Demétrio Sena - Magé-RJ.

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AMIZADE PLATÔNICA

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Foram anos de olhares tão só meus,
de carinho isolado, sem resposta,
uma cumplicidade no vazio
de quem gosta e não gosta; só se deixa...
Fui amigo platônico, distante,
mesmo próximo, pleno de presença;
tive afetos restantes dos descuidos
ou de surtos da tua solidão...
Sob as perdas, os danos que sofri,
rabisquei as versões de realidade
que não vi, mas vivi de não viver...
Minha mente seguiu meu coração
sob o vão das imagens afetivas,
e teus nãos me nutriram de silêncios...

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SENTIMENTO CANINO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nosso amor pelo semelhante bem que podia se assemelhar ao amor dos cães por seus donos, que não são semelhantes. O amor dos cães pelo ser humano é incondicional. Eles não admiram nossa esperteza ou inteligência. Não nos idolatram pelo talento, a beleza, muito menos pela posição que ocupamos. Tão apenas nos amam, e não importa se estamos na penúria, para nos seguirem até o fim do mundo e dos nossos dias.
Amor de cão é desses que duram até que a morte ou a nossa crueldade nos separe, pois ele jamais nos deixará, e sempre há de ser grato ao menor carinho. Ao mais breve afago em seus pelos. Ao mais leve roçar de nariz e fuça. Nossos olhos de afeto e o falsete na voz... cães adoram nossos falsetes, pois mostram que estamos bem e de bem com eles. É a nossa expressão explícita, inequívoca e timbrada de chamego.
É neste contexto que sempre deplorei o amor humano... sonho constantemente que, num futuro talvez distante, alcançaremos a graça de realmente viver em um mundo cão... desfrutar de uma vida cadela.

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CORAÇÃO DE MÃE

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Não confie na mãe prática;
burocrática;
sempre justa, nunca intensa...
Nessas mães indiferentes,
que amenizam com presentes
a não presença...
Nem confie na mãe próloga,
psicóloga,
segura e cheia de teses...
Nessas mães que dão seus filhos
aos cuidados do talvez
ou dos reveses...
Mas confie na mãe cética;
epiléptica
de perdida e preocupada...
Nessas mães que não têm rumo,
pois dos rumos de quem amam
nem sobra estrada...
E confie na mãe rústica,
sem acústica
pros requintes da razão...
toda mãe de alma e alma,
cujo corpo se perdeu
no coração...

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SOBREVIDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando o tempo sulcar a minha pele,
corroer as entranhas e a memória,
minha história verter a sua cor
e meus ossos perderem todo cálcio...
Na tardinha do mundo sobre os anos,
no momento em que a vida oxidar,
onde as perdas e os danos derem mostras
dos alqueires finais de meu caminho...
Não me deixem virar um Frankenstein,
pelos cortes, costuras, agonias
por uns dias de vida como esmola...
Quero ser um pardal que pousa e dorme
ou a folha que seca sem alarde;
uma tarde chuvosa que anoitece...

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COLCHA DE RETALHOS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nascerei outra vez, e dessa feita,
quando passo do meio da jornada,
minha idade serena já se vê
sobre o nada; num lento voo livre...
Tenho medo, mas tudo mostra o fim
que me assalta, me pega pelo meio,
porque veio disposto a me acordar;
quer meu sim; não aceita meu talvez...
Redesenho a jornada, volto ao chão,
me replanto e não sei como será;
quem serei; que será do que já sou...
Foram tantas as mortes, tantas vidas,
tantas idas, atalhos recomeços,
que o que sou é uma colcha de retalhos...

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A CRÔNICA DO MURO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Justo quando saio às pressas e não levo a minha câmera, o que raramente acontece, um grande motivo fotográfico assalta os meus olhos, em uma esquina distante. O que me resta é a transcrição paciente, sob os olhares curiosos de quem passa por mim.
Em um velho muro que o tempo castiga sem piedade, com os efeitos do sol, do vento e a chuva, leio a mensagem anônima que disponho a seguir: "Comunico aos familiares e amigos, que já não há mais motivo para sumiço, distanciamento e silêncio. Aqueles meus problemas foram resolvidos, não contraí novos problemas, minha saúde anda perfeita e vou bem, financeiramente. Logo, não existe mais o risco de choradeira e pedidos de socorro, empréstimo e locomoção motorizada. Apareçam; amo vocês.".
Quis fazer uma crônica sobre o assunto. No entanto, seria chover sobre o molhado. A crônica está na própria mensagem, sem necessidade alguma de aplicações ou adornos. Para quem sabe ler o mundo e a vida, cada momento já é uma crônica.

