Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
O amadurecimento não é apenas uma consequência do passar dos anos; é o resultado de escolhas conscientes e da vontade de abraçar experiências novas. É como se o tempo nos desse um espelho para refletir sobre quem éramos, quem somos e quem queremos ser.
O tempo é uma borracha que não apaga o passado. Não dá para voltar atrás e escrever uma nova história sobre as linhas já preenchidas da vida, mas dá para escrever nas folhas em brancas do presente a história que a gente quer para a nossa vida.
Meu tempo com você
Uma manhã que já se foi
Uma tarde que se põe
Não temos mais todo tempo do mundo.
Mais não posso largar o amoleto do tempo e você.
O tempo anda ligeiro e a medida que passa por nós joga areia na vidraça dos nossos olhos. Ironicamente quanto mais areia ele joga, mais claramente enxergamos a vida.
A saudade de ser "locão" ou "locona" reflete uma nostalgia por momentos de desprendimento e liberdade, onde a espontaneidade e a alegria de viver eram as únicas bússolas. Essa sensação remete a tempos onde as preocupações eram menores e a disposição para se jogar nas aventuras da vida parecia inesgotável. Importante é reconhecer que a loucura boa, aquela que nos faz sentir vivos e conectados com o mundo de forma autêntica e vibrante, não tem prazo de validade. Ela pode se manifestar em diferentes formas e intensidades ao longo da vida, adaptando-se à nossa evolução pessoal e às circunstâncias. Permitir-se momentos de descompromisso, de riso fácil, de fazer algo inesperado ou simplesmente viver com menos rigidez, são formas de manter a chama dessa loucura boa acesa, independentemente do gênero ou da idade.
Na vida você tem a chance de caminhar para frente e realizar todos os seus sonhos, mas nunca voltar o tempo para buscar a oportunidade que você perdeu.
Olhando para os meus amigos de infância vejo que o tempo é justo. Não me sinto feliz por isso, só estou confrontando a realidade.
Não deixarei de agir por medo de perder tempo. Prefiro 'descansar'—como se descansar fosse sinônimo de inatividade. Na verdade, a única maneira de realmente perder tempo é viver sem autenticidade.
DE SONETO EM SONETO
De soneto em soneto vai o tempo já passado
Do versado fado, as ilusões, na ridente aurora
Dos cânticos encantados, e canto enamorado
De uma poética cheia de sensação de outrora
O tom que no estorvo se sentiu abandonado
O perfume na lembrança, que lembra agora:
O amor perdido, a infância ida, ali arruelado
Na recordação. Ah! tudo vivente a toda hora
Apressado, fugaz, e o versar vai observando
Cada linha, um toque de memória, morrendo
No tempo, guardado na emoção, até quando
For somente uma lembrança, ainda sendo!
E, de rima em rima aquela ocasião rimando
O soneto na saudade e a toada desvalendo.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
24 abril, 2024, 07’39” – Araguari, MG
"O ser humano se questiona, Por quê não podemos voltar no tempo? queria ter o poder de voltar no tempo, quando o seu verdadeiro poder é mudar o futuro, não cometer os mesmos erros e fazer com que o futuro seja melhor."
