Anna Flávia Schmitt

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O mistério, o sagrado e a profundidade,
todas de minh'alma feminina,
e da palavra perfumada de Guapuriti
carregada de frutos doces e deliciosos,
capturam o inevitável e o atrativo,
que conquistam a tu'aura masculina,
talhada de mistério de anos a fio,
dedicada orbitando ao meu redor,
mesmo que ainda com a vestal
do capricho: é por mim que tens amor.


Convencida de que sou a única
que tem angariado a hipervigilância,
a intimidade profunda,
mesmo que o silêncio e a distância
ainda resistam e se protejam.
sob a tua índole de muralha e fortaleza,
cada uma, entre si, têm se mostrado
totalmente abissais e absolutas;
e não têm, de fato, me convencido.


Sem nenhuma escapatória,
não estás mais livre de cada sinal sensual,
sensível e atentatório sensorial
da minha natureza selvagem e indomável,
porque a nossa essência é a mesma;
e para a tua fome sou a única
que nasceu ser o seu banquete.


De delícia em delícia, buscando
algo que amanse, renda mesmo
que ainda lentamente a sua brava
resistência assim com o meu hálito
fresco e herbal sobre a sua nuca
escrevo o total épico e convicto
- a total captura do seu delíquio.


De emanação em emanação
o ​inebrio para trazer o langor,
​na penumbra da distância
e fazer a rendição ​recôndita
que roça e sussurra no interstício,
entre o que é ainda feito de veledo
sobre a tua silenciada volúpia,
o prazer em estado de arte que ofereço;
profetizo não haverá outro alguém
que alcance o que enternura com igual
capacidade de fazer do meu jeito,
até quando te coloques em ausência
ou refúgio, seja lá qual for o motivo,
tu me celebrarás satisfeito e convicto,
porque, mais do que nunca, te pertenço.

Vivo um romance psicológico
inigualável morando num carrossel
de perguntas sem respostas,
Não tem como não negar
que a gente combina por dentro,
Se de longe isso é percebido,
imagino como deverá ser quando
estivermos perto um do outro.


Admito o estupor labiríntico ​vertiginoso
em estado de alta costura poética,
em nome do desejo efervescente
renovado constantemente
pelo lance ​ignescente, sedutor
ou talvez até mesmo perigoso,
​desta anatomia metafísica
que sutil ocupa constante a derme
com eflúvio vibrante e perene.


O verbo sardanapalesco tem como
rito costurado os meus poros
para receber os teus poderosos,
e tornar-me a habitante dos sonhos,
que cuida e eleva os teus impulsos,
Com sabor de ​Goiaba-serrana
para trazer sorriso com gosto -
para a rendição do teu corpo todo.

No reduto da divina intimidade,
dominante, visceral e pretensa
o visceral acontece e reinventa
em tempo de colheita do Cambuí.




Sem sacrifício e sem desafio
o sagrado, a litania e tradição,
o cofre se rende a fantasia
da tua absorção total - tão minha.




​Inundados pela possessão total,
sem vergonha, sem noção,
sem temer a rotulação que digam
que é profanação - a congregação.




​Dispensar a elegância, a sedução
refinada e a intenção acocorada
é sacrilégio evidente que jamais
irá jamais terá em nós entrada.




Acordados em total revolução,
concordamos com o que deixa
a criatividade acesa, as vistas encantadas
e as nossas peles acetinadas - iluminadas

Sanhuda para ser o teu abismo
de flores nativas para que
se perca com indomável ímpeto
em plenitude em retribuição,
E me coloque em iniciação
no teu pomar selvagem de adoração
Evanescer por dentro e ser o ardor
crescente em transbordamento,
o prazer lúdico e elegante,
​da cobiçança em chamamento
do desejo romântico e fúrio
intrincados ao mesmo tempo.


Para não dar chance de escolha,
tornar-me a rebeldia mais louca,
e querer ter nas mãos as rédeas
da sagrada intimidade perturbadora.


Assim para que meus beijos feitos
dos ingazeiros dos rincões distantes
da nossa América do Sul profunda
beije o teu corpo bonito e o cubra.

Oceânica, aveludada, carinhosa
e de madrepérola sardanapalesca,
A minha presença edênica nunca
será desfeita dentro do coração,
Libidinosa, lúbrica, voluptuosa -
sei que no teu íntimo tenho
o lugar preservado e intocável,
O concuspiscente e o insaciável
se encontram com o pudendo
em estro diante do teu priápico.


