Mannu Viana Rios

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A Coragem de Sentir


Em que momento sentir virou exagero?


Em que esquina da vida decidiram
que um coração aberto
vale menos
do que um coração fechado?


Quando foi
que um olhar vazio
se tornou mais admirado
do que um sentimento sincero?


Vivemos tempos estranhos.


Chamaram de "emocionado"
quem nunca teve medo de demonstrar afeto.
Como se esconder fosse sinônimo de força,
e sentir fosse um defeito.


Vestiram a frieza com roupas de maturidade,
transformaram a indiferença em mistério,
e fizeram do orgulho
uma qualidade digna de aplausos.


Mas ninguém conta
que muralhas também aprisionam
quem as construiu.


A frieza impressiona por um instante,
mas nunca aquece.
O orgulho vence discussões,
mas quase sempre perde pessoas.
E a indiferença pode proteger um coração,
mas também o impede de viver.


Eu não quero aprender
a fingir que não sinto.


Não quero medir palavras,
calcular demonstrações
ou transformar carinho em estratégia.


Quero continuar acreditando
na beleza de um abraço sem pressa,
de um "cuida de você",
de um "senti sua falta"
dito sem vergonha,
sem orgulho,
sem medo.


Porque bonito mesmo
é quem não economiza verdade.


Quem ama sem precisar fingir.
Quem abraça sem medir.
Quem sorri sem calcular.
Quem permanece,
mesmo sabendo
que sentir também é correr o risco de se machucar.


Se isso faz de mim
uma pessoa emocionada,
que seja.


Prefiro carregar no peito
a coragem de sentir,
do que vestir uma armadura
para parecer forte.


Porque pior do que sofrer por sentir demais
é passar a vida inteira
sentindo de menos.


No fim,
o mundo pode até aplaudir
os corações de gelo.


Mas são os corações que ainda têm coragem de amar,
de chorar,
de recomeçar,
de permanecer
e de dizer exatamente o que sentem,
que lembram ao mundo
que viver nunca foi sobre parecer invencível.


Sempre foi
sobre ter coragem
de continuar sentindo,
mesmo depois de todas as decepções.


Porque, no fim,
não é a frieza que nos torna inesquecíveis.


É a coragem
de sermos inteiros.

Carta para a Vida (ou para Você)


Às vezes penso que viver exige uma coragem que nem sempre sabemos que possuímos. Coragem para enfrentar tudo aquilo que nos faz parar no meio do caminho e duvidar da força que carregamos dentro de nós. Mas, mesmo quando a dúvida fala mais alto, existe algo em mim que se recusa a desistir.


A minha intensidade me leva a viver coisas inimagináveis. Sinto tudo de uma forma que nem sempre consigo explicar, mas nunca quis ser diferente. É essa intensidade que faz meu coração permanecer vivo, acreditando, sonhando e amando.


Com todo o afeto que mora em meu peito, tento demonstrar o amor da forma mais sincera que conheço. Não gosto de sentimentos pela metade; prefiro que eles sejam verdadeiros, mesmo quando doem.


Carrego dentro de mim a certeza, a verdade, de que um dia tudo será diferente. Um dia a vida mudará, os ventos encontrarão outra direção e tudo aquilo que hoje parece distante finalmente fará sentido.


Quando olho para o mar, sinto como se ele conhecesse a minha alma. Vejo as ondas indo e voltando, trazendo e levando sonhos, medos e sentimentos, como se cada movimento fosse um pedaço de mim… ou até mesmo um pedaço de você.


Foi diante do horizonte que encontrei a paz que tanto procurava. Ali entendi que, por maior que seja a caminhada, sempre existe um lugar onde a esperança encontra descanso.


Aprendi que todo recomeço é uma oportunidade de escrever uma nova história. Não importa quantas vezes a vida nos faça voltar ao início; sempre haverá uma nova chance para viver de um jeito diferente.


Naquele pôr do sol imaginei você ao meu lado. Imaginei nossas conversas sobre a vida, nossos planos, nossos medos e os dias melhores que nasceriam depois de cada tempestade. Porque acredito que nenhuma tempestade dura para sempre.


Você é a calmaria para a minha vida conturbada. É o lugar onde meu coração desacelera e encontra abrigo.


Já senti saudade de você em um dia chuvoso e percebi que, naquele instante, tudo o que eu queria era o conforto do teu abraço.


Continuo buscando a minha liberdade, aquela que sempre imaginei viver. A liberdade de ser quem sou, sem medo, sem máscaras e sem precisar diminuir a minha essência para caber na vida de alguém.


Tenho esperança de dias melhores. E é a minha fé que me faz continuar caminhando, acreditando que ainda vou conquistar tudo aquilo que hoje existe apenas nos meus sonhos.


