitivos podem tornar-se as profundezas de onde nascerá sua maior força. Continue. Há auroras que somente os que atravessam a noite conseguem contemplar.
A DAMA ALVA DAS SOMBRAS: O ETERNO ENIGMA DE ELIZABETH BÁTHORY.
Houve mulheres que atravessaram a História como rainhas.
Outras, como mártires.
E algumas poucas caminharam entre ambas as condições, envoltas por um nevoeiro tão espesso que jamais permitiu distinguir onde terminava a vítima e onde começava o monstro.
Elizabeth Báthory foi uma delas.
Nascida entre os salões aristocráticos da Hungria do século XVI, veio ao mundo cercada por brasões, riquezas e privilégios. Contudo, por trás da magnificência dos castelos, existia uma menina frágil, de tez quase translúcida, olhar distante e alma marcada por sofrimentos precoces. Relatos históricos mencionam enfermidades, convulsões e crises que a acompanhavam desde a infância, como se seu espírito já pressentisse uma existência destinada à tormenta.
Era uma dessas figuras cuja beleza parecia não pertencer inteiramente à Terra.
Sua pele possuía a alvura das primeiras neves do inverno.
Seus cabelos lembravam fios de ouro envelhecidos pela luz dos crepúsculos.
E seus olhos, segundo os cronistas, carregavam aquela estranha tristeza encontrada apenas nas pessoas que jamais conheceram verdadeira paz.
Ao contemplá-la, talvez alguém visse uma princesa.
Ao observá-la mais atentamente, perceberia uma sombra.
Elizabeth cresceu entre guerras, intrigas políticas e uma nobreza que transformava crueldade em demonstração de poder. Casou-se muito jovem com Ferenc Nádasdy, um dos mais temidos guerreiros da Hungria, e passou a habitar os austeros castelos erguidos entre montanhas cobertas de névoa. Enquanto o marido combatia exércitos distantes, ela permanecia cercada por corredores silenciosos, tapeçarias escuras e invernos intermináveis.
Foi ali que nasceu a lenda.
Ou talvez a tragédia.
Ou ambas.
Dizem que a solidão começou a consumi-la como um fogo invisível.
Dizem que o sofrimento tornou-se companhia.
Dizem que a dor, quando permanece tempo demais no coração humano, pode assumir formas monstruosas.
Mas também dizem que seus inimigos eram numerosos.
Que sua fortuna despertava cobiça.
Que sua condição de mulher poderosa em um mundo dominado por homens a transformava em alvo conveniente.
E é precisamente nesse ponto que a História se desfaz em bruma.
Durante séculos, narraram que ela torturava jovens donzelas.
Que castigos inimagináveis aconteciam nos aposentos de seu castelo.
Que centenas de vidas teriam desaparecido sob sua autoridade.
Que rios de sangue teriam corrido entre aquelas pedras ancestrais.
Porém, estudiosos modernos observam que muitas acusações foram baseadas em rumores, testemunhos indiretos e interesses políticos. Alguns pesquisadores sustentam que ela pode ter sido vítima de uma campanha destinada a enfraquecer sua influência e tomar seus bens. A própria narrativa dos famosos banhos de sangue parece ter surgido muito tempo depois dos acontecimentos, alimentada por lendas e imaginação popular.
E assim Elizabeth permanece.
Não como uma mulher.
Mas como um enigma.
Uma figura suspensa entre a realidade e o pesadelo.
Uma aparição que atravessa os séculos vestida de branco.
Às vezes parece uma criatura devorada pela própria escuridão.
Outras vezes, uma alma condenada injustamente pela crueldade dos homens e pelas conveniências da política.
Talvez jamais saibamos.
Talvez a verdade tenha morrido muito antes dela.
Em 1614, confinada dentro de seu próprio castelo, distante do mundo e dos tribunais da posteridade, Elizabeth encontrou o fim de sua jornada terrena. Não houve absolvição. Não houve condenação definitiva. Apenas silêncio.
E o silêncio, por vezes, é o mais profundo dos túmulos.
Hoje, quando o vento percorre as ruínas de Čachtice e a névoa cobre as antigas muralhas, parece ainda existir uma presença vagando entre aquelas pedras.
Não a da assassina.
Não a da inocente.
Mas a da eterna incógnita.
A mulher cuja beleza tornou-se lenda.
Cuja dor transformou-se em mito.
Cuja história foi escrita com a tinta ambígua dos séculos.
Benfeitora ou maligna?
Anjo ferido ou espectro cruel?
A resposta talvez pertença apenas às sombras.
E nelas permanecerá para sempre.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.
O PASSE À LUZ DE ALLAN KARDEC.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Natureza, Fundamentos, Limites e Equívocos Sobre Uma das Práticas Mais Conhecidas do Espiritismo.
Entre os diversos temas que cercam o movimento espírita, poucos despertam tantas dúvidas quanto o passe. Ao longo dos anos, surgiram métodos, nomenclaturas, gesticulações, técnicas e interpretações variadas que, muitas vezes, acabaram por obscurecer aquilo que realmente foi ensinado por Allan Kardec. Para compreender o passe com fidelidade doutrinária, é necessário retornar às obras fundamentais da Codificação Espírita e examinar cuidadosamente o que o Codificador efetivamente escreveu sobre a transmissão dos fluidos, o magnetismo e a ação curadora.
Antes de tudo, convém observar que a palavra "passe", tal como é utilizada atualmente nas casas espíritas, não aparece sistematicamente na Codificação. Contudo, os princípios que sustentam essa prática encontram-se amplamente desenvolvidos nas obras de Kardec por meio dos estudos sobre magnetismo, fluidos espirituais, mediunidade curadora e ação dos Espíritos sobre os encarnados.
O passe, na sua essência, pode ser definido como uma transmissão fluídica. Trata-se da ação pela qual determinados fluidos são dirigidos de um ser para outro que também deve contribuir positivamente e com objetivos de auxílio, equilíbrio, fortalecimento ou alívio. Não constitui milagre, magia, ritual religioso ou concessão sobrenatural. É, segundo Kardec, um fenômeno natural submetido a leis igualmente naturais, ainda que ainda desconhecidas pela ciência de sua época.
Em A Gênese, ao estudar os fluidos espirituais, Kardec ensina que a ação magnética pode ocorrer de três maneiras distintas.
A primeira ocorre pela atuação exclusiva do fluido do magnetizador. Nesse caso, a pessoa transmite seus próprios recursos fluídicos ao beneficiário.
A segunda ocorre pela ação direta dos Espíritos, independentemente da participação fluídica significativa de um encarnado.
A terceira, e mais importante para a compreensão do passe espírita, resulta da combinação entre o fluido humano e o fluido espiritual. Kardec denominou essa modalidade de magnetismo misto ou humano-espiritual. É justamente nessa categoria que se enquadra a prática do passe nas instituições espíritas.
O passista, portanto, não é um curador milagroso nem um indivíduo dotado de poderes excepcionais. Sua função assemelha-se muito mais à de um colaborador, um intermediário, um cooperador dos Bons Espíritos. Ele oferece seus recursos fluídicos e sua disposição moral para que a assistência espiritual possa agir com maior eficiência.
Essa compreensão elimina uma das maiores distorções existentes em torno do passe: a crença de que o poder estaria na pessoa que o aplica.
Kardec foi categórico ao afirmar que os fluidos não são independentes das condições morais daquele que os emite. Os pensamentos, sentimentos, intenções e tendências íntimas modificam profundamente a qualidade das emanações fluídicas. Assim, o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a agressividade ou a malícia podem impregnar negativamente os fluidos humanos, enquanto a benevolência, a humildade, a caridade e a sinceridade contribuem para sua elevação.
Na Revista Espírita de setembro de 1865, Kardec destaca que os fluidos transmitidos pelos indivíduos sofrem influência direta do estado moral de quem os exterioriza. Já na edição de novembro de 1866, enfatiza que a depuração íntima constitui uma das condições fundamentais para os que desejam trabalhar na assistência fluídica.
Essa observação possui enorme importância doutrinária.
Significa que o verdadeiro preparo para o passe não consiste apenas em estudar técnicas. O essencial é o esforço permanente de renovação moral. Quanto mais elevado o sentimento, mais harmoniosa tende a ser a natureza dos fluidos colocados em circulação.
Não é sem motivo que os Espíritos superiores ensinam repetidamente que a autoridade moral vale mais que qualquer recurso exterior. sob a ótica kardeciana. Pequenos comportamentos, quando não esclarecidos, podem acabar sendo interpretados como requisitos espirituais, técnicas especiais ou procedimentos indispensáveis, gerando tradições que, com o passar do tempo, se cristalizam sem qualquer fundamento doutrinário.
Como exemplo citamos, a atitude da respeitável senhora de retirar as chinelas antes de aplicar o passe pode ser perfeitamente natural e humana. Talvez seus pés estejam inchados, doloridos, sensíveis ao calor ou ao tempo prolongado em pé. Talvez ela simplesmente encontre maior conforto físico dessa forma. Nada há de errado nisso.
Entretanto, o problema surge quando observadores menos experientes, especialmente os recém-chegados à Casa Espírita, passam a atribuir significado espiritual ao gesto.
Alguém pode concluir silenciosamente:
— "Ela tira os calçados para descarregar energias."
Outro poderá pensar:
— "Os fluidos passam melhor pelos pés descalços."
Um terceiro poderá imaginar:
— "Esse é um procedimento utilizado pelos trabalhadores mais experientes."
E assim, sem má-fé de ninguém, nasce uma crença.
Mais tarde, essa crença pode transformar-se em costume.
Depois, o costume pode adquirir aparência de regra.
Por fim, a regra acaba sendo vista como princípio doutrinário.
Foi exatamente contra esse mecanismo que Allan Kardec tantas vezes advertiu. Em suas obras, encontramos constante preocupação em distinguir os princípios fundamentais do Espiritismo das práticas particulares adotadas por pessoas ou instituições.
A função da direção doutrinária de uma Casa Espírita não é vigiar gestos inocentes nem constranger trabalhadores idosos ou enfermos. Pelo contrário, deve acolhê-los com carinho e respeito. Mas cabe-lhe exercer permanente vigilância educativa para impedir que hábitos pessoais sejam confundidos com ensinamentos espíritas.
