Asas
"Sou uma mariposa em constante metamorfose. Minhas asas se expandem ou se contraem de acordo com o vento que me sopra. Se me tratam com carinho, voo alto. Se me ignoram, rastejo no chão."
É possível impedir o voo de um pássaro ao cortar-lhe as asas, mas é imprescindível manter o seu canto como razão da sua liberdade.
A liberdade dos pássaros nos ensina que, embora a floresta esteja em chamas, o bater de suas asas também ajuda a apagar o incêndio.
Os sonhos são asas
para quem deseja a liberdade e o alcance de tudo que parece impossível.
Mas que, nos sonhos, se tornam realidade.
Sonhar é mais que uma metáfora,
é imaginação criativa em movimento.
Sonhar é o bater de asas em um voo alto,
além das impossibilidades.
É uma realização que sacia a vontade de uma alma que se libertou
e voou para o mundo onde tudo é possível,
onde os sonhos são realidade.
Por Marcio Melo
Por amor à beleza
se prende um passarinho e cortam as pontas de suas asas.
Se arrancam as flores que crescem livremente
para decorar o ambiente —
e assim que murcham, são dispensáveis.
Por amor à beleza
aprisionam a alma livre
que agora sofre por não ter mais a liberdade.
Por amor à beleza
encobrem o natural com camadas artificiais.
Destroem em dias
o que a natureza levou décadas para gerar.
Por amor à beleza
a gente se destrói,
dando origem ao que não existe.
Ao que não é real.
Por arrogância.
Por necessidade de nos enganar.
E assim aplaudimos
a ilusão que construímos
a partir da beleza que destruímos.
Deformação
Marcio Melo
*REFÚGIO & PAZ*
Debaixo das Tuas asas eu vou descansar
Quando a noite vier eu não vou temer
Teu Nome é refúgio, abrigo e paz
E no Teu coração encontrarei lugar
Se o medo me cercar, Teu verdadeiro amor me trará paz
_Van Escher -
Carregamos o próprio abismo e as próprias asas, o tamanho de cada um depende de qual deles você escolhe dar de comer hoje.
A águia domina as alturas; mas quando desce às migalhas do chão, esquece que tem asas. Isso não é sobre águias.
Trago as asas apagadas em pleno voo.
Há dias em que o espírito
quer largar tudo,
e o corpo, teimoso, segue respirando.
É uma conversa muda
entre o querer ir
e o ter que ficar.
***
"Acordei durante a noite,
e observei várias palavras
que tinham asas,
e voavam a minha volta,
mas não faziam parte da minha escrita...mas era APENAS um sonho,
eu sempre guardo o dicionário em baixo do travesseiro..."
😔
***
"Direita, esquerda; apolíneo e dionisíaco; bem e mal; matéria e alma: as duas asas do mesmo abutre. Somente o Espírito pode voar livre sem asas!"
Pra hoje. Apenas não dê asas a quem não vai voar junto com você. Não entregue seus sentimentos a ninguém. Não se apaixone por si mesma se você não tiver certeza de seus próprios sentimentos. Não cultive esperança daquilo que já se passou. Lembre-se que matar o amor é o maior pecado do universo. Pelo qual ele retribui apenas própria solidão. Lide com os sentimentos de outras pessoas como se fosse os seus.
O dia findou-se e a noite solta das asas a treva como pluma desprendida de águia que em nós se eleva. Contemplo as luzes da aldeia entre a chuva e a bruma, e melancólico um sentimento se apossa da alma, que não resiste. Sentimento de tristeza e anseio, não de pesar, que só como a névoa, a chuva pode a dor se comparar. Vem ler-me algum poema simples, gemido do coração, que afaste os cuidados diurnos e acalme a inquieta aflição. Não dos velhos grandes mestres, dos bardos da glória, cujo passo ecoa eterno nos corredores da história. Com o poder das marchas bélicas, eles nos evocam a alma, a luta sem fim da vida, e esta noite almejo a calma. Lê canções de um poeta humilde, brotadas do peito, tanto como a chuva dentre as nuvens ou das pálpebras o pranto, de alguém que em noites insones e por laboriosos dias, ainda na alma ouve a música de mágicas melodias. Tais cantos podem dar calma à aflita preocupação, descendo como uma bênção que se sucede à oração. De teu livro favorito, lê o poema que ama, após cansando as rimas do poeta, a beleza da tua voz adormece. A noite vai se encher de música, dobrando quais nômades que fugirão. Silentemente. Ergueu-se o vento sobre o mar de espumas e dizem, abri caminho densas brumas! Saudando as naus, ele exclamou, dar velas, marujos, vede, fogem as estrelas. Seguindo o rumo à terra em correria, bradou, desperta, que aí vem o dia. A selva sussurrou, vossa folhagem. Tocando na asa, disse a passarada, desatai vossa madrugada. E no terreiro despertando o galo, não tardou o sol. Ao trigal murmurou, inclina a fronte que a manhã vem surgindo no horizonte. Arrojando-se, disse o nosso horário. E baixando por sobre a terra, seu dia há de chegar, em paz espere-o, que hoje impera a vida e a morte não é percebida. Caminhamos descalços na grama e colhemos margaridas. Nosso amor é suave como o vento e refresca o mundo com sua delicadeza. Em sonhos vejo sua face e é ali que mora minha paz.
