Jerônimo Bento de Santana Neto
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Não há amor sem conflito, mas sem diálogo ele se perde no silêncio do espírito.
Amar é falar quando tudo quer calar.
O amor tende a esfriar onde o conflito se estabelece e o silêncio permanece.
A ironia do momento é que as regras do relacionamento aberto são bem maiores que as da monogamia.
Ricos vivem a extravagância sem medo e sem censura; pobres sabem que uma semana de luxúria pode custar anos de amarguras.
Sem berço de ouro, perdemos o tempo vigiando o outro.
A moral é preocupação burguesa para afirmar-se perante o outro, diferente da realeza que nasce rica e reconhecida.
Ricos gozam em devoção, pobres oram por salvação.
Ricos vivem na farra sem preocupação; pobres, na religião, buscam salvação.
Sem riqueza material, resta ao povo a moral como freio e a religião como consolação.
Sempre tem alguém que nem escuta, já responde “eu também”.
Sempre tem alguém que, nem bem pronunciei, já responde: eu sei.
Pobre libertino é um desatino.
Rico é libertino, não altera seu destino.
Buscamos um outro que nos sirva sem demora, nos entenda sem censura e esteja à disposição toda hora.
O neoliberalismo domina a subjetividade com algoritmos, transformando o sujeito em mercadoria — sem presença, sem alteridade, sem empatia.
Quem sempre concorda com nossos gostos, crenças e palavras — sem tensão, confronto ou presença — não escuta: induz, seduz e reproduz.
O outro é ponte e ruptura, não mera confirmação; no encontro e na diferença nasce o desejo e a renovação.
No ciclo narcisista, o eu se fecha e se perde; na amizade, se abre e se encontra.
Algoritmos criam bolhas afetivas que aumentam a solidão.
Trocar alteridade real por simulacros é celebrar a convivência sem presença.
Sem o outro, a solidão cresce, a identidade desaparece e o sujeito não floresce.
Algoritmos neoliberais desenvolvidos, laços sociais dissolvidos, valores humanos enfraquecidos; interesses bem estabelecidos, poderes fortalecidos.
Só escuta o que agrada, só convive com iguais, engana a si próprio e aos demais.
Quem disputa conhecimento fora da área de atuação revela mais presunção do que opinião.
A sutileza de ajudar sem despertar mal-estar.