Luiselza Pinto
Um dia, não sem custos, a necessidade de (re)começar transforma a lacuna do que está ausência irreversível, (apenas) naquilo que se foi.
Às vezes o deserto é tão difícil e extenso que obriga a razão a ser muito maior do que o desejo que levou a atravessá-lo.
Para quem acredita que a perfeição é (uma) dinâmica, a estática pode ser equivalente a acres infinitos ardores, seja onde for.
Abismos há que não valem nada mais do que se saber que existem, para que, deles, o querer, o poder e o dever se afastem.
O impensável às vezes é maior do que aquilo que não se pensou, pois ele pode corresponder ao que se imaginou e não se aceita haver pensado.
Caminhar sobre as águas talvez seja o equivalente a continuar a viver dentro de horizontes que, se não são voláteis, são fluidos e instáveis em seus respectivos espaços tempos.
Sabes do par Ação e Reação, da Terceira Lei de Newton? A única resposta possível é continuar vivendo.
O Sistema Nervoso Autônomo, numa prevalência do inconsciente, seleciona aquilo de que alguém deve se proteger. A percepção consciente escolhe parte do que se deve evitar. Mas, às vezes, o SNA e a sensibilidade lúcida não percebem de onde vem o perigo que, se invisível, ainda é extremo. Você está vivo(a)? Então acredite em milagre e sorte.
Não tive espaço tempo de me inquirir como seria viver sem você. A pergunta, pela falta de núcleo, volatilizou-se... A sua ausência e a minha vida me acompanham.
Mil diamantes de um quilate nunca terão o mesmo valor que um único diamante de mil quilates. A água pode se mover em espaços (parcialmente) fechados, mas ela somente correrá onde tem máxima liberdade.
As coisas grandes podem se tornar pequenas e estas se transmudar naquelas, mas apenas aquilo que é inatamente diminuto pode, em essência, continuar ínfimo.
O retorno ou regressão, bruscos e espontâneos ou controlados e previstos, ao estado inicial, é o comum para todos os sistemas que, sem haverem crescido em substância, foram eufemizados ou inflados.
O Sistema Nervoso Autônomo tenta "dialogar" primeiro com o indivíduo e apenas depois com o grupo social. O ser humano nasce e, um dia, talvez aprenda a diferença entre som, ruído e barulho.
As águas tendem à pacificidade (quase) inata, mas não à passividade obrigatória... O estar busca o máximo de instância e permanência no espaço tempo, intuindo, instintivando ou sabendo que a fração temporária sempre converge à própria essência.
Comumente escuto/leio que envelhecer é o produto final do trato digestivo... Prefiro agradecer que (ainda) estou no mundo, seja lá quanto espaço tempo for.
De qualquer outro lado se sentirá mais, também por opção, do que naquele que há forçosamente apenas um sentir.
O passado é inapreensível; o futuro uma incógnita de probabilidade difusa. O presente? Talvez esteja circunscrito a um bom rock pop chinês.