Uma orientação discreta poderia ser suficiente.
Sem expor a senhora.
Sem criar constrangimento.
Sem transformar algo simples em problema.
Em estudos, reuniões de trabalhadores ou esclarecimentos aos frequentadores, pode-se explicar que:
O passe não depende de roupas especiais, posição do corpo, pés descalços, movimentos específicos das mãos ou qualquer ritual exterior. Eventuais atitudes individuais decorrem de necessidades pessoais, conforto físico ou hábitos particulares, não constituindo normas da Doutrina Espírita.
Essa postura preserva simultaneamente dois valores importantes:
A caridade para com a trabalhadora, respeitando sua idade e suas limitações físicas.
A pureza doutrinária, evitando que observações equivocadas gerem superstições futuras.
A história do movimento espírita demonstra que muitos dos chamados "mistérios" nasceram justamente de interpretações apressadas de atos que, originalmente, eram apenas circunstâncias pessoais. Um lenço usado por alguém, uma cadeira específica, uma prece repetida, um gesto das mãos, um copo d'água colocado em determinado local, tudo isso pode adquirir, na imaginação humana, uma importância que jamais possuiu em sua origem.
O método kardeciano recomenda sempre perguntar:
"Isto é uma necessidade humana ou um princípio doutrinário?"
Se for necessidade humana, merece respeito.
Se for princípio doutrinário, deve encontrar apoio nas obras fundamentais.
Essa distinção simples protege a Casa Espírita da ritualização e conserva a simplicidade que caracterizou o Espiritismo desde os seus primórdios.
Como ensina Kardec, o valor do passe não está nos pés calçados ou descalços, nas mãos abertas ou fechadas, nos movimentos lentos ou rápidos. O essencial encontra-se na vontade de servir, na qualidade dos fluidos transmitidos e na assistência dos Bons Espíritos.
Todo o resto pertence ao campo das circunstâncias humanas, que merecem compreensão, mas não veneração.
Sob essa ótica, o passe não é uma demonstração de poder, mas um exercício, de serviço.
Não é um privilégio.
Não é um título.
Não é uma posição hierárquica.
É uma oportunidade de auxílio fraterno.
Outro aspecto frequentemente mal compreendido diz respeito às técnicas de aplicação.
Atualmente encontram-se diversas classificações: passe longitudinal, transversal, dispersivo, concentrador, cruzado, de sustentação, de limpeza, entre outras denominações.
Contudo, quando examinamos rigorosamente a Codificação, verificamos que Allan Kardec jamais estabeleceu qualquer dessas técnicas como norma doutrinária.
Em nenhum ponto de O Livro dos Médiuns, A Gênese, Obras Póstumas ou da Revista Espírita encontramos prescrições determinando que determinados movimentos das mãos produzam necessariamente efeitos específicos.
A razão é simples.
Para Kardec, os fluidos são dirigidos primordialmente pelo pensamento e pela vontade.
O movimento físico constitui elemento secundário.
Em A Gênese, Kardec explica que os Espíritos manipulam os fluidos por meio do pensamento, da mesma forma que os homens manipulam objetos materiais pelas mãos. O pensamento funciona como força orientadora, modeladora e direcionadora da substância fluídica.
Consequentemente, não existe fundamento doutrinário para afirmar que determinado gesto seja indispensável à eficácia do passe.
Se um movimento auxiliar favorece a concentração do passista, pode ser utilizado como recurso pessoal. Entretanto, não pode ser elevado à condição de princípio doutrinário obrigatório.
O mesmo raciocínio aplica-se ao chamado passe transversal, longitudinal ou qualquer outra classificação surgida posteriormente.
Tais sistemas pertencem principalmente ao campo experimental do magnetismo e das práticas desenvolvidas após a Codificação.
Podem constituir hipóteses de trabalho.
Podem representar experiências particulares.
Podem até apresentar resultados observados por determinados grupos.
Mas não integram o corpo doutrinário codificado por Kardec.
O critério kardeciano permanece sempre o mesmo:
Está nas obras fundamentais ou trata-se de elaboração posterior?
Se for elaboração posterior, merece respeito como experiência humana, mas não deve ser confundida com princípio espírita universal.
Questão semelhante surge em relação ao chamado passe de assopro.
Historicamente, o uso do sopro remonta às práticas magnetistas do século XIX. Muitos magnetizadores acreditavam que a insuflação poderia concentrar, estimular ou dispersar fluidos.
Kardec conhecia essas experiências e não negava a possibilidade de ação magnética através do sopro. Todavia, jamais transformou essa prática em requisito do Espiritismo.
O que realmente importa, segundo a visão kardeciana, não é o instrumento utilizado, mas a qualidade da ação fluídica produzida.
Pode haver transmissão pelo olhar.
Pode haver transmissão pela palavra.
Pode haver transmissão pela imposição das mãos.
Pode haver transmissão pelo pensamento.
Pode haver transmissão pelo sopro.
Nenhum desses meios possui virtude própria.
Todos são apenas veículos.
O elemento essencial permanece sendo a vontade dirigida ao bem, a qualidade dos fluidos emitidos e a assistência dos Bons Espíritos.
Quando um gesto exterior passa a ser considerado indispensável ou dotado de eficácia própria, corre-se o risco de transformar um fenômeno natural em ritual.
E foi justamente contra a ritualização que Kardec tantas vezes advertiu.
O Espiritismo nasceu para libertar o pensamento das superstições, não para criar novas.
Por essa razão, o passe espírita autêntico deve ser simples.
Sem fórmulas sacramentais.
Sem palavras mágicas.
Sem objetos especiais.
Sem gestos obrigatórios.
Sem teatralizações.
Sem personalismos.
Sem comercialização.
A força do passe não reside nas aparências.
Reside na ação dos fluidos sob a direção da inteligência e da vontade.
Reside na sintonia com os Bons Espíritos.
Reside na sinceridade do sentimento.
Reside no esforço moral de quem serve.
Sobretudo, reside na submissão às leis divinas que governam as relações entre Espírito, perispírito e matéria.
Assim, a posição de Allan Kardec sobre o passe pode ser resumida em alguns princípios fundamentais:
O passe possui fundamento legítimo dentro da Doutrina Espírita.
Trata-se de uma transmissão fluídica natural.
Pode ocorrer pela ação humana, espiritual ou pela combinação de ambas.
A qualidade moral do agente influencia a natureza dos fluidos transmitidos.
O pensamento e a vontade são fatores essenciais.
Não existem técnicas obrigatórias estabelecidas pela Codificação.
Gestos e movimentos são secundários.
Não há poderes miraculosos no passista.
O auxílio dos Bons Espíritos desempenha papel decisivo.
Toda ritualização deve ser evitada.
À luz de Kardec, portanto, o passe não é uma cerimônia. É um ato de fraternidade.
Não é um privilégio reservado a alguns. É uma forma de cooperação no bem.
Não é uma prática mágica. É uma aplicação das leis naturais que regem o intercâmbio fluídico entre os seres.
Quanto mais simples, sincero e moralmente elevado for o trabalhador, mais próximo estará do espírito da Codificação.
Porque, em última análise, o verdadeiro passe não nasce das mãos.
Nasce da alma.
Fontes:
A Gênese.
O Livro dos Médiuns.
Obras Póstumas.
Revista Espírita.
Estudos históricos sobre magnetismo e transmissão fluídica no século XIX.
Análises doutrinárias de instituições kardecianas sobre a distinção entre Codificação Espírita e práticas posteriores.
PRESSENTIMENTO NÃO É FATALISMO.
PRESSENTIMENTO E A DOUTRINA ESPÍRITA.
A Voz Silenciosa que Fala ao Espírito
“O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem.”
— Allan Kardec.
Entre os muitos fenômenos da vida espiritual estudados por Allan Kardec, poucos são tão comuns e, ao mesmo tempo, tão mal compreendidos quanto o pressentimento. Quase todos os seres humanos já experimentaram aquela sensação indefinível que antecede um acontecimento: uma advertência interior, uma impressão persistente, uma certeza sem raciocínio aparente, uma voz silenciosa que parece surgir das profundezas da consciência.
Para muitos, trata-se apenas de intuição. Para outros, de coincidência psicológica. Entretanto, na perspectiva espírita, o pressentimento possui uma explicação muito mais ampla, ligada à realidade da alma imortal e à influência constante do mundo espiritual sobre o mundo material.
O Que É o Pressentimento?
Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta diretamente sobre o fenômeno do pressentimento.
Os Espíritos respondem que ele é uma espécie de advertência íntima, uma inspiração que chega ao indivíduo por meio da ação benéfica dos Espíritos protetores ou pelo conhecimento inconsciente que o próprio Espírito possui de seu programa reencarnatório.
O pressentimento não é necessariamente uma previsão absoluta do futuro. Ele representa uma percepção antecipada de probabilidades, riscos ou acontecimentos que se aproximam do campo de experiência da criatura.
É como uma luz tênue surgindo antes do amanhecer.
Não revela todo o caminho, mas permite enxergar perigos, oportunidades e escolhas.
O Anjo Guardião e os Conselhos Invisíveis
A Doutrina Espírita ensina que ninguém está abandonado.
Cada pessoa possui a assistência de Espíritos superiores encarregados de auxiliar seu progresso moral.
Esses benfeitores espirituais não impõem decisões nem anulam o livre-arbítrio. Sua atuação é discreta, respeitosa e profundamente amorosa.
Frequentemente, eles inspiram:
ideias repentinas;
mudanças de direção;
advertências interiores;
sensações de cautela;
impulsos para a prática do bem.
O pressentimento é uma das formas mais sutis dessa assistência.
Quando alguém sente forte impulso para evitar determinado local, mudar um plano ou tomar uma decisão prudente, pode estar captando, ainda que inconscientemente, a orientação daqueles que velam por seu caminho.
Não se trata de milagre.
Trata-se de comunicação espiritual em seu estado mais delicado.
O Pressentimento Também Pode Vir do Próprio Espírito.
Existe outro aspecto profundamente interessante.
O Espírito encarnado não perde completamente a lembrança dos compromissos assumidos antes do nascimento.
Embora o véu do esquecimento oculte a maior parte dessas informações, algumas impressões permanecem gravadas nas profundezas do ser.
Em certos momentos, elas emergem à consciência como pressentimentos.
Por isso, algumas pessoas sentem inexplicável convicção diante de acontecimentos importantes:
encontros decisivos;
mudanças de cidade;
oportunidades profissionais;
desafios familiares;
provas inevitáveis.
Nesses casos, o pressentimento pode representar uma percepção parcial de algo que já estava previsto em seu roteiro reencarnatório.
Pressentimento Não É Fatalismo.
Um erro comum consiste em imaginar que o pressentimento prova a existência de um destino rígido e imutável.
Kardec combate essa ideia.
O Espiritismo ensina que o futuro não é absolutamente determinado.
Existem tendências, provas, consequências e probabilidades, mas o livre-arbítrio permanece soberano.
Quando um Espírito amigo adverte alguém através de um pressentimento, seu objetivo geralmente é permitir que a pessoa evite sofrimentos desnecessários ou faça escolhas mais acertadas.
Assim, o pressentimento não elimina a liberdade.
Ao contrário, amplia a responsabilidade.
Como Distinguir um Verdadeiro Pressentimento?
Nem toda impressão interior possui origem espiritual elevada.
A imaginação, o medo, a ansiedade e os desejos pessoais também produzem pensamentos intensos.
Por isso Kardec recomenda prudência.
O verdadeiro pressentimento costuma apresentar características específicas:
surge espontaneamente;
não é acompanhado de pânico;
possui serenidade moral;
repete-se com persistência;
conduz à prudência e ao bem.
Já as impressões provenientes do medo ou da obsessão geralmente provocam perturbação, desespero, confusão e inquietação excessiva.
Os bons Espíritos esclarecem.
Os maus Espíritos perturbam.
Essa é uma regra prática de grande valor.
A Consciência Como Templo da Inspiração
Quanto mais a criatura cultiva a vida moral, mais sensível se torna às inspirações superiores.
A oração sincera, o estudo edificante, a caridade e a reforma íntima funcionam como instrumentos de sintonia espiritual.
Um rádio mal ajustado produz ruídos.
Uma consciência disciplinada capta mensagens mais nítidas.
Por isso os grandes benfeitores espirituais sempre destacaram que a melhor proteção contra os enganos não é a mediunidade ostensiva, mas o aperfeiçoamento moral.
A alma que busca a verdade com sinceridade aprende gradualmente a reconhecer a voz dos bons conselheiros invisíveis.
O Pressentimento na Vida Cotidiana
Muitas experiências aparentemente simples podem conter a presença desse fenômeno:
a lembrança repentina de alguém que necessita de auxílio;
a decisão de adiar uma viagem;
o impulso de visitar um amigo;
a sensação de evitar determinada escolha;
a inspiração para realizar uma boa ação.
Frequentemente, somente mais tarde compreendemos o significado desses impulsos.
Aquilo que parecia mera coincidência revela-se parte de uma rede invisível de auxílio e providência.
A vida espiritual está muito mais próxima do que imaginamos.
Reflexão:
O pressentimento é uma das mais delicadas demonstrações de que o homem não caminha sozinho pelo universo.
Por trás das inquietações nobres, das advertências silenciosas e das inspirações para o bem, pode existir a presença amorosa daqueles que nos acompanham desde antes do nascimento.
Nem toda impressão interior deve ser aceita sem exame, mas também não convém desprezar a voz tranquila da consciência quando ela insiste em nos orientar para a prudência, a caridade e a retidão.
À medida que crescemos moralmente, aprendemos a perceber que Deus não fala apenas através dos grandes acontecimentos. Muitas vezes, Sua providência se manifesta por meio de um simples pressentimento, uma intuição serena, um conselho invisível que atravessa o silêncio da alma e nos conduz para caminhos mais seguros.
Talvez o verdadeiro milagre não esteja em prever o futuro, mas em descobrir que jamais estivemos sós.
Fontes Doutrinárias:
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
O Livro dos Médiuns – Allan Kardec.
A Gênese – Allan Kardec.
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec.
#Espiritismo #AllanKardec #Pressentimento #MentorEspiritual #AnjoGuardião #VidaEspiritual #OLivroDosEspíritos #Mediunidade #Consciência #Intuição #Reencarnação #LivreArbítrio #ReformaÍntima #DoutrinaEspírita #Espiritualidade #FéRaciocinada #EstudoEspírita #EvangelhoSegundoOEspiritismo #MundoEspiritual #InspiraçãoEspiritual
PERDOE, NÃO POR ELES, MAS POR TI.
Perdoar não significa concordar com a ofensa, justificar a injustiça ou esquecer a dor. Também não é declarar que nada aconteceu. O perdão é, antes de tudo, um ato de libertação interior.
Quando alguém nos fere, a agressão pode durar apenas alguns instantes. Entretanto, a mágoa alimentada em silêncio pode prolongar esse sofrimento por anos. O ofensor segue seu caminho, enquanto a vítima permanece acorrentada às recordações, revivendo inúmeras vezes aquilo que já passou.
Por isso, perdoa não porque o outro mereça, mas porque tua paz merece existir.
O ressentimento é uma prisão sem grades. Corrói a serenidade, obscurece os pensamentos e transforma o passado em uma presença constante. O perdão, ao contrário, não muda os fatos ocorridos, mas modifica a forma como eles habitam a alma.
Perdoar é escolher não carregar pesos desnecessários. É recusar que a maldade alheia continue governando os próprios sentimentos. É recuperar o direito de seguir adiante sem arrastar correntes invisíveis.
Sob a ótica espiritual, o perdão representa um dos mais elevados exercícios de crescimento moral. Não porque seja fácil, mas justamente porque exige grandeza íntima. Quem perdoa demonstra que não deseja permanecer ligado ao mal recebido, preferindo responder com consciência, maturidade e fé no futuro.
Há feridas que levam tempo para cicatrizar. Algumas exigem lágrimas, reflexão e paciência. O perdão verdadeiro raramente acontece por imposição; ele floresce gradualmente quando compreendemos que a paz interior vale mais do que a manutenção da revolta.
Perdoa, portanto, não para absolver erros humanos perante as leis da vida, mas para libertar teu coração das sombras que tentam habitá-lo.
Aquele que perdoa não apaga o passado; transforma-o em aprendizado.
E quando a alma finalmente solta o peso que carregava, descobre algo extraordinário: a liberdade sempre esteve do outro lado do perdão.
Mensagem Final
Não permitas que as feridas de ontem roubem a beleza dos teus amanhãs. O perdão pode não mudar quem te feriu, mas pode transformar profundamente quem tu és. Liberta-te, segue em frente e confia: toda alma que aprende a perdoar aproxima-se um pouco mais da verdadeira paz.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.
" Se alguém o relegou ao silêncio, não entregue sua paz ao abandono. Continue cultivando sua dignidade, seus valores e sua capacidade de amar. A vida possui o extraordinário hábito de abrir novas portas quando outras se fecham. E aqueles que permanecem fiéis à própria consciência jamais estarão verdadeiramente sozinhos, pois carregam dentro de si a companhia da própria luz. "
O FENÔMENO DA DOR, DA MORTALHA E DA BELEZA.
Na antiga cidade de Valedourado, cercada por montanhas cobertas de névoa e bosques silenciosos, vivia uma jovem chamada Helena. Sua beleza era comentada em todas as ruas, admirada em todas as praças e celebrada em todos os salões. Seus olhos pareciam refletir o azul do céu após a tempestade, e seus cabelos escuros lembravam a profundidade das noites sem lua.
Desde a infância, Helena acostumara-se a ouvir elogios. Onde passava, recebia sorrisos; onde chegava, atraía atenções. Pouco a pouco, sem perceber, passou a acreditar que sua aparência era seu maior patrimônio e que a admiração dos outros constituía a medida de seu valor.
Os anos transcorriam suaves, como um rio tranquilo, até que o destino, esse velho mestre que ensina por caminhos inesperados, resolveu visitá-la.
Numa tarde de inverno, uma enfermidade grave atingiu a cidade. Muitos adoeceram. Helena também foi alcançada pelo sofrimento. Durante semanas permaneceu recolhida, entre febres e dores que pareciam consumir-lhe as forças.
Pela primeira vez em sua existência, descobriu que a beleza não era capaz de afastar a aflição.
O espelho, antes seu aliado inseparável, passou a revelar um rosto abatido, marcado pelo cansaço. A juventude ainda estava ali, mas a fragilidade humana tornara-se visível.
A dor fez aquilo que os elogios jamais haviam conseguido: obrigou-a a olhar para dentro.
Durante longas noites de insônia, observava pela janela as estrelas e perguntava a si mesma quem realmente era.
Se sua beleza desaparecesse, o que restaria?
Se os aplausos cessassem, quem permaneceria ao seu lado?
Se o corpo envelhecesse, onde encontraria sua identidade?
As respostas não vieram imediatamente.
A dor raramente fala alto.
Ela prefere sussurrar.
Quando finalmente recuperou a saúde, Helena saiu para caminhar pelas ruas da cidade. Notou algo que jamais havia percebido. Havia rostos marcados pelo trabalho, pela idade e pelas dificuldades da vida, mas que irradiavam uma serenidade que nenhum cosmético poderia produzir.
Conheceu então uma velha costureira chamada Margarida.
A mulher confeccionava mortalhas para os falecidos da região.
Helena estranhou aquele ofício.
— Não é triste trabalhar apenas com a morte? — perguntou.
Margarida sorriu.
— Eu não trabalho com a morte. Trabalho com a igualdade.
A jovem não compreendeu.
A idosa então explicou:
— Quando chegam até mim, ricos e pobres usam o mesmo silêncio. Vaidosos e humildes vestem a mesma mortalha. Os títulos desaparecem. As posses ficam para trás. A beleza física retorna à terra. Mas aquilo que a alma construiu permanece.
Aquelas palavras ficaram gravadas na memória de Helena.
Meses depois, a costureira permitiu que ela observasse seu trabalho.
Ali, diante das mortalhas cuidadosamente dobradas, a jovem compreendeu algo profundo.
A mortalha não era apenas um tecido.
Era um símbolo.
Representava o momento em que todas as ilusões humanas caem.
Nenhuma joia acompanha o espírito.
Nenhuma aparência atravessa os séculos.
Nenhum elogio resiste ao túmulo.
Apenas as virtudes seguem viagem.
A partir daquele dia, Helena começou a mudar.
Continuou apreciando a beleza, mas deixou de adorá-la.
Passou a visitar enfermos, auxiliar necessitados e ouvir aqueles que carregavam sofrimentos invisíveis.
Descobriu que existe uma beleza maior do que a simetria dos traços.
A beleza da compaixão.
A beleza da bondade.
A beleza do perdão.
Os anos passaram.
Seu rosto envelheceu como envelhecem todas as coisas da Terra.
As linhas do tempo desenharam-se em sua pele.
Os cabelos tornaram-se prateados.
Contudo, algo extraordinário aconteceu.
Quanto mais a aparência física diminuía, mais sua presença iluminava os ambientes.
As pessoas já não a admiravam por sua formosura.
Admiravam-na por sua alma.
Quando chegou sua hora de partir, muitos reuniram-se para prestar-lhe homenagem.
Entre lágrimas e preces, recordavam não sua antiga beleza exterior, mas os gestos de amor que distribuíra ao longo da existência.
E quando seu corpo foi envolvido pela última mortalha, parecia que a própria vida sussurrava uma lição aos presentes:
A dor revela.
A mortalha iguala.
A beleza verdadeira permanece.
Fundo moral
A dor é uma professora severa, mas sincera. Ela remove máscaras e nos obriga a encontrar aquilo que realmente somos. A mortalha recorda a transitoriedade de todas as conquistas materiais e da aparência física. Já a verdadeira beleza não pertence ao corpo, mas ao caráter, à inteligência moral e à capacidade de amar.
Consequências morais
Quem vive apenas para a aparência torna-se dependente do olhar dos outros e sofre quando o tempo lhe cobra o tributo inevitável da mudança. Quem cultiva valores interiores constrói um patrimônio imperecível, que resiste à enfermidade, ao envelhecimento e à própria morte.
Porque a dor pode transformar.
A mortalha pode ensinar.
Mas somente a virtude tem o poder de sobreviver ao tempo.
HOJE MEU SENHOR?
Marcelo Caetano Monteiro.
— Por que vieste hoje, Nazareno?
A voz saiu trêmula, quase um sussurro perdido entre as ruínas da alma.
— Por que vieste agora? Não tenho mais nada para Te oferecer como naquela longa época. Lembras? Eu possuía sonhos. Trazia flores colhidas na esperança. Conservava nos olhos a inocência das manhãs e no coração a música das fontes.
Mas hoje...
Hoje sou toda podridão.
Sou o jardim depois da geada.
A lâmpada esquecida no abandono.
A casa vazia onde o vento atravessa as janelas quebradas.
As mãos que antes ofertavam carícias aprenderam o peso das quedas.
Os pés que corriam pelos campos perderam-se nos espinheiros do mundo.
Não restou quase nada.
Os anos levaram minhas certezas.
As dores consumiram minhas forças.
Os fracassos arrancaram minhas vestes de ilusão.
Hoje sou apenas fragmentos.
Cinzas.
Silêncio.
E o Nazareno permaneceu olhando-a.
Não com os olhos dos homens, que procuram grandezas.
Mas com os olhos da eternidade, que enxergam sementes sob a terra revolvida.
Então Ele respondeu:
— Enganas-te.
Foi precisamente por isso que vim.
Quando julgavas possuir riquezas, oferecias-Me aquilo que sobrava.
Agora ofereces-Me aquilo que és.
Não vim pelas flores.
Vim pelas raízes.
Não vim pela tua força.
Vim pela tua necessidade.
Não vim encontrar a mulher que o mundo admirava.
Vim buscar a alma que o sofrimento revelou.
A podridão que enxergas é apenas a antiga casca desprendendo-se.
A semente acredita estar morrendo quando começa a germinar.
O carvão acredita estar condenado quando a pressão o transforma em diamante.
E tu acreditas ser ruína porque ainda não percebeste o que estou reconstruindo.
As lágrimas desceram lentamente por seu rosto.
Pela primeira vez em muitos anos, não chorava de tristeza.
Chorava porque compreendia.
O Mestre não visitava os perfeitos.
Nunca visitara.
Procurava os cansados.
Os feridos.
Os que haviam perdido tudo, exceto a capacidade de clamar.
E naquela noite ela compreendeu que a maior miséria não era tornar-se pó.
Era acreditar que o Amor Divino não seria capaz de transformar esse pó em luz.
E enquanto o mundo enxergava decadência, o Nazareno contemplava apenas o início de uma nova criação.
CHEGASTES ATÉ AQUI.
Tu já percorreste tantos caminhos. Não, não é da idade que falo. Falo das braçadas que deste contra as correntes revoltas do oceano da existência. Falo das tempestades que enfrentaste quando ninguém via. Das noites em que o coração parecia um campo devastado. Das manhãs em que te levantaste sem vontade, mas te levantaste mesmo assim.
E chegaste até aqui.
Parece simples dizer isso, mas não é.
Chegar até aqui é um feito silencioso.
Neste exato momento, enquanto teus olhos percorrem estas palavras, reflite: o que significa este instante?
Este momento é o ponto de encontro entre tudo o que viveste e tudo o que ainda viverás.
Aqui estão reunidas as tuas derrotas e as tuas vitórias.
Aqui estão as lágrimas que derramaste por dores que pareciam eternas e aquelas poucas, porém preciosas, lágrimas de alegria que a vida te concedeu como flores nascidas entre os escombros.
Aqui estão os sonhos que se realizaram e os que ficaram pelo caminho.
Aqui estão as despedidas que dilaceraram tua alma e os encontros que devolveram luz aos teus dias.
Tudo isso vive neste instante.
Tu vieste do ontem.
Um ontem que já não pode ser alterado.
Um ontem que te feriu algumas vezes, mas que também te ensinou.
Um ontem que te roubou pessoas, ilusões e certezas, mas que, em compensação, entregou-te experiência, sensibilidade e profundidade.
E agora estás aqui.
Respirando.
Pensando.
Sentindo.
Existindo.
Talvez não da maneira que imaginaste quando eras mais jovem. Talvez carregando cicatrizes que ninguém conhece. Talvez ainda procurando respostas para perguntas que a vida nunca respondeu.
Mas estás aqui.
E isso possui uma grandeza que muitas vezes esqueces de reconhecer.
Teu amanhã chegará.
E quando chegar, provavelmente encontrará os mesmos céus, os mesmos desafios, as mesmas responsabilidades e muitos dos mesmos valores que hoje orientam tua caminhada.
Contudo, haverá uma diferença inevitável:
Tu já não serás o mesmo.
Nenhum ser humano atravessa um único dia sem ser transformado.
Mudam-se as idades.
Mudam-se os pensamentos.
Mudam-se os sonhos.
Mudam-se as prioridades.
Mudam-se as dores.
Mudam-se até mesmo os amores.
Mas existe algo que permanece crescendo silenciosamente dentro de ti:
A vastidão que construíste através de cada escolha.
Cada renúncia.
Cada gesto de bondade.
Cada erro reconhecido.
Cada perdão concedido.
Cada vez que decidiste continuar quando desistir parecia mais fácil.
A verdadeira riqueza de uma existência não está naquilo que ela acumulou, mas naquilo que ela se tornou.
Por isso, não te diminuas.
Não te definas apenas pelos fracassos.
Não te condenes pelas quedas.
As montanhas não são feitas apenas dos seus cumes. São feitas também dos vales, das fendas, das pedras quebradas e dos precipícios que as compõem.
Assim também és tu.
Uma obra em construção.
Uma alma que ainda aprende.
Uma consciência que ainda floresce.
Um viajante que continua atravessando estradas visíveis e invisíveis.
Se hoje estás cansado, descansa.
Se estás ferido, permite que o tempo e a esperança trabalhem em teu favor.
Se estás desanimado, recorda quantas vezes acreditaste não conseguir prosseguir e, ainda assim, prosseguiste.
Olha para trás não para viver no passado, mas para contemplar a distância que já percorreste.
Olha para frente não com medo, mas com a serenidade de quem já sobreviveu a inúmeras tempestades.
E, acima de tudo, honra este instante.
Porque a vida acontece aqui.
Neste exato momento.
Neste respirar.
Neste pulsar.
Neste pequeno fragmento de eternidade chamado presente.
E enquanto houver um único sonho em teu coração, uma única semente de bondade em tua alma ou uma única centelha de esperança em teu espírito, tua jornada continuará possuindo sentido.
Portanto, segue.
Com lágrimas, se for necessário.
Com passos lentos, se assim precisares.
Mas segue.
Porque a história que te trouxe até aqui é prova de que existe em ti uma força muito maior do que imaginas.
E a vastidão que construíste ao longo da caminhada ainda não encontrou seus limites.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Alguns amores não permanecem ao nosso lado, mas permanecem para sempre dentro de nós, convertendo a própria saudade em uma forma superior de beleza."
NA SENDA EVOLUTIVA.
Amigos e irmãos do orbe terrestre,volveis vossas faces espirituais e luminescentes aos planos mais altos,pois vossa origem natural nascera do útero beneplácito de Deus no infinito.
. Grande ainda se mostram as mentes corrompidas pelo "eu pessoal" que não aquilatam o valor da palavra que são portadores. Na convulsão do caos que perpetra avantajado numero da humanidade, vem Jesus e seus emissários a clarear as noites tristes dos testemunhos. Estes mesmos que antes do mergulho na carne imploramos pela reencarnação,sempre uma vez mais. Conquanto milênios se arrastam ao nosso encalço para porfiarmos nas amarras do pretérito. A vez da missão assumida, o mestre nunca negou o amparo,mas contudo advertiu a cada quanto a retidão dos ideais sublimes que possivelmente em detrimento das alegorias terrestres poderiam e podem vir cair no olvido que reflexiona pelo tato do presente que decepciona e obscurecendo a visão do espirito imortal,este se julga injustiçado e deserdado da divina providencia.
