Demétrio Sena - Magé-RJ.
TITANIC
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Aos distantes distância; não sou caçador;
quem quiser que se anule na própria vitrine,
seu andor, sua névoa, caverna de luxo,
solidão em letreiro de apurada estirpe...
Vão em paz no silêncio do conflito interno,
ergam bem as narinas, trasladem o ar,
pois voar não é próprio de quem se rendeu
ao inferno do céu da soberba e da imagem...
Seletivos, seletos, filtrados em bloco;
solidões que se pescam; tristezas douradas,
dou adeus a seus nadas alheios ao mundo...
Pros dispersos a Pérsia; libero meu mar
e num gesto, num click, um descuido certeiro,
meu olhar derradeiro pro seu Titanic...
VIVEDOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Vim ao mundo pra ser o que me cabe,
mas às vezes me cumpre descaber,
pra saber que não basta estar quem sou;
é preciso criar a própria história...
Se brotei, não me furto ao crescimento;
minha luz não fluiu pra dar um curto,
meu circuito alimenta os dons e os sonhos
que não posso deixar de construir...
Sou do tempo e já fiz a minha hora,
ela espera o seu dia no silêncio
e nos braços do agora que virá...
Não pré-dato, meu fim pertence ao fim,
dei meu sim ao convite pra viver,
mas morrer é sigilo de contrato...
CHUVA DE GRANITO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fiquei confuso e assustado ao obter de um amigo informação de que houvera uma forte chuva de granito em sua cidade. Se uma chuva de granizo já é capaz de causar estragos, e a depender da intensidade ou do tamanho das pedras até mesmo tragédias, imagine o que não faria uma chuva de granito, ardósia ou mármore.
Confesso, entretanto, que a informação de meu amigo também me levou a fantasiar. Sou mesmo assim, em razão de meu espírito gravemente poeta... e sem cura. Imaginem vocês, que de muito fantasiar durante o dia, tive um sonho inusitado, à noite. Tudo por culpa da informação fantástica de meu amigo.
No sonho, meu quintal bastante arborizado, até bucólico, foi presenteado por uma chuva fina, inofensiva e bela, não de granizo, granito, ardósia nem mármore, mas de rubi. Rubi em grãos delicados que pousavam suavemente sobre as folhas das árvores e deslisavam ao chão, onde pude colhê-los, feliz da vida.
PALAVRÃO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Xingaria o mais alto que pudesse,
pra quebrar os andores do poder
com a fúria do verbo e do seu eco
nas tocas das excelências.
Nos covis das majestades.
Nas tocaias da hipocrisia
dos que dominam por lei
ou por farsa e graça
da liturgia.
Eu queria gritar o palavrão,
pra ferir os ouvidos do político,
do jurista e do sabiocrata,
do mandachuva cristão,
de todos os que se arrogam
donos das virtudes
e da verdade.
Por sobrevivência ou medo,
Xingo baixinho; em segredo:
Honestidade... honestidade.
NO FUNDO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Não tente saber quem são determinadas pessoas que você sempre olha, mas não reconhece, pelo quanto variam de humor, comportamento e personalidade. Tais pessoas não são. Nunca foram. Só estão.
BEM-ME-QUER
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Quando fores quem pede ou assedia,
por um dia, um momento, pouco importa,
não quem cede, avalia, vê se dá,
serei risos gratuitos pra mim mesmo...
Como quem cumprimenta o próprio espelho,
farei gestos de apupo e reverência,
por achar o meu olho em um olhar
que me dê transparência pra seguir...
Seu amor sem patente nem escala
será santo remédio em minha estima;
meu afeto não rima hierarquia...
Vou deixar a saudade ser mais tua
uma vez, uma lua, um por acaso;
terminar uma flor no bem-me-quer...
PRAÇA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Dou-lhe tempo e distância pra sentir saudade
ou querer mais distância, mais ausência e vácuo,
pra saber a verdade sobre a falta ou não
que lhe faz meu afeto extremado e carente...
Cedo espaço e dilato as paredes do mundo,
vou pros lados opostos a sua incerteza,
caio fundo no abismo e lhe deixo à vontade,
sem olhares; boletos; cartas de cobrança...
É que tanta procura já se tornou caça;
uma praça de sonhos que abato e conservo;
esperanças no sótão de minhas ruínas...
Guardo as armas e a voz do silêncio de assalto,
pra você me querer por arbítrio e de graça
ou deixar minha praça renovar os sonhos...
MAGIA DE VIVER
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Sei que nunca fui sábio; só sabão;
minha carta não soube ser cartão
quando mais precisei me apresentar...
