Apagar a minha Estrela
Troco agora a moldura,
não para apagar o que vivi,
mas para abrir espaço
ao que a vida insiste em florescer.
Cléber Novais.
Na ausência, teu nome é chama, que arde sem se apagar. Cada silêncio é um grito contido, cada noite, um mar sem fim.
Tentei vestir a razão, mas ela se desfaz em tuas lembranças. A maturidade é frágil diante do coração, que insiste em te chamar, mesmo no vazio.
A saudade é amante ciumenta, não aceita despedidas, não conhece limites. Ela invade como tempestade, me arrasta para o centro do teu olhar.
E eu, perdido em tua ausência, te encontro em cada sombra, em cada perfume esquecido, em cada palavra que não disse.
Se o tempo é cruel, o amor é eterno. E mesmo longe, teu abraço é o destino que nunca se desfaz.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Colheita
Ninguém apaga a história de quem nasceu pra brilhar.
Quem é que pode apagar? Quem pode passar uma borracha no passado do bem que a gente plantou?
Também não dá pra apagar o mal das vezes que se falhou.
Mas eu sei bem o que plantei até aqui. Sei bem também o que vou colher.
Na verdade, eu já colho todo dia:
colho amor, colho alegria, colho até poesias,
essas que escrevo pra você ler.
Se você ainda não sabe, é melhor aprender:
tudo aquilo que se planta, tudo aquilo que se joga na terra do destino,
uma hora é inevitável, você vai ter que colher.
Nildinha Freitas
Recomeçar não é apagar...
É bordar novos fios sobre o tecido antigo, transformar ausência em espaço fértil,
e presença em raiz que
floresce no agora.
O 1° dia da Gente.. Você apagaria?
Às vezes o que a gente queria não é apagar o começo, mas apagar a expectativa que a gente criou nele. O primeiro dia é semente; o que a gente pode mudar é como cuida do que nasceu depois.
No meu peito carrego âmbar,
luz que teima em não se apagar,
tesouro secreto, quente e raro,
guardado só pra você tocar.
E no mês que é teu, eu trago
uma surpresa, sussurro do vento,
que dança entre o agora e o segredo,
prometendo mais que um momento.
Quem sente demais vive num fogo bonito, mas difícil de segurar. O segredo não é apagar, é aprender a respirar dentro do incêndio.
Um amor não se esquece de verdade,
mas se solta aos poucos.
Não é apagar, é deixar de sangrar.
Cada lembrança vai doer menos, até virar só uma parte da sua HISTÓRIA... Uma que te fez sentir tudo, e agora te ensina a se Erguer de novo.
Apagar o número não apaga o sentimento. Mas corta o acesso automático ao impulso. É a diferença entre sentir dor e se ferir de novo por reflexo.
Hoje, isso é maturidade emocional em modo sobrevivência.
Você não está desistindo de alguém.
Está parando de sangrar pela mesma ferida.
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
“A areia da praia guarda pegadas que o mar ainda hesita em apagar — memórias de passos que o tempo não ousa levar.”
❝ ...Nem tudo se perde com o tempo.
Algumas lembranças são eternas,
nem o tempo pode apagar.
Nem tudo você pode ter para
sempre, mas a lembrança essa
ninguém pode tirar de você.
Pois são eternas...❞
Existe alguma droga que consiga me viciar,
para, aos poucos, sem pressa, me apagar?
Enquanto a vida, em dor, não cansa de me atravessar…
E é justamente nessas marcas
que o amor aprende a ficar.
Não para apagar o passado,
mas para caminhar com
ele sem medo.
Porque amar também é segurar
a mão do outro onde ainda dói.
Há nomes que homens tentaram apagar,
mas Deus os guarda como quem guarda promessa.
E aquilo que foi usado para te envergonhar
será o cenário da tua restauração. miriamleal