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FRUSTRAÇÃO

Só queria lhe dar meu dorso amigo;
ter do seu a resposta natural;
partilhar o perigo; a segurança;
qualquer bem, todo mal que nos rodeia...
Dar meu sonho, amansar a realidade
no seu riso, na sua confiança,
ter a sua saudade junto à minha
quando não estivéssemos por perto...
E queria lhe dar meu corpo amigo,
sem a gasta versão de propriedade
como artigo de compra e possessão...
Quis doar o melhor do não doer,
não roer uma corda social
nem fazer uma bolha pra estourar...

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O QUE SERIA

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Poderias me ver com outros olhos
ou quem sabe me achar com outra lupa,
sem a culpa secreta que atormenta;
sem o medo que aumenta o que já é...
Vejo a tua distância bem de perto,
foges tanto e deságuas no meu sonho;
infinito e deserto se misturam
nas areias do próprio logo ali...
Poderíamos ter o nosso mundo,
nossas leis e vontades pessoais,
nossas mais permitidas emoções...
Mas te cercas de sombras e verdades
que podemos mudar a qualquer hora;
teu olhar joga fora o que seria...

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ÍNTIMO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Quem quiser que me ame
mesmo assim.
Apesar de mim.
A partir do meu centro.
Mesmo tendo ciência
da carência dos brônquios
e das pedras no rim...
não sou bonito por dentro...

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DONO DOS MEUS PÉS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sorrirei meus sorrisos; não esses da moda;
tenho sins, tenho nãos que ninguém me vendeu;
não entrei numa roda, uma gangue, uma tribo,
e só colho alegrias que vêm do meu chão...
Sigo minhas verdades, não tuas cartilhas,
vejo pelos meus olhos, não à luz dos teus,
há um "Deus" que não ouço nos discursos vãos
dessas milhas e milhas de palavras vagas...
Aprendi a trilhar um caminho escolhido,
quando a noite governa me deixo brilhar
sem excesso de luz; abuso de neon...
Céu e terra são palhas da minha cabana,
falharei meus acertos acertando as falhas
mais humanas e fundas do meu bem viver...

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MEU SEM QUERER

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Como a quero não tem lugar pra culpa,
não há buscas, tocaias, tentativas,
minha lupa se mira na distância
e me faz entender o meu lugar...
Só a quero, não quero nada mais,
nenhum passo a caminho do fazer,
do prazer que não seja o de sonhar
ou tecer fantasias improváveis...
Quero a troca de olhares e silêncios
que não podem ser lidos nem pescados,
meus pecados etéreos pelos seus...
Quando muito, a serena interação
de algum gesto remoto, inconfessável,
sem ação no querer de quem não quer...

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EGO E CARÁTER

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Não julgue todo o mundo
pelo caráter de alguns.
Nem todo o mundo é todo mundo.

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TUDO É ÁGUA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Água que lava
e abriga larva
que vira inseto...
Água que falta
e também medra.
Enche os riachos,
invade as casas
e fura pedra...
Água que afoga,
também afaga
e fertiliza...
Água pesada
que adia o jogo.
Supre a baía,
gera energia,
pois água é fogo.

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FIM DE NOVELAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

As novelas perderam todo enredo;
não há drama real nem fantasia;
nada é sério nem tem senso de humor
ou amor; ou mistério; tudo é fútil...
Ver novela é costume de ver algo
e manter olhos fixos na tela,
ser fiel ao cardápio da emissora
por preguiça de sair do canal...
Acabaram-se os dramas convincentes,
os olhares e os gestos verdadeiros,
textos plenos, vertentes criativas...
Não há mais a novela como a vida,
nem a história vestida de magia
que nos leve a sonhar além da trama...

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BELOS DIAS MORTAIS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Hoje o dia nasceu belo. Mais uma vez, irremediavelmente belo. Um céu profundo, maravilhosa e distantemente azul. Belo de morrer... ou de fazer morrer.
O sertanejo, de olhar também distante, mas não azul, para e olha pro nada. Quem sabe tenta não ver, ali bem perto, as carcaças mortas e ainda vivas do gado que um dia ele tangeu para lugar nenhum. Esse mesmo lugar nenhum em que agora descansa não por cansaço, mas por desânimo. Por não haver mais do que se canse.
Por mais belo e azul, pouco importa. O céu não seduz o sertanejo. Desmancha em seu coração a esperança do dia feio... turvo... do céu cinzento e triste com que ele sonha. Só a tristeza de vários dias sombrios e molhados será capaz de alegrar o chão agreste... alegrar e florir. Fazer parir o pomar e o pasto... gerar o milagre da ressurreição.
Os dias belos e alegres, e o céu azul do sertão geram medo e revolta. Levam trevas, angústia e desespero ao coração sertanejo.