Mas cansei; ao cansar virei canção,
virei ave, cresci, sou avião,
alcancei meu espaço pelo ar...
Meu caminho cresceu, é caminhão,
fiz da poça caldeira de poção
ao notar como é mágico viver...
Eu saí do comum pra comunhão,
nunca mais me fizeram de pagão;
desde quando acordei, pago pra ver...
Vou sem lente, não quero lentidão,
faço coro ao que vem do coração,
sem perder o teor de minha mente...
Forjei aço com sonhos em ação,
tive raça e da raça fiz ração
pra ter forças e sempre andar pra frente...
Terminei o plantão; a planta enfim,
dá seus frutos; a vida ri pra mim;
tive perdas, mas tenho meu perdão...
A tristeza não faz o velho efeito
e ser só foi pro sótão do meu peito;
já não solidifico a solidão...
SOCIEDADES INTERNAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É profundamente lamentável quando as irmandades ideológicas ou de fé, os grupos de amigos ou confrades e as comunidades familiares decidem, velada ou ostensivamente, conscientes ou desapercebidos copiar a sociedade externa em seu aspecto mais pernicioso: estabelecendo o valor de cada um de acordo com o que possui. Com o que brilha na estampa. Com os favores e as bondades materiais que oferece; as vantagens que pode proporcionar. Às vezes, pelas meras fagulhas de prestígio com que possa beneficiar os potencialmente mais próximos ou mais identificados.
Fica bem mais difícil viver em sociedade, se até os nossos habitats estão divididos em classes e o respeito atende às demandas de conveniências, cotas e participações financeiras nas quais o desfavorecimento dos menos afortunados não é levado em consideração. A injustiça social que gera ódios, conflitos, guerras declaradas ou frias mundo afora, muitas vezes se justifica, injustamente, nas divisões em classes que se afagam ou se digladiam de acordo com expectativas e conveniências ou incômodos e caprichos nas relações mais estreitas.
VAIDADE HUMANA
É a mania de grandeza que nos torna pequenos e fúteis para reconhecer a real grandeza dos pequenos gestos. Das palavras discretas. Das profissões humildes. Dos pequenos passeios. Dos momentos e os espetáculos menos espetaculares. Pelo nosso apego extremado à ostentação e às impressões do todo, somos pobres dos detalhes que nos enriquecem a partir da essência.
PREGUIÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Por favor me perdoe pela calma
nos meus traços, no brilho do semblante,
pela palma da mão que não transpira
e a voz que não perde a impostação...
Guarde a raiva, prometo que outro dia
soltarei o meu bicho mais feroz,
minha foz de rancores reprimidos
por verdades avessas aos meus sonhos...
Mas agora só quero esta ressaca,
o silêncio, a soltura do bocejo,
meu solfejo, a canção assobiada...
Só lhe cabe adiar esse confronto;
contornar o rompante que lhe atiça;
tenho muita preguiça de odiar...
POROROCA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Pra fluir e somar,
o vai e vem
é o maior desafio:
todos querem ser mar,
e ninguém
quer ser o rio...
MINHA RIQUEZA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Caminhava para o ponto do ônibus, quando encontrei o Professor Rogério Lopes. Ele saía de uma loja de rações, e carregava nos ombros um saco de trinta quilos. Olhou fixo para mim, pediu que aguardasse um momento e pôs o peso no chão. Feito isto, abriu aquele sorriso largo, me deu um abraço de quebrar os ossos, um beijo no rosto, e disse bem alto:
- Cara! Que alegria ver você! Faz tanto tempo! Ainda bem que sempre o vejo na internet! Leio tudo que você escreve! Não perco nem um texto seu! Obrigado por tantas coisas maravilhosas!
Não conversamos por muito tempo, mas foi um momento especial para mim. Não é todos os dias que nos deparamos na rua, com alguém tão disposto a nos cumprimentar, e com tanta efusividade, alegria sincera e calor humano, mesmo estando com tanta pressa. Também é muito simbólico ver uma pessoa se despojar de seus pesos, desocupar os braços, as mãos e os ombros, para ter o prazer e a liberdade de abraçar um amigo e lhe dizer palavras amáveis.
O Rogério é, de fato, leitor constante de meus textos. A cada vez que publico algo em rede social percebo sua leitura, sua presença, e leio seus comentários ponderados; coerentes; dentro do contexto.
São várias as pessoas que me privilegiam com suas leituras, e às vezes os comentários, mesmo sabedoras de que minhas vindas ao computador são sempre ligeiras e limitadas às postagens e autopromoções como escritor e fotógrafo. Isso resulta poucas retribuições expressas, de minha parte, podendo até me deixar marcado como alguém esnobe ou antipático.
No dia a dia, são muitos os curiosos que me perguntam sobre quanto ganho, em dinheiro, como escritor. Ganho pouco dinheiro. Se não tivesse o meu emprego de arte-educador, pelo qual também não recebo grandes quantias, e alguns trabalhos como fotógrafo de vaidades pessoais e autoestima, passaria por privações com o que angario por escrever, lançar livros e permitir a utilização de meus textos em veículos diversos.
A grande riqueza, riqueza mesmo, que não enche barriga e bolso, como tantos dizem, mas enche minh´alma e meu coração de alegria e desejo de viver, viver muito, para também escrever muito, é tão somente a existência de amigos e leitores sinceros, que me pagam com carinho. Com admiração verdadeira. Com respeito. Com palavras sinceras e a certeza que me fazem ter, de que meus escritos fazem efeito em suas vidas.
DOCE MENTIRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre fui o romeiro e sempre foste a graça;
minha fé, mesmo intensa, nunca te alcançou;
meu amor é fumaça que a brisa dispersa
e meu show é silêncio que devoro em seco...
Sou a velha esperança que se desidrata;
perde o sonho no espaço da própria quimera;
uma data pra nunca no seu calendário;
primavera invadida pelos gafanhotos...
Mesmo assim jamais pulo desse Titanic,
não é doce morrer na solidão sem fim
de não ter só pra mim esse amanhã contínuo...
É melhor naufragar ao alcance da imagem
que virou a miragem de minha verdade
mentirosa, improvável, mas revigorante...
INTEIRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Só lhe peço em silêncio, quase prece,
que revele um querer; uma vontade;
venha livre, por força da não força
e da sua verdade mais fiel...
Não me atenda, consulte o seu afeto,
a saudade, o conselho de su´alma,
o decreto que vem do coração
como lei que se cumpre pela graça...
Dessa vez não serei o predador
ou aquele pedinte habitual;
pregador nem pregão; só quem espera...
Venha inteira, serena e desatada,,
sem a carga formal do meio sim,
meio não, meio fim desde o começo...
LOUROS E PERCALÇOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Vai aqui um conselho aos atores, músicos, desportistas e outros famosos que se lamuriam da falta de privacidade. Do assédio do público e da mídia: deixem de ser famosos. Abram mão da notoriedade. Só assim ficarão livres dos aborrecimentos naturais da escolha que vocês fizeram. Afinal, toda profissão, por mais amada e prazerosa que seja, tem seus louros e percalços. Não é possível nem justo que nenhum profissional só colha os louros do que faz.
CONTRADIGENTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Falo não pra dizer sim;
um oposto equivalente;
atiro as pedras do rim
em coração transparente...
Desinibido e decente,
visto nada, palha e brim,
sigo atrás, retorno à frente
ou termino de onde vim...
Meu começo envolve o fim,
fico frio enquanto quente,
tomo santa ceia e gim
feito bom pagão e crente...
Semelhante ao diferente,
sou de fato e de festim;
precisas gostar de gente
para gostares de mim...
FÚRIAS PASSIONAIS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Não se melindre nem fique assustado se uma pessoa do gênero oposto, com quem você nunca teve um romance, nunca foi casado nem teve grande amizade ou envolvimento em negócios, trabalho, sequer projetos, começar de repente a persegui-lo com um ódio inexplicável. Sem fundamento nem sentido. Na verdade, o sentimento negativo dessa pessoa não é tão inexplicável, tão sem fundamento nem sentido como sempre quer parecer.
Sabe aqueles clichês de novelas? É, aqueles mesmo, nos quais uma mulher detesta um homem, ou vice-versa, sem mais nem menos, do nada, e assim estabelece uma perseguição sistemática: difama, inventa razões sem pé nem cabeça, e tempos depois o folhetim revela que nada mais é do que uma paixão recolhida. Um sentimento de afeto arrebatador, que a previsão ou certeza de uma rejeição sumária faz trocar pelas demonstrações públicas e ostensivas de cólera. Sentimento avesso ao que vai no fundo; bem lá dentro do coração gravemente machucado.
Pois é; aqueles clichês não são exatamente clichês. Ou até são, mas de tão reais e reincidentes. E se de repente alguém surgir dessa forma em sua vida, feito um furacão disposto a destruí-lo, não revide com a mesma fúria. Faça ver, definitiva e carinhosamente, que a paixão não é correspondida. Se for, viva logo essa paixão. caso ache que vale a pena, corresponda levemente; permita uma fantasia, um momento, mas com cuidado para não iludir; não fazer juras pelas quais leve a crer na consistência que o caso não tem.
Do contrário, aí sim; você corre o risco de fazer uma inimiga, um inimigo fundamentado; cheio de razões que você deu. E se ninguém é obrigado a ser de alguém, não importa: psicopatas não têm esse conceito, e lá no fundo, já nem do coração, mas da mente, você terá sempre a culpa, talvez não o dolo, mas pelo menos a culpa de haver despertado aquele monstro adormecido que ninguém quer enfrentar depois de conhecer o anjo externo.
ESCRITORES E GENTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tente não se deixar iludir, pelo menos tão facilmente, com a natureza dos escritores que, assim como eu, abarrotam livros, blogs e redes sociais de pensamentos, reflexões e conselhos sobre virtudes humanas. Você pode ou deve seguir tais conselhos e reflexões, porque são verdadeiros, mas não pense que eles refletem sempre a realidade pessoal de quem os escreve. São muitas as vezes em que os escritores admoestam a si mesmos na segunda ou terceira pessoa.
Ontem, por exemplo, nada menos do que um dia depois de haver escrito sobre serenidade, equilíbrio emocional, tolerância, e até o velho truque de contar até dez, eu estava mais explosivo do que nitroglicerina. Não me sentia disposto a contar nem até meio. Mesmo assim, continuarei a escrever. Pode ser que um dia os meus escritos me convençam a ser exatamente como quero e peço, incessantemente, que o mundo seja... e que assim seja.
ANTIGÊNIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nunca tive o desejo de cortar as orelhas. De me flagelar de alguma forma. Se gostasse de tatuagem, piercing, algo parecido, abriria mão pelo simples fato de ser avesso à dor. Suporto bem qualquer dor, desde que seja inevitável, mas não tenho esse prazer de buscá-la. De provocá-la em mim próprio.
Também não gosto, e além de não gostar, não entendo a depressão. Se não sou alegrinho, serelepe, uma pessoa dançante, é mais pela timidez ou pelo senso de comportamento externo conveniente. Também não me agrada ser aquele sujeito que os entes mais queridos nunca saberão como está, caso queiram vê-lo. Se tiverem saudade ou preocupação.
Agrada-me ser agradável, receptivo com as pessoas queridas, ainda que não esteja em minha melhor fase, o que não repasso quando recebo alguém de boa fé. Que demonstre afeto sincero; sentimento livre; desarmado... e que aprecie minha presença.
Por isso gosto de luz. Luz natural. Janelas e portas abertas, ambiente convidativo, indumentária informal para propagar a certeza de que as pessoas uma vez bem-vindas serão sempre bem-vindas. Não de vez em quando. Não às vezes ou quando a solidão é pesada; insuportável. Minha única exigência é que tais pessoas sejam sempre aquelas que me conquistaram.
Evidentemente, tenho momentos de tristeza e revolta. Fico feliz por isso. Ainda bem que tais momentos não são de alegria e satisfação. Seria medonho, para mim, se a tristeza e a revolta fossem minha normalidade. Decididamente, acho que não sou um gênio. Falta-me ser excêntrico e deprimido.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A IDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A juventude não é
nem poderia ser eterna...
mas tem que ser terna.
...
Não seja um velho de alma jovem...
rejuvenesça os seus conceitos,
especialmente o de velhice.
...
Tenha sempre a idade
dos seus anos de vida.
Toda data é querida.
...
Aceitar a própria idade
é perder a eternidade
sem perder a ternura.
SER GENTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fui buscar um sorriso em qualquer canto;
procurar um semblante reluzente;
conhecer gente leve, resolvida
com seu pouco; seu algo; seu entorno...
Adentrar Ambientes onde o luxo
vem das flores, da sombra, do arvoredo,
das pessoas sem medo de não ter
o que só se terá por já ter tanto...
Diz ao mundo que fui pro fim do mundo
que no fundo está mais pro seu começo,
mas entendo que tenho de voltar...
Vou catar uns tostões de bom humor,
amor próprio, versão da humanidade
que não acha sentido em nossos dias...
A LIXA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um abismo secreto se abriu entre nós,
uma voz evadida se perdeu no espaço,
porque todos os sonhos calaram a cor
na preguiça do amor ante as dores reais...
Fomos menos que a força daquela vontade,
caminhamos pra fora dos planos de vida,
quando nossa verdade furou a esperança
no futuro, no mundo, nos pés e no chão...
Nunca fomos de fato quem juramos ser,
não soubemos nascer de todos os finais
e fechamos as portas pra toda magia...
Somos este passado apesar do presente,
uma lente que agora já não é de aumento,
pois o tempo lixou toda nossa ilusão...
