As Coisas Nao Acontecem por Acaso
Podemos reclamar de como estamos sendo tratados, mas depois de uma breve e honesta reflexão, não surpreenderia descobrirmos que somos nós mesmos os maiores provocadores e culpados por isso, sendo a resposta do mundo apenas um reflexo de nós mesmos.
RELIGIÃO que não promova a saída do fiel do fundo do poço existencial ou que não amplie sua visão de mundo e de si mesmo, é inútil e não digna de ser nomeada como tal.
Não olhe no espelho e diga que é feio(a)...Olhe e diga eu sou uma/um Princesa/Príncipe!Sou maravilhosa (o)!
Deus nos fez com rosto e semelhança dele! Não diga que é Horrível você estará jugando a Deus também.
A presença material não é basilar para manter bons relacionamentos, a base destes é o amor que transcende tempo e espaço.
hoje ela é grande, uma adulta
não come mais doces, só frutas
os fios de ovos da padaria
estão em silêncio na memória
dela e minha, guardados
devem estar misturados
com outros fios, elétricos,
químicos, líquidos
mas não tem importância
que fiquem assim na lembrança
ainda não sei fazê-los
nem quero; chega lembrá-los.
Mesmo que algo em você esteja doendo, não esqueça, que o seu sorriso é uma parte da felicidade de alguém.
O silêncio entre nós era tão espesso que as palavras não eram ditas, mas compelidas através de sua densidade. Parei de tentar.
Como eu não sabia onde ele estava, a cidade parecia maior, e parecia entrar direto no meu quarto: ele estava em algum lugar, ainda que desconhecido para mim, estava presente na minha mente e era uma coisa grande e escura dentro de mim.
É domingo hoje
mas nós não saímos
é o único dia
que não repetimos
e que dura menos
Mas põe o teu rouge
que eu mudo a camisa
não como quem
de ilusão
precisa
Tomaremos chá
leremos um pouco
e iremos à varanda
absortos
Também eu trago a saudade
nos sentidos
se dissesse que não
era mentira
Também eu perdi um cão
casas
rios
Mas hoje
tenho mulher
amigos
e uma saudade mais real
é que me inspira
Não durmo ainda
Só na cama
o tempo
ainda é meu
como a palavra
Discretamente
me agito
no colchão
Não penso em Deus
na morte
Imprimo
Aqueço-me
Escuto
conservo a posição
Depois das 7
as montras são mais íntimas
A vergonha de não comprar
não existe
e a tristeza de não ter
é só nossa
E a luz torna mais belo
e mais útil
cada objecto
Que mais podemos fazer?
Este amor é um país cansado
que não nos deixa mudar.
O medo cerca as fronteiras
e a capital é Nenhures,
cidade de perdulários
e pequenas ruas tortas
onde vem morrer a noite –
aqui estamos ambos sós,
desunidos, extraviados,
não há táxis na praceta
nem cinzeiros nos cafés
e perdemos os amigos
entre as curvas de um enredo
que deixámos de seguir.
Mas não era nada disto
o que tinha na cabeça
ao começar a escrever:
os versos chamam o escuro,
abrem os portões ao frio
e eu quero estar nas colinas
do outro lado do rio.
Vejo-te um pouco como se já não houvesse
uma casa para nós. As grandes perguntas estão aí
por todo o lado, onde quer que se respire, dentro
dos próprios frutos. É o começo da noite
e os cinzeiros já estão cheios de meias palavras:
porque escolhemos tão pouco
aquilo que nos pertence?
Vejo-te de olhos fechados enquanto me confiavas
a tua história – à mesa da cozinha, quase um espelho,
quase uma razão. As minhas canções preferidas
pareciam convergir para ti a certa altura, dir-se-ia
que te vestias com elas. E no entanto
como se apressaram as grandes florestas a invadir
as gavetas, como misturaram as raízes
no eco que fazia o teu desejo contra mim.
Às vezes você se encaixa tão bem quando não é quem você é, que te faz querer saber quem realmente é você.