Ainda existe em mim a essência de uma criança: aquela que acredita no impossível, que enxerga beleza nas pequenas coisas e que nunca deixou de sonhar.


Tenho uma relação curiosa com o silêncio. Às vezes o odeio, porque ele me obriga a ouvir tudo o que escondo dentro de mim. Outras vezes, é justamente nele que encontro as respostas que o mundo não consegue me dar.


Peço apenas força para viver o meu melhor, para permanecer fiel a quem sou e para nunca desistir de mim, mesmo quando o caminho parecer difícil.


E, por fim, existe o amor.


Ao teu lado eu me sinto especial. Sinto que posso ser exatamente quem sou, sem fingimentos, sem receios e sem medo de mostrar cada parte de mim. Talvez seja esse o verdadeiro significado de amar: encontrar alguém diante de quem a alma também se sente em casa.


Se um dia eu me perder pelo caminho, espero encontrar novamente tudo aquilo que hoje carrego no peito: coragem, intensidade, afeto, verdade, esperança, fé… e amor. Porque são essas coisas que fazem de mim quem eu sou e que me lembram, todos os dias, que sempre vale a pena recomeçar.


Talvez esta carta nunca tenha sido apenas para você. Talvez ela sempre tenha sido para mim também. Porque, ao falar do que sinto por você, descobri quem eu sou. E, se um dia a vida nos levar por caminhos diferentes, ainda assim levarei comigo tudo o que você despertou em mim. Afinal, algumas pessoas não chegam para ficar; chegam para nos ensinar o caminho de volta para a nossa própria essência.

Se Eu Chegar até Você.


Se eu visitar os teus sonhos esta noite,
não desperte assustada.
É só a saudade encontrando um caminho
que a distância não conseguiu impedir.


Se eu estender a mão
e te convidar para dançar,
não procure pela música.
Alguns corações conhecem o ritmo
antes mesmo da primeira nota tocar.


Se eu brincar com os teus cabelos,
desfazendo cada fio no vento,
perdoa a minha bagunça.
Há afetos que só sabem existir
através dos pequenos gestos.


E se, por acaso,
o meu nome atravessar os teus pensamentos,
que ele venha acompanhado de um sorriso.
Lembra de mim rindo alto,
contando as piadas mais sem graça do mundo
como se fossem as melhores já inventadas.


E quando o cansaço da vida
pedir apenas silêncio
e uma companhia que não faça perguntas,
me chama.
Eu atravesso qualquer distância
para dividir o mesmo horizonte,
o mesmo banco,
o mesmo instante.


Não prometo consertar os teus dias,
nem apagar as tempestades do caminho.
Prometo apenas ficar.


Porque o meu carinho
nunca precisou de grandes feitos.
Ele mora nas coisas simples:
em uma conversa,
em um abraço demorado,
em um olhar tranquilo,
na certeza de que,
ao meu lado,
você pode descansar.


E, se um dia perguntarem
qual era a minha maior vontade,
a resposta será sempre a mesma:


ser o lugar
onde o teu coração
se sente seguro para existir.

Entre ruas e memórias


Eu não te levaria para Barcelona.
Te levaria para conhecer a Itália,
o país pelo qual nós dois temos uma fascinação em comum.


Caminharíamos por ruas que atravessaram séculos, admirando cada detalhe como quem descobre um novo mundo.


Te levaria para ver o Coliseu,
onde o tempo parece ter parado,
e para contemplar as mais belas obras de arte,
porque algumas delas só podem ser compreendidas quando vistas com o coração.


Também te levaria
ao país onde a sua cantora favorita
empresta a voz a canções
que atravessam tantos corações,
e onde a língua soa como poesia,
tão sedutora
que até o silêncio parece ter sotaque.


Faríamos questão de nos perder
pelas pequenas ruas de pedra,
tomar um café em uma praça qualquer,
ver o pôr do sol colorindo os telhados antigos
e descobrir que as melhores lembranças
nascem dos momentos que não estavam nos planos.


Mas, para falar a verdade...


O meu lugar favorito nunca seria um país.


Seria qualquer canto do mundo
onde eu pudesse segurar a sua mão,
ver o brilho dos seus olhos diante de algo novo
e guardar, em silêncio,
a felicidade de estar vivendo aquilo ao seu lado.


Porque existem lugares inesquecíveis,
obras que desafiam o tempo
e paisagens que roubam o fôlego.


Mas nenhuma delas
seria mais bonita
do que a expressão do seu rosto
ao viver tudo isso pela primeira vez.


No fim,
eu não te levaria apenas para conhecer a Itália.


Eu te levaria
para colecionarmos memórias
que nem o tempo
seria capaz de apagar.

Dois Oceanos.


Você me disse:
"Se quiser me conhecer de verdade,
não se contente com a minha superfície."


E eu entendi
que havia um oceano
escondido atrás do horizonte
dos seus olhos.


Então você sorriu
e fez um convite ainda mais difícil:


"Se quiser conhecer o meu oceano,
permita que eu conheça o seu.
Mas já adianto:
não vai ser fácil."


Foi nesse instante
que compreendi
que algumas pessoas
não querem ser admiradas.
Querem ser descobertas.


Então abri as portas
do mar que existe em mim.


Disse que,
para conhecer o meu oceano,
seria preciso enfrentar
ondas gigantes,
aceitar o peso
de alguns mergulhos
e permanecer submersa
até encontrar o caminho
de volta.


Você não recuou.


Apenas respondeu:


"Eu não tenho medo do seu oceano.
Sei que existem ondas,
profundezas
e partes difíceis de atravessar."


E, pela primeira vez,
o medo de ser demais
encontrou alguém
que não desejava ir embora.


Foi então que percebi
que talvez
os maiores encontros
não aconteçam
em águas calmas.


Acontecem
quando duas pessoas
escolhem mergulhar
uma na outra,
sem prometer ausência de tempestades,
apenas a coragem
de continuar nadando.


Por isso,
nunca vou me cansar de repetir:


Venha desvendar os meus códigos.


Talvez você seja
a primeira pessoa
que, depois de decifrar
todos os meus mistérios,
escolha ficar.


E, se um dia
você me permitir,
prometo fazer do seu oceano
o lugar onde
até as tempestades
soam como poesia.


Porque, no fim, descobri que oceanos não procuram quem saiba nadar.


Procuram quem tenha coragem de permanecer,
mesmo quando a profundidade assusta.


Talvez esse seja
o verdadeiro significado
de conhecer alguém: não desvendar
todos os seus mistérios; mas escolher voltar, todos os dias, sabendo que sempre existirá
mais um oceano para explorar.


E tudo bem.


Porque algumas pessoas
não foram feitas
para serem decifradas.


Foram feitas
para serem escolhidas,
onda após onda.




- Sereia 💖

As belas curvas do teu corpo
são como as ondas do mar.

Despertam em mim
a mesma vontade de caminhar sem pressa,
de sentir a brisa,
de me perder na imensidão
sem medo de não encontrar o caminho de volta.

Porque existem belezas
que não foram feitas apenas para serem vistas,
mas para serem admiradas
com o mesmo respeito
que se contempla o oceano
quando ele encontra o céu.

Sorte minha ser poeta,
porque, se eu fosse pintor,
passaria a vida diante de uma tela em branco,
misturando tintas e procurando uma cor
capaz de reproduzir a beleza
que os meus olhos encontraram em você.

E, ainda assim, fracassaria.

Restou-me a poesia,
esse lugar onde as palavras
tentam alcançar
o que os pincéis não conseguem explicar.

Porque algumas obras de arte
não nasceram para ser pintadas.
Nasceram para inspirar poemas.

O Lugar Onde Ainda Existimos

Toda vez que a memória decidir voltar até nós, espero que ela leve consigo um sorriso impossível de conter.

Porque existiu um tempo em que o mundo ficou pequeno e nós inventamos um universo onde nada podia nos alcançar.

Lá, não existiam relógios, nem despedidas.
Só a paz de existir um no horizonte do outro.

Talvez o destino diga
que fomos um erro.
Um desvio.
Um furacão.

Mas tempestades também têm a capacidade de mudar paisagens e ensinar o mar a reconhecer o próprio silêncio.

Você ainda tenta imaginar por onde caminhei durante todo esse tempo.

Mal sabe que cada passo que dei era, de alguma forma, uma tentativa de chegar até você.

Passei por pessoas, lugares, estações inteiras.

Nenhuma delas carregava o jeito que só você tem de fazer o meu coração reconhecer que finalmente chegou em casa.

Por isso, ninguém tocará você como eu toquei.

Não porque minhas mãos tenham sido diferentes, mas porque toquei o que ninguém podia ver.

Ninguém olhará para você
como eu olho, porque meus olhos sempre enxergaram o que existia além da sua beleza.

E ninguém sentirá você
como eu sinto, porque algumas almas aprendem uma à outra
em um idioma que o mundo jamais será capaz de traduzir.

Se um dia você lembrar de nós,
não tente entender.

Apenas sorria.

Existem histórias
que nasceram para desafiar a lógica,
mas permanecer para sempre
na memória de quem as viveu.

Enquanto eu sonhava!



Se for um sonho,
deixem-me sonhar.
Não me acordem,
não me despertem.
Deixem-me acreditar
que, enfim,
encontrei o paraíso
onde minha alma aprendeu a descansar.


Há um lugar
onde o tempo esqueceu de passar,
onde o silêncio tem cheiro de mar
e a paz não faz perguntas,
apenas convida a ficar.


