Às Vezes
Às vezes, a 'música' não é algo que se ouve, mas alguém que se sente. Existem pessoas que chegam com o tom exato para silenciar o barulho do nosso caos interno. Elas não precisam dizer muito; a presença delas é a harmonia que organiza nossos pensamentos tempestuosos e transforma o aperto no peito em calmaria.
A alma não se revela no barulho da produção, mas na quietude da observação. Às vezes, o ato mais revolucionário que você pode praticar é parar, para que o seu propósito possa finalmente alcançá-lo.
Somos responsáveis por nossas escolhas, na maioria das vezes culpamos os outros mas apenas estamos no lugar onde nós nos colocamos quando não tivemos a coragem de dizer "não", de colocar um ponto final em situações que nunca nos levariam a lugar algum, quando insistimos em alimentar a alma de ilusões.
Às vezes, estamos tão longe de nós que só conseguimos nos ver com binóculos - o que, ainda assim, tá ótimo. Pior, e muito pior, seria que nem com binóculos.
Às vezes a traição mais comum não vem de quem fala.
Vem de quem simplesmente decide sair do caminho.
Tenho saudade das minhas camadas
antigas,
das peles que abandonei sem entender o preço. As vezes me pergunto quantos "eus'
morreram silenciosamente
só para eu continuar respirando?
Às vezes, o céu parece pensar por nós. As nuvens avançam lentas, desmontando formas que mal nasceram, como ideias que o coração inventa para suportar o peso do julgamento. Em uma praia sem nome, vi um caranguejo caminhar de lado, e entendi que nem toda verdade segue em linha reta. Há destinos que chegam por desvios, marés e silêncios.
O tempo, nesse lugar invisível, não corria: respirava. Ele pousava sobre a pele como sal, entrava nas lembranças, abria portas antigas e deixava à mostra as cicatrizes que fingimos esquecer. Cada marca tinha sua própria luz, como se a dor, depois de amadurecida, aprendesse a iluminar.
Então percebi que viver é aceitar a estranheza das coisas. As nuvens não pedem permissão para mudar, o caranguejo não se desculpa pelo seu caminhar, e o julgamento mais duro quase sempre nasce dentro de nós. O tempo apenas revela o que já era semente: que as cicatrizes não são o fim da pele, mas a caligrafia secreta daquilo que conseguiu permanecer. E, quando a maré recua, sobra no chão uma espécie de oração muda, lembrando que até o vazio pode ser abrigo.
"Não me protegeu do preconceito, só mudou a forma como ele chega até mim. Às vezes, o desejo dos outros é mais invasivo do que o ódio." (Odilon Carlos)
"Tantas vezes já acordei me sentindo um livro aberto e alterado, onde as sinopses não mais se encaixavam. Hoje sei que a cada piscar de olhos, toque, cheiro eu escrevo mais uma página no meu livro da vida. Deus me concede a cada segundo a chance de mudar, o que escrevo ou quem coloco nela só vai depender de mim."
-Aline Lopes
"Caí várias vezes porque me deixei flutuar por outras pessoas, mas todas as vezes que levantei não olhei para trás, foi por MIM que fiz."
-Aline Lopes
"Às vezes acordava com uma sensação estranha de que, quem eu mais temia tomava conta de mim. Isso fazia eu me sentir mais leve."
-Aline Lopes
"Às vezes é preciso parar por um instante e admirar as coisas simples da vida... Nossa inconstância surge da maneira exagerada de buscar aquilo que não quer ser atingido."
-Aline Lopes
"Para uma vida sem oxigênio, a única terapia é a asfixia completa do que é falso. Às vezes, para se curar o espírito, é preciso deixar o "hospedeiro social" morrer sob o peso das próprias joias." (Odilon Carlos)
Quando se faz a coisa certa no fim tudo acaba dando certo. Às vezes quando parece ter dado errado foi livramento ou aprendizado.
