Ausência
Saudade é falta de iniciativa.
Muitas vezes o que chamamos de saudade é apenas a ausência de um gesto. Bastaria uma ligação, um encontro, uma palavra.
A iniciativa transforma distância em presença. Quem age, reduz a saudade a quase nada.
"Ausencietude"
Torna-se extremamente forçoso asseverar:
Ausência não é sinônimo de vazio.
Quem vai embora
deixa
sempre
um
pedaço.
Ficam vivências,
sentimentos dolorosos,
outros prazerosos,
que marcam de modo indelével
o coração daqueles que ficam
E dos que partem.
Destarte, há plenitude na ausência,
"ausencietude"!
Um mosaico de lembranças,
Amores, dores,
que salpicam nossa tábula rasa
tal qual um quadro de Pollock.
Por isso, saudade não é ausência
Nem mesmo vazio,
Mas sim,
Inexorável presença.
Saudade.
Chega e entra sem pedir licença.
És a dona da chamada ausência.
Chega e aperta a ferida.
Nem se importa se estou na lida.
Contigo tenho que aprender a andar.
Me ajustar ao teu caminhar.
Dependendo do momento, sei a sua idade.
E seu nome? Chama-se saudade.
Eu me sentia invisível ao teu lado,
doía admitir — ausência não se apaga,
o tempo apenas cala o que é calado
e ensina a dor a descansar na vaga.
Segui meu rumo, outra mão tenho amado,
te contei, e o teu “feliz” soou vago:
era verdade ou gesto educado
pra esconder o indizível, sufocado?
Nunca soube se era defesa ou medo,
a tua condição, teu silêncio espesso;
fiquei — porque isso, ao menos, era afeto.
Hoje amo, e mesmo assim penso no avesso:
se um dia me amaste, guardo o segredo
e peço perdão por culpas que não peço.
Renunciar a si não é amor.
É ausência de si. Transcender não é se anular,
é confiar no fluxo da própria evolução.
Sem amor-próprio, a renúncia vira só um disfarce… de um vazio que tenta se justificar.
"A saudade virou poesia; deixou de ser ausência física para tornar-se presença escrita! É como se esse papel fosse um ponto de encontro: você num quarto de motel, nossos corpos a suar, suas mãos a deslizar no meu corpo inteiro, sua boca em cada canto da minha pele. Eu, querendo você por inteiro, rezando para a hora não passar e o nosso momento mágico não acabar. Mal sabia que a hora passou, e tudo acabou! E agora estou aqui, contando essa saudade de amor.
Essa lembrança é de algo que ainda queima como fogo, uma daquelas saudades que a gente guarda no peito como um segredo. É o tipo de saudade mais perigosa e, ao mesmo tempo, a mais viva. Aquela que não precisa de ninguém por perto para incendiar o pensamento; basta fechar os olhos e o calor volta exatamente onde parou.
Manter esse fogo aceso ajuda a aliviar o peito ou só faz a vontade de reviver o momento aumentar ainda mais? Não sei, só sei que hoje está doendo; a saudade está maltratando demais da conta.
'Podemos não ter nosso final feliz', mas 'o nosso amor é eterno', independentemente de onde cada um esteja ou com quem esteja; uma dimensão onde nós seremos sempre um do outro."
Autora: Alessandra Santiago
Data: 13/03/26
Versos de um poema...
Escuridão não é a ausência de luz... É a ausência de você...
Minha alma viaja sem fantasias... A visão marejada
E carente de ti... E o tempo não se detém nem retorna
Prossegue sempre inexorável...
Longe no horizonte… onde o vento toca
nos cumes entorpecidos ouvem-se
sussurros de um poema perdido...
“...mas trazem os versos
De um poema que te escrevi... Faz tempo...!”
A perda não leva apenas o que amamos. Ela deixa em nós o espaço exato da ausência, como um molde invisível. E é nesse vazio que a saudade planta raízes, transformando o silêncio em memória viva.
Deus não promete ausência de lutas, mas promete presença no meio delas. Deus não nos livra do fogo, mas nos livra no fogo.
A paz de Deus não é ausência de dor,
mas a presença divina no meio dela,
um amor que guarda, cura e renova,
fazendo nossa alma florescer outra vez.
Um dia irei transformar toda a sua ausência em estrofes e as guardarei comigo para fazer-me companhia.
