Aprendi com Relacionamento
Responsabilidade afetiva é você pensar que o afeto dado a alguém (seja através de amor, raiva, carinho) pode significar pra esse alguém outra coisa ou muito mais do que você está oferecendo.
O segredo é ser responsável pelo afeto que tu causa, ou seja: deixe tudo claro. Sem jogos.
Realidade
Alguém disse que me quer
E que deseja que eu seja sua mulher.
Disse que só serve o gosto do meu beijo
E que cheiro só pode ser o da minha pele
E que a única coisa que precisa enxergar
É o brilho do meu olhar
Eu disse que preciso pensar
Pois meu beijo às vezes é amargo
Meu cheiro no final do dia
Nem sempre é o mais agradável
E que meus olhos quando fico cansada
Não brilham, ficam opacos
E que tenho olheiras nos dias de insônia
Quando terminei de falar ele me olhou bem,
Segurou minhas mãos e disse:
"minha querida, eu estava brincando, mas prometo que vou pensar."
E sabendo da realidade ele se foi, e nunca mais voltou.
Entrega
Leve-me à lugares onde não estive
Ofereça-me prazeres que ainda não senti
Prove do amor que tenho
Que ninguém experimentou
E permita-se dar-me o gozo
Daquele seu eu que jamais se entregou
AMOR MEU, QUIMERA
Quando meus olhos encontraram os teus, amor meu, pela primeira vez
Imaginei flutuar num mar cálido, acima das bestas esfomeadas
Que tentavam alcançar meus pés nus com dentes arreganhados
Que surpresa tive eu, amor meu, ao tornar-me uma besta parecida àquelas
Entregando-me à tortura e deleite de tua conquista
Expectativas e apetites invadiram meu âmago
E o reflexo mostrava que era tão ambiciosa quanto as vis criaturas
Tua voz despertava em mim anseios que não me atrevi a resistir
Ávida por ti, capturava cada um de teus suspiros hesitantes
Não me contentei! E a dor de tocar o fogo sombrio da tua alma
Queimou a nós dois, amor meu
Amor meu, o que faria sem ti? Eu me perguntava
Nunca permiti que tal resposta surgisse para assombrar nosso júbilo
Mas a verdade, eu sabia, nos espreitava com o olhar devorador
E logo o inevitável, voraz, destruiu o tranquilo castelo utópico que construí
Quando te perdi, amor meu, que agonia senti!
Afoguei-me em saudade, perdi-me nas lembranças de tuas palavras
Belas, simples e fascinantes. Como poderia não te cobiçar?
Tornei-me folha ao vento e grito interminável que dava por ti me rasgava
Pouca lucidez me restara. Amor meu, por que tinhas de partir?
Tua ausência jamais abandonou minha carne flagelada
De nós dois apenas cinzas sobraram. Estavam em minhas mãos, em minha boca
E então tive que admitir o que mais abominava…
Tu também eras besta, amor meu, por me fazer sofrer tanto por ti.
Todos os modelos de relação estão sendo prejudicados neste momento, mas o que não pode estar perto, não pode tocar, beijar, abraçar e se sentir amparada, é desolador!!
*Sobre o distanciamento social durante a pandemia de Covid-19, em 2020.
Homens, sempre nos destruindo...
Quando não tiram nossas vidas, tiram nossa paz, nosso brilho, nossa felicidade...
Não há nada mais trabalhoso no mundo, que um filho pequeno.
Minto, tem marido, que dá trabalho igual.
E marido já é grande, o que torna tudo muito pior!
Eu não consigo mais me ver num casamento!
Embora as questões do casamento sejam simples pra mim, o conviver me amedronta.
As obrigações que parecem ser apenas"femininas", me desesperam.
Tenho medo, pavor!!
Chega uma hora que a gente cansa de jogar pérolas aos porcos.
O sentimento se esgota, as oportunidades passam e tudo que fica é a rotina chata e vazia de lembranças boas, gestos cordiais e tremendamente escassa de romantismo.
Achei que faria falta, mas essa falta só faz quando estamos apaixonados, quando o sentimento acaba tanto faz como os dias passam.
No mais se olharmos friamente para trás, poucas foram as vezes que sentimentos foram verbalizados, escritos, guardados. É aquilo "você sabe o que eu sinto, não sou bom com palavras, pelo menos não com as que são para edificar, só sou bom em diminuir, agredir, machucar."
É, não foi um perda tão grande assim, a paixão é que nos faz ver, em pessoas, coisas que nunca existiram, sentimento inebriante e mordaz.
Sarça
Chegou a noite,
Como dormirei eu, se até a minha Alegria entristeceu-se?
Chegou a meia-noite e foi-se os amigos; quem ficará e consolar-me-á?
Miserável sou eu.
Como ramo espinhoso espanto os pássaros que trazem alegria, e fugindo, escondem de mim sua voz.
Longe de mim brincam as criancinhas,
E de mim fizeram a coroa do sofrimento.
Até em ti Alegria, causei dor.
Meus espinhos perfuraram tua pele, e rasgaram teu coração.
Minhas raízes fizeram-te tropeçar,
E meu tronco foi para ti como pedra à cabeça.
Agora desfalece tu aos meus pés.
Sangrei-te com meus abraços,
Fiz-te sofrer com minhas carícias.
Como lírio delicado és tu, oh Alegria.
Qual louco fez permitir-te florir em meio à sarça?
Eu beijei o vento, mas ele me derrubou. Beijei a água, mas ela me molhou. Como pode, ser tão linda, aquela menina que me chamou de amor!
