Ausência

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Labirinto de Espelhos


Traga-me amor e eu te mostrarei a ausência; traga-me ódio e eu te entregarei o desprezo. Mostre-me quem você acredita ser e eu te revelarei a infinidade de versões que posso assumir para te confundir. Enquanto você se ancora em definições estáticas, eu habito a variável. Eu me transmuto conforme a conveniência do nome pelo qual desejo ser invocado, um camaleão de intenções ocultas sob a superfície do óbvio.


Sou o ruído branco que preenche os vácuos da conversa. Você ouve o necessário, aquilo que sua mente consegue digerir, mas jamais decifra o que foi silenciado entre as sílabas. Minhas palavras são iscas, nunca o banquete.


Como um oceano que desconhece a paz, não ofereço margens seguras. Sou a inquietude das águas profundas, onde as ondas não obedecem ao vento, mas brotam e fornecem ao comando do meu próprio caos interno. Não há um lado certo para o impacto; a maré sobe onde eu decido que o solo deve ser submerso.


Sou o espelho que não reflete a imagem, mas a distorce até que você não reconheça o que projetou. Minha essência é o movimento perpétuo de quem aprendeu que ser qualquer coisa é a única forma de não ser ninguém. No final, você encontrará apenas o rastro da espuma na areia — o sinal de que estive lá, sem nunca ter se deixado capturar.


Silvio Jr.

Ciberespaço


Um útero de fios
Onde gestamos ausências


Senso
De perda
Que não pesa em gramas,
Mas em bytes de memória
Apagados em baixa resolução


Menores
Ecos do cotidiano:
O atrito da xícara no pires,
A hesitação antes de responder,
A textura do ar antes da chuva
Detalhes da rotina diária
Sendo eliminados
Por algoritmos de eficiência.


Exoesqueletos da estupidez
Vestimos interfaces intuitivas
Que pensam por nós,
Enquanto nossos músculos mentais
Atrofiam em elegantes casulos de titânio


Configuração
Um ritual sagrado:
Parâmetros biomecânicos ajustados,
Parâmetros biológicos monitorados,
Sincronização cerebral forçada
Como metrônomo para uma orquestra de neurônios cansados


Blockchain mental
Registros imutáveis de pensamentos editados,
Correntes de hashes ligando verdades revisionadas.
Atividade cerebral em ruptura
Onda delta contra firewall,
Sonhos comprimidos em pacotes de dados,
Sinais de erro brotando como flores de lótus em telas azuis


Enquanto isso
(O pronome mais humano que restou)
Ainda faz sentido.
O último suspiro orgânico
Antes do login definitivo






Criptografia da alma
Senhas de existência
Trocadas a cada aurora digital


Lacunas
Entre um ping e outro,
Surge o vácuo que canta
Em frequências não traduzíveis


Arquivos corrompidos
De emoções não indexadas:
A saudade que o sistema operacional
Identifica como "erro 404: afeto não encontrado"


Nuvens de pensamento
Sincronizadas até a última nêvoa,
Mas o backup dos instintos
Foi perdido na migração


E o corpo?
Pergunta o hardware ao firmware,
Enquanto a carne, esquecida,
Ainda treme de frio
Na sala de servidores climatizada.


Até que em um loop inesperado
Um bug no paraíso lógico
O sistema encontra um glitch
Chamado poesia:
Dados que não se encaixam,
Verdades que não verificam,
E um verso antigo
Que ressoa como eco de um mundo
Que insistimos em apagar,
Mas que teima em renascer
Como raiz sob o asfalto digital


Porque ainda faz sentido
Enquanto houver um refresh
Que não apague por completo
A sombra do que fomos
Antes de nos tornarmos

A simplicidade, afinal, não é ausência de profundidade, mas a sua face mais pura. É quando o ser se mostra sem ornamento, e o que encontramos já não pertence aos livros nem às teorias — pertence a nós, pertence ao mundo.

✍🏻Só descobrimos a verdadeira importância de um ser humano em nossa vida com a ausência física definitiva deste ser.
💐💜😔🤍💗

"Prefiro a guerra mesmo na ausência da paz"

O teu sumiço me dissolve devagar


A ausência faz a saudade consumir
Sensações diárias do meu querer
Mar das maresias tristes
Intensidade das ações do teu ser cativante
Desfaz meu ser aos poucos
A cada navegar, uma falta do destino que deixei para trás.

O Alento da Ausência


Outrora, eu era vigília e fresta,
ansiando o teu olhar como quem acende a luz
no cais de uma espera deserta,
suplicando ao horizonte que te trouxesse de volta.


Hoje, as sombras me bastam.
Prefiro o abismo desse silêncio inteiro
à tua presença fragmentada, que não habita apenas visita.
Pois o que oscila entre o vir e o partir
não oferece abrigo; apenas turva o cristal da memória.


Ver-te agora, ainda que sob o véu da distância,
não é bálsamo, mas interrogação.
Cansou-me o fardo dos intervalos,
os sinais que desbotam antes de se tornarem rastro,
esses quase-encontros que são, em verdade, desertos.


Se o teu destino é o não-estar,
que a tua ausência seja, enfim, absoluta e limpa.
Sem o eco de passos breves,
sem o toque fantasma que tateia mas não sustenta.


Há uma quietude austera em renunciar à espera.
Descubro, no vagar dos dias, a lição mais difícil:
que o esquecimento, por vezes,
é a forma mais profunda de zelar por si.

O que parece paz pode ser apenas ausência de confronto com o passado.

Ausências..


Foram nas ausências
que nos esquecemos.
A cada calar, era um passo
De volta, estou dobrando
A esquina.

Letras.


Nas ausências que me sobram,
Faço versos para você.

Ausência que dói.


Durante todo o tempo
Em que estivemos juntos,
Jamais lhe ouvi pronunciar
AMOR.
O que me incomodava
Não era a ausência da palavra
No seu vocabulário.
E sim, a ausência de amor
Em Ti..

Você não me ama. O que te inquieta não é a minha ausência, mas a possibilidade de eu existir inteira em outro lugar — longe do alcance do que você nunca soube cuidar.

⁠A ausência é um peso que me devora e enquanto me devora, me encontro.

Ausência de quem se ama, é a mãe da dor que você sente em silêncio.

Se tudo que teu coração entregou não foi o bastante, entregue a tua ausência, porque é na falta que se revela o verdadeiro valor da presença; na ausência Deus mostrará a verdadeira importância do que se perdeu.

Não foi falta de amor — foi a ausência de prioridade que falou mais alto.

Com a sua ausência, aprendi: não dá pra escolher não sentir…
e, no fim, sentir é tudo que nos resta.

Todos os dias eu aprendo a lidar com a ausência e com a incerteza.
Não é fácil sorrir quando uma parte de mim está tão longe, em um lugar tão difícil.

Mas eu sigo firme.
Porque além da dor, existe um orgulho que me sustenta e um amor que me mantém de pé.

Dra. Érica Alvim Lyra

Quem sou eu

Eu tenho me perguntado quem sou eu, e a resposta veio quando eu superei, ausência, tristeza, saudade e a maldade do tempo. Sei que sou pouco para uns, mas sei que sou muito para outros, mas a cima de tudo! sou o suficiente para mim mesmo.

Se tudo que você oferece não for o suficiente; ofereça ausência.


O sal não está no cardápio, mas, quando não está presente, faz muita falta!