Andarilho
Haja vista o jovem, néscio.
Contempla a vida, sedento idílio.
Sonha ser lesto andarilho,
orvalhado regato régio.
Haja vista o velho, comedido.
Esboroado mestre do imaturo.
Marcado pelo tempo, é astuto.
Velho sem voz, de olhar vivido.
Jovem e velho tomam a senda
à passos combinados e firmes
de espíritos milenares.
Mesclados, que se entenda
vivem em mim livres
à renovar meus ares.
SONETO AO ANDARILHO
Senhor dos becos e ruas
Das estradas por aí a fora
Sem teto para dormir
Às vezes um pedaço de pão.
Caminhando sem preocupação
De passo em passo sem direção
Alguns caminham sozinho
Outros na companhia de um cão.
Difícil alguém lhe estender a mão
Muitas vezes de bandido é taxado
Um ser perdido e desesperado.
Andarilho sem projeção
Sem carinho e paz no coração
Para ele apenas desilusão.
Andarilho.
"Jardineiro, plantei flores coloridas no Jardim, do eu e você." Spotify. Maldito spotify.
Agora, à beira do sono, ouço essa música e lembro que tu escolheu ela pra ser da gente - E eu aceitei. Mas, neste instante penso: será que colhi as mesmas flores que eu plantei? É difícil, inapropriado e antiético mensurar a dor do outro, mas será que não mereço uma segunda chance? O que eu fiz, amor, foi grave; eu sei. Mas será que não mereço? Eu sei que eu deveria ter seguido os teus conselhos, ter me controlado, talvez seria tão mais fácil acabar com tudo isso, mas eu não fiz. Não consegui!
Tá sendo tão difícil, eu não esperava, mas eu sei o motivo: eu errei. Essa foi a primeira vez, sempre era eu que estava no teu lugar, e hoje, não sou mais. Hoje eu sou o Judas, o que traiu. Eu não queria ter semeado tantas flores. Eu não queria ter cuidado tanto desse solo, eu não queria. Eu não queria ter dedicado um tempo nisso, ter suado como um bom agricultor faz, pra deixar tudo morrer por não atentar à uma praga. Um pequena praga que parecia inofensiva e destruiu todo o meu jardim, permitindo que caísse na lama todas as minhas flores, contaminando-o meu solo, deixando-o infértil, fétido e sem vida - o perfeito retrato da degradação.
Mas, ainda sim, ergo minhas mãos sujas rumo aos céus, fecho os meus olhos tristes e lacrimejados, busco um resquício mínimo de fé em meu interior, e peço um dia de chuva. Sei que apenas um dia chuvoso seria capaz de germinar as poucas sementes que ficará enterradas ao solo, que essas poucas sementes produziriam as mais belas flores, portadoras dos melhores perfumes e que acompanhadas de um xícara de café, me fariam ter as melhores lembranças, enquanto eu estaria sonhando com meu mundo favorito, onde o sol tocava a minha pele, nas manhãs de tons azuis.
Pequeno Andarilho
Eu, pequeno andarilho,
ando com o vento
que ventila a vida infinda,
que grita ao meu andar sem matéria.
As pedras se esgueiram aos passos do pequeno andarilho.
Pequeno andarilho solitário,
abriga-se em outra alma.
Olhe para ela e se encha de alegria,
olhe seu sorriso, seus olhos,
olhe seus detalhes minúsculos,
olhe a sua distração.
Ergam juntos sua casa.
Olhe seu desprezo
e veja as fundações se apodrecendo.
Veja-a ir,
corra atrás e seja chutado ao infinito.
Pequeno andarilho pensador,
pense na vida e sinta a repulsão.
Chore, mas vá ao fundo da caixa,
onde os olhos do julgamento não o alcançam,
onde a matéria não permeia.
Pequeno andarilho reprimido,
veja a matéria angustiada perto de ti.
As almas correm de ti,
sinta-se culpado, olhe para o lugar
e escute a alma que leva o tempo a chorar a experiência.
Pequeno andarilho ouvinte,
ande sozinho agora,
pegue seu barco e ande pela vida.
Quando a tempestade chegar,
o vento soprar,
seu coração chorar,
agarre-se às suas próprias asas e aguente seu próprio ser.
Anjo de Asas Molhadas
Sinto sua falta me possuir,
Quando me ultrapasso andarilho,
Antes vagava sozinho, em árdua pena,
Braços e mãos dadas ao meu martírio.
Hoje espanto-me com a força do seu desejo,
Que em meus sonhos aflitos não me deixa fugir.
Enquanto meus anjos, pelos meus braços e cabelos,
Conspiram em teu nome, prendendo-me em ti.
