As Coisas Tangíveis
Quando a gente ainda é jovem
É preciso que muitas coisas
Sejam pulsantes, brilhantes,
gritantes e extravagantes
Pra que assim a gente as veja
E pouca coisa nos comove
Pois o jovem
Implora pra que haja chuva
Enquanto chove lá fora
E jamais percebe a perda
de cada dia que vai embora
Mas a vida corre
E por mais protegida que seja
e por menos que a gente veja
Fatalmente, um dia
A Inês é morta
E o tempo corrige
A maneira torta, tortuosa
e às vezes pretensiosa
de pensar que as coisas eram
E feras vem bater à porta
Porque fomos nós
Quem as chamamos
Quando a gente é jovem
Tudo precisa ser exuberante
Mas o tempo ensina a gente
A enxergar mais profundamente
e também a pensar com clareza
e com isso enxergar a beleza
Que a gente não via
Com nossos olhos e alma fria
Imaginando milagres e maravilhas
onde nada havia
e passa a descobrir
Os milagres e maravilhas
Que existem e sempre existiram
Mas agora a gente sabe
Onde eles estão.
Edson Ricardo Paiva
Existem coisas que só existem
devido à influência do Sol
Há coisas que prosperam
seguindo as leis da vida
Tem outras que são criadas
Conforme a evolução da natureza
E todas elas sobrevivem
e sobreviveriam
Sem a interferência
ou a influência do Homem
de Maneira, que às vezes a gente pensa
Que a nossa existência
é perfeitamente dispensável
Tudo depende
da maneira que aprendemos
A enxergar a vida
Assimilar e processar essas informações
E transformar o resultado
Naquilo que guia
As nossas ações no dia-a-dia
Pois
As Estrelas estarão sempre lá
As Flores e as abelhas também
Assim como os lindos amanheceres
Insetos seguindo seu caminho
Pássaros fazendo ninho
Tudo correndo certinho
Conforme as leis do Criador
Mas acontece
Que se não houvessem
A alma e a Mente Humana
Pra transformar muito disso
Em música, em pintura e tecnologia
Em Arte, em dança e em poesia
Em agricultura, em Arquitetura
Em Esporte
E até mesmo
Na consciência
de que existe um Deus
e que há vida após a morte
Tudo isso passaria
Milhões e milhões de anos
Como se fosse apenas um dia
Sem a existência Humana
A História do Mundo
Caberia em uma semana
Talvez seja por isso
Que Deus mantenha com o Homem
Esse Eterno Compromisso
Pois, por mais coisas que Deus faça
Ele sabe
Que sem a gente por aqui
A vida não teria
A mesma graça.
Edson Ricardo Paiva
Eu creio somente
Naquilo que existe
E não nas coisas que eu vejo
Simplesmente porque eu
As veja
O mal muitas vezes me corteja
E me alveja com olhos perversos
Isso acontece
Muitas vezes ao dia
E ele age lentamente
Procuro desviar-me
Faço charme
e o deixo descontente e triste
Prefiro a companhia dos anjos
E se anjos não há
Eu os invento
E creio neles
Solicito-lhes proteção
Então
Passo a sentir no coração
A divina presença
Que sempre acompanha
Aqueles que, de alguma forma
Fogem às normas estabelecidas
Por aqueles que enxergam a vida
Como um jogo
Cuja regra é
Simplesmente vencer
Ignorando
Que todos nós caminhamos
lentamente
Ao derradeiro e eterno sepulcro
E no fim dessa caminhada
A gente deixa o que plantou
E quem somente quis colher
Se esqueceu
Que não há de levar
Nada.
Edson Ricardo Paiva
Existem muitas coisas
Que marcam a passagem do tempo
Outras mais a podem simbolizar
Uma torneira que goteja
Um ponteiro lento e constante
O movimento do Sol
Mudando a sombra de lugar
a todo instante
E assim a vida passa
Sem que a gente a veja
A fogueira se apaga
e a fumaça se dissipa
Chega outra sexta-feira
Acontece o ano inteiro
E quando você olha pros lados,
distraído
Esse ano já tornou-se
Ano Passado
Os bons momentos que você recorda
São tempos idos
dias distantes
Cada dia que a gente recebe
sem perceber
Se dissipa
Qual fumaça da fogueira
A gente viveu cada momento
Minutos que passaram lentos
Numa vida galopante
Você foi seguindo
O tropel da cavalgada
Até que um dia se dá conta
Que o movimento lento e constante
dessa viagem
Teve sempre o mesmo sentido
E esse sentido é pra frente
Agora você tem
O tempo que não chegou
E o momento presente
Mas não existe no mundo
Estrada
Que possa te levar
novamente àqueles lugares
a vida sempre pode ser vivida
Mas não pode jamais
Ser revivida ou melhorada
Faça o seu melhor agora
Amanhã
Poderá não te restar
Mais nada
Edson Ricardo Paiva
Nada na vida
muda tanto a gente
quanto as coisas
que a gente sente
Enquanto o tempo passa
Lenta e velozmente
A gente aprende
Com as mentiras
Que o tempo conta
E o tempo
Conta mentiras sem monta
Meu Deus, como o tempo mente
Sem se importar
Com a tristeza que a gente sente
Dizem
que não se pode aferir
Pois a emoção
é algo abstrato,
Coisa que não se mede
Porém, Também mente
e mente estratosfericamente
Quem diz que os sentimentos
são inatingíveis quantitativamente
Nunca mais eu pude
me expressar tão bem
como no tempo de criança
Quando eu podia
ignorar as regras
"Mãe, eu gosto de você até no céu
e meu é maior que o mundo"
Todo mundo morria de rir
enquanto eu vivia chorando
mas me vinha
aquela ideia
de vez em quando:
Quando crescer, serei poeta
e quanto melhor
eu souber escrever
menos eu vou usar
a forma correta
criaram tanta regra pra gente
me impedindo de ser feliz, realmente
Três toneladas de felicidade
dez quilômetros de alegria
quinhentos graus de entusiasmo
Setenta libras de amizade
porém, veio a justa forma
E transformou
tudo em marasmo
desisti de ser poeta
Tentando usar a forma correta
Pra falar sobre o que sentia
E enquanto tempo
Eu perdia e perdia
os anos me consumiam
enquanto os dias eu contava
os sentimentos me transformavam
nada muda tanto a gente
Quanto aquilo
Que a gente
Não sente.
Edson Ricardo Paiva
As coisas
Que a gente sente
São coisas sentidas
Pela gente somente
Apesar de parecer
Que todo mundo sente
Mas ninguém jamais
Poderá saber ou sentir
do jeito que a gente sente
O coração
é um buraco sem fundo
Mas ali cabem somente
As coisas
que apenas a gente sente
Umas coisas passam depressa
Outras, arraigadas e enraizadas
Doem profundamente
Como podem ser profundos
Todos buracos sem fundo
Que existem no mundo
Tudo isso
Parece mentira
Mas na realidade
a gente sabe
Haver ali
Sempre um fundo de verdade
Edson Ricardo Paiva
Apenas
Coisas amenas
Pois, nem sempre tudo
Vale a pena de viver
Viver mesmo assim
Enquanto houver vida em mim
e ter alguma história bonita
Pra contar no fim
e se não houver pra quem contar
escrevê-la, mesmo assim
e sempre ter em mente
Que nem sempre a gente pode encontrar
quem as compreenda
Viver, somente viver
e jamais por preço em nada
e muito menos colocar
a alma à venda.
Edson Ricardo Paiva
Se a vida acabasse hoje
Eu juro que a deixaria
Um pouco triste
Pelas coisas
que não fiz ainda
Mas algo
Sempre há de ficar inacabado
E sem resumo
Se esta noite eu partisse
Diria que não fiz
Aquilo que eu tanto queria
Mas sereno
Por lembrar-me que disse
Se hoje
O Dedo de Deus
Apontasse pra mim
E dissesse
Que a hora do fim era agora
Eu iria embora um pouco triste
Porém, sem remorsos
Nenhum arrependimento
Sequer pelos muitos erros
Que eu cometi
Enquanto pensava acertar
E triste eu iria
Nos braços de uma isquemia
Uma hemorragia cerebral
Tanto faz, não faz mal
Na hora da partida
Qualquer despedida é igual
Creio ter feito
Menos o mal que o bem
Não deixaria ninguém
Que tenha sido
importante pra mim
Sem antes ter dito muitas vezes
Sobre a importância que tiveram
Nesta e em todas as outras vidas
Se minha vida acabasse hoje
Creio ter sido esta
A minha poética despedida.
Edson Ricardo Paiva
Ao longo
de todo o percurso
Há coisas
que se movem
Tão devagar
Quanto a ferrugem
Mas o curso de tudo
As cores da luz
O ar, o vapor
A percepção
de que um dia pode voltar
A doer
A dor que nem mais doía
Esteja ela onde estiver
No movimento calado
A paisagem desbota
O lento acinzentar das folhas
No voltar atrás
O pranto que brota
Na incerteza, as escolhas
A beleza, o declínio
Nem se nota
O fascínio que não mais exerce
A quase ausência de pressa
Nessa fase da existência
A tocha nas mãos do Sol
A graça do tanto faz
Fragmentos de rocha
Calçamentos de estrada
Um muro, o quintal
As roupas secando no escuro
O varal
Até mesmo o número três
Nem sempre se encontra
Tampouco se os acha
Depois do número dois
Pois esse não volta mais
Quando o nada é tanta coisa
Pelo menos uma vez há de se ver
Assombrações na madrugada
A graça da vida
Tempestuosa, no breu na noite
Procura
Tudo passa
No curso das águas
Move pedras profundas
Pra que essas um dia
Se confundam
Com aquelas que o Sol rachou
O tempo, que resfria o próprio Sol
O encontro da noite com o dia
Solidão da madrugada fria
Até que se quede o Céu.
Mas, tem coisas
Que não há de se ver jamais
Nem no fim
Por que é que será
Que tem coisas na vida
Que pra sempre serão assim?
Edson Ricardo Paiva.
"Tem coisas
Que não tem como dar certo
Algumas delas
Custam um certo tempo
Pra que, no tempo certo
A gente se convença
Que não tinha como dar certo"
Edson Ricardo Paiva
Teu Poema.
O que precisamos na vida da gente?
Talvez desejemos apenas
Aquelas coisas, que ... de tão bobas
Tão boas e tão pequenas
A gente nem as veja
Como gostar de estar onde estamos
Poder ser só quem se é
E mesmo que não se seja
Quem a gente queria ser
Ser para alguém, Inexplicavelmente
Aquele que ela quer que a gente seja...é só
Pois é só assim que sabemos
Que nunca estaremos sós
A alma sobrevoa, pra além da nascente
Do majestoso rio que voa
Precisamos, de verdade
Dessas coisas imprecisas
Que não se pode dizer
E que, às vezes, não se enxerga quando as tem
Mas que ficam pra eternidade
Pois é disso que se precisa
E é sobre isso que a vida versa
Sentir-se feliz
Numa boa tarde de chuva
Companhia, conversa
Palavras concisas, apesar de poucas
Molhar-se de alegria
Olhar-se de manhã
E também olhar-se igual no fim do dia
Olhar com cara de quem confia
Sem saber porquê confia
Apenas acreditar
Que essas coisas tão boas
Apesar de bobas e tão pequenas
Serão para sempre genuínas
Jamais haverão de nos deixar
E assim
Teu poema termina.
Edson Ricardo Paiva.
Tem coisas que fazem parte da vida da gente: Árvores, Luz do Sol, Pássaros, Nuvens, Tempo, Ar, Sonhos e Esperanças, Espelhos e Balanças.
Tem pessoas que passam pela vida da gente e são breves como as nuvens; tem as que criam raízes como árvores e são importantes como o ar, outras são belas, alegres e fugazes como os pássaros, outras são constantes como a luz do Sol, outras serão sempre presentes, apesar de invisíveis, como sonhos e esperanças. Finalmente algumas são perenes como o tempo.
O fato de sermos pessoas é que faz a diferença: somos iguais a essas coisas, mas ao mesmo tempo não somos coisas: somos pessoas...e o que tem valor na vida são as pessoas. As pessoas de quem gostamos e em cuja presença nos sentimos bem. Nos sentimos confiantes e em paz. Isso é algo que vem na alma: Tem pessoas que transmitem essa sensação por onde passam, tem o dom de cativar quando ficam e deixam saudade quando se vão.
Sejam suaves perante a vida, enquanto estão no caminho com ela. Há espelhos ao longo da estrada, mas eles nunca serão tão sinceros quanto a balança que existe lá no final.
Edson Ricardo Paiva.
"Há duas coisas na vida que não se pode evitar
A primeira é o pensamento
E a outra é quem te diga o que pensar"
Edson Ricardo Paiva.
O que quero pra mim amanhã
Não importa, pois eu quero agora
Já passei por coisas demais nesta vida
Pra viver de planos e ilusão
Pois se ontem alguém perguntasse
Onde é que eu estaria hoje
Não sei o que teria respondido
Pois eu ontem não era eu
A vida me ensinou
Que não somos donos dos nossos destinos
Aprendi a querer a vida pra hoje
E se a vida responder de outra forma
É a norma da vida
Eu vou seguir fazendo sempre o meu melhor
Viver à minha maneira
Indiferente a opiniões e perguntas
Devia ter feito isso a vida inteira
Amanhã pode ser outro dia
Amanhã pode não ser dia nenhum
Não sei nada sobre a poesia que não escrevi
Então só posso responder sobre o que fiz até agora
Não me envergonho de nada
E se houve erros
Esses não me pertencem
Eles apenas estavam lá
Surgiram de escolhas alheias
Eu os contornei da melhor maneira que pude
E essa vai continuar
Sendo a minha atitude hoje
Perante a vida
Quando a vida te convida a chorar
Aceite o convite e chore
Pode ser que melhore
E depois que melhorar
Ria
Talvez amanhã seja outro dia
Talvez não
De vez em quando as coisas não são assim, tão boas
Mas foram assim...tão frequentes
Que percebi o quanto era desgastante chorar à toa
Ainda há tempo, acorda!
E escreve teu dia-a-dia
Sem nunca esperar glória ou alegria
Se ontem alguém me perguntasse sobre a vida alheia
Eu, com certeza, não saberia uma linha
A vida ensinou-me a viver
E ao menos hoje
Eu já sei muito sobre a minha.
Edson Ricardo Paiva.
"Agora eu me despeço
E deixo ao longe toda despedida
Me despeço dessas coisas que tem preço
Dou adeus a toda sede que não eu não possa saciar
Esqueço a todo poço que cavei sem conta
Fui buscar na fonte dos desejos
A saciedade, o ar e a simplicidade
Sem pensar em talvez
Queria saber ensinar ao mundo
A arte de agir feito um louco
Louco de alegria, de felicidade e fé
Ter pouco, mas o pouco suficiente
A que pudesse dividir
Compartilhar cada risada, eu sei onde elas crescem
E se desse tempo
Plantar em todos os quintais, não dois
Mas três ou cinco pés de manga
E brinquedos, historinhas de medo, brincos de ouro
Ouro de mentira
Num tempo que a mentira for de mentirinha
Flores verdadeiras, mapas de tesouro e capas de revista
Brindar tua conquista, qual minha ela fosse
Como um doce que criança dividia
Prosaica como um velho amanhecer
Que nasce novo e de novo
Não negá-lo a si mesmo
Isso o faria fantástico e mesmo assim, possível
Que de mais nada se precisa, nem se espera
Não se devia esperar
Há um universo inteiro que se oculta por detrás da falsa paz
O inverso, a alma descalça à luz da lua, o pão circense
Só vence quem gritar primeiro
Alegria de hora de saida...e de hora de entrada
Onde tudo era de todos, ninguém tinha e nem queria
A mais valia era molhar na tempestade, correr encharcado
Do rio pro mar ou pra nuvem
Todos molham, todos correm, todos riem rios e chovem
É sobre lírios do campo e pássaros no céu
Era tudo sobre a mesma coisa e ainda é o que era
O tempo passa, não correu
Não precisa mapa a ver que o tesouro ainda está lá
Espalhado pelo caminho
Que seu nome não era esperança, essa não foi perdida
Ninguém sabia o seu nome e ela estava lá
Fomos nós que nos perdemos
Creio que na pressa de viver a vida
Ela foi sendo acumulada e se esqueceram dessa parte
Da louca arte de ser um lúcido
De tanta lucidez soar como loucura
Pois, desse jeito que fizeram, todo mundo enlouqueceu
A vida escondida nas dobras do tempo
Pra poder ser sorvida outra hora, em segredo
E disseram que o louco era eu."
Edson Ricardo Paiva.
"a quantidade de coisas que ignoramos será sempre infinitamente superior às que sabemos. Isso é fato e não há nada que se possa fazer pra mudar essa realidade."
(a menos que você passe num concurso público pra trabalhar numa repartição repleta de marxistas, pois daí você se torna o dono da verdade e sabedor de todas as coisas)
Edson Ricardo Paiva.
Depois que a chuva se for
Que sejam as coisas assim
Como aquele céu leve e pesado
De montanhas cinzas, flutuantes
E que nunca mais elas estejam
Do jeito que são agora
E que aquele peso que nos mantinha
A todos presos num momento eterno
Num morno inferno, como era antes
Uma esperança que não se encaixa
A visão de um barco que navega
A gente aqui, de longe olhando
Tanta amplidão de infinito
Da chuva que se vai, se foi
O Sol se esconde atrás da nuvem
Nuvem que se oculta
Atrás da linha do horizonte
O barco que também se foi
Restando apenas uma espécie de saudade
Igual aquela que o circo deixa
Bela, alegre, suave
Mas que, com o passar dos dias
Se faz em grave melancolia
E é por isso que as coisas são
Do jeito que são agora.
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando
Pode ser que aconteça
Com certeza algumas coisas
Elas hão de acontecer
Fique atento, pra afastar da cabeça
A ideia triste de que algumas coisas
Elas são pra você
Algumas delas haverão de ser
Mas somente as belas coisas
Aquelas que a gente espera uma vida
E, que no momento exato
Em que a vida convida a sorrir
Pode ser que você se encontre aborrecido
e pensando que tá tudo errado
O mundo te sorri, mas você nem vê
E quando vir alguém chorando
Fica ao seu lado em silêncio, ampara-lhe as lágrimas
Mas jamais diga a alguém pra que não chore
Pois o choro, às vezes, é um grande alívio
E algumas pessoas sentem tanta dificuldade pra chorar
Que pra elas seria simplesmente um desastre
Ter pensado que podiam chorar em sua presença
E é possível que as lágrimas de uma vida
Nunca mais elas voltem, uma vez engolidas
Quando pensar na tristeza
Não formule nenhum pensamento que te faça vê-la
Existem coisas que vão te acompanhar a vida inteira
Mas é preciso viver uma vida, antes de sabê-las
Há estrelas de primeira grandeza no céu
Mas algumas delas estão quase tão distantes
Quanto a margem do outro lado do rio
Se esse rio não possui uma ponte
É tudo uma questão de ponto de vista e proporção
Porque cabe tudo num pequeno pensamento
Um sonho breve, um momento
Não há mãos que alcancem uma ave no céu
Assim como não pode haver olhos
Que, por mais distante vejam
Alcance ou tenha chance em vêr
Tudo que mãos vão tocar
E mesmo assim
Não há mãos neste mundo
Que possam sondar ao que existe de mais profundo
Num lugar longe que existe
Que se chama, coração da gente
Que parece perto
Uma planta que cresce no jardim da casa ao lado
Cujo muro é muito alto
E morre e seca e vira lenha, sem se ver
É uma questão de ponto de vista
Porém, quando pensar assim
Fica com os olhos fechados
Se não for a hora de ampararem teu pranto
Fica no teu canto e chora
Chora tudo que houver pra chorar
Chora tudo, até o fim.
Edson Ricardo Paiva.
O preço de todas as coisas
Junta ao peso que elas tem
O endereço concorrido
O quesito bem avaliado
A altura da queda
A palavra bela
Esquecida, quando houvera de ser dita
Era bonita, pena que deixou de lado!
Como a espera impiedosa pelo trem
Trem do tempo que passou
Um pedido, o olhar perdido
O fim da estrada que desaparece
Nada, esquece, ele não vem
É flor que brota e cai pra virar fruto
É sombra na calçada
Escombros de passado
Nada, esquece, ninguém veio...o tempo vem
E você, parado ali no meio do caminho
Um doce amargo que ficou
Deixando o gosto, a dor que não se sente
Sentada no lugar vazio
Um vago de recordação
Hoje você diz palavra
Pra depois saber que ela voltou pra responder
O vento sopra o fim do mundo e volta
Mesmo assim não desanime, não desista
As flores vão caindo no caminho
Deixam pistas pra saber voltar
Voltar pra onde?
Há sombras na calçada
Cuja escuridão pelo deserto esconde
O luar desaparece
Resta sempre a estrada
O preço, a medida, o peso que elas tem
Fecha os olhos pra velar
Sonhar teu sono, merecido sonho
Esquece, ele não vem.
Edson Ricardo Paiva.
