Amor entre Pessoas que Nunca se Viram

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"O eleitor não avalia apenas o conteúdo. Ele avalia a consistência entre o que é dito, como é dito e quem está dizendo. Oratória é alinhamento entre mensagem, emoção e identidade.”

Contravento das Almas e a Doutora do Avesso

Dizem que existe, escondida entre estradas que levam a lugar nenhum, uma cidade chamada Contravento das Almas.

E dizem mais: quem entra lá precisa tomar cuidado…
porque até a lógica costuma sair de cabeça pra baixo.

Em Contravento, quase todo mundo é especialista.
Especialista em tudo.

De manhã, o padeiro comenta geopolítica.
À tarde, o frentista resolve crises do país.
E à noite, a praça vira tribunal —
onde ninguém estudou direito… mas todos têm certeza absoluta.

Aliás, direito é o forte da cidade.

Há advogados de profissão…
de vocação…
e principalmente de ocasião.

Mas nenhuma figura é tão emblemática quanto ela:

A célebre Doutora do Avesso.

Uma espécie de artista da argumentação.

A Doutora não discute — ela transforma.
Pega um fato, vira pelo avesso, ajeita as palavras…
e devolve como se fosse outra coisa.

E o mais curioso?

Quase convence.

Sua especialidade são as causas difíceis.
Aquelas que tropeçam na própria lógica…
mas que, nas mãos dela, ganham maquiagem, discurso e até aplauso.

Há quem diga que já defendeu o indefensável com tamanha firmeza
que o público não sabia se discordava… ou ria.

Lembra um antigo julgamento da cidade —
em que o advogado foi tão brilhante
que o tribunal inteiro ficou dividido entre a sentença… e o espetáculo.

Em Contravento, isso não é exceção.

É método.

Porque ali, mais importante que a verdade…
é a versão.

E versões, meu amigo, não faltam.

A cidade já foi próspera — dizem os mais antigos.
Tinha comércio forte, ruas vivas, gente acreditando.

Hoje… ainda tem gente.

Mas acreditar virou artigo raro.

Os mesmos que reclamam que nada cresce
são os que não regam.

Os que criticam o comércio
são os que compram fora.

E os que desconfiam da própria terra
plantam dúvida até onde podia nascer esperança.

Há até um costume curioso:

Muitos fazem questão de que os filhos nasçam longe dali —
na capital, de preferência.

Como se o primeiro choro precisasse de endereço mais importante.

Mas o tempo passa…

E um dia, sem aviso, o menino solta:

— “Ô pai… fecha a porteira!”

E pronto.

Contravento reaparece.
Inteira.
Sem pedir licença.

Porque ninguém foge completamente do lugar
de onde aprendeu a ser.

Enquanto isso, na praça, o tribunal segue aberto.

A Doutora do Avesso discursa.
Alguém rebate.
Outro distorce.

E no fim… ninguém muda de ideia.

Mas todos saem com a sensação de vitória.

É uma cidade curiosa.

Não anda pra frente.
Não anda pra trás.

Ela gira.

Gira em torno de si mesma —
defendendo versões,
acusando verdades
e absolvendo ilusões.

E no meio desse espetáculo… sempre há aplausos.

Às vezes sinceros.
Às vezes por hábito.
Às vezes… só pra não ficar feio discordar.

Mas, ainda assim, existem alguns.

Poucos.

Gente que não discute — faz.
Não distorce — constrói.
Não precisa convencer — vive.

Esses não sobem no tribunal.
Não aparecem.
Não gritam.

Mas talvez — só talvez —
sejam eles que ainda impedem
que Contravento desapareça de vez…

engolida pelas próprias palavras.

Porque, no fim das contas…

Em Contravento das Almas, ninguém perde uma discussão —
a verdade é que já deixou de participar faz tempo.

✍️ Nereu Alves

vi meu caminho desaparecer
em uma floresta emaranhada, entre muros de arbustos densos e na terra sangrando
meus pés estavam cravados, criaram raízes
e por um momento pude ouvir
as folhas ensinando sua canção
e quis me erguer alto
florescer com elas
conheci as gotas de chuva
que se acumulavam em mim, caíam sob mim
e o vento, frio e desesperado,
me congelou, pesou sobre mim
e por um momento pude tocar
o fim da dor cinzenta
e quis me erguer alto
ver a luz


dizem que o céu é azul acima de nós
cheio de luzes
talvez um dia eu também consiga ver
ver...
e caí à terra, em silêncio
fechei os olhos, selei meu coração
e senti como eu estava me despedaçando
por todas as minhas dores, por toda a minha solidão
e por um momento pude fugir
como uma pena na asa de um pássaro
e fui capaz de me erguer alto
ver a luz

Mas a verdade é que a distância entre nós me fez tanta falta.

"Entre insistir e soltar"


Insisti no silêncio, gritei sem ouvir,
me perdi no caminho tentando seguir.
Fui presença constante, mesmo na ausência,
mas virei só lembrança, sem mais importância.
Corri contra o tempo, lutei sem vitória,
doei minha vida, apaguei minha história.
Hoje eu paro as mãos, largo esse chão,
não sou migalha, sou coração.


Se ela não sente, não posso insistir,
é hora de soltar pra poder me vestir
da força que resta, da fé que é minha,
pois quem não me quer, me ensina a saída.

"Vivo entre risos, aventuras e pensamentos que ninguém entende, mas todo mundo sente."

Entre portais e livros proibidos,
anda-se em corredores de vidro,
onde a realidade treme,
e a fantasia morde.
O coração dos magos é um labirinto,
desejo e dor entrelaçