A Culpa de Sentir Demais Quando escuto... Mannu Viana Rios

A Culpa de Sentir Demais


Quando escuto que minhas escolhas machucaram alguém,
o mundo parece perder a cor.
É como se eu me tornasse um monstro,
como se tudo o que existisse dentro de mim
fosse apenas um vazio disfarçado de coração.


Dizem que uso pessoas como abrigo,
como quem tenta fugir de si mesma.
Dizem que minhas atitudes machucam,
que nem sempre sei permanecer sem ferir.


Então começo a me esconder.
Guardo as palavras, os afetos, os sorrisos.
Porque talvez o silêncio doa menos
do que a culpa de existir.


Mas me explica...


Como desacelerar uma vida
quando tudo em mim grita intensidade?
Como aprender a ser calma
se meu peito nasceu tempestade?


Como perceber que todos estão indo embora,
se sou eu quem fecha as portas
antes mesmo de ouvir a despedida?


E como aceitar que, no fim,
talvez eu fique sozinha,
vendo cada pessoa partir,
acreditando que me odeiam simplesmente por eu ser quem sou?


Talvez a terapia consiga traduzir
os sentimentos que nem eu compreendo,
esses nós invisíveis
que apertam meu peito todos os dias.


Porque eu já não consigo chorar.


Parece que minhas lágrimas
secaram antes de cair,
e que cada emoção precisa morrer em silêncio
para não terminar me destruindo.


Mas, no fundo,
eu não queria sentir menos.


Queria apenas que alguém entendesse
que toda essa intensidade
nunca foi uma tentativa de machucar.


Era só a minha forma, imperfeita e humana,
de amar, de permanecer, de existir.


E talvez exista um dia
em que eu deixe de pedir desculpas
por ser quem sou.


Um dia em que eu descubra
que intensidade não é pecado,
que errar não me transforma em um monstro,
e que até os corações mais cansados
merecem um lugar para descansar.


Até lá, sigo recolhendo os pedaços de mim.


Porque, se um dia todos forem embora,
eu espero que ainda reste alguém...


eu mesma.


E que, pela primeira vez,
isso seja suficiente.