Anna Flávia Schmitt
Tenho um pouco das orquídeas
das várzeas baixas ou altas,
Não posso me contentar com
o que os olhos não veem,
Só posso me contentar com
águas cristalinas e doces,
E com todo o amor que
o coração deseja e mantém,
Não amo o que convém,
e sem saber onde e quem;
Quero o que posso ver
e sentir que me faz bem.
Tenho um pouco das orquídeas
das várzeas baixas ou altas,
Não posso me contentar com
o que os olhos não veem.
Só posso me contentar com
águas cristalinas e doces,
E com todo o amor que
o coração deseja e mantém.
Não amo o que convém,
sem saber onde e quem;
Quero o que posso ver
e sentir que me faz bem.
O meu coração romântico
com raízes bem fincadas
na Mata de Terra Firme,
Desejo perpétuo e sublime
envolvido pelo capuz ebúrneo
íntimo que guarda secreto
o sonho de ver de perto
o seu semblante decidido.
Encanto perene e mútuo
de entrega o tempo atravessa,
Castanheira-do-pará em flor
confiante do seu amor celebra
por antecipação a entrega
que haverá de acontecer:
nas tuas mãos pacientes
sem nada deixar arrefecer.
Nem brasa e nem fumaça,
em nós há um fogo que
queima, arde e não se apaga,
Há em nós permissão ampla,
fina, incontida e deliberada,
É questão de tempo aberto
para a rota encaminhada
para encontrar a Via Láctea.
Minha mente e mãos
trazem sempre algo
das quebradeiras de côco
da Mata dos Cocais,
Há tanto tempo faz
que canto para os vivos,
e também para os mortos,
Porque não aceito jamais
o meu chão em destroços;
De tudo o que a Carnaúba
que vida nos traz carrego
tudo sem nada deixar,
Seja com o Bem e o Mal
para virtuosa lidar,
Nada devemos deixar
passar ou deixar de aprender,
para trilhar o caminho
certo para sempre crescer.
Na Mata de Araucária
o meu coração é Pinha,
E tu és Gralha-Azul
alimentada espalhando
Pinhão na terra fértil
e austral do coração,
Não permitindo nada
nos pôr em inquietação.
Semeando o paraíso
com sedução refinada
para deixar faltar nada,
Mantendo empolgada,
para não deixar a desejar
[o que faz inequívoca]
e enlevada a iniciativa
d'alma toda extasiada.
Não é de ontem que
tenho dado com clareza
e gala inúmeras pistas
de natureza feminina,
Da sua parte o que falta
mesmo é só a iniciativa,
Não posso o que não sou,
se não vieres, jamais vou.
Fique com o que enargeia,
inunda, delicia e incendeia.
Escute o meu doce canto
amoroso de flor de Babaçu
em companhia do vento.
Entregue faça Sol ou Chuva
o que tanto pleno deseja
em meio a Mata dos Cocais,
entre nós o que festeja.
Minha bonita manhã solar
que ilumina e com doçura
tem invadido provando --
que para amar não é tarde,
e me acendeu a sensualidade.
Diante da vastidão
do nosso mundo,
Com noção de realidade
assumo a pequenez;
e na mansidão busco
residir na real altivez.
Diante daquilo que por
um segundo tenta turvar
a visão e a reflexão --
Nunca presenteio
com imediata reação.
Nem tudo na vida
pede de nós resposta
de igual naipe --
Por não valer o desgaste,
ou para não legitimar
qualquer tempestade.
Não permito jamais que
a arrogância fale por si --
Dou o nome que deve ser
dado sem palco intocado
para quem vive de estrelato.
Espero que você também
faça o mesmo porque
somos o nosso próprio
leal espetáculo sem
precisar de validação,
unidos fortemente
somos pelo coração.
Da Imbuia sagrada
somos sementes
no chão desta Pátria,
Temos história a ser
contada na proporção
que a ancestralidade
se fez dia e noite doada,
e merece ser respeitada.
De Norte a Leste
o meu Meridiano é 75° E,
sei o quanto levo,
Há Latitudes 35°–55° N
vivas quando quero,
E Longitudes 50°–90° E,
e sei o que mereço,
por ter olhar não deixo
perder e não me perco.
Ancestralidade surgida
e guiada por Ursa Maior
pelas amplas estepes
dela tenho nas veias
a ampla memória,
Não permito ninguém
de qualquer maneira
[a minha História],
Ter chegado até onde
cheguei é a real glória.
Onde em cortesia sidérea
a Cassiopeia, Orion e Polaris,
dançam na Via Láctea,
Ali repousa e se inquieta,
e faz venérea porque
busca saber onde estão
as moças da Ásia Central,
porque há algo muito
além do que é desigual.
A lembrança insistente
revolveu ao passado
como chama acesa,
Daqui a pouco todos irão
dançar ao redor da fogueira,
porque dançar e cantar
é preciso quando o peito
se encontra em lamento.
Porque resistir unidos
e celebrar a chegada
da Primavera é de ordem
exclusivamente existencial,
entre memórias, festejos,
maus-tratos e incertos,
Não parar de perguntar,
é a soma dos desejos
até alguma resposta
conseguir me tranquilizar,
quando tudo irá terminar.
Sua mansuetude desperta
meus demônios e meus anjos,
e eu dou milhares de asas
para sua imaginação e seu coração,
Meu esporte favorito é fazer
todo tipo de provocação
para testar seus limites masculinos,
para por em ferveção
e da cabeça aos pés
brindar-te com flutuação.
De tudo o que é mais
íntimo e genuíno,
Que há alguma
surpresa no destino,
não mais duvido.
Tudo segue do jeito
que tem que ser,
E bem brasileiro
na onírica Caatinga,
que lições ensina.
O Juazeiro em vigília
saúda o Sol se pôr,
Para o Mandacaru
florescer cheio amor,
sem tempo a perder.
O amanhecer virá
com a cor do céu
do seu lindo olhar,
e com o Sol do seu
abraço acolhedor
que irá me dar
pleno e comovedor,
todo o seu calor -
digno de se emaranhar.
O deserto que tens
inteiro me oferecido
é nele que caminho,
e tenho buscado abrigo,
entre o zênite e o nadir,
No adágio do teu silêncio
apreciando a fantasia
que carrego e cultivo
quase como um dervixe,
entregando-me para que
a realidade não me devore.
Ouça e sinta a brisa
acariciando a paragem
brasileira e latina --
porque é nela que
minh'alma se aninha
neste berço austral.
Do berço luso-americano
embala a minha poesia,
em floração tímida --
não menos envolvente,
e não menos florida
tal qual a Caroba branca.
Dos relógios do tempo,
e do Sol no firmamento,
aprendi que o tempo que conta
mesmo é o tempo de dentro,
e que cada um tem o seu,
e inclusive o seu movimento.
Apenas ser, não me cabe,
quero permanecer
plena com minha altura
e aura nua e oculta
caminhando pela rua,
cercada por montanhas,
com uma morada poderosa
em nossas entranhas.
No absoluto do Cerradão
plena sob o Pequizeiro
generosamente carregado,
Com o coração indomado,
e brio de Ipê-amarelo
plenamente em floração.
Ser escolhida ou opção,
prefiro escolher e ser
por total determinação;
Ostento o imparável
e a convicção selvagem,
não cairei em rendição.
Desfilam em noite de céu
aberto do céu olhar lindo
Acrux, Mimosa e Gacrux,
Em retribuição e destino
o céu do meu olhar Carnaval
faz com Imai, Intrometida,
Sirius e Canopus e Spica.
E Procyon, Antares, Rigel
e Betelgeuse começam
a aparecer entre olhares,
Não sei se foi um sonho
com os olhos abertos,
tenho te sentido comigo
pelos lugares, e universos.
Quando te encontrei
no Enterro da Tristeza
na bela Florianópolis,
A folia soprou o poema
todo alegre nos avisando
que a vida começava
ali naquele momento,
dando adeus à cantilena
no coração e pensamento.
...
Os Bonecos do Berbigão do Boca
durante o sonho com os olhos abertos
quando estava a dançar contigo,
Pareciam que já estavam sabendo
que o amor era o nosso destino,
Então, até o Sol raiar fica comigo,
porque à partir de hoje não podemos
mais sair do nosso doce caminho.
A música da ribeira toca
harpejante a Mata Ciliar,
Se espalha a vontade
de invadir e devotar.
O olhar para o dossel
místico do Ingazeiro
buscando a doçura
parecida com beijo.
De ti e da tua boca
hei inteira me cobrir,
É claro que irei com
muito amor retribuir.
Sei que me aguarda
para vir me deliciar,
Sou Ibitinga florida
que não para de roçar.
(Nos braços e nas mãos
da tez do teu desejo,
vou cair e me seduzir).
Provocar imensamente
sem deixar explícito
Preencher com erotismo
no auge do seu silêncio
Deixar que chovam
os teus saborosos beijos
Deixar que aumentem
ainda mais o desejo
de nessa chuva se molhar
e da gente se amarrar
(Falta o seu sinal para amar).
O Sol se pôs e a Lua se ergueu,
foi no Galo da Madrugada
que o amor para nós aconteceu
numa noite estrelada --
O mundo parecia que parou,
e no final era só você e eu.
Venero-te como o Tingui-preto
finca as raízes na terra serena,
O teu olhar apolíneo me rega,
concede milhões de asas --
e ainda não nem é primavera.
Do Tingui-preto com carinho
preparo a surpresa de banhar,
O meu ser de Mata Atlântica,
é o teu paraíso de descansar,
entregar e de doce enredar.
Como a palma da minha mão
é o caminho para o coração
sem tempo e sem distância,
Porque de ti sou eu a ilustre
habitante sublime e romântica.
Docemente transformaste-me
o ímpar estepário refúgio
onde floresce com total
augúrio de levar o silencioso
amor virtuoso e puro --
que somos capazes de proteger,
sem ressignificar e pertencer.
O teu olhar que guarda o auge
celeste sei que me pertence
com a potência mais alta,
no fundo sabe que o Oriente
não é apenas de alma,
e sim herança viva e perene,
sobre tudo o que perece.
De caravansário em caravansário
do rumo sei que não se perderá,
porque o destino nos reunirá
sob a vontade de Deus que é
Sagrado, Clemente, Soberano
Misericordioso e Fonte da Paz,
e que orienta e só o Bem traz.
Lembre-se do passado
sem carregar o peso,
Ninguém esteve ao seu
lado quando o fogo
atravessava a existência,
Manter a memória acesa
é questão de inteligência.
Quem não te apoiou ontem
mesmo que tu hoje conceda
o seu apoio heroico --
pouco garante ou mantém
a fidelidade do outro intocada,
O vício alheio por domínio
é algo que não permite-se
esquecer por causa deste
veneno quase o ter sucumbido.
Caso irá apoiá-lo não se esqueça
de quem trai uma única vez,
o trairá milhões de vezes -'
Apoie desde que ele retribua
de imediato os seus interesses,
O Deus Doador de Fé, Protetor,
Poderoso, Irresistível e Majestoso
que te sustentou e sustenta
agora na paz te sustentará;
na sua paz com direito aos oásis
e o seu celeste caravançará.
Por tua escolha ou onde quer
que fique ou pela vida passe,
será cercado por serenidade
tulipas vermelhas e pinheiros
em floração sempre na direção
do teu tranquilo e verdadeiro amor.
Não é pranto, é tudo
e mais um pouco,
o que a tua indiferença
não me permitiu falar,
É um cristal partido
no solo do tempo
que me fez meditar.
E agora jaz congelado
na mais plena forma,
que nem mesmo
o rio do teu remorso
jamais fará com
que eu volte atrás.
Dei milhões de passos
todos acrobáticos,
e fui para os braços
do giro do mundo,
certa que não vamos
mais nos encontrar;
Porque quem decidiu
não me escutar,
nunca irá me respeitar.
Infância bem brasileira
debaixo do pé de Urucum,
abrindo as cascas,
estalando as sementes,
sorriso genuíno sem
ser entre os nossos dentes.
A alegria de criança arteira
cantando e separando
o que era para brincadeira,
e o que ía para tempero
das mães, das avós, das tias
e para as nossas vizinhas.
O fogãozinho era revezado,
e era o celebrado brinquedo,
os perigos eram conhecidos,
vivíamos quase sem medo,
não tínhamos nem mesmo
vontade de guardar segredos.
Procuro-te entre as pessoas,
embora resista a ser vista,
Ainda bem que é Carnaval,
e tudo termina em fantasia;
Porque no fundo sei que
aqui você não se encontra,
no meio da noite escura ---
Brindada com gotas de cristal
transformadas em prata pura
pela luz da iluminação pública,
a chuva cai solene nesta rua
misteriosa que é o silêncio,
Que me guiará para ser sua
pelo caminho da paciência
e da mais amorosa ternura,
Entre nós tudo continua
acontecendo mesmo cientes
que o melhor sequer
ainda nem mesmo começou,
Desde o dia em que nos conhecemos
o mundo nunca mais nos tocou.
