Anna Flávia Schmitt

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Não existe o momento errado,
apenas o endereço errado.
No coração há o sentimento certo,
nos amamos e ainda nos amamos:
só ainda não não nos encontramos.


Escutando o canto da Jacutinga,
lentamente a aurora vespertina
beija docemente a Mata Atlântica,
o vento com leveza balança
a Juçara-de-espinho e a esperança.


Para recebê-lo, tenho preparado,
certamente a mais doce festança;
O que quero para nós é o que há
de mais raro e pleno de temperança
para viver do amor que jamais se cansa.


Do mesmo jeito dos místicos,
quebrando os arcos e flechas dos cupidos
e rasgando os manuais contemporâneos
de sedução que dizem ser estabelecidos
com o orgulho de ser os últimos românticos.

Quem implode a ponte do diálogo comigo, eu sempre perdoo e quero distância. Manter por perto a vida já me provou que não vale o desgaste seja no mundo real ou no mundo virtual. As pessoas são incorrigíveis.

Até por espelhamento
sei o que está destinado
na vida para mim ou não.
O que flui neste coração
tem a ver o curso do rio.


Talvez cada reflexo seu
seja para mim ou não.
Sou primavera gradual
se enraizando dentro,
e com pertencimento.


Tenho virado o plano
silente de madrugada,
A rota de flutuação
onde teus pés resistirão
buscar voltar ao chão.


Viveremos pelas rotas
do açaí-do-amazonas
na amada América do Sul,
O calendário será aliado,
e se sagrará o amoroso laço.

O infiel é alguém
que tem uma relação
negativa consigo,
Faça o favor de entender
que quando um infiel
cruzar no seu caminho,
Não tem nada a ver
de forma alguma contigo.

Do Hemisfério Celestial Sul,
sou, talvez, a mais romântica,
habitante nascida sob medida
para a tu'alma feita de tambor;
pela primeira vez descobriste,
na vida, o que é o verdadeiro amor.


Da América do Sul, sou a favorita,
que, na madrugada íntima, a tua
imaginação procura recorrente;
sei que o teu coração me pertence
com amor, paixão e desejo quente.


Sou aquela tal latina exuberante
que o teu olhar fascina e invade,
falando e sendo a própria poesia,
falando que, nas Ilhas, quem nasceu
primeiro foi o Daniel, filho da Francisca.


A sul-americana cheia de memória,
sem lapidar a própria retórica,
conta que foi Rosendo Mendizábal
que fez, para o Tango, a primeira partitura,
e te ama sob o sol e até sob a chuva.


Sou aquela que, em estado de rebeldia,
conheceu e, hipnotizado, se rendeu,
e que não permite que ninguém ouse
falar que não houve feitos afro-argentinos
a cada momento profundo da História;
e não há um só dia que não queira como glória.

Se você procurar por aqui ainda
se encontra alguma Festa Julina,
enquanto alguns escrevem poesia.


Recordar que no mês de julho
aqui na Rodeio tranquila que fica
no abençoado Médio Vale do Itajaí
a tranquilidade e muita alegria
têm endereço certos até neste inverno.


Muitos se preparam para dançar
e se encontrar no Baile do Vinho,
enquanto uns são escritos pela poesia.


Com toda a tradição a festa se faz
para o colono e o motorista,
que desfilam com muito orgulho
os seus carros e tratores pela cidade,
e sem saber que eles também
escrevem a poesia dos dias na realidade.

Criar as suas próprias asas
sempre que tentarem impôr
certezas por onde você for.


Permitir que o Açaí-do-Pará
continue a florir e a frutificar,
para que a vida ao redor
com o seu ciclo continuar.


Ter o peito voltado para o céu,
os pés como raízes fincadas,
a vontade de seguir em frente
e o pacto de coragem existencial
neste nosso continente ancestral.


Vestir-se de liberdade e beleza,
colocar somente as cartas
que nos pertencem na mesa,
para que a vida não se perca,
o amor dure e a gente continue,
e a real história se escreva.

Não sabia a quem
havia pertencido o quimono,
Não sabia da onde
tinha vindo,
Não sabia nem que
era o escolhido,
Não sabia qual seria
o próprio destino,
Ao final pela escuridão
e pelo mistério foi absorvido.

Se você é um intelectual, responda à uma pergunta como um intelectual, e não com um provérbio.

Sem falar de amor coloquei
a mesa do nosso café da manhã
de acordo com o seu gosto,
assim muito amor te demonstro.


E em silêncio nos celebro
como o mais refinado gesto,
para que desfrute pleno
da paz no teu porto seguro.


Abri todas as janelas ao redor
com jeito para que o sol entre
junto com a palavra de amor.


Separei um colar de tucum
com carinho para cada um,
e os lábios com beijos selei com mel.

Tudo e todos, sem ninguém sobressair uns aos outros, fazem parte da tapeçaria histórica e cultural de um país.

Capturada pelos teus olhos de Coaraci
mantém os meus infinitos, o Anhangá,
a Caapora, o Guirapuru e o Uauairá.
No meu pensamento e no meu coração,
sempre comigo flamejante está.


Sim, os teus olhos de deidade
invocamo que há de mais ameríndio,
e enlevam-me à total territorialidade
fazendo-me convicta a tua Jaci.


Desde a primeira vez que percebi,
recordo que ser tua foi a senda
mais amorosa e honorífica que escolhi.