Não há como negar que a nossa
fórmula gera uma combinação
explosiva que nem mesmo o tempo
está a altura de alcançar e imitar,
Não nascemos para outro tipo
de languidez que não seja pós vulpina
por nossa plena vontade faminta.


Luxuriosos acendemos o céu austral
que dentro de nós vívido - ilumina,
Que condor só voa com condor,
somos a inquestionável prova viva.


No infundibuliforme o céu e o inferno
sempre nos unirá em nome da astúcia,
da lascívia e da luxúria - imperiosas,
que reunidas se retroalimentam, testam
e põem mortais à prova em todas horas.


Ínscios não somos - e ainda bem...,
tumescente, ebúrneo e desafiador,
sei muito bem que és e com andor.


O sôfrego nunca me desmobilizou,
e no fundo sei que por isso reino
com absoluto fascínio no teu peito;
Sou o ser angélico, o teu beijo de mel,
o Achachairú maduro e a inspiração
primaveral que fortalece contra o fel.


(O teu primeiro amor verdadeiro).

O ritmo da busca segue a dança
do Hemisfério Celestial Sul,
a beleza do movimento involuntário
ocupação vibrante, que sustenta,
dança por dentro e põe a exalar
as estrelas em plena liberdade,
o que que quer que aconteça,
para que a nossa dança não acabe;
​por ela estremecer e preceder -
o que faz o estertor acontecer.


O léxico de fogo ancestral
das tradições poéticas da porção
austral trago na pele de marfim
​entre o abissal e o insondável -
o desejo que não tem fim,
e da tua parte leio o sim;
mais claro embora discretado
diante da minha existência
que te faz desconcertado.


​O estado da arte em curiosidade
continua proporcionalmente
intenso e sem nenhuma perda,
porque pela tua existência, arde;
e convicto é atemporal poema
com o calor que consome a pele,
com ​andor da paixão intensa
em adustão que precede o toque
- ​sem limite cortante do desejo;
justamente onde o prazer
encontra o perigo mesmo sem ver.


Assumido efervescente estado
da alma com a previsão da antecipação
da mútua celebração rítmica do ápice,
para que a paixão não mais se cale,
e o amor com brio e vontade se celebre,
no tempo de colheita das frutas,
do Extremo Sul da América do Sul,
sob todas as auroras e românticas luas.

O meu beijo é feito
Murtillas frescas,
O meu poema é
escrito com linhas
certas e erradas,
Versos Intimistas
que unem almas
plenas e apaixonadas.

Murtillas na boca,
comigo no coração,
celebração de amor
e muita inspiração
com Versos Intimistas
para a consagração.

Cada um dos meus Versos Intimistas
a intimidade celebra contente
com aroma de amor narivo e Calafate,
Sou eu a dona da tua devoção,
da liberdade e de toda a intimidade.

Os meus Versos Intimistas
trazem a lenda do Calafate
e o sabor de quem prova
pela primeira vez sempre
retorna à Patagônia,
Assim inabalável estarei
contigo a minha volta.

Emaranhável e sutil para alcançar
os teus vezos e o entranhável,
Sem nenhuma vírgula para o desejo,
na adorável queda de arrebatamento
com aperreamento e o bel aprazimento.


Celebrante da querença e benquerença
sem retoque atualizo o romantismo
que dizem ser arcaico e enlevo ao passo
como quem luta sem lutar com igual
chama das lutas populares pelas ruas
se espalhar para cobrar-te sem cobrar
as prendas e os deleites de alta voltagem.


Alembrar e amiudar em estado de fascínio
absoluto o fascínio velado com sussurros,
no afã de sussurrar mormaços e fervuras
para plantar a cobiça, a languidez riscar
​- cuido dos detalhes para a gente desvairar.


Certa da tua rendição deliberada de que
há cair sem demora nos meus braços,
para entre os meus beijos receber
grumixamas e os espaços com a sua
doce insurgência amainada no meu colo,
ouvindo você declarar definitivamente
extasiado que está vivendo o seu sonho
mais amoroso dentro do possessivo território.

A profundidade que escapa à razão
é o insondável em silenciação,
entrego pistas ao desconhecido
que me corresponde em sinais sutis
que tocam a alma e falam ao coração.


Parece algo próximo de um drinque
vertiginoso que causa perda
de equilíbrio e entrega total em flerte
inexplicável com o ​inexorável
indomável pelos meus sentidos.