Nesse horizonte,
cabelos da cor do sol
tocam a luz sem pedir licença,
como se o próprio amanhecer
tivesse encontrado um rosto
para nascer.


E há um sorriso...
tão discreto
que o mundo quase não percebe,
mas quem aprende a olhar
o guarda para sempre.


Sonhei com o paraíso.


E havia alguém.


Não sei se era destino,
miragem,
lembrança de um futuro
ou um desejo
que se cansou de viver apenas em silêncio.


Só sei
que desde esse sonho
a realidade parece pequena demais
para conter o que senti.


Tenho medo de despertar.


Medo de abrir os olhos
e perder o caminho
que me leva até você.
Medo de que a manhã,
tão certa de si,
leve embora
aquilo que a noite
me confiou em segredo.


Então,
por favor,
não me despertem.


Há sonhos
que não imploram para se tornar realidade.
Basta que existam,
porque existem presenças
que o coração reconhece
antes mesmo de lhes dar um nome.


E, se for preciso viver entre o sono e o amanhecer,
que seja.


Pois, ainda que o mundo me acorde,
uma parte de mim
continuará sonhando...
na esperança silenciosa
de voltar ao lugar
onde o mar aprende o seu nome,
o sol encontra os seus cabelos
e minha alma,
pela primeira vez,
descansa.

Onde o Mar Aprendeu o Seu Nome


Há um segredo que o vento jamais revelou,
guardado onde a maré o silêncio encontrou.
Nem a lua, tão antiga, ousou desvendar
o instante em que o oceano aprendeu a amar.


Dizem que foi numa tarde sem fim, sem cor,
quando a brisa vestia perfume de flor.
Uma voz, tão serena, cruzou o horizonte,
e o mar se curvou como quem acha uma fonte.


Desde então, cada onda que vem e que vai
leva um nome escondido que ninguém mais trai.
Só as conchas conhecem o doce refrão,
que o azul guarda vivo no fundo do chão.


O sol, ao morrer, beija o espelho do mar,
como quem tenta em vão esse nome alcançar.
Mas a noite o recolhe em seu manto de breu,
pois nem toda beleza nasceu para o céu.


Há mistérios que o tempo não pode romper,
há silêncios que apenas o amor faz nascer.
E se um dia escutares o mar a cantar,
não perguntes por quê...


Ele apenas repete,
em segredo perfeito,
o nome que aprendeu
e jamais deixou de guardar.

Sabor Maresia


Decorei o perfume do teu corpo sem querer,
e desde então não soube mais te esquecer.
Procurei em flores, na chuva, no mar,
mas teu aroma não se deixa imitar.


Tens cheiro de vento beijando o litoral,
doce e salgado, divino, ancestral.
Brisa serena, desejo contido,
mistério guardado, segredo escondido.


Sabor Maresia... assim te nomeei,
pois nome melhor eu nunca encontrei.
Não é perfume, essência ou flor;
é pele que veste o próprio amor.


Será que existe em algum lugar
um frasco capaz de te engarrafar?
Ou foi o mar, com ciúme de ti,
que fez teu perfume nascer só ali?


Se fecha os olhos, ainda posso sentir
essa lembrança insistindo em florir.
E toda fragrância que o mundo me traz
perde-se inteira... jamais te refaz.


Porque teu cheiro não mora no ar,
nem em jardins, nem em qualquer mar.
Mora na ausência que insiste em ficar,
e em cada saudade que vem me visitar.


Se um dia perguntarem o que nunca esqueci,
não direi teu nome, nem falarei de ti.
Direi apenas, com um sorriso fugaz:


"Conheci uma vez...
alguém que tinha sabor de maresia."

Onde o Sonho Não Tem Medo


As entrelinhas jamais mentiram,
foram os silêncios que primeiro falaram.
O suspense vestiu-se de luar,
mas os fatos, discretos, vieram revelar.


Nunca fui feita para esperar,
há verdades que recusam se calar.
Pois viver de mistério é sobreviver,
quando a alma só deseja acontecer.


A realidade ergue muros ao redor,
faz do perto um caminho bem menor.
Afasta os passos, aprisiona a emoção,
e ensina saudade ao próprio coração.


Por isso escolho o país do sonhar,
onde ninguém pode me proibir de ficar.
Ali, teu nome é abrigo e clarão,
escrito em segredo na palma da mão.


Se minhas palavras tocaram tua dor,
não nasceram da falta de amor.
Nasceram do peso de um querer calado,
que aprendeu a existir do lado errado.


Então me escuta, sem medo de ver:
é no sonho que ainda encontro você.
Lá o impossível esquece o próprio nome,
e o tempo, por um instante, não nos consome.


Não peças ao destino outra direção,
nem desafies os ventos da razão.
A vida, aos poucos, tem me ensinado
que até o caos pode andar compassado.


Hoje abraço o fogo sem me consumir,
aprendo a sentir antes de partir.
Minha intensidade já não quer vencer;
ela apenas deseja florescer.


Porque descobri, no silêncio do mar,
que a força não está em deixar de amar.
Está em guardar, como um segredo profundo,
o sonho mais bonito que não cabe no mundo.

As Lágrimas que Não Caem

Já sentiu a tristeza chegar sem fazer alarde,
como a noite abraçando o fim de uma tarde?
Ela entra sem pedir licença ou perdão,
faz morada no peito e silêncio no coração.

Há dias em que tudo parece pesar,
e a alma só deseja o direito de chorar.
Mas meus olhos aprenderam o idioma das secas,
como rios perdidos entre lembranças desertas.

Não sei por que sou assim, tão fechada em mim,
nem quando o silêncio passou a morar aqui.
Talvez eu tenha aprendido, sem sequer perceber,
que algumas dores sobrevivem sem nunca dizer.

Não sei o que sinto, nem sei explicar,
só sei que há um vazio difícil de nomear.
É um aperto no peito, um nó na respiração,
uma ferida invisível sangrando o coração.

Dentro de mim, tempestades rompem o horizonte,
mas o céu dos meus olhos jamais se desmonta.
O pranto se perde antes mesmo de nascer,
como se até as lágrimas tivessem medo de viver.

Quis chorar...

Mas até o choro parece ter me esquecido.
Enquanto o mundo pergunta se está tudo bem,
eu visto um sorriso e respondo baixinho: "sim".
Ninguém escuta o barulho do que desaba por dentro.

E talvez o mais cruel não seja a tristeza,
mas querer desabar e permanecer de pé;
sentir a alma implorando por alívio,
enquanto o peito aprende, em silêncio, a sofrer.

Então sigo...

Carregando um oceano inteiro preso nos olhos,
uma tempestade acorrentada na alma,
um inverno escondido entre os meus versos
e um coração que descobriu, tarde demais,

que existem lágrimas que nunca tocam o chão.

Elas escorrem por dentro,
afogam o que ainda resta de luz,
fazem da esperança um sussurro distante
e da saudade uma morada.

Porque nem todo choro molha o rosto.

Há lágrimas que escolhem o silêncio.

E são justamente essas...

as que mais doem.

Gostar de Mulher

Gostar de mulher é um encanto sem medida,
um verso que desperta e transforma a própria vida.
É descobrir um segredo escondido no olhar,
que o mundo inteiro enxerga, mas não consegue decifrar.

É amar o perfume que sua pele faz nascer,
uma fragrância que nenhuma essência soube oferecer.
É sentir que cada aroma guarda um pedaço do infinito,
como se o universo inteiro coubesse em um só suspiro.

É desejar o toque de suas mãos delicadas,
a maciez da pele e as almas entrelaçadas.
É encontrar em seu abraço um porto, um lar,
onde até os silêncios aprendem a descansar.

É perder-se na doçura da sua voz serena,
na risada que floresce e faz a tristeza pequena.
É mergulhar em um olhar que, sem nada dizer,
faz o coração esquecer como era viver.

Há uma beleza que nela jamais precisa provar;
ela seduz naturalmente, apenas por respirar.
No jeito de caminhar, na calma do sorrir,
na elegância discreta de simplesmente existir.

E então existem os lábios...

Guardando promessas em um silêncio encantador,
esperando um beijo lento, carregado de calor.
Um beijo que enfeitiça, que faz o tempo parar,
como as ondas do mar que nunca deixam de voltar.

Gostar de mulher não é somente algo natural;
é sentir o impossível tornar-se essencial.
É intensidade sem medida, sem meio, sem fim,
um sentimento que encontra abrigo dentro de mim.

Porque amar uma mulher é mais do que desejar.
É admirar cada detalhe, sem jamais precisar tocar.
É reconhecer que existem amores feitos para acontecer,
como o mar encontra a areia, sem nunca se perder.

E quando esse encanto finalmente acontece,
a alma inteira floresce.
Tudo muda, tudo ganha cor e direção,
como se o amor escrevesse seu nome dentro do coração.

Desde então, não existe chegada nem despedida.
Existe apenas o instante em que ela sorri...
e o mundo inteiro compreende
que gostar de mulher é a forma mais bonita
que a intensidade encontrou para existir.

Gostar de mulher é algo sensacional.
Você gosta do cheiro que o corpo dela produz, do perfume que ela está usando e sente que é algo que você nunca experimentou antes.
Você gosta do toque, da maciez da pele e das mãos que te abraçam e te acolhem.
A voz, a risada, o olhar, o corpo que seduz sem precisar ser vulgar, os lábios que chamam, esperando um beijo lento capaz de enfeitiçar.
Gostar de mulher, não é apenas uma coisa natural, é uma intensidade sem fim, sem meio, apenas com um começo, onde tudo começa a surgir!

Teu perfume



Deixa-me sentir o teu cheiro outra vez,
esse mistério que o vento jamais traduz.
Fragrância sem nome aos olhos do mundo,
mas que em minha alma acendeu sua luz.


Foi Maresia o nome que lhe dei,
não por nascer das ondas ou do mar,
mas porque só quem ama em silêncio
consegue um perfume assim decifrar.


Meu doce sabor Maresia...
guarda estas palavras com devoção.
Decora-as na memória da alma,
faz delas abrigo do coração.


Há perfumes que não vivem em frascos,
nem se deixam ao mundo mostrar.
São segredos bordados no tempo,
que apenas duas almas conseguem guardar.


Que ninguém descubra esse mistério,
que ninguém o consiga explicar.
Pois esse cheiro pertence à noite
em que aprendi contigo a descansar.


Numa noite bordada de estrelas,
com a lua vestida de luar,
foi no abrigo manso do teu peito
que encontrei meu lugar.


Ali o tempo perdeu o compasso,
o silêncio aprendeu a cantar;
e até o vento, em passo tão manso,
parou apenas para nos escutar.


Desde então, quando a brisa me encontra,
traz contigo um doce despertar.
O mundo acredita que é maresia...
eu apenas volto a te lembrar.


Se algum dia perguntarem
por que sorrio ao sentir o vento passar,
direi apenas que gosto do mar,
sem jamais a verdade revelar.


Pois nem toda brisa vem do oceano,
nem todo encanto se pode explicar.
Há perfumes que desafiam os anos
e recusam-se ao tempo entregar.


Se o mar perguntar por esse aroma,
o vento fingirá não escutar.
Há segredos que nem a lua pronuncia,
nem as estrelas ousam revelar.


E, enquanto o mundo chamar
de maresia o perfume do mar,
eu guardarei, em silêncio, o segredo
que a vida me ensinou a guardar.


Porque esse cheiro não pertence ao mundo,
nem ao tempo, nem ao próprio mar.
Pertence ao instante em que tua alma
escolheu a minha como lugar.


E, quando o vento voltar em segredo
e a lua tornar a nos iluminar,
saberei, sem que uma palavra seja dita,
que o teu perfume ainda sabe
o caminho para me encontrar.

Conexão


Isso se chama conexão.


Não nasce do acaso,
nem se explica pela razão.
É quando duas almas cansadas
encontram repouso no mesmo coração.


Feridas pelo tempo,
pela ausência e pela solidão,
descobriram, uma na outra,
o mais raro abrigo:
a paz da conexão.


Não precisam estar juntas
a cada amanhecer ou anoitecer,
pois há laços que desafiam a distância
e continuam vivos sem se perder.


A verdadeira presença
não se mede pelo toque da mão,
mas pelo silêncio que conforta,
pela calma que invade o coração.


Eram intensas demais
para viver pela metade,
romperam as velhas correntes,
abraçaram a própria liberdade.


Escolheram caminhar sobre os muros,
onde poucos ousam permanecer,
pois quem enxerga além dos limites
aprende uma nova forma de viver.


Talvez o mundo chame de acaso,
talvez alguém diga que é destino.
Mas há encontros que não pedem explicação,
apenas seguem o mesmo caminho.


Porque existem almas
que se reconhecem antes mesmo do olhar,
como se o universo, em segredo,
tivesse esperado o momento de as fazer encontrar.


Se existe um nome para isso,
eu não preciso procurar.
Algumas histórias nasceram para ser sentidas,
não para o mundo explicar.


Isso se chama conexão:
quando duas almas intensas,
cansadas de viver pela metade,
encontram, uma na outra,
o infinito da liberdade.

Conspiração das Almas

Não foi o acaso.

O acaso não conhece nomes,
não atravessa tempestades,
não costura destinos
com fios invisíveis de eternidade.

Foi algo maior.

Talvez o silêncio
que o universo guardou
até encontrar duas almas
que já se procuravam
muito antes de aprenderem a existir.

Cansadas.

Não apenas do tempo,
mas de viver pela metade,
de vestir sorrisos incompletos,
de chamar de paz
o que nunca passou de saudade.

Então aconteceu.

Sem promessas.
Sem alarde.
Sem a necessidade de explicar.

Porque certas conexões
não chegam...
elas despertam.

E, de repente,
o mundo ficou menos pesado.

Não porque os problemas partiram,
mas porque havia alguém
capaz de dividir o peso
sem carregar as correntes.

Nunca precisaram estar juntas
para permanecerem presentes.

Há presenças
que moram na lembrança,
na paz inesperada,
no sorriso que surge sem motivo,
na estranha certeza
de que existe um lugar
onde a alma sempre volta.