(Besouro Revirado)
pergunte ao andarilho que nada teme, pergunte ao marujo que enfrentou tempestades, pergunte ao sábio sobre seus conhecimentos ou até mesmo pergunte a si. Por que? porque você é assim? não é algo ruim ou algo que você deva ter medo, apenas um apreço por coisas simples e boas na vida, é como se a luz do mundo fosse infinitas estrelas radiantes em um céu completamente negro e sem vida, você olha pra direções e mais direções tentando encontrar algo que lhe agrade a visão mas em vão, todos dirão que você é louco ou quiçá uma mera pessoa incompreendida com visões de um passado tortuoso e sem esperanças mas veja só, você deu a volta por cima de tudo isso e cá estamos sentados em uma velha cadeira com uma mesa de madeira maciça da qual você tomou aquele vinho com você mesmo.
Foram tempos dos quais eu e você sequer queremos lembrar mas o que tinha que ser feito, foi feito e por nossas mãos, ande repreendido e um dia você é quem os vai repreender, sei que muito do que falo não faz sentido algum, não tem coerência ou sequer uma linha a se seguir mas aí que mora a graça nisso tudo, pelo normal ser sem graça e com poucas alternativas em sua essência, seja incompreensível pois quem dirá o que é ou não compreensível é vosso leitor, buscando referências de algo da qual eles querem muito entender. Não se sinta frustrado ou triste com tais palavras no fundo sabemos que uma árvore frutífera sempre dará seus frutos aos mais famintos de conhecimentos e livres de seus árduos trabalhos porém fartos da mesma e velha cidade com seu poder de nunca mudar e estacionar no tempo.
Eu, andarilho do espaço percorro o infinito ...
Eu, tempo, trilho o início e o fim do espaço...
Eu sou o infinito que tudo tem mas nada possui...
PERDÃO SENHOR! MAS PRECISO SER OUTROS
Sou Beato! Andarilho, olhos sérios e muito Alto, acabado de chegar em Juazeiro, ando muito, pés rachados, um Conselheiro, em um Sertão esquecido na Bahia, sou apenas, a Fé de um homem, sem família, que faz rezas, procissões e ladainhas
///
Sou Padre! Homem sério, que na vida não tem cobre, ando muito, preocupado, com os pobres, que percebe, a Indiferença, de um nobre, e adverte, coronéis e cangaceiros, que pela igreja, se entregou, já por inteiro
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Sou Médium! Uma criança perturbada na Infância, sou um espírito de muitas tolerâncias, a encarnação de um bem que padeceu, sou muitos! E ainda assim, sou só Eu, na geração do que não me conheceram
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Sou o Pai de Santo! Mau falado, perseguido e sem "encanto" por muitas vezes humilhado pelo branco, confundido e acusado de Satanás, pobre deles, pois sou Jejes, sou Nagôs e Iorubás
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Sou Xamã! De Omama, Deus Tupã, teu ancestral, por muitas luas, sou Espírito imortal, a união que desfaz a desavença, sou a força, o rio que corre, sou a crença, sou guerreiro que combate a doença, a prevenção da enchente, e da queimada, da casa dos espíritos, Sou morada
///
Sou Pastor! De Lutero, na palavra tive graça, tive unção, e das nações, ouvi chamados, de incontáveis corações desesperados, do amor ao meu Cristo, o cordeiro assassinado, pelo sangue hoje sou justificado
///
Pelo espírito busco ser santificado, Esperando por um noivo que se apressa, Que dos homens alcançará vontade Grata, que aos ventos anunciam o Maranata.
///
Sou Mulçumano! Por Maomé, a missão foi recebida, pro oriente, a oração, nos foi mantida, pela esmola, a pobreza, combatida, na Hégira a jornada concluída, e na morte, a certeza, renascida
///
Sou Indu! Nessa vida, então sofrida, carrego o Karma, mas para mim, todo ato, a qui me vale, em muitas luzes, não me perco no Divali, pelo Ahimsa, não maculo minha alma e nos mantras, me encerro, me refaço, e tenho calma.
Nem todo caminho é o certo.
Nem todo andarilho é sem teto.
Nem todo tombo te lesiona,
alguns até te impulsionam.
Cair não é ficar caído,
se você se levantar, mesmo que ferido.
A cicatriz será um novo começo,
só a lembrança de um tropeço.
Marcas de uma batalha vencida,
de uma vida vivida,
de uma história para contar, ou saber onde pisar.
Pois há tolice no achar que nunca mais irá errar,
e sabedoria no entender que o errar te fez aprender.
Se o cair acontecer, levantar é pra vencer.
“Andarilho não é somente aquele que sai vagando sem destino e objetivos, muitos buscam seus sonhos pelo mundo onde quer que ele esteja”.
“Viajo como andarilho não para conhecer o mundo, mas para passar por ele e sonhar com as conquistas de cada cantinho percorrido dando significado à vida desse turista”.
