Autonomia
Existe algo mais merecedor de lástima do que a imagem de ovelhas no aprisco? Cada indivíduo foi criado para pensar por si, para buscar seu próprio caminho, e nada mais depreciativo do que lhe ser exigido pensar de acordo com os parâmetros do pastor que lhe dá abrigo em troca de obediência.
Todas as vezes que decidem interferir no que me compete decidir, também decido fazê-los descobrir que não renuncio à soberania sobre decisões que me cabem, e que minhas escolhas jamais se dobrarão sem luta à qualquer tipo de tutela.
A diferença entre o sensato e o fanático é que o primeiro discute ideias e o segundo ataca as que lhe ditam, porque abdicou da legitimidade de seu autopensar para replicar o pensamento daqueles que segue.
Pra você não conseguir vão usar seus medos, suas culpas, seus ciúmes e o máximo de suas limitações. Mas apenas um poderá controlar os seus sentimentos... Você. Então não esqueça: autonomia garante autoridade.
Ser independente não significa ter dinheiro. Isso pode ser fruto do acaso, da sorte, do destino.Ter autonomia significa ser o único dono das suas culpas, seus medos, suas perdas e derrotas. Significa ser o único responsável declarado pelas suas escolhas.
As peças do meu xadrez são rainha, rei, bispo, cavalo e torre... Porque todos os piões tem autonomia para ser a peça que quiser.
Feliz de todo aquele que vive na cidade e não pensa e nem interpreta a vida, as noticias e os movimentos, como a maioria.
Não somos perfeitos o tempo todo, e há situações que não podem ser resolvidas apenas com base no aprendizado contido em manuais. Nessa hora, é você por você mesmo.
Soltar das mãos
As mudanças em relação ao sentido da vida muitas vezes causam uma insegurança, dor e medo; seja mudança no sentido natural da vida, a morte, ou seja, a mudança no sentido da vida familiar.
Quando se percebe que os filhos já caminham sozinhos, e que nossas orientações muitas vezes são desnecessárias, isso nos faz sentir uma sensação de vazio. Talvez porque não tenhamos praticado direito, o desapego.
Soltar das mãos é deixar ir, mas isso pode nos deixar com uma sensação esquisita, uma sensação de impotência, mas que se faz necessária.
E quando a vida apresenta um espelho diante de nós, nos causa um descontrole, uma dor, que nos leva a uma profunda reflexão.
E quando retornamos dessa reflexão percebemos que a vida é isso mesmo:
Que em toda chegada existe uma partida;
Que em toda união existe uma separação;
Que em todo crescimento existe um desprendimento;
Que em cada sorriso há uma lágrima;
Que em cada aprovação há uma desaprovação;
Que em cada sucesso há uma perda.
Enfim viver, gera mudanças.
Falando em Educação: quando não se cobra (no sentido de incentivar) se acomoda, estagna. Quando coloco o discente e sua família como coitados, indiretamente, estou alimentando a exclusão. Dizer "coitadinhos"; "vulneráveis" gera ação meramente assistencialista, que em nada ajuda. Visualizar e atacar por meio de ação planejada sim gera atitudes logo mudanças longitudinais, não assistencialismo momentâneo que nada mais é que manutenção da dependência, falta de confiança e prisão; servidão.
A maior divisa de um povo, está no reconhecimento pontual aos muitos guerrilheiros da Pátria, que sacrificaram as suas vidas em nome da salvaguarda da integridade da Nação e da sua Autonomia.
Saber a hora de sair de cena, de mudar o seu comportamento, o seu ponto de vista e a sua história, demonstra bom senso, amor-próprio, coragem, independência, liberdade e autonomia.
Autorresponsabilidade é estar pronto para a prosperidade, o respeito, o receber, o entregar, o cumprir, o agir. Melhorando o mundo que se quer viver.
Que a tecnologia seja ponte, e não muro. Que o conhecimento seja semente, e não mercadoria. E que a escola permaneça como território de afetos, de encontros e de sonhos; um lugar onde a autonomia do professor e a singularidade de cada estudante sejam celebradas como parte essencial de um processo verdadeiramente educativo e humano.
Uma pessoa só consegue exercer verdadeiramente a liberdade não somente na escolha do caminho, mas quando consegue autonomia para calçar e amarrar os cadarços dos seus próprios sapatos
Filhos são do mundo.
Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga.
E a maioria de nós, pais, acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo!
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!
Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus. Com respeito aos ateus, digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.
E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos. E eles, não se esqueçam, são do mundo!
Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles. Santo anjo do Senhor.
É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo "emprestadas", são a maior parte de nós!
A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver.
Nota: O texto tem vindo a ser atribuído a José Saramago, no entanto a Fundação José Saramago já confirmou que não pertence ao autor.
...Mais