Escolheram caminhar sobre os muros.

Nem deste lado,
nem do outro.

Porque quem ama a liberdade
não aceita viver aprisionado
pelos limites que o medo construiu.

Duas almas intensas,
incapazes de caber
em sentimentos rasos.

Duas tempestades
que descobriram
que o verdadeiro milagre
não era encontrar calmaria...

Era encontrar alguém
que dançasse sob a mesma chuva.

E talvez seja isso
o segredo que o universo
jamais revelou por inteiro:

existem pessoas
que não entram na nossa vida.

Elas retornam.

Como o mar
que sempre reconhece a areia,
como a lua
que nunca esquece o oceano,
como o vento
que sabe exatamente
onde cada folha deve repousar.

Porque algumas almas
não se encontram.

Elas apenas se reconhecem,
como quem finalmente lembra
de uma promessa feita
antes mesmo do tempo aprender
a contar os dias.

Duas almas.



Chamam de acaso, eu prefiro chamar de destino,
duas almas cansadas cruzando o mesmo caminho.
Feridas pelo tempo, marcadas pela solidão,
descobriram descanso no abraço da conexão.


Não precisam viver lado a lado a todo instante,
pois o laço verdadeiro permanece constante.
A distância não desfaz o que o coração construiu;
quem nasceu para ser porto jamais se diluiu.


Eram intensas demais para viver pela metade,
escolheram a coragem no lugar da vaidade.
Romperam as correntes, recusaram a prisão,
e fizeram da liberdade a sua própria direção.


Sobre os muros caminharam, sem medo de tropeçar,
porque quem encontra a alma certa aprende também a voar.
Não é o tempo que aproxima, nem a presença, afinal;
é o silêncio que responde aquilo que é essencial.


Se existe um nome para isso, talvez ninguém possa dizer.
Alguns chamam de encontro...
eu chamo de duas almas que nasceram para se reconhecer.

O Traço que o Mundo Não Leu

Quando por tua alma ousei caminhar,
sem pressa, sem medo de me perder,
vi cada detalhe em silêncio cantar,
como estrelas que aprendem a amanhecer.

Entre teus contornos, tão belos, enfim,
havia um traço que escondias de mim;
julgavas defeito, motivo de dor,
quando era o mais raro sinal de esplendor.

Foi nele que o tempo escreveu poesia,
com tinta de luz e perfume de mar;
o mundo chamava de melancolia,
mas eu o chamava de lar.

Mentiram-te tanto, fizeram crer
que eras menos por seres assim;
mas quem nunca soube o que é realmente ver
jamais compreenderia teu jardim.

A beleza não mora na forma perfeita,
nem vive acorrentada à ilusão;
ela nasce na marca discreta,
que revela o idioma do coração.

Por isso, não escondas o que és,
nem deixes teu brilho partir;
pois o traço que baixava teu olhar
foi o primeiro a me fazer sorrir.

Se Deus desenhou teu rosto em segredo,
foi para que ninguém pudesse copiar;
e aquilo que chamavas de medo
era o mais belo motivo para te amar.

Porque a perfeição é fria, passageira;
já o encanto verdadeiro não tem fim.
E foi nesse pequeno traço, à tua maneira,
que a eternidade sorriu para mim.

O Bem que Você me Faz!



Quando paro para pensar no bem que você me faz,
descubro que tua presença é meu abrigo, minha paz.
Cada palavra trocada, cada instante a florescer,
é um silêncio bonito que me ensina a viver.


Não sei se devo entender ou apenas sentir,
essa calma tão rara que me convida a existir.
Só sei que, se o tempo pudesse um instante parar,
eu faria dos teus braços o meu eterno lugar.


Saudades de você... saudades de mim,
de quem eu me torno quando estás perto de mim.
Porque em teu afeto encontro o que nunca perdi:
a parte mais bonita que renasce dentro de si.


Você colore meus dias com tua alma de menina,
feito sol que amanhece e toda sombra ilumina.
Teu sorriso frouxo, tão leve ao florescer,
faz o mundo inteiro mais bonito de se ver.


Teu abraço é porto seguro, calmaria depois da ventania;
tua doce teimosia transforma sonho em poesia.
E, sem perceber, faz o impossível acontecer,
como se amar fosse apenas um jeito bonito de viver.


Se isso tem nome, não preciso descobrir;
há mistérios que nasceram somente para sentir.
Enquanto houver teu riso para meu peito aquecer,
que nunca tenha fim o bem que existe em te querer.

Entre Versos, Você


Entre tantos versos, você vem ao pensamento,
chega de mansinho, feito doce sentimento;
e entre tantas palavras que eu tento escrever,
é você, entre todas, quem eu escolho querer.


Tentei não pensar, tentei não sentir,
tentei, tantas vezes, de você fugir.
Tentei não gostar, tentei me esconder,
mas foi impossível não mais querer.


Foi inevitável sentir, inevitável viver,
inevitável deixar o coração escolher.
Quanto mais eu tentava o sentimento calar,
mais forte era a vontade de em você pensar.


Não sei explicar o que sinto ao te ver,
nem sei encontrar um nome para você.
Não sei se é encanto, se é sonho ou paixão,
só sei que você encontrou morada no coração.


Não sei o que sinto, não sei compreender,
só sei que, contigo, eu desejo viver.
E se for loucura, eu não quero saber,
pois até na loucura eu encontro você.


Peço que um dia você possa lembrar
daquilo que em mim conseguiu despertar.
Peço que, em silêncio, se deixe querer,
e que, em algum momento, também pense em me ver.


Talvez você seja somente um sonho encantado,
um desses mistérios que o tempo tem guardado.
Mas, se for apenas sonho, eu quero permanecer,
fechar os olhos bem devagar
e continuar a viver você.

A Proposta.



Minha proposta envolve nós duas,
um segredo guardado entre o olhar e o coração,
duas almas cansadas de tantos caminhos,
encontrando uma na outra uma direção.


Envolve pouca vergonha no riso,
cumplicidade e vontade de ficar,
conversas que atravessam a madrugada
e sentimentos que o silêncio insiste em revelar.


Envolve tudo aquilo que não foi dito,
mas que os olhos aprenderam a traduzir;
palavras escondidas nas entrelinhas,
sentimentos que nasceram sem pedir.


Não envolve apenas uma noite,
nem algo passageiro ou fugaz;
envolve aquilo que permanece na alma
e, mesmo depois, ainda traz paz.


Envolve duas histórias distintas,
dois mundos aprendendo a se encontrar,
duas almas intensas e imperfeitas
que descobriram um lugar para descansar.


Envolve risos, carinho e cumplicidade,
aquela estranha certeza de compreender
que, entre tantas pessoas no mundo,
algo fez você chegar até mim e eu chegar até você.


Minha proposta não promete respostas,
nem sabe exatamente onde vai chegar;
só sabe que certos encontros acontecem
e depois já não conseguimos ignorar.


Porque talvez algumas coisas não precisem
ser explicadas, nomeadas ou compreendidas;
talvez existam apenas para serem sentidas,
como as melhores coisas da vida.


E, no fim de todas as palavras,
de tudo aquilo que eu poderia dizer,
minha proposta é simples:


não envolve somente uma noite,
não envolve somente o que poderia acontecer,
não envolve somente sentimentos...


Envolve nós duas.
Envolve eu e você.

O Primeiro Amor


Cresci escutando que o primeiro amor da vida de uma menina é o pai. Nunca ouvi tanta mentira caber em tão poucas palavras.


Porque o primeiro amor de um filho não deveria ser definido pelo gênero, mas pelo vínculo, pelo cuidado, pelo lugar onde o coração encontra o primeiro abrigo. E, para mim, esse primeiro amor sempre foi a mãe.


É nela que encontramos conforto, é no colo dela que descobrimos aconchego, é na voz dela que encontramos calma quando ainda nem sabemos explicar o que sentimos. É através dela que a vida começa, é dentro dela que, antes mesmo de conhecermos o mundo, já somos existência, já somos parte de alguém.


Antes de aprender a amar qualquer outra pessoa, aprendemos o amor através dela. Antes de conhecer qualquer paixão, conhecemos o calor de um colo. Antes de entender o significado de pertencimento, já pertencemos a alguém.


Talvez o primeiro amor não seja aquele que nos ensina a amar romanticamente. Talvez seja aquele que nos ensina, pela primeira vez, o que significa ser amado.


E é por isso que nunca consegui enxergar verdade nessa frase que colocaram tantas vezes como regra. Porque amor não é uma fórmula, não é uma sentença pronta e muito menos uma definição baseada em gênero.


O primeiro amor é aquele que nos acolhe quando ainda somos pequenos demais para compreender o mundo. É aquele que nos reconhece antes mesmo de sabermos quem somos. É aquele que nos oferece abrigo quando tudo ao redor ainda é desconhecido.


E, para mim, esse amor tem nome: mãe.


Porque antes de qualquer romance, antes de qualquer paixão, antes de qualquer pessoa que um dia possa chegar e ocupar espaço no coração, existe aquela que nos ensinou, mesmo sem palavras, que amar também é cuidar, proteger, acolher e permanecer.


O primeiro amor não é necessariamente quem um dia fará o coração bater mais forte.


É quem, um dia, ensinou esse coração a bater.

O Pecado de Escolher a Paz


Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.


Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.


Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?


Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.


Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.


Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.


Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.


Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.


E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.


Porque, no fim, aprendi a duras penas:


nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.