Caê Guimarães

Encontrados 5 pensamentos de Caê Guimarães

⁠Somente aos olhos é permitido tocar a distância.

Inserida por pensador

⁠Janelas

Passos sem pegadas na magra madrugada.
A mesma luz fraca de todo dia,
amém, também se apaga.
Afago, gelado, o escuro do quarto apagado.
Noturno travado,
tranca e nunca esquece de conferir
se realmente trancou a porta.
Triste rindo cumpre sua quota.
Convive em silêncio cúmplice
com suas meias na sacada penduradas.
Freiras de flanela rasgada.
Frieiras na carne arrastada
pela quase finda vontade.
O que eu valho (que bom)
não vale nada.

Inserida por pensador

⁠E se a necessidade fosse do tamanho do pensamento?
E se a minha roupa desfiasse e voltasse para o novelo?
E se a providência valesse menos que farofa jogada ao vento?
E se meu irmão viajasse para longe e eu nunca mais tornasse a vê-lo?
E se meu cão conversasse comigo em alemão?
E se felicidade tivesse preço, quanto valeria o dinheiro?
E se a boca ao morder não mais fechasse?
E se a cola ao colar unisse?
E se eu assinasse tudo o que já disse?
E se ao sorrir a minha alegria fosse triste?

Inserida por pensador

⁠Inventei fraturas e tipóias para me pôr a salvo,
sem saber que os soldados sorriam
por se julgarem do lado certo do pelotão de fuzilamento.
Escrever no escuro memórias daqui para o futuro.
E antecipadamente marcar o dia e a hora da própria tocaia.
Acho que sou o espécime único de uma grande laia.

Inserida por pensador

⁠A ironia é oxigênio, né? É o olhar de quem entende que tudo é um grande engodo, que a vida é um circo e que não existe dentro e fora da lona. Tudo é lona e estamos todos dentro dela. A ironia é uma reação inevitável em um mundo que navega sobre a espuma sem nunca mergulhar. Um mundo que se abstém do abismo. Toda arte verdadeira está impregnada de uma farta dose de ironia. E principalmente de um mergulho profundo no tal abismo. O resto é perfumaria.

Inserida por pensador