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SUJO DE FLOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Era uma rua fétida. Insuportável: viam-se pelo chão, velhas fraldas imundas; ratos mortos; muitas poças de lama em dias de chuva, e muita poeira nos dias ensolarados. Às margens, o capim crescia desordenado e cobria uma vala que a prefeitura nunca fazia manilhar.
O agradável contraste naquela rua era o belo quintal da professora Janice. Via-se pela cerca de arame uma grande área de chão arborizado. As árvores eram nada menos do que alguns pés de flamboaiã que se mantinham floridos quase o ano inteiro. Eles cobriam de pétalas o chão arenoso e grato por tamanha beleza.
De vez em quando a professora Janice era vista mal humorada, vassoura em punho, varrendo as flores que atapetavam o chão de seu tão belo quanto admirado quintal. Admiração não somente pelas flores, mas também pela sombra extensa, com leves pitadas de sol que tornavam tudo mágico. Era mesmo impossível passar pelo quintal da professora Janice e não dar uma boa olhada.
Passei um bom tempo sem ir ao bairro em questão. Logo, sem admirar o quintal da rua imunda. Quando voltei a passar por lá, foi grande a surpresa pelo que vi: o quintal da professora Janice, agora cercado por um muro de pouco mais de um metro e meio, não tinha mais as árvores. Como não resisti, aproximei-me para ver melhor e vi o chão todo pavimentado, sem nenhum arbusto; nenhuma roseira; maria sem vergonha... qualquer planta.
Finalmente, o imóvel da professora estava mais imóvel do que nunca: não tinha vida; os pássaros foram embora; também se foram as borboletas. Restou a casa, bem mais ampla e luxuosa, cercada pelo chão pavimentado e quente, além dos banquinhos de cimento expostos ao sol torrencial.
Curioso, perguntei a um menino da rua imunda se a professora Janice não mais morava no local. Ele respondeu que sim. Encorajado por sua boa expressão, me deixei indagar se ele sabia o motivo de a professora ter mandado cortar todas as árvores do lugar.
- Olha, moço; saber, mesmo, não sei não... mas ela vivia reclamando porque as árvores davam trabalho... deixavam seu quintal todo sujo de flor.

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DESCARINHO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Ia sempre sondar se estavas bem,
como foram as horas dos teus dias,
se ninguém te feriu nem com palavras
ou descuidos de alguma natureza...
Era bom esquiar no teu semblante,
passear na ilusão de que me vias,
ler na folha do instante o meu poema;
meu diário das gotas do teu ser...
Pouco a pouco senti a solidão
do carinho, dos olhos, das palavras,
do meu chão e dos passos de costume...
Recolhi estes pés que me levavam
ao encontro contínuo do deserto;
cada dia mais perto da distância...

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O ABISMO DA SAUDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Hoje volto a sentir aquela falta
mais intensa, profunda e consistente,
minha mente vai lá pro coração
e deságua o volume das lembranças...
Um vazio se alastra na garganta,
vem a lágrima e finjo que não vem,
mesmo estando em completa solidão,
muito aquém do que podem me flagrar...
Fico meio abstrato e sem contorno,
desintegro a visão d que se vê,
meu entorno me solta e deixa vir...
Acordei entre teias de saudades
quase físicas, quase de argamassa,
numa praça de sonho e nostalgia...

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ANDEI PENSANDO POR AÍ...

Demétrio Sena, Magé - RJ.

... A perfeição não existe, mas existe um caminho para ela. Quem tenta segui-lo, só pela tentativa já é alguém melhor.

... Se quase ninguém gosta de mim, a pergunta que não quer calar é a seguinte: quem precisa mudar; eu ou quase todo o mundo?

... O que seria do estúpido, se não fosse o seu próprio diagnóstico de bipolaridade...

... Às vezes é preciso escolher entre mudar ou mudar... mudar de atitude ou de ambiente.