Porque de ti não há mais outro destino:
mesmo sem dizer, próximo te sinto,
e sei que o mesmo ocorre contigo.

Tal qual trapoeraba-azul
a cada dia floresço
também sem céu azul,
Agarro no teu peito
com jeito de norte e de sul.


Intenso e sutilmente
no próprio tempo.
Sem olhar no relógio
busco o merecimento.


Dou ao florescimento
a liberdade para receba
com genuíno sentimento.

A minha araucária
é árvore ancestral
que alimenta e abriga,
sob o Hemisfério Austral.


É a expressão genuína
da mais pura poesia
Feito eu e você do jeito
que ninguém imagina.


Não me importo ainda
que digam que é fantasia.

A minha araucária


é árvore ancestral


que alimenta e abriga


sob o Hemisfério Austral,


Que juntos são a real


e mais pura poesia.

A amizade é maior do que qualquer guerra.

Flor-de-seda que desabrocha
na nossa América Tropical
que a borboleta com delicadeza
pousa amorosa sem igual.


Confessoras do intenso fascínio
sentimental de um mistério
que talvez não seja elucidado,
por anos tem me apaixonado.


Quero que revele-se vasto como
o nosso Hemisfério Sul estrelado,
e se preciso o manterei segredado.


Não falo o que não posso cumprir,
mas juro que farei com empenho tudo
para mantê-lo preservado do mundo.

Em algum lindo lugar
para a gente passear
na América do Sul
sob o suave céu azul
e uma cobertura colorida
feita por mãos artesãs,
Encontrarei toda a poesia
de mãos dadas contigo,
e se cumprirá o destino.

As estrelas, o sol e a verdade
lida William Shakespeare,
A dúvida e a liberdade
de vestir a cada instante,
Só não vale desistir da certeza
que ainda vamos viver
além do poema o romance,
Ainda que a gente não se veja,
e o amor nos pareça distante.


Não vamos deixar de crer,
aconteça o que aconteça,
que o nosso amor irá florescer.

Voo imparável e com intenção.


Minha doce e divina unção,
tenho você com amor e paixão.


Cai a chuva sobre a terra
e os sentidos que a envolve,
não há quem nos derrote.


Com o Hemisfério Celestial Sul
ambos temos intimidade,
No céu do coração voamos
com toda a maior liberdade.


Somos aves prodigiosas
deste glorioso continente,
Que por anos a fio abrigamos
um silencioso romance,
que nos pede uma chance.

Do Alto do Moura sou
a tal boneca de barro
feita por Mestre Vitalino,
Do teu pensamento
o mais apaixonado,
Com toda a certeza
é você o meu bem amado.


De Caruaru o Forró
mais possante que já
havia te tocado,
Do teu peito o batimento
mais cadenciado,
Sem nenhuma dúvida,
é você o amor desejado.


De Pernambuco sou
as festas e os sabores
que de ti têm se apostado,
é por mim que o teu
olhar encontra o meu
todos os dias enamorado,
Com toda a certeza
até debaixo da chuva,
tu és o meu Sol e eu a tua Lua.


(Somos o poema fora da curva.)

Tudo o que une o arquipélago
e o continente ao povo originário,
surgiu fortemente na mente,
Atacama, Chané, Charrúa e Chorote,
e vejo que vir a encontrar
os teus olhos não é questão de sorte.


Tudo o que une o continente
e o arquipélago ao povo originário,
trago comigo simplesmente,
Chulupí, Comechingón, Diaguita e Guaraní,
não nego que te admiro desde
o primeiro dia que eu te vi.


Tudo em mim tem a cor de Ceibo
que do continente mira o arquipélago,
e com um poemário e profundo jeito,
Huarpe, Kolla, Lule, Mbyá Guaraní,
e esperar o que há para ser revelado,
todo o dia é mais um que resisti.


Na ventania e no curso do rio
que encontra o mar há algo
que entre nós está para surgir,
Ao escutar canções e sentir algo
Mocoví, Ocloya, Pampa e Pehuenche,
em revelação no sul do sul continente.


Do arquipélago, do continente,
do rio e o encontro com o mar,
Tudo nos leva a nos encontrar,
porque temos a urgência de amar;
Pilagá, Quechua, Ranquel e Sanavirón,
sabemos as rotas para os encontrar.


Seja na terra, na água ou no ar,
está escrito no Hemisfério Austral
que o que há de mais romântico há de brindar;
Selk'nam, Tapiete, Mapuche e Tehuelche,
Nada deles a gente nem por
um instante a gente não esquece.


Não é hoje que tenho escrito
que a gente se combina e se merece;
Não há nada que desvie o destino
quando conhece da raiz até o caminho
em cantos de Toba, Tonocoté, Vilela e Wichí,
não me importo com quem duvide
ou pensa que o céu é o limite,
ou pense que a história acabou ou esqueci.

Semente de ceibo
para unir com beleza e flor,
sentimento de pertencimento,
toda a gente com muito fervor
ao mar e ao continente inteiro.
Para o florescimento
glorioso da Argentina
de janeiro a janeiro
con amor e encantamento.

Ouço o vento cantar
o que vai chegar,
e nada me preocupa.
O meu teto celestial
é o Hemisfério Austral
que tanto bem eu quero.

Sou a única capaz
de quebrar com amor
os teus termômetros,
Sou a mulher potente
vestida das auroras,
que o teu coração se rende:
Por ser a única estação
em ti permanente
da mais alta sedução.