Andarilho
Eu quero é viajar sem rumo pra voltar…
Sou andarilho de corações vizinhos…
Vivendo em meio á vida fosca..
Esse caos dessa vida louca..
Cotidiano me matando…
Rotina me estressando…
Pessoas me enjoando…
Meu tempo esgotando…
Esse mundo acabando…
Eu só aprendendo…
E vendo… Que…
Talvez pouco vivendo…
Ou muito vivendo?
Pouco me importando…
Muito pensando…
E vendo… Que…
Só sei que nada sei,
Mas sei.
Ô vidinha.
Enquanto tu dormias, um andarilho
Entrou no teu quarto, bem devagarinho,
Roubou uma pequena porção do teu brilho,
Depois fugiu com cuidado, bem de mansinho.
Tu nem sentirás falta da parte roubada,
Tal o tamanho da luz que Deus te deu.
Mas esta parte iluminará do ladrão a estrada,
Que escureceu desde que ele te perdeu.
Caminho sempre sem criar expectativas,
como um andarilho que nunca para de andar...
Sigo o rumo das estrelas,
deixo que elas me levem para qualquer lugar,
mas já não me perco mais na hora de voltar,
não tenho mais a pressa de antes,
que tantas vezes me fez tropeçar...
Mas eu não quero nunca deixar de pecar,
ficaria sem graça alguma viver sem errar.
Sou estrangeiro, um andarilho e meu destino é caminhar sozinho. Sempre caminhei a passos largos, sem objetivos ou planos correndo na contra mão.
Sou Oásis… Um aguadeiro andarilho. Viajante de muitas terras e eras. Já vesti muitas peles e já tive vários nomes, mas nenhum deles representa a minha exata profundidade. Fui e ainda sou: Mar, Oceano, Fonte, Represa, Aquarius… É tanta água contida que banha e purifica minha essência que rompi as barreiras do tempo. Tornei-me um fluxo único e contínuo de todas as minhas versões, uma paradoxal existência. Atravesso o caos em uma dança suave criando novas fronteiras por meios das brechas da história. Não mergulhe em meu ser se não souber nadar e muito menos se não tiver fôlego suficiente. O que reflete na minha superfície é só uma nova veste, um outro nome para essa nova era…
Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra – e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe.
Andar sem rumo
Passos vazios
O supra sumo
De dias sombrios
Hoje, um andarilho revoltado
Ontem, achava-me digno da felicidade
Seu sorriso foi destroçado
Não esperava receber tanta maldade
Um mero andarilho quebrado
Sujo e contaminado por um vampiro
Sugou minha vida com um ato selado
Entregando o corpo para o maldito
SOLITÁRIO
Eu queria muito falar nada
No silêncio de um andarilho
Sorver cada passo da estrada
Sem justificar o meu caminho
Muitos rastros na encruzilhada
Sem nenhum temor de estar sozinho!
Nômade
A vida passa e o incompreendido chora
Pelas ruas o andarilho some
Intensamente busca o que perdeu
Sem saber que achou.
Nada entenderá sem ser compreendido
Compreendendo se perderá
Nas buscas e buscas exteriores
Como nômade pairando nos cantos do mundo.
O incompreendido chora
À inexistência do palpável
Pela terra escorrem entre os dedos
Os sonhos perdidos pela lembrança...
A Cidade do Poeta
"Sob o sol do Sul, um ipê se aproximava
do andarilho com seus cães. Mas, metralhadoras
na favela...
Ainda assim,
o artista libertou os domesticados:
bem se escondeu; mal correu — desacorrentado.
Pródigo, o ipê ofertava ao poeta
seu raro amarelo nítido: ensinava
que o belo é meio, não um fim, ao infinito.
Mas, metralhadoras numa vilela...
De longe, saltitantes, bem e mal
retornaram às coleiras imaginárias
do consagrador de palavras,
mas o amarelo inovador com gravidade
foi ferido
no cantarejar das metralhadoras
na viela:
um pequeno lusíada mestiço,
num beco brincando com a vida,
morreu — sem saída."
Aquele sábio andarilho de nenhuma posse material é um milionário
Pois a moeda mais valiosa é o conhecimento.