... Pare um pouco para pensar por que você pensa o que pensa sobre determinados assuntos. Só assim será possível descobrir se é você mesmo quem pensa ou alguém que você idolatra pensa por você.

... Não cometa o erro de ser sempre o certo.

... Para quem não presta ninguém vale nada.

... Não gostar de alguém porque alguém de quem gosto não gosta é uma forma injusta, insensata e burra de não gostar.

... Respeite autorias. Ao divulgar o que não é seu, sempre cite o autor.

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AFETO EM QUEDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Se te assusta o carinho nos meus olhos,
meus desvelos te fazem recuar,
o luar do silêncio entre palavras
que aveludo em meus lábios te acautelam...
E também não entendes algum gesto
que dispõe um descuido, algum desleixo,
porque deixo aflorar a natureza
de quem pousa, confia e deixa estar...
Desconfias da minha confiança,
meu afeto sem armas, armadilhas,
minhas trilhas em busca de atenção...
Chego ao ponto final do bem querer,
me retiro em secretas retiradas
dos valores poupados na ilusão...

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OS GÊNEROS E O AMOR

Bem mais profundas e sinceras, as mulheres veem antes o que vai por dentro. Depois partem pro exterior, do qual gostam, por já amarem. Mais fúteis e visuais, os homens veem antes o que vai por fora. Depois partem pro interior, do qual gostam, também por já amarem.

Mulheres amam de dentro para fora. Homens amam de fora para dentro. Fazem do amor seu lugar-comum, pelo que um dia esse desencontro acaba e ambos se acertam com seus defeitos e as eventuais virtudes.

Evidentemente, falo de amor. De quando se ama e se deixa amar. Afora isto, ambos os gêneros são seres humanos, e conhecemos bem nossa natureza... principalmente quando a solidão domina.

SER GENTE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Cabe um pouco de fútil no profundo;
ponha um pingo de mel nesse amargor,
uma brecha de amor no seu protesto
e na raiva do mundo que o rodeia...
Tenha sua novela predileta,
torça pelo Brasil no mundial,
mesmo havendo canal alternativo
que projeta contextos sociais...
Queira um pouco de massa muscular
apesar da cefálica e dos dons;
desses bons atributos do seu ser...
Ser alguém mais comum não tira lasca
nem descasca o miolo cultural
dos que temem carimbos populares...


Respeite autorias. Ao divulgar o que não é seu, sempre cite o autor.

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DESIGUALDADES IGUAIS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A pobreza extrema obriga os pais de Melquinho a fazê-lo comer porcarias como calango e tanajura. Na região em que a família mora o solo é árido; a seca é longa. Não há vegetação suficiente para permitir a invenção de muitos cardápios alternativos a partir de folhas nem de frutos silvestres.
Apesar das razão opostas, não é diferente a situação de Pedrinho: a riqueza extrema obriga seus pais a fazê-lo comer porcarias como lesma, fungo e ova de peixe. Pedrinho detesta, pelo menos por enquanto, porque tem acesso a porcarias bem mais gostosas além dos pratos e as guloseimas sadias das quais realmente gosta.
A diferença das razões que levam ambos a comer suas porcarias dá pelo menos uma vantagem ao menino indigente: Melquinho pode assumir que detesta calango e tanajura. Que só os come por absoluta pobreza. Questão de sobrevivência.
Ao pobre do menino rico não é permitido não gostar. Ele tem a obrigação de fingir que aprecia lesma, fungo e ova de peixe. Disso depende a imagem de seus pais, no presente, como depende sua futura permanência na frágil bolha do planetinha elite. Outra questão de sobrevivência.

Respeite autorias. Ao divulgar o que não é seu, sempre cite o autor.

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O AMOR PÓS-REPRESSÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Hoje falo de amor e não tenho remorso,
porque sempre fui voz de gritar contra o mundo,
ir ao fundo insondável de toda injustiça
quando nem se podia expressar um gemido...
Quem critica o romance dos versos que faço
tem as asas que outrora evoquei para tanto;
vai no passo que um dia comecei a dar;
tem o canto engajado que a lei aprovou...
Conquistei junto a outros o livre protesto
que se faz ao contexto social de agora
e também ao meu texto acomodado enfim...
O poder contra o qual já se pode gritar
entre farsas de humor e revoltas de araque
abençoa os ataques aos versos de amor...

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SAMPA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

São Paulo é mesmo assim:
fumaça, luzes, ruídos,
concreto, cores, garoa...
e as mesmas pessoas de nunca.

Inserida por demetriosena