Tudo o que não preciso é o óbvio
para trazer à tona a volição
para o estupor de sagrar o existente
e a êxtase poética na tradição
do profundo e amado continente.

​Em transbordamento é assim
que tenho arquitetado letra por letra
para que você se sinta e viva
o orgulho de ser o último romântico
sem receio de ser o meu amado.


Baixo a tranquilidade dos jerivás,
sem tardar na Lua do Lobo,
tu haverá de baixar a guarda,
renderá de vez toda a sua resistência
e se entregará ao amor com excelência.

Sem nenhuma preocupação
com quebras de linhas,
Escrevo os meus profundos
doces Versos Intimistas,
com os lábios pintados
de Maqui do jeito que a vida
ensina para nos manter
em estado de poesia.


...


Cereja-do-Chile na ponta
da língua para a sua língua,
Versos Intimistas plenos,
vida que te quero vida,
um lirismo entre os seios.


...


Na minha varanda a Chilco
florescido é uma confissão
igual aos Versos Intimistas
que escrevi para o coração.


...


Versos Intimistas com cor
e sabor de Calafate unidos
a sua pele feita de petrichor,
que me repleta de amor -
é possível viver sem dor.

Tudo em mim te venera
com o Mapuche-Huilliche
Da tua mão - não solto
mesmo que resista ou evite


Como Diucón com Chilco
que foi libertada do gelo
O espírito é de recomeço
amar não tem nenhum preço


(O Ano Novo virá com apreço)

Como os frutos da Chilco
com absoluta veneração,
para dar sabor o que falta,
sem colocar nada à prova,


Cultuo o telúrico e visto-me
de fúcsia para a sedução -
com o alvo de te transbordar,
e dos pés à cabeça - degelar.


(Está certo que vou te inundar).

O Ano Novo só irá acontecer
se o mundo insistir aprender
a se respeitar e em paz conviver.

Trazer o discreto deliquescente
pôr nas tuas mãos a fermosa
para desmanchar de prazer,
Revolver - filar o teu corpo;
em cativanza vir total a maer,
para que nada mais nos escape.


Renovar a merencória conquista
de pacificamente despertar
os estados e nossas atmosferas,
Jazer o mundo até a próxima
cena de espasmódicas quimeras
em indomáveis adstringências.


Elevar a temperatura e o clímax
para atravessar as auroras,
Deixar que a alva Lua alcance
como voyeur e do assento
ledo me aposse como mulher
plena em sinuoso movimento.


Colocá-lo para descansar meio
em meio ao eflúvio vivido,
despertar e sair como Eva
insinuante e tátil pela mata,
sem temer que estejam olhando,
e colher pitangas-pretas
para o café-da-manhã nubívago.

Inspiração tal qual a Lua Crescente
do primeiro dia do ano saudando
o esplendoroso Médio Vale do Itajaí,
O pensamento amoroso primal
elevado ao alto dedico somente a ti.


Confiante sobre o que é divinal
está reservado sem pressa,
e virá com o primeiro raio solar
a beijar este vale e a minha cidade
de Rodeio com plena afetuosidade.


Mais forte do que nunca sou
a ilustre habitante encantadora
que o peito ama, a tu'alma sonha,
fazendo a vida feliz e risonha -
de todo este tempo a fascinadora.

Nada de mim em ti, é evanescente;
incipiente se renova e permanece,
com velatura de seda sobre a sua
pele com nímio certeiro nos impele
a nos colocar nas mãos do destino.


Perscrutar o teu mistério quase
místico é algo como mansa ave
e o meu roçar suave passeiam
com graça tangencial no seu brio,
flertando sibilante e visceralmente.


Doce é a ambição pela tua turgidez
de alta voltagem e do teu mais
terno amplexo que têm fortemente
se preparado - e a cada novo
eflorescimento tem se encaixado.


Não quero esconder que te quero
bem colado com beijos de Cambuí,
indecoroso, atrevido e abusado,
porque lado a lado sinto que os teus
planos são de amor e fogo apaixonado.

Quem dera ser a Lua de Ano Novo
do Médio Vale do Itajaí que o teu
coração tanto pleiteia amoroso,
tal qual a cidade de Rodeio que sorri,
sempre quando os raios dela
marcamos presença divina por aqui.


Tudo isso é a mais real poesia,
para até no escuro ser lida;
é a própria glória da vida
de ser verbo, carne e alma;
e, o que o amor cortês nos solicita.


Com toda razão e sem razão -
a tua existência nos cânones
afetivos há tempos foi escrita,
virou tradição plena e festiva.


Nenhum pormenor teu pode
e deve ser resistido, por ser capítulo
querer-te comigo - é o meu melhor abrigo.


És feito de romance e sedução,
sem precisar sequer de tradução.

Quem dera ser no seu céu
a sua Lua Cheia de Ano Novo,
À iluminar sua a noite escura,
e que sei que lhe foi imposta;
Enquanto não chega a aurora,
beijo-te com poesia amorosa,
onde até não me for possível.


(Em ti sei que há tempos existo).

O que é de paz me pertence,
e o romantismo perene, vigentes,
perseguem obsessivamente,
trazer o corpo do outro à memória sensorial é algo paulatinamente
que cultivo incessantemente.


Amiudar os detalhes em busca
do aperreamento perfeito.
do aprazimento da linguagem
que não pode ser dita,
e sim plenamente sentida;
em nome da benquerença,
do arrebatamento e da cobiça.


Para viver os deleites mais
sublimes dos butiás maduros,
dos desvarios que podemos juntos,
da suspensão dos sentidos
e dos enlevos sensuais cúmplices
eleitos para brindar caminhos.

As pessoas esqueceram que as transições democráticas na América Latina foram negociadas na época com os próprios EUA para serem lentas e graduais, visando consolidar Estados fortes. Apesar das falhas, isso garantiu uma cultura de paz por muito tempo.


​No caso da Venezuela, uma transição 'a fórceps' não trará o paraíso esperado. Não saberão lidar com os 'coletivos' (herança de Fidel e Chávez) e a história ensina: intervenção militar unilateral não resolve conflitos, só agravam as crises humanitárias. Falam em 'retorno' da democracia, mas a verdade é que a Venezuela nunca viveu sequer 50 anos de uma democracia estável.


​A crise é muito mais profunda. Ela só poderá ser resolvida com oportunidades que incluam uma grande reconciliação nacional e a integração dos coletivos.


Condenar o regime do Maduro sempre condenei, durante anos escrevi um poemário extenso que registra inúmeras prisões políticas de presos políticos civis e militares.


Mas mesmo com tudo o que sabemos, os princípios de Direito Internacional não podem ser violados e a comunidade internacional reagir de forma irracional ou letárgica, porque se a crise humanitária transbordar ou ocorrer uma escalada ali ou em qualquer outro país do continente,
os EUA não pagarão a conta para nenhum país.


...

Recordar nunca é demais! 👇


As transições democráticas na América Latina (80/90) tiveram influência real dos EUA — desde Carter: pressão diplomática, cortes de ajuda e financiamento a oposições moldaram saídas graduais, priorizando estabilidade sobre rupturas radicais.Exemplos:Chile: apoio ao “Não” e pressão sobre Pinochet (1988).
Argentina: isolamento por DDHH acelerou fim da junta.
Brasil: apoio indireto à abertura gradual (1985).
Peru: incentivo à transição para eleições civis (1980).
Uruguai: sanções forçaram plebiscito.
Guatemala e El Salvador: pressão por acordos de paz e eleições (90s).


...


Erramos ao achar que a solução para a Venezuela é "voltar" ao que era antes. A fragilidade democrática histórica (menos de 50 anos estáveis) foi justamente o que abriu as portas para o abismo atual. Intervenção unilateral não resolve crises humanitárias, só as aprofunda. Menos nostalgia de um sistema falho e mais foco em fundar uma estabilidade real.

O entranhável que habita
no final é o que enraíza,
E não aquilo que se aprecia
por vir do mundo exterior.


É a boa colheita do açaí
da Palmeira Juçara,
a ingênua herança latina
que nasceu disputada -
mesmo sem ser notar.


O lume emanado do amor,
os vezos em chamas -
de entrega e romance,
a querença além do instante.


A lírica trovadoresca e a corte,
o Sul do meu Sul até o Norte,
Ter nascido aqui e descobrir-te:
é nascer com muita sorte,
e por nós inteira nos dedicar.


Está para nascer a batalha cultural
que desconstrua e vença,
Só de receber o seu sorriso é
o meu melhor Poemário Nacional.


Não há quem convença e prenda,
te querer sempre mais só aumenta
a pertença mesmo que alguns digam
que querer viver assim é só lenda.