Ausência
A escuridão é a ausência da Luz, e aqueles que nela habitam não suportam os corações iluminados pela Presença de Deus.
Aprendi a conviver com a ausência
como quem aprende a respirar debaixo d’água.
No começo doeu,
os pulmões queimavam de lembrança,
mas depois o corpo se acostuma
a viver com menos ar,
com menos riso,
com menos você.
Às vezes ainda emergem memórias
como bolhas —
estouram rápido,
mas deixam o peito pesado
por horas.
"Com Deus, o corpo se torna templo e a alma encontra o seu descanso, não na ausência de problemas, mas na presença da Paz."
-Dr. Diogo Sena
Senti frio mesmo estando perto de você, moça bonita.
Não foi o vento, foi a ausência.
Percebi que os teus carinhos já não caminham na mesma direção que os meus,
que a sintonia se perdeu em algum silêncio não dito.
Não sei o motivo de tanta indiferença,
nem sei se quero saber.
Algumas verdades doem mais quando explicadas.
O frio que veio de você não foi acaso,
foi resposta.
E às vezes, aceitar o frio
é mais honesto do que insistir num calor que não existe mais.
Há dias em que o silêncio pesa
como se a casa estivesse cheia de ausências
O tempo passa
mas não passa por mim
ele apenas me atravessa
sem pedir licença
Carrego sorrisos que não uso
palavras que nunca disse
e sonhos que ficaram
encostados no canto da alma
Não é tristeza gritante
é esse cansaço manso
de existir sentindo demais
e sendo pouco sentida
Algumas noites
eu não choro
apenas fico
olhando o escuro
esperando que ele me entenda
A solidão não é ausência.
É presença de si.
É quando o ruído do mundo se cala
e a alma finalmente se escuta.
A solidão não é solidão —
é evolução, força amadurecida, sabedoria em silêncio.
É reconhecer a própria nobreza
sem precisar de aplausos ou testemunhas.
É estar em paz vivendo no caos,
inteiro mesmo quando tudo ao redor se fragmenta.
Quem abraça a solidão não foge do mundo:
aprende a caminhar nele sem se perder.
Devemos lembrar, mesmo quando tudo parece escuro, que o silêncio de Deus não é ausência, é trabalho invisível. Nos piores dias, quando as forças faltam e as perguntas sobram, o propósito não deixa de existir — ele só não é imediato, nem confortável.
Deus não desperdiça dor. O que hoje parece castigo, amanhã pode se revelar como direção. Muitas vezes, o propósito não está no que acontece, mas no que nasce dentro de nós a partir disso: fé mais madura, coração mais sensível, coragem onde antes havia medo.
Confiar nos piores dias é um ato de entrega. É escolher acreditar que, mesmo sem entender o caminho, Ele já enxerga o destino. E que cada lágrima, cada espera e cada queda fazem parte de uma história maior, escrita com cuidado, mesmo quando não conseguimos ler as linhas.
Inteligência emocional não é ausência de sentimentos.
É presença de consciência.
Não significa “não sentir nada”, mas não permitir que tudo o que se sente governe as decisões.
É a habilidade de lidar com as
emoções sem permitir que elas sabotem a razão, firam valores ou desviem princípios.
Perder alguém especial dói de um jeito que palavra nenhuma explica.
É uma ausência que faz barulho, mesmo no silêncio.
É acordar esperando uma mensagem que não vem,
é lembrar em detalhes de quem ficou marcado para sempre no coração.
O luto não tem prazo.
Não existe forma certa de sentir, nem tempo certo para “ficar bem”.
Tem dias em que a saudade aperta,
em outros, ela apenas senta ao seu lado e fica.
Chorar não é fraqueza.
Sentir falta não é falta de fé.
É amor que não encontrou despedida.
A pessoa que você perdeu não se foi do que viveu em você.
Ela permanece nos gestos, nas lembranças,
no jeito que você olha a vida depois dela.
O amor não morre — ele muda de lugar.
E mesmo que agora pareça impossível,
aos poucos o coração aprende a respirar outra vez.
Não porque esqueceu,
mas porque aprendeu a carregar a saudade com amor.
Seja gentil consigo.
Um dia de cada vez.
E quando o peso for grande demais,
lembre-se: você não está sozinho(a).
O amor que existiu ainda sustenta você.
Chorei lágrimas de extravio, de ausência, de amor imenso, já sumido. Teria eu, na adolescência, com tanto a acontecer e a descobrir, descurado aquele amor maior da minha avó?
Se um dia a minha ausência ecoar em você, volte à memória onde tudo começou a se perder.
Eu fui presença antes de ser falta.
Saudade
A ausência —
essa forma delicada do abismo —
habita-me.
Faz falta o que fui
quando me reconhecia em teu corpo.
Nunca imaginei sobreviver ao sem,
mas o sem revelou-se lâmina:
rasgou-me no limite do grito,
no atrito exato do desespero.
Por quê?
Que gesto foi esse
contra um coração ainda intacto,
tão ingênuo quanto fiel,
que já te sabia amor
antes mesmo do início?
A tua falta ecoa.
Ecoa como febre.
Desespero.
Paixão.
Delírio contido.
Imobilizo-me
para não ir atrás de ti,
para não desfazer o pouco
que ainda me sustenta.
O que era tudo
aprendeu a chamar-se nada.
E no centro desse vazio
tento reaprender o hábito de existir,
entre ruínas silenciosas
e consequências que fogem.
Estou morta —
não por ausência de vida,
mas por excesso de perda.
Morta estou.
E não posso
ter-te de volta.
R.Cunha
