Amor Textos de Luis Fernando Verissimo
TCHÊ
No meu Rio Grande tudo é tri legal,
Alegria é vencer Grenal ,
Se perder deu pra ti.
Bolo pra nós é torta
Mexerica é bergamota,
O frio, bah! É de renguear Cusco.
Pão francês é cacetinho.
Nos CTGs* tem patrões
Barbaridade é mais do que uma expressão,
Mate é recepção com carinho.
Antes mesmo do batismo
Decoramos nosso hino,
Pois pra se chamar gaúcho
Tem que respeitar as tradições
Bem mais do que um estado,
Ser gaúcho é ter coração acalorado.
Chimarrão ao amanhecer é como doce melodia
Churrasco de preferência ao meio dia
E a noite...
Entrevero com as gurias.
Pero no hablemos de hechos. Ya a nadie le importan los hechos. Son meros
puntos de partida para la invención y el razonamiento. En las escuelas nos enseñan la duda y el arte del olvido. Ante todo el olvido de lo personal y local. Vivimos en el tiempo, que es sucesivo, pero tratamos de vivir sub specie aeternitatis. Del pasado nos quedan algunos nombres, que el lenguaje tiende a olvidar.
Verdade
Sem verdades todo poema é triste,
O passar dos dias condena,
Nenhum poeta consciente resiste
Não é ator pra representar na cena.
Por isso a verdade foi decretada
Ninguém pode ficar indiferente,
Um só bloco de pessoas animadas
Contagiando toda a gente.
Pipocas, sorvetes, chocolates,
Pincéis na tinta formando aquarelas,
Poemas coloridos em verdadeiras artes
Belezas reais em todas as janelas.
Crianças transbordando pureza
Um só sorriso, uma só cidade,
Cenários humanos de profunda beleza
Verdadeiros poemas de solidariedade.
Cronologia
Ainda carregas sonhos não vividos,
Já sem graça depois de tanto passado.
Profecias tão sérias que acreditavas
Agora desconsidera para não se ferir.
A rua da vida se tornou larga,
Lembrando dos sinais que passou no vermelho.
Uma foto irreconhecível,
Com pose de quem jurava que tornaria o mundo livre.
Quantas condenações que aos outros queria impor
Hoje silencia para se proteger.
Quantas palavras que pronunciavas
Entusiasmado já nem quer ouvir.
Quantas afirmações de eternidade
Que precoce se foram.
Quanta vida dita infinita
já findou.
Quantos rostos desejou beijar,
Tão poucos beijou.
Sorvetes e sorrisos no parque,
Só eram deliciosos por ter
uma mão segurando na sua.
Hoje os poemas de amor sem nenhuma arte
Estão em algum caderno esquecido no mundo.
Ninguém mais te reconhece.
Ficou no caminho a beleza que tinhas.
Pessoas que amavas desapareceram.
Divagas pensando e nem lembra mais,
Que valeu a pena,
Mesmo tendo ficado pra trás.
Se saíres de mim onde passarás a noite?
Não se dorme em águas estranhas.
Mantenha a mala cheia de poeira
Deixe os perfumes na penteadeira
Desfrute a espuma densa na banheira,
Coloque o pé na agua morninha.
Acomode-se ao meu lado,
Lá fora só o vento escuro
Zunindo nas costas do muro.
Ao fundo o mar e sua selvagem maresia
Ouça a canção escolhida,
Sirva o champanhe da nostalgia
Alegre-se até clarear o dia.
Falta-me a loucura
Não forço a fechadura
Tenho medo...
Falta-me a loucura
Falta-me o hábito.
Gosto da última olhada,
Do barulho da chuva
Na pré-partida.
Continuo pregado
Movimentos não me motivam.
Prevejo uma laguna enferrujando...
Sem merecer,
Sem glórias pra viver.
Nem um passo
Nem covardia.
Insano...
Medito já sem voz,
Onde encontrarei,
Neste mundo algoz,
Um poema pra morar?
Superlativo
Ainda farei um verso nobre,
Que seja leve como a folha outonal,
E saboroso como as frutas do quintal.
Que atropele do caminho a escuridão.
Que seja rápido como raio que se fez.
Que não tema a morte,
E que se acomode nos braços da vida e da paz.
Que seja superlativo como sonhos infantis,
E real como a geleia é.
Que seja a estrada da busca
E o melhor ancoradouro de destinos.
Que não tenha serventia se não puder ter,
Que não seja jardim nem rosas se não der pra ser,
Mas que contemple em cada um
O fascínio encantado de um novo amanhecer.
Somos o tempo. Somos a famosa
parábola de Heráclito, o obscuro.
Somos a água, não o diamante duro,
a que se perde, não a que repousa.
Somos o rio e somos aquele grego
que se olha no rio. Seu semblante
incerto se espelha na água mutante,
no cristal que espelha o fogo tropego.
Somos o vão rio predestinado,
rumo ao mar. Pelas sombras cercado.
Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa.
A memória nos imprime sua moeda.
E no entanto há algo que se queda
e no entanto há algo que se queixa.
A deriva...
O dia foi-se em chamas
Gordurosas...
Extintas a gás carbônico.
Entre sem relutar ó noite branca
Embalada pelos ponteiros lacônicos...
Implacáveis...
Devastadores.
A espuma no copo e nos lábios é
Mar recomeçando em mim.
A deriva...
Não valho nada.
Sou pobre,
Descrente, imperfeito, imundo.
Não vivo... Vago...
Vagabundo.
E tenho o agravante oceânico,
Incorrigível...
De crer em versos
Dominando o mundo.
Imaginação
Estrela sem constelação
Brilho dando norte
Luz marcante de neon
Pendurada sem suporte.
Muito além do humano alcance
Mitológica inspiração divina
Feito páginas de romance
Ou frescor jovial de menina.
Luz que não é lua
Com nada se parece
No céu da alma flutua
Com a força de uma prece.
Destemida enfrenta tudo
Deixa rastros de decorações
Trás gritos de voz dos mudos
Fértil ao extremo é nossa imaginação
A perfeição pode estar no sorriso,
na mudança que sofremos
na mesmice de não mudar.
Pode estar no risco vazio de giz na calçada,
no grito ecoando no nada,
no vazio da alma não lavada.
levada pela estrada vazia,
da ânsia ou da agonia.
Perfeição nunca será encontrada
Pois é sinônimo de utopia.
Caneta
Deixas no papel estampas do meu pensamento,
Acaba-se dignamente em matemática e versos.
Tens alma viva em sentenças proferidas e registradas.
Na força extrema ainda dá fé,
E ao morrer num poema,
A tinta trêmula busca a reticência...
Esforço final pra dizer que
O show sempre vai ter sequência.
Poema pra que te quero....?
Quero poema pra expressar, extravazar com S ou com Z???...Sei lá!
Extravasar sem me preocupar, sem me importar com a métrica ou com a fonética, ignorar a ética, a dialética, mergulhar... Sem receio mergulhar...
Me jogar nas profundezas da Poesia, das palavras à revelia, somadas, juntadas, agarradas, grudadas ou separadas , seja com rima pobre ou pompa nobre, vindo a tona na emoção!
Emoção de uma rima certa, que o destino a mente acerta, inspirando, enlevando, atingindo em cheio o coração!!
Coração que bomba poesia, de dentro para fora, a tempo ou fora de hora, nas veias da folha branca, nos capilares e artérias digitados num teclado ou simplesmente escrito a mão!!
Poema pra que te quero?
Te quero pra viver mas calmo, como Davi criava um Salmo, desabando, esbravejando, chorando, louvando, proclamando, buscando de forma sublime o Verbo que satisfaz!!!
Davi o pastorzinho poeta, que dos campos em sua meta, inspirado se fez profeta anunciando a plena Paz!!!
Se nos versos desse Poema, eu atingir de forma plena, a missão da arte suprema isso a mim já satisfaz!!!
Poema te quero vivo!!!!
LCS___ENJ
Êxtase
O relógio embala a hora que se aproxima,
Cresce na fronte a pulsação,
A emoção entra no clima
O ponteiro do sim sufoca o não.
Busco para o momento o verso perfeito
Que expresse bem o que sinto
Que tire a ansiedade do peito
E desmanche da alma o labirinto.
Entre, como sempre, sorridente,
Esbanje a sensualidade só tua,
Meus braços em posição ascendentes
Te entrelaçam no desejo de ouvir... Sou sua.
Definir felicidade
Só em doses individuais,
Não a deseje de forma permanente
Aí é querer demais.
Oscila em antagonismos inesperados:
Vidros abertos ou ar condicionado,
Grade ou liberdade,
Café ou suco gelado,
Cabelos longos ou raspados,
Graduações ou não estudar,
Fidelidade ou aventura,
Humilhar ou afagar,
Bronzear-se ao sol ou refrescar-se na chuva,
Tênis novo ou surrado,
Perder peso ou comer o que tem vontade,
Pintar os cabelos ou mostrar a idade,
Correr descalço ou uniformizado,
Ser discreto ou se fazer notado,
Cartão sem limites ou dinheiro contado,
Dê o fora ou entre e fique a vontade,
Presença ou a saudade.
Se for o - bem vindo - fique,
Se for o - boa viagem- vá
Mais do que definir,
Escolha ser feliz já.
Do meu pai tenho boas lembranças.
Não só dele na cadeira de balanço, mas também olhando a estrada, torcendo pela visita de um dos filhos que já não morava mais na casa. Lembro-me, ainda, das horas em que tocava violão ou gaita (como dizemos aqui no sul). Homem de fé, determinado, mas de uma generosidade enorme com todos.
Tinha um jeito contido de expressar carinho, mas no fundo era coração de pudim; os olhos entregavam.
Já da minha mãe tenho poucas lembranças. Partiu muito jovem. Quanta falta faz uma mãe e até as lembranças de uma mãe. Ficou vivo na minha memória o último dia. Fora isso, apenas pequenos flashes dela em vida.
Levá-los é uma ação divina, pois se fosse humano nunca deixaríamos os que amamos partirem. Confiar na vontade de Deus é fundamental para superarmos.
Amanhecer do sonho
É como se o sonho estendesse seus braços
Fazendo o pó d’alma refletir contra a luz
E inconscientemente soltasse os seus laços
Aconchegando-se naquilo que seduz.
O dia esperado insiste em não nascer,
O desejo jejuado desmaia sem solidez,
O galo não canta. O que o fez esquecer?
Duvido que não tenha sido a sua timidez.
Distante, no horizonte, surge escassa,
Uma réstia breve de luz matinal,
Trás bordado no colo do céu em lasca
A ponta da lua, brilhante como aurora boreal.
O sol distante levanta o sonho feliz
E o dia devolve ao poema a serenidade
E o verso, feito vertentes de águas em chafariz,
Espalha-se como luz fugaz de felicidade.
Prefiro pessoas que tem o mesmo sorriso na frente ou atrás das câmeras.
Que sentam comigo na mesa mesmo sabendo que não tenho como pagar.
Que mesmo preferindo a areia não me impeçam de entrar no mar.
Gente que estende e aperta a mão com vontade.
Que tem brilho nos olhos e na alma e, ainda assim, vive sem ostentar.
Que se ajusta ao ambiente sem mudar o humor.
Que abraça o porteiro, o manobrista e o mensageiro com a mesma intensidade com que abraça o doutor.
Gente que tem a senha dos sentimentos tatuada nas suas ações.
Que são inteiras em qualquer situação.
Gente iluminada que quer te ver feliz de verdade.
Pessoas querida que valorizem a simplicidade da vida.
Que levam e te dão um pouco de vida.
Muitos amores deixarão de existir antes do amanhecer.
Alguns na tradicional versão da sarjeta,
Outros como na tragédia encantadoramente brega de Titanic.
Contudo o sol trará a certeza de que uma nova história poderá ser criada.
Talvez prática e breve ou romântica a ponto de ser eternizada.
Seja como for, o final não se pode definir ao começar.
Que seja um feliz começo e o final o reflexo dos seus desejos.
Naftalina
Vestiu-se cheirosa de naftalina
No âmago um sonho dos tempos de menina.
No toca fitas o som da ilusão
Um gosto frio de café.
Um ruído sem refrão
Cheiro mofado de cabaré.
Uma algazarra de todo lado
Lábios duplos avermelhados
Fumos da sala pelo ar espalhado.
No armário suas nove horas.
Uma voz bêbada e um trocadilho hilário.
Teve o remorso corroendo
Frustrou o sonho de ser amada
Suicidou-se tanto
Que acabou morrendo.
