Lavínia Lins
Não pergunte meu nome.
Já não sou mais aquela matriz.
Sou essência em movimento.
Sou paz, sou fogo, sou eterna aprendiz...
Que diz a que veio, por quem veio
e aonde quer ir.
Se o vento me leva ou se levo o vento, não importa, a vida é quem diz.
As cicatrizes que moram na minha alma são a razão da lágrima que atravessa o rosto traçado pelo tempo que não conhece o caminho de volta - para mim mesma.
Não acredito em fórmulas mágicas, em toques milagrosos, em passos prescritos. Entendo que a vida é singular, que as experiências são únicas e que ninguém tem o direito de julgar ninguém!
Toda dor é única. E sua. E somente você tem dimensão do quanto ela significa, mobiliza, inquieta, entristece... Não é possível medir a dor de alguém. Nem mesmo quem sente, por vezes, é capaz. É que as réguas passadas não necessariamente são competentes para medir o que vivemos hoje. Pequena ou grande, acolha a sua dor. Abrace com respeito o que você sente. Perdoe-se, quando sentir que precisa. Chore, sempre que necessário. Fale, toda vez que sentir vontade - para quem tem a capacidade de ouvir você com cuidado, responsabilidade e empatia. Sinta. Viva o que a experiência tiver de proporcionar a você. Veja em si e nos apoios que encontrar as respostas/razões para o que tem atravessado. E por falar em atravessar, permita-se trocar de faixa, cruzar o rio, chegar do outro lado. Permita a si mesmo/a ressignificar, tentar outra vez, desistir do que não faz mais sentido. Seja feliz. Por você!
Quantas vezes, no frio da noite, suas lágrimas foram a sua única companhia?
Se hoje é um desses dias cinzentos, feche os olhos, respire bem fundo e, devagar, diga a si mesma/o:
Eu me amo.
Eu me perdoo.
Eu mereço ser feliz...
(Vai ficar tudo bem!)
A solidão é bicho estranho. Às vezes, inspira quem escreve, dá um bom livro ou filme. Outras, deprime, faz sentir uma tristeza que parece não ter fim.
Volta e meia, vem do abandono, assola quem fica só. Por outro lado, também faz sentir só quem está com um monte de gente ao redor.
A verdade é que solidão dói, seja qual for sua origem, quando a gente se sente sem a gente. Quando a nossa companhia não é apreciada por nós mesmas/os.
Então, não é somente questão de estar só, mas de como a gente lida com isso...
A psicoterapia é um processo que demanda inquietação, movimento e trabalho.
Não são todas as pessoas que estão dispostas a deixar a zona de conforto de lado - ainda que ela traga diversos problemas. É que solo desconhecido impõe medo.
Porém, uma vez dada a oportunidade, o caminho é sem volta. Ao autorreconhecer-se, você não sofre mais pelo que não pode mudar e tende a vivenciar suas experiências sob uma ótica mais positiva. Consequentemente, você é mais feliz.
O silêncio é das coisas mais complexas que existem.
Se o usamos de menos, deixamos, por vezes, de alcançar nosso inconsciente, de entender alguns porquês, e ainda podemos machucar pessoas.
Se o usamos demais, podemos mergulhar tão fundo - ao ponto de um afogamento em nós mesmas/os. Podemos nos fechar até não sermos mais acessíveis, e também machucar pessoas.
Enfim, somente uma coisa é certa: entre barulhos e silêncios, a melhor escolha é o equilíbrio.
O mundo parou e, dentre outras coisas, para nos convidar a refletir sobre a necessidade de olharmos para dentro; para que entendamos que, não importa o quanto está corrido, nossos sentimentos precisam de cuidado e de respeito; e que, mesmo quando pensamos ter tudo, não somos nada, se tudo que somos depende somente do ter...
Não deixe abraços pendentes - quando puder voltar a abraçar.
Não deixe perdões no baú, se sentir que somente perdoando é que você vai se perdoar.
Não deixe para amanhã a cura que, somente quando alcançada, vai lhe permitir voltar a sonhar.
Não nos ensinaram a silenciar,
a visitar os nossos sentimentos,
a entender que é preciso parar de vez em quando.
Não nos ensinaram que o nadismo é um convite a ouvirmos o barulho que tem lá dentro de nós, a fim de que tenhamos a oportunidade de buscar estratégias para lidar com nossos afetos.
E, não menos importante, ainda não haviam nos ensinado, de forma tão prática e significativa como agora, o quão importante é acolher e ser acolhida/o - sobretudo, por nós mesmas/os.
É que o inconsciente é lugar estranho. Suas ruas são estreitas, à penumbra.
Nem todo mundo tem a disposição de andar por lá...
Observe as pessoas bem-sucedidas... elas costumam ter duas características básicas: dedicação e amor incansáveis!
Quando se trata de saúde mental, não é a/o cliente/paciente que tem que se adaptar à teoria dominada pela/o profissional.
Em contrário, a teoria e o domínio técnico da/o profissional, junto com sua ética - sobretudo humana - , que têm de somar esforços para gerar significado à intervenção, produzindo efeitos positivos durante o processo e, principalmente, após a sua finalização, em benefício da/o cliente/paciente.
Não se trata de alcançar a "cura", mas de encontrar estratégias que possibilitem lidar com a dor de uma forma que ela não impeça mais que a vida aconteça...
Por um mundo com menos pessoas que nos digam o que fazer com o que sentimos, e mais pessoas que nos acolham, sem julgamentos...
Se as dores do corpo, visíveis que são, precisam de cuidado, imagina as da alma, que nem sempre dão forma à sua dimensão...
Se para estar com alguém você precisa esquecer de você, reforça-se a certeza do quão interessante é estar com você mesma/o.