Num reino onde o crepúsculo sussurra suavemente,
Lá mora uma alma, um andarilho no alto da montanha. Ele aventurou-se em terras da boêmia, onde as melodias dançavam, em euforia rítmica.
Foi pra boemia, com o coração em chamas, trovador de paixões, perdido num labirinto, pelas ruas de paralelepípedos.
Vagou com graça, procurando consolo no abraço da música.
Sob o céu enluarado encontrou seu palco,
Os salões sagrados de uma taverna, sua página sagrada, o toque do violão, uma serenata suave… Enquanto ele cantava seus versos, sua alma se manifestava.
Sua voz, um coro de apelo melancólico ecoando pela noite, em harmonia
Com cada nota, seu espírito ascendia, para os reinos desconhecidos, onde os sonhos transcendem. Ele foi pra boemia.
Amigo de poeta, onde o amor e a saudade se entrelaçam e se misturam,
Ele pintou quadros com palavras tão profundas, seus versos sussurravam com um som sincero. Ah, como as paredes da taverna ganhariam vida.
Com histórias de desejo e superação, ele cantou sobre o amor perdido e o amor ainda encontrado. De corações partidos e almas libertas. Através da névoa de fumaça e do tilintar de vidros.
Seus versos perfuravam, como o aperto de um amante. Ele revelou sua alma, com cada letra cantada, no abraço da boêmia, seu coração se apertou.
Foi pra boemia, um bom trovador.
Enquanto o andarilho devora sua pipoca, observa que a sociedade é um grande circo onde os artistas são os políticos e as plateias são os cidadãos.
Lembro-me de memórias
Tornando-me andarilho
Vagando pelo mundo, e olhando o universo
Buscando apenas novos caminhos
Para nos fazer vasculhar o desconhecido.
Fico com medo de entrar,
Sofro com a possível loucura,
Rotulando-me de alienado.
Somente para justificar a minha pseudo-sanidade
Observo essa passagem,
analiso, desisto e resisto a tentação
Não será hoje que voltarei a ser andarilho.
GARIMPEIRO
Cata pedras preciosas,
Andarilho dos valores,
Apreciador dos amores,
Da historia singular.
Nunca perde sua rota,
Sempre busca e encontrará,
Não desiste do que almeja,
Seja aqui ou em qualquer lugar.
Viajante do desconhecido,
Mundo dos diamantes,
Em forma dos minérios da terra,
Em forma do mistério humano.
Esconde a mais bela de todas,
A mais bela de todas as pedras,
Num sentido figurado,
Corre para o abraço.
E no calor do afago,
Se perde nas intenções,
Se quer lapidar a pedra,
Ou se entrega a ostentação.
"Danlírio"
Andavas sem direção como que um andarilho. Lançando sorte ao tempo, sem perceber, seus olhos fitos no horizonte o chão não tocava mais seus pés.
Uma luz a envolvia como se o sol a olhasse
incessantemente temendo perdê-la na amálgama "tarnoitecer".
Cantos orquestrado por rouxinóis os embalavam dançantemente entre o céu e a terra.
Atônito, o tempo pára para presenciar o bailar de duas entidades num inebriante flutuar.
O primeiro era aquele que nunca parava de ir e vir, e, que refrescava o tempo em momentos de intenso calor.
A outra era como de um corpo de mulher que tomada por um êxtase cedia a cada movimento, cada toque de alguém que sabe embalar os berços, o Vento. 02/11/07
O andarilho
............".entoado pelo vento ,ele demarcava o seu caminho através das árvores ao longo da sua jornada.Esquecera o seu nome ,com a ajuda do tempo perdera a razão-racional, a que os balzaquianos modernos insistem . Não se prendia a conceitos,aliás,a sua mente era deveras viajante no tempo futuro,e os seus passos largos e ligeiros não lhe ofereciam tempo suficiente para pequenas cois...as do pensamento lógico ,comum aos filósofos.
Alguns imaginavam o motivo da sua escolha, por abandonar o "mundo perfeito" e viver a mercê da própria sorte,ensaiando uma vida incerta,cheia de segredos e de medos.Mas ele não pensava assim,teve a oportunidade de fazer as próprias escolhas. Ele escolhera viver o perigo incerto,ao invés do previsível.
Cansado de viver a mesmice contemporânea,as dúvidas da idade,anseios por coisas que chegariam ao fim um dia,as desilusões dos planos não concretizados.
Ele tirou as sandálias e seguiu o caminho do infinito,resolvera atravessar o mar a nado,como forma de não correr o risco de retornar pelo caminho antes percorrido.
Assim,o andarilho,pode escrever a própria história,contando apenas com a sua fé para direcioná-lo rumo ao desconhecido,ao inevitável fim,o qual ele apenas tentou minimizar a forma de ver.Então ele buscou a sí mesmo durante toda a sua vida e quando esta chegou ao fim,ele suspirou e sorriu ,e disse:muito prazer!!"
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