Marcelo Caetano Monteiro
"A liberdade pode causar vertigem, mas é por meio dela que a alma aprende a voar em direção às estrelas sem perder de vista a lei do amor."
"A ansiedade mostra o tamanho do horizonte que a alma contempla; a coragem é o passo que a conduz através dele."
"Foi quando tive medo de escolher um caminho que descobri que as estrelas não iluminam a estrada; elas apenas nos lembram de seguir."
"A ansiedade é como uma criança perdida olhando o céu. Ela não sabe para onde ir, mas sente que existe um lugar esperando por ela."
"Se o caminho parece infinito, não conte os passos que faltam. Olhe para a estrela que brilha acima de você e continue andando. Não olvide o quanto já foi superado.É assim que os viajantes chegam aos lugares mais bonitos."
" Não lamente o que a noite levou. Algumas perdas são apenas espaços que a vida abre para novos significados. "
" A manhã não resolve os enigmas da existência, mas ilumina o bastante para que não desistamos deles. "
"A vida raramente se revela em clarins. Quase sempre ela se anuncia no canto de um pássaro, na luz de uma janela ou na coragem silenciosa de quem decide levantar-se mais uma vez."
" Bom dia! Que a paz desça sobre tua alma como o orvalho que repousa silenciosamente sobre as flores ao amanhecer. "
A CATEDRAL DAS AUSÊNCIAS.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Nas naves do crepúsculo sombrio e profundo,
Velava meu espírito num claustro fecundo.
A saudade erguia seu véu de marfim,
Tecendo silêncios sem princípio ou fim.
Teu nome, relíquia de um tempo perfeito,
Habitava as criptas secretas do peito.
Qual lâmpada antiga de fulgor celeste,
Ardia nas brumas que o destino reveste.
A noite derramava seu manto de ametista,
Sobre a melancolia de minha alma mista.
E os astros, em coro de expressão sidérea,
Cantavam tua graça na amplidão etérea.
Percorri catacumbas de memória e paixão,
Buscando teus vestígios na desolação.
Mas somente encontrei, sob a sombra dispersa,
A liturgia muda de uma dor submersa.
Os lírios pendiam na neblina invernal,
Como páginas frágeis de um missal espectral.
E cada pétala morta que tombava ao chão,
Era um verso perdido da nossa afeição.
Contudo, entre ruínas de severa grandeza,
Floresceu uma estranha e magnífica beleza.
Pois o amor que atravessa a distância e o abandono,
Transforma o sofrimento em áureo trono.
Agora contemplo o horizonte distante,
Com olhar resignado e coração constante.
Porque certas partidas, embora fatais,
Convertem-se em jardins espirituais.
E se a eternidade ocultar teu semblante,
Guardarei tua essência em relicário vibrante.
Pois quem ama verdadeiramente, sem temor,
Faz da própria ausência uma forma de amor.
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EU, DO ESPELHO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Eu, do espelho em minha face,
do escarro frio também no chão,
não há alma que disfarce
a verdade sem solução.
Vejo a máscara rompida,
feito vidro a se partir;
toda a farsa desta vida
já não pode mais mentir.
Teus discursos são fumaça,
teu orgulho, pó sem cor;
quem semeia a própria trapaça
colhe espinhos de amargor.
Sob o verniz das palavras,
onde a vaidade fez morada,
jazem promessas macabras
numa consciência arruinada.
O tempo, juiz silencioso,
não aceita bajulação;
desnuda o falso virtuoso
diante da própria ilusão.
Teu retrato é sombra e lama,
é castelo sem alicerce;
arde por dentro a chama
da mentira que te aquece.
E enquanto finges grandeza
nas vitrines da multidão,
a verdade, com firmeza,
grava teu nome na escuridão.
Pois ninguém foge ao reflexo
que habita o íntimo profundo;
o remorso é um nexo
entre a alma e o próprio mundo.
Eu, do espelho em minha face,
do escarro frio também no chão,
sei que não existe disfarce
para enganar o coração.
A noite cobre os telhados,
mas não encobre o pensar;
há fantasmas acorrentados
que o silêncio faz despertar.
E o homem que vende honras
por aplausos passageiros,
ergue sobre frágeis sombras
os seus tronos derradeiros.
Quando o último véu cair
e cessar a encenação,
restará apenas ouvir
o veredito da razão.
Porque a mentira floresce,
mas não resiste à estação;
cedo ou tarde apodrece
sob o peso da revelação.
E então, diante do espelho,
sem plateia, sem perdão,
verás teu próprio conselho
transformado em condenação.
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" A face ante o espelho não de pé, de joelho no vasto da solidão as falhas de uma lâmina mistura o escarro lançado no chão. "