Viva a Sociedade Alternativa!
Sonhei que estava caminhando
Era um andarilho
Com a mochila nas costas
Eu subia uma estrada
Era de noite
Vi a cidade iluminada
Pensei estar chegando
Em Ijuí
Mas era
Porto Alegre
Rumo ao sul
Meus passos me guiavam
Eu era um andarilho
Com uma mochila
E muita história
Pra encontrar
Um homem sem objetivo é um eterno andarilho, por mais que caminhe para frente, jamais chegará em destino algum.
E agora!!!
As vezes as proezas
Nem sempre são coesas
Andante, Andarilho
Mundos diferentes
Gestos confusos
Distrai minha mente agora
Onde vou o que eu quero
Simples vivo
Busca insensante
Caminhos variáveis
Bifurcações impostas
Posta a frente
Escolha chega
Não defino
Findo os pensamentos
Não chega conclusão
Hora! E agora!
Donde vou
Vejo-me entre
Ventre construo formas
Para renascer
Um novo jeito
Estiriopo sou
Retalhos de mim
Trapos jamais
Você não vê...
As vezes sou sombra
As vezes luz
Sei quem sou
Andarilho do tempo
Perambulando em confins
Por fim com Serafins
Querubins vagalumam
Deslumbrando os saaras
Encontro dos anjos
Sobe, desce, não esmurece
Sou antídoto
Sou apocalíptico
Sou a in'tolerância
Esmagada por muitos
Curvo, enduro, pulo
Salto os abismos
Bera em eira
Eis que estou aqui, acolá
Sou mutante, sou o eremita
Virando luz, deixando meu cajado
Olhar distante que você não vê.
"Morto como um andarilho deveria ser", o ceifador me alertou,,,
Mas, eu não consigo acreditar nele
Sempre o único otimista na terra dos pessimistas,
Estou errado de que sua missão,
O transforma em meu perfeito inimigo na terra dos incrédulos.
O Andarilho
Enquanto um carro passa apressado
e lhe banha o corpo com uma rajada de vento,
ele atravessa uma ponte sobre um pequeno riacho
e para por um instante,
olhando a paisagem.
Ele segue seu caminho!
Passa por pequenas propriedades rurais
e avista um trator arando a terra no alto de uma serra:
_ Do que será aquela plantação?
Ele caminha...
Outro carro passa como uma flecha buscando um alvo
com o som no volume mais alto,
enquanto ele silencia para ouvir o solo de um canarinho
laranja como o entardecer:
_ Bom dia, Senhor Laranja!
Ele caminha...
Uma brisa lhe refresca e lhe dá fôlego,
mesmo com o sol ardendo e fazendo o asfalto suar.
Está muito quente,
mas mesmo assim ele caminha.
Ele sente a dor de seus pés dentro da velha bota rasgada,
mas mesmo assim ele caminha.
Ele caminha...
Ele caminha...
Crianças jogam futebol num pequeno campo de terra
com traves de bambu amarradas com corda,
ele para e observa.
E depois de alguns minutos, ele segue sua jornada,
ouvindo, ao longe, o grito de gol e a farra dos meninos.
Ele continua caminhando...
Na curva da estrada ele passa por uma casa branca
de janelas azuis abertas
e um velho cão vira-lata começa a latir,
correndo em sua direção.
Ele aperta o passo:
_ Sai! Vai deitar, Campeão!
O cão é distraído por duas motos que passam devagar
e ele já foi.
O cão o procura com olhos inquietos.
Outro carro passa
e duas crianças se viram no banco de trás:
_ Pai, para onde vai aquele maluco? De onde ele vem?
Ele caminha...
Ele passa por um pequeno vale
e para em frente uma cruz de madeira na beira da estrada.
Faz o sinal da cruz e uma prece:
_ Descanse em paz, meu filho. Logo estarei com você, mas não agora. Ainda não.
Ele segue seu caminho carregando algumas lágrimas no rosto sujo.
Ele caminha...
Livremente, ele caminha.
De lugar nenhum ele veio
e para lugar nenhum ele vai.
Ele somente caminha.
Livremente, ele caminha.