Vão-se as priscas eras do mal pelo mal que entre os homens ganhavam amparo,contudo hoje meus filhos a sanha da perseguição tem se acalmado apenas restam resquícios,resquícios que perturbam-nos,mas já existiram tempos que nos os amávamos e julgando ser pela própria defesa em nome do cristo,acendemos fogueiras,levantamos cruzes,contaminamos o ar e as águas com o martiriologio dos que defendiam a verdade por excelência. Por isso então,o mal parece não ter fim ou que nunca se extinguirá dentre nos,mas nos reportemos a ultima questão de O livro dos espíritos,quando o amado São Luis e Santo Agostinho arrematam que sim,um dia a paz reinara na terra quando primeiramente reinar em nossos corações.
. Por isso queridos e amados irmãos ecoamos por todos os cantos para que tendes bom animo. Voltemos a razão e o coração a causa do amor incondicional entre todas as criaturas que dividem conosco o mesmo habitat,somos espíritos imorredouros,atravessaremos o infinito sem nunca nos acabar,mas que que o façamos com o sorriso gentil,com o pequenino gesto caridoso que vos torna gigante nesta imensa escola de aprendizado universal e por lei absoluta fraternal esta tem sido a grande batalha das almas,pois aquele que muito ama saberá quão importante para si é o perdão. Procuremos Jesus e onde o procuramos ali ele esta.
Façamos o nosso voto espiritual depositado em nos valer, realizemos o máximo da fraternidade que prometemos realizar quando antes juntos dos amigos e venerandos celestes que nos amparam.
Não deixemos para depois aquilo que podemos fazer em nome do bem comum.
. Que a luz e a paz de nosso senhor seja conosco hoje e sempre,muita paz.
Catarina Labouré / Irmã Zoé / B.M.
IRMÃOS, AO BOM COMBATE!
Catarina Labouré / Irmã Zoé .
Irmãos queridos,filhos desta pátria bendita,onde a luz do evangelho resplandece com as normas do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo,que se exprime como sendo ainda como sempre será a Pátria e o coração deste mesmo amor benemérito e sem destinos prepostos por rótulos que não definem a jornada triunfal do bem.
Filhos de tantas terras enquanto andastes nas trajetórias carnais,todos somos convocados a ouvir o tilintar dos tempos que sacodem os que sussurram,pois;o silêncio dos pacíficos,começou a gritar e a se fazer ouvir,para as mudanças que esperastes a séculos que caminham lado a lado com a progressão humana.
Tremores morais que dormitavam não na matéria,mas na alma que já fecundada pelo semeador das estrelas,iniciam-se em férteis raízes que cada um em si,encarnados e desencarnados alimentam com a abundância que vem sendo transmitida em nome da paz,da esperança e da fé sólida que o Mestre maior,embaixador do Pai infinito na terra permite que já os galhos se estendam sobre todos!
Espíritos que somos,sem elevarmo-nos por estarmos desalojados do corpo,não nos faz indiferentes as lutas que travastes no mundo onde ninguém ignora que há choro e rangeres de dentes,rumores de guerras,doenças invasoras...
Mas bem sabeis,ainda não é o fim! Mas sim meus amados,o início de novos crepúsculos que a árvore frondosa do evangelho vem ha séculos junto com as plêiades de amigos do bem,erguem novos horizontes.
Mas,não confundamos ou nos percamos na tempestade onde quem está no leme é o senhor do amor e pelo mesmo,conclama todos espíritos que relembrem que pertencemos todos à verdadeira morada de origem imortal e que antecede a mais rústica matéria.
Todos,sem os que amam Jesus,saberão como agir,sem se macular com a inatividade,mas sim, com a ação feliz de saber dar pela sua pátria de então,as forças necessárias para que o único sangue desejado seja aquele que impulsiona todos os praticantes do direito que possuem,saibam também relembrar dos deveres que lhes cabem.
Oremos e vigiemos sempre,meus filhos,sempre uma vez mais,pois nunca que agir pelo toque suave da calmaria que Jesus faz da e na tempestade,estejamos de braços dados a ele!
Falanges desprovidas ou que não se nortearam mesmo nas pátrias que os abraçaram,agindo ali sempre sem ponderação e amor,por não aceitarem aquele que denominam como o cordeiro,investem de forma massante nos períodos críticos de todas as regiões. O Brasil é o coração do mundo e a pátria do evangelho,mas não olvidemos,que é pertencente a todos,até mesmo aos que gargalham com a desordem,mas a tempestade se acalmará porque tudo está de antemão nas decisões de venerandas e missionárias entidades com ordens diretas de Deus.
A terra se convulsiona em seu todo sentido...
E a terra prometida vigora dentro das perspectivas que cada um dos dois planos podem realizar por ela.Por isso,recorramos sempre,sem cessar aos pensamentos elevados que permitirão que os emissários da luz,continuem agindo e reagindo,pois o mal tem de ser menor,porém cada mente,cada coração,cada gesto pequenino que seja feito com base nas doses homeopáticas do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo,fará triunfar primeiro dentro do cerne espiritual repatriando aqueles que labutam nas raízes já fecundadas que estão na carne,mas que não são dela.
Lutemos,mas lutemos com amor,patriotismo e acima de tudo,combatamos o bom combate!
Com a paz de Nosso senhor,muita paz a todos!
ORGULHO E VAIDADE.
Pelo Espírito:Catarina Labouré / Irmã Zoé.
" O fracasso de muitos irmãos em doutrina se encontra justamente na perseguição e o orgulho que táo doentes, afetam--lhes os olhos e efetivamente os corações ante os exemplos dos missionários com sua abnegação e renúncia aos prazeres tão fugaz da terra. Há esses detectamos os irmãos da antiga ou atual Jerusalém chorada pelo Cristo.
Amar ao próximo se converteu em sinônimo de fraqueza incrustada em tais pensamentos.
Os enviados de Deus, manifestam-se em todos os lugares onde haja a sincera humildade para obterem as respostas para suas indagações que mesmo sob a luz perene do Evangelho, ainda conseguem se deter num Cristo crucificado tão somente e somam suas aflições a este estado no pragmatismo do orgulho e da vaidade. Há esses olhamos também com bons pensamentos e lhes inspiramos no cerne tumultuado que façam algo além ou como esses mensageiros o fizeram.
Bem nos alertou o Cristo:_ Pobres sempre os tereis.
Kardec este missionário da Verdade alertava sobre os inimigos do Espiritismo que esses se encontravam mesmo dentro dele.
Convidamos a todos a enfrentarem os meandros desses criticados que sorveram o fel e os espinhos por onde caminhavam, mas enfim no momento do até breve à terra entregaram a coroa da vida e a vida em abundância pois não se detiveram sob o peso dos que dizem amar Jesus e atacam o próximo, chamam em uníssono Deus de Pai, mas não se mostram como irmãos principalmente no ideal espírita.
Mas a seara é grande e pouco os trabalhadores bem o sabemos...então vem hoje, não postergues essa hora, labutar para Jesus em nome do amor incondicional e se assim o sendo, até mesmo os destonantes materialistas também agem sem darem conta que é o amor que os movem.
Uma no-nos com humildade, Deus não considera as posições humanas, mas o muito amar na vida de cada um.
Para tanto as duas chagas execráveis da humanidade que é o orgulho e vaidade devem ser extirpadas de nós.
Muita Paz.
ÀS IGREJAS DO PLENO AMOR.
Catarina Labouré / Irmã Zoé .
Queridos irmãos, fraternidade e paz descam sobre cada um de nós e permaneça em morada plena no cântaro de nossos sentimentos.
O mundo sacode-se e contorce-se de dores sequazes imperativas das nossas corrupções morais que não cabendo mais no alforje transborda pelos caminhos onde vai o interesse humano que regorgita o veneno sorvido pelo próprio homem.
A iniguidade, a dor, a injustiça e as trevas do orgulho e do egoísmo tem alimentado fartamente o monstro da destruição que investe contra a esperança e a paz.
O estertor das bombas de outrora que estilhaçava uma fria e indiferente belicosidade, eis que bate quase que já arrombando todas as portas do mais além na terra e no céu. Irmãos de Jesus, amados e amantes do Cristo, relembremos os primórdios do Evangelho sobrevivendo ensanguentado pelos mártires sem nenhuma particular denominação religiosa o estandarte era tão somente a mensagem cristã. Hoje, hora aponta e convoca os corações de um só amor, de um só pastor e um só rebanho. Somos convidados há muito meus filhos a amparar e estender o socorro a quem é vítima limpa e que se encontra sobre os escombros da maldade que sem dar-se conta devora a si mesma num repasto que não cabe à mesa messiânica. Somos convidados a lutar pela paz distante e tão seguaz tão perto, mas lutar sem atacar, lutar sem ferir, lutar sem o peso das nuvens densas em nossos corações e nem em nossa razão. Não existe o que justifique o aniquilamento de uma reencarnação. Irmãos que somos, como outrora já o provamos estando sob as bênçãos do Cristo. Qual a diferença que nos dividiu que não tenha causa primordial no interesse humano? Hora urge combatentes, sustentáculos do brilho do amor excelso daquele que amou e ama para todo o sempre até os confins do mundo demo-nos as mãos mais uma vez, mas em plena homogeneidade com o coração. Jesus conta com cada alma sempre e sempre uma vez mais,não o abandonemos no horto entregando-nos ao sono da indiferença. O Mestre conta com os vitimados para que busquem força na crença do estar no lugar do outro,conta com os que compadecem para que o samaritano resurja antes do assalto na estrada, conta com cada pensamento de harmonia e paz e esta paz fortalecerá os lares e ao mundo. As potências bélicas estão nas mãos humanas, mas a Lei e a vontade na permissão Divina. Sejamos hoje mais que ontem nos holocaustos Cristãos, mais unidos, compreendendo que tudo tem um curso de meandros,mas somos os herdeiros de Deus a exercer a obra magistral de caráter efetivamente e inequívoco pois só se comprova na fraternidade.
O NATAL DENTRO DE NÓS.
Pelo Espírito: Catarina Labouré / Irmã Zoé.
Momento abençoado e bendito,que visita as criaturas em seus corações empalidecidos e calejados pelas dores atrozes,numa desesperança alimentada dia-a-dia...
Na divisão do calendário de outrora,para aniquilar os deuses ignóbeis e desajustados que já não serviam mais como consolo para a humanidade,eis que surge na mente gregoriana deste mesmo, apontar a brilhante estrela de belém no nascediço de Nosso Senhor Jesus Cristo,num solstício quando o mesmo mais se destacava das estrelas mais fulgurantes à cantar as maravilhas porvindouras do Rei dos reis.E para calar a voz das idolatradas pedras mortas e voltar os corações humanos à personalidade real do pequenino de Belém,marcou-se uma data para ele evarmo-nos em alto e em uníssono fraternal a capacidade de amar no perdão.Neste dia,tão imantado já de luz por mais de dois mil anos,Jesus tem refeito muitos,operando verdadeiros modos, voltados ao bem,retornar à casa Paterna celestial!
Ainda não se tem uma confirmação exata sem se correr o risco do anacronismo para o dia do seu nascimento,tanto quanto para o de sua aparente morte,mas o que se salienta é que ele aqui veio,misturou-se por entre os mais pobres,pecadores e adoentados e aos sorrisos admoestou que:
- Meu Pai trabalha até hoje e eu também!
O seu nascimento dividiu a história,sem precisão numérica,mas sim numa imposição meiga de amor tão peculiar de si.Recorria à simplicidade da terra levando-nos à singeleza do universo.
Nasceu o pequenino numa humilde posição ignorado por muitos numa estrebaria ou numa gruta que seja,mas em meio ao vínculo de carinhosos pais terrestres,aquecido pelos bafejos de animais e das palhas,recebeu como impulso para a data presente,ouro,mirra e incenso,que a Providência Divina o presenteou na figura afável dos três reis magos,que saíram de longe para antes dos presentes dizerem: - Nós viemos adorar o menino!
Baseado nesta prisca passagem,reflitamos nos dias de agora!
O valor natalício preponderante no comércio se antepõem às adorações pelo reconhecimento infinito para com este que tem que ser nascediço diário em nossas vidas.Não nos é pedido ou imposto que paremos de nos unir à mesa,até mesmo porque nos reportamos em família à imagem sagrada da Santa ceia,mas nos é pedido mormente,que o aniversariante seja honrado primeiro e concluímos,para depois,a pecaminosa glutonaria enfim!Tal visão é tão real,que depois surgem dietas para se livrar dos toxinas alimentares!
Jesus veio ao mundo,ainda está nele,estará sempre,porque bem poucos do mundo vão em sua direção.O simbólico natal vem trazendo ele de volta para fazer morada nesta gruta tão escurecida e funda do nosso coração!
O menino jesus,não se mantém assim,mas se o amarmos assim,todos cearemos com ele neste dia porque ele cresce no cerne daqueles que o amam.
A palavra da cruz é a mesma da manjedoura,pois nos dois acontecimentos lágrimas e sangue foram vertidos.Só não nos detenhamos nas profundas tristezas pois que o messianismo nos é dado de presente mergulhado em plenitude de vida imorredoura!
Que o natal nos seja leve e suave,mas que façamos por sentir esta energia transcendental que viaja o cosmos a atingir os corações estalajadeiros que vibram na mesma faixa de dentro de si para receber tamanha visita magnânima!
Contudo que esta mesma característica perdure aos confins dos séculos,porque também não se tarde o ano novo que tantos se mostram afetados pelas desilusões e não obstante fazem planos pelo que vem,mas não desanimemos com os primeiros solavancos,estes são as dores do parto que logo se amenizará na meiguice do anjo que Deus nos presenteia.
Irmãos,não nos debatamos por datas que só existem porque a matéria existe,mas nos unamos mutuamente pois a angelitude da supremacia da Belém de outrora,antes já amava o mundo.Agora este "menino" nos trás o valor que devemos dar à matéria neste dia e que possamos também dizer:
- Nós viemos adorar o menino!
Um feliz natal,votos propensos de paz para o ano novo
que assim seja!
COMPROMISSOS E LEMBRANÇAS .
Pelo Espírito : Catarina Labouré / Irmã Zoé .
Amigos e irmãos,da seara Espírita,
quando estávamos adentrados na espiritualidade,de onde almejamos sonhos de poder voltar à terra,apresentamos propostas de comportamentos
abraçando compromissos que não nos seriam permitidos além da nossa capacidade,porque sabem antes de nós,os benfeitores sensatos do que de fato poderemos cumprir.
E com as bençãos de Deus em suas sagradas Leis,aqui aportamos novamente,para que o passado possa ser resgatado com alegria,mesmo sob duras penas que são alavancas do progresso da redenção!
O "anjinho" que dá o seu primeiro choro,marcando que está entre os encarnados,trás também hábitos que os pais devem redobrarem a vigilância,desde o berço já é possível detectar certas inclinações,que poderão ligá-los aos céus ou mantê-los no lamaçal da terra.
Os filhos como sendo dádivas Divinas,devem ser aceitos como tais,uma vez,que juntos agarraram a mesma promessa de se auto melhorarem para o resgate de débitos tenebrosos.
Agradeçamos ao amor do Pai celeste,pelas bençãos do esquecimento,uma vez que este nos faz amar sem imposição,porque se descobríssemos em nosso meio um possível inimigos de outrora,certamente a situação,se agravaria,porque acabaríamos amando o que é raro ou ainda reveríamos os atos do passado.
O poeta francês do século dezenove,Vitor Hugo,já afirmava que o esquecimento é tão natural,que mesmo na atual vida,não somos capazes de nos lembrar todos os acontecimentos que nela se deram,haja visto que procurasse esquecer até mesmo alguns que lastimamos...
Os pais tem deveres soberanos para com os filhos e estes da mesma forma tem laços que apresentam pequeninos nós,que podem demorar para serem desatados,mas o amor cresce,em meio aos turbilhões e carinhos entre ambos.A felicidade de se ter um lar,está nos sorrisos e até mesmo nas lágrimas que a família retém,mas não existe ninguém desemparado,podem existir sim, aqueles que estão tão desequilibrados que não registram o socorro eminente que em prece raramente solicitamos!
Não nos importa provas das vidas anteriores,o momento verdadeiro é o de agora,muitos para saberem do seu passado mergulham no campo da hipnose com o fito para apenas saber quem foram,ou com o propósito de achar onde está o ponto de partida para os traumas,retornam do transe raramente melhores,porque,imbuídos com o pensamento de grandes personalidades,não se encontraram nas vestes de reis,rainhas,príncipes ou alguma realeza e também,direcionar-se às vodas anteriores não nos garante restabelecimento ideal para a vivência no presente,uma vez que se chega a causa,mas não se livra dos efeitos,pode-se sim,amenizar mas aumentam as responsabilidades,porque agora trazes a mente deveras vezes aturdida,te gritando frente a companheiros da atual jornada,compromissos mútuos.
Avaliemos pois,que mediante atos intransigentes nesta vida,desejamos mesmo esquecer de alguns,imaginemos se lembrássemos dos antecedentes?
O que nos importa,é saber que alguém,dentro e fora do lar,estende-nos as mãos a pedir-nos socorro e sob o véu do esquecimento estaremos prontos a prestar auxílio em nome do amor abnegado.
Todos,tem deveres que são intransferíveis à outrem,amigos e "inimigos" se deparam arranham-se mas equivalentes com a proposta do amor ao próximo,aquele que mais sabe é quem mais dará seu perdão.
A vida só nos pede isto...
Sabemos não ser fácil,mas a terra é escola,é oficina,é casa é balança que pesa cada gesto de auto-iluminação e aproveitemos esta oportunidade,uma vez que muitos rogam neste instante para retornar,mas,não os dado a permissão,frente as transformações físicas e ainda mais os abalos íntimos de seres mais capacitados estão trazendo das esferas mais altas e que ninguém ignora.
Muitos compromissos foram debitados em nosso nome por nós mesmos e maldizer a existência é insensatez,alarmando que não pedimos para nascer,mas antes de isso se dar já vivíamos e em meio às dores vorazes,não só pedimos,mas imploramos para ter uma nova chance,aproveitemo-la pois por amor e méritos é que estamos no corpo,mas não nos esqueçamos,que é só de passagem,logo,logo não tardaremos o retorno à pátria verdadeira,agradeçamos o esquecimento de outrora mas amemos uns aos outros sem precisar vasculhar passado algum,pois voltamos para reajustarmo-nos no amor.
Muita Paz!
FELICITA O TEU DIA.
Do Livro: Florais do Evangelho.
Pelo Espírito: Catarina Labouré / Irmã Zoé .
" Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal. "
Mateus 6:34. - Jesus.
Eis que amanhece mais uma vez,surgem-te uma nova oportunidade de aceitá-lo embora não te esqueças,que ontem fizestes planos similares para estar bem no transcorrer no dia de hoje,não obstante,as decepções que te assaltam em todos os campos,se impõem não como inimigos mas como um cadinho que te avalias as promessas anteriores.
Vem o dia para atender-te no que pedistes na noite.
Mas por tudo que rogastes deves parar e refletir,se de fato és merecedor e mesmo que sejas,já parastes para notar que muitos se lamentam por lograrem o mesmo êxito?
A natureza normalizada da humanidade é pedir e tão pouco agradecer.
Teus sonhos são permitidos o que não implica a realização deles,pois poderás se lamentar mais tarde em pesadelos profundos e abismais.
Acima da vontade terrestre impera por amor a celeste.
Aproveite o dia feito o dia mesmo,erguido,que gradativamente vai se afirmando até o anoitecer novamente.
Nada te é negado para o teu bem estar ou a tua agonia,analise isso e terás a comprovação,que poderias lamentar e muito se tudo te fosse atendido,mas podes iluminar-te sob os auspícios da alegria e da positividade mental que malgrado tua atenção,guiam-te e te amam incondicionalmente.
Não te contentes apenas com o amanhecer,mas te realizes também sob as sombras,não procures reclamar do sol a pino,mas movimente-se como ele que cumpre todos os dias o seu mister até dar a oportunidade à noite que de mansinho e caprichosa logo chega para servir como provas magestosas que há momentos para tudo e para todos por entre dias na imortalidade para todos e para todo o sempre.
Muita Paz!
A ROSA AZUL SOBRE O MÁRMORE DEFINE...
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Quando me disseste adeus, ou talvez nem o tenhas dito, algo em mim compreendeu antes das palavras, como as árvores compreendem o inverno antes da primeira folha tombar.
Ainda me recordo.
Recordo-me não dos grandes acontecimentos, mas das pequenas eternidades. A curva silenciosa do teu olhar. A luz repousando sobre teus cabelos. A delicadeza com que atravessavas as horas sem saber que alguém te transformava em destino.
Tudo permanece.
Permanece como permanece a chuva na memória de um rio seco.
Meu peito tornou-se uma antiga ruína. Pedra sobre pedra. Pó sobre pó. Uma catedral abandonada onde o vento recita os nomes que já não ouso pronunciar.
Carrego a dor como Demóstenes carregava suas pedras. Dia após dia. Noite após noite. Aprendendo a falar através das feridas, aprendendo a respirar através dos escombros.
E quando a noite desce pesada, mais pesada que o próprio céu, vejo os vultos.
Eles dançam entre as sombras. Riem. Zombam.
Zombam do amor que ainda guardo, como corvos em torno de uma chama que se recusa a morrer.
Tu nunca os viste.
Talvez porque teus olhos pertenciam à luz.
Mas eu os vejo.
Vejo-os passar pelos corredores da alma, arrastando correntes de ausência, erguendo seus cálices de esquecimento.
E mesmo assim, contra tudo, eu continuo.
Sobre uma pedra de mármore rosado, limpa como a pureza daqueles dias, deixo uma única rosa azul.
Não uma rosa para teus cabelos.
Os cabelos pertencem ao tempo.
Mas uma rosa para tua alma, porque as almas florescem mesmo quando os jardins desaparecem.
Foi essa rosa que sonhei oferecer-te.
Uma flor impossível. Uma flor feita de esperança, de lágrimas, de estrelas que morreram há milênios e continuam iluminando a noite.
Mas já eras de outros olhos.
Outras mãos recolhiam teu riso. Outros horizontes guardavam teus passos.
E eu compreendi, com a serenidade dolorosa dos que amam de verdade, que nem toda rosa nasce para ser colhida.
Algumas nascem apenas para perfumar a distância.
Por isso permaneço aqui.
Vigiando o sereno.
Com o sereno peito.
Enquanto a madrugada deposita suas lágrimas sobre a relva silenciosa.
E então descubro algo estranho, algo que faz doer e consolar ao mesmo tempo.
O amor não morreu.
Transformou-se.
Já não pede. Já não reclama. Já não espera retorno.
Apenas existe.
Como uma estrela distante. Como um sino esquecido numa cidade antiga. Como uma rosa azul repousando sobre o mármore.
E quando um dia o tempo apagar meu nome, quando o vento dispersar minhas últimas cinzas, talvez reste apenas isso:
A beleza de ter amado.
Porque há dores que nos destroem. Mas há dores tão profundas, tão puras, que acabam transformando-se em luz.
E a rosa que não pude colocar em teus cabelos floresceu, por fim, na eternidade silenciosa do meu coração.
"Alguns amores não permanecem ao nosso lado, mas permanecem para sempre dentro de nós, convertendo a própria saudade em uma forma superior de beleza."
A ONÇA, O URSO E O MORANGO.
Há uma profunda lição escondida nesta singela narrativa.
Um homem encontra-se suspenso entre dois perigos inevitáveis. Acima dele, um urso feroz ameaça sua vida. Abaixo, seis onças aguardam o instante de sua queda. Não existe saída fácil. Não existe segurança. Não existe garantia de sobrevivência.
E, no entanto, em meio ao terror, ele percebe um morango.
Um fruto simples.
Pequeno diante da imensidão dos problemas.
Insignificante diante da ameaça da morte.
Mas real.
Ao levar o morango à boca, ele experimenta algo extraordinário: a vida continua acontecendo naquele instante.
O urso não desapareceu.
As onças não fugiram.
O barranco continuou perigoso.
Mas o sabor do morango também era verdadeiro.
Assim é a existência humana.
Quase todos carregamos preocupações acerca do amanhã. Há contas a pagar, enfermidades a enfrentar, saudades que machucam, conflitos familiares, decepções afetivas, inseguranças e receios quanto ao futuro. O urso e as onças mudam de forma, mas estão sempre presentes.
Muitas vezes acreditamos que somente seremos felizes quando todos os problemas forem resolvidos.
Entretanto, a vida raramente nos oferece um período completamente livre de dificuldades.
Quando vencemos uma preocupação, surge outra.
Quando ultrapassamos uma prova, uma nova experiência nos convida ao crescimento.
Se condicionarmos nossa felicidade à ausência de desafios, talvez jamais a encontremos.
O morango representa aquilo que ainda existe de belo, mesmo quando tudo parece ameaçador.
Representa o sorriso de uma criança.
A voz de um amigo.
A chuva sobre a janela.
O abraço sincero.
A oração silenciosa.
Um livro inspirador.
A paz de uma consciência tranquila.
O perfume de uma flor.
O nascer do Sol.
Os pequenos milagres cotidianos que frequentemente ignoramos por estarmos excessivamente concentrados nos perigos.
Sob a ótica espiritual, essa história nos recorda que a vida não é feita apenas das provas que enfrentamos, mas também das bênçãos que recebemos durante a caminhada.
Quem aprende a perceber os morangos espalhados pelo caminho desenvolve gratidão.
E a gratidão não elimina as dificuldades, mas ilumina a maneira como as atravessamos.
Os desafios continuarão existindo.
Os ursos continuarão rugindo.
As onças continuarão esperando.
Mas também continuarão existindo morangos amadurecendo nos galhos da existência para aqueles que conservam a sensibilidade de percebê-los.
Não adie a alegria para um futuro incerto.
Não espere que tudo esteja perfeito.
Não aguarde a ausência das tempestades para contemplar o céu.
O melhor instante para viver, amar, agradecer e ser feliz é este que pulsa agora diante de você.
Olhe ao redor. Talvez o seu morango esteja mais próximo do que imagina. E a vida, silenciosamente, esteja convidando você a saboreá-lo.
QUANDO A TEMPESTADE ESTÁ DENTRO DE NÓS.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.
O episódio narrado em Mateus 8:23 a 27 não descreve apenas uma tempestade sobre as águas da Galileia. Ele retrata, sobretudo, as tempestades que atravessam a alma humana. A embarcação é a própria existência. O mar representa as circunstâncias mutáveis da vida. Os ventos simbolizam as provas, as perdas, as enfermidades, os conflitos familiares, as decepções afetivas e as angústias que, por vezes, parecem querer afundar nossas esperanças.
Os discípulos não eram homens inexperientes. Muitos deles conheciam o mar desde a infância. Contudo, diante da violência dos elementos, perderam a serenidade. A experiência humana ensina algo semelhante. Há momentos em que o conhecimento, a posição social, a cultura e até mesmo os anos de vivência parecem insuficientes diante de determinadas dores. Nessas ocasiões, o medo fala mais alto que a razão.
Jesus dormia.
Esse detalhe, aparentemente simples, possui extraordinária profundidade filosófica e espiritual. Enquanto os discípulos se desesperavam, o Mestre permanecia em paz. Não porque ignorasse o perigo, mas porque possuía plena confiança nas Leis Divinas.
Sob a ótica espírita, Allan Kardec nos ensina que nada ocorre fora das leis sábias e justas de Deus. As dificuldades não são acidentes sem propósito. Elas constituem instrumentos educativos destinados ao progresso do Espírito. Quando a tempestade surge, ela não vem para destruir-nos, mas para revelar-nos.
Muitas vezes acreditamos que o sofrimento é o problema. Entretanto, frequentemente o verdadeiro problema é a forma como reagimos a ele.
A psicologia contemporânea observa que a mente humana possui uma tendência natural à antecipação catastrófica. Antes mesmo de o pior acontecer, imaginamos cenários ainda mais dolorosos. Criamos tempestades mentais maiores que as tempestades reais. O Evangelho demonstra exatamente esse mecanismo psicológico. O mar estava agitado, mas o desespero dos discípulos era ainda maior que as ondas.
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Kardec esclarece que a fé sincera produz uma espécie de força moral capaz de sustentar o indivíduo durante as provações. Não se trata de uma fé cega, mas de uma confiança racional, edificada sobre a compreensão das leis espirituais.
No cotidiano moderno, quantas vezes repetimos o grito dos discípulos.
Diante das contas que se acumulam.
Diante da enfermidade inesperada.
Diante da ingratidão.
Diante da perda de alguém amado.
Diante das crises familiares.
Diante da ansiedade que silenciosamente consome as forças emocionais.
Em todos esses momentos, o pensamento parece gritar.
"Senhor, estamos perecendo."
Todavia, a resposta permanece a mesma através dos séculos.
"Por que tendes tanto medo."
O ensinamento não condena o sofrimento humano. Jesus compreende a fragilidade dos homens. O que Ele procura despertar é uma consciência mais elevada, capaz de enxergar além da tempestade momentânea.
A antropologia demonstra que todas as civilizações criaram símbolos relacionados à travessia das águas. O mar sempre representou o desconhecido, o risco e a transformação. No Evangelho, essa simbologia alcança seu significado mais profundo. A travessia não é apenas geográfica. É espiritual. Cada ser humano atravessa mares interiores para alcançar maior maturidade moral.
Sob a visão espírita, a calma de Jesus também nos recorda a imortalidade da alma. Quando compreendemos que a vida física é apenas um capítulo da existência, muitos dos temores que nos paralisam começam a perder força. As ondas continuam existindo, mas deixam de possuir o poder absoluto que imaginávamos.
Léon Denis observava que a confiança em Deus não elimina as dificuldades, mas transforma nossa maneira de enfrentá-las. O indivíduo equilibrado não é aquele que nunca encontra tempestades. É aquele que aprende a conservar a luz interior mesmo quando os céus parecem escurecidos.
A verdadeira calmaria começa antes da transformação das circunstâncias externas. Ela nasce quando o Espírito decide não entregar o leme da própria consciência ao medo.
Talvez a maior lição desse episódio seja esta.
O Cristo não prometeu ausência de tempestades.
Prometeu presença durante elas.
E quando a presença do Mestre é sentida na intimidade da consciência, os ventos podem rugir, as ondas podem crescer e as noites podem parecer intermináveis, mas a embarcação da alma continua seguindo em direção ao porto seguro do progresso e da renovação.
"Quem aprende a confiar nas Leis Divinas descobre que nenhuma tempestade é eterna e que toda madrugada nasce para aqueles que perseveram na travessia."
Fontes:
O Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XIX. A Fé Transporta Montanhas.
O Livro dos Espíritos Questões 115, 132, 625 e 872.
A Gênese Capítulo II.
Depois da Morte - léon Denis.
O Problema do Ser, do Destino e da Dor - Léon Denis.
Bíblia - Novo Testamento.
#geeff #cems #espiritismo #kardec #vidaaposamorte #psicologiaespiritual #consciencia #lei #moral
GANHAR O MUNDO E PERDER A ALMA: Uma Leitura Espírita Sobre o verdadeiro Sofrimento Humano, a Reencarnação e o Verdadeiro Sentido da Vida.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Entre todas as advertências morais deixadas por Jesus, poucas são tão profundas e perturbadoras quanto esta:
“De que serviria a um homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
(Mateus 16:26)
Durante séculos, essa frase foi interpretada como uma exortação contra os excessos do materialismo. Contudo, à luz da Doutrina Espírita, ela adquire uma profundidade muito maior. Não se trata apenas de uma crítica à riqueza, ao poder ou à fama. Trata-se de uma reflexão sobre o próprio destino do Espírito imortal.
O homem passa pela Terra apenas por um instante. A alma, porém, atravessa os séculos.
Aquilo que o mundo chama de sucesso nem sempre corresponde ao que o Céu reconhece como progresso.
Enquanto a Terra mede o valor de uma criatura pelo que ela possui, o mundo espiritual a avalia pelo que ela se tornou.
É justamente aí que reside a grande tragédia humana.
Muitos passam a existência inteira conquistando posições, acumulando bens, buscando reconhecimento e aplausos, mas negligenciam a construção do próprio ser. Desenvolvem a inteligência, mas esquecem a consciência. Alimentam o ego, mas deixam a alma faminta.
Quando chega a hora do retorno ao mundo espiritual, descobrem que os títulos ficaram na Terra, os cofres permaneceram fechados, os aplausos silenciaram e apenas a consciência os acompanha.
Foi a isso que Jesus se referiu.
Não à perda da alma em sentido absoluto - pois o Espírito é imperecível - mas ao retardamento de sua evolução e à dor moral produzida pelas escolhas equivocadas.
Os Valores da Terra e os Valores do Céu
A humanidade vive sob duas escalas de valores.
A primeira é transitória.
A segunda é eterna.
Os valores da Terra são aqueles que desaparecem com a morte:
riqueza;
prestígio social;
influência;
aparência física;
poder político;
reconhecimento público.
Não são maus em si mesmos.
O Espiritismo jamais condenou a prosperidade material.
Allan Kardec esclarece que o problema não está na posse dos bens, mas no apego a eles.
A riqueza é prova difícil porque oferece ao homem inúmeras oportunidades de desenvolver orgulho, egoísmo e vaidade.
Os valores do Céu, ao contrário, permanecem além do túmulo:
amor;
caridade;
humildade;
resignação;
conhecimento moral;
fraternidade;
capacidade de servir.
São esses os tesouros que Jesus recomendava acumular.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec recorda que os bens terrestres pertencem apenas temporariamente ao homem. Os bens da alma, entretanto, constituem patrimônio eterno.
Por isso, um pobre pode ser espiritualmente rico, enquanto um milionário pode apresentar-se diante da espiritualidade como um mendigo moral.
A Dor da Alma e o Sofrimento Humano
A maioria das pessoas acredita que sofre apenas por causas presentes.
Perda de emprego.
Doença.
Separação.
Fracassos.
Luto.
Injustiças.
Contudo, a Doutrina Espírita ensina que o sofrimento possui raízes mais profundas.
Em muitos casos, a dor atual é apenas o reflexo de causas anteriores.
Não apenas desta existência, mas de vidas passadas.
Quando observamos o mundo sob a ótica de uma única encarnação, encontramos aparentes injustiças por toda parte.
Por que uma criança nasce cega?
Por que alguém enfrenta extrema pobreza enquanto outro desfruta abundância?
Por que pessoas bondosas sofrem tanto?
Por que indivíduos perversos parecem prosperar?
Sem a reencarnação, essas perguntas permanecem sem resposta.
Com ela, surge uma lógica moral universal.
As Causas Atuais e as Causas Pretéritas
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, Kardec distingue claramente duas origens para os sofrimentos humanos:
Causas atuais
São consequências diretas das ações da presente existência.
O indivíduo colhe aquilo que semeou.
Excessos geram enfermidades.
Orgulho produz conflitos.
Egoísmo gera solidão.
Imprudência traz prejuízos.
Nesse caso, o sofrimento funciona como resultado natural dos próprios atos.
Não é castigo.
É consequência.
Causas pretéritas
Existem dores cuja origem não pode ser encontrada na vida atual.
São provas ou expiações relacionadas ao passado espiritual.
O Espírito renasce trazendo consigo tendências, débitos morais e necessidades educativas.
A reencarnação não é punição.
É oportunidade.
Cada existência representa uma nova chance de corrigir erros e desenvolver virtudes.
Assim, muitas das dificuldades aparentemente inexplicáveis encontram sentido dentro da continuidade da vida.
Como ensina Kardec em A Gênese, capítulo XVII, a lei da reencarnação é a chave que permite compreender inúmeras passagens do Evangelho que, sem ela, pareceriam contraditórias.
A Questão 222 de O Livro dos Espíritos
Na questão 222 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec investiga a situação dos Espíritos após a morte e antes de nova encarnação.
Os Espíritos explicam que, nesse intervalo, o ser revê sua caminhada, avalia seus progressos e compreende suas necessidades futuras.
É nesse estado que percebe com clareza aquilo que, durante a encarnação, muitas vezes ignorava.
A alma enxerga então o valor real das coisas.
Aquilo que parecia enorme na Terra revela-se insignificante.
Aquilo que era desprezado mostra-se essencial.
Muitos Espíritos lamentam oportunidades perdidas.
Outros reconhecem que trocaram conquistas eternas por satisfações momentâneas.
É a realização tardia da advertência de Jesus:
Ganharam o mundo.
Mas negligenciaram a própria transformação moral.
Por Que Sofremos Diante da Vida?
O sofrimento não existe porque Deus seja injusto.
Nem porque tenha abandonado suas criaturas.
O sofrimento é instrumento de educação espiritual.
Kardec afirma que a dor é uma das grandes alavancas do progresso.
Enquanto o prazer frequentemente adormece a consciência, a dor desperta reflexões profundas.
As grandes perguntas da existência quase sempre nascem das lágrimas.
O sofrimento obriga o homem a olhar para dentro.
Convida-o a examinar seus valores.
Questiona suas prioridades.
Desfaz ilusões.
Revela fragilidades.
Mostra a transitoriedade das coisas materiais.
Em muitos casos, aquilo que chamamos desgraça é apenas uma etapa necessária do crescimento espiritual.
Sob a perspectiva terrestre, vemos perdas.
Sob a perspectiva espiritual, muitas vezes existem libertações.
O Segundo Advento do Cristo e a Renovação da Humanidade
Em A Gênese, capítulo XVII, Kardec analisa as palavras de Jesus sobre sua volta.
O Mestre não prometeu necessariamente um retorno corporal.
Anunciou a vinda de uma nova compreensão de sua mensagem.
Segundo a interpretação espírita, essa promessa se concretiza através do Consolador Prometido, identificado com a Doutrina Espírita.
O Cristo retorna não em um corpo físico, mas na restauração de seus ensinamentos.
A reencarnação, a comunicabilidade dos Espíritos e a lei de causa e efeito oferecem uma compreensão mais ampla da Justiça Divina.
Assim, a humanidade é convidada a abandonar a visão limitada de uma única existência e compreender sua verdadeira condição de Espírito imortal.
Ganhar o Mundo ou Ganhar a Si Mesmo?
Talvez a pergunta de Jesus pudesse ser formulada hoje de outra maneira:
De que adianta possuir tudo aquilo que o mundo admira se a consciência permanece inquieta?
De que vale a fama se não existe paz interior?
De que serve o poder se o coração continua vazio?
De que adianta conquistar impérios externos enquanto o mundo íntimo permanece em ruínas?
A Doutrina Espírita ensina que a finalidade da existência não é enriquecer, nem tornar-se famoso, nem acumular títulos.
O objetivo fundamental da vida é a evolução do Espírito.
Tudo o mais é instrumento.
Tudo o mais é transitório.
Quando o túmulo se fecha sobre o corpo, inicia-se a verdadeira avaliação da existência.
Não somos julgados por Deus como um soberano julgaria seus súditos.
Somos julgados pela própria consciência iluminada pela verdade.
Nesse momento, cada Espírito percebe exatamente o que fez de si mesmo.
E compreende que o verdadeiro patrimônio adquirido durante a jornada não eram os bens que acumulou, mas as virtudes que desenvolveu.
Por isso, a advertência de Jesus permanece tão atual quanto há dois mil anos:
Ganhar o mundo pode impressionar os homens.
Mas somente ganhar a si mesmo conduz à felicidade duradoura.
Fontes:
O Livro dos Espíritos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo.
A Gênese.
Evangelho de Mateus 16:26–28.
Evangelho de Marcos 8:36 -
14:60–63 (correspondente ao trecho citado sobre o Sinédrio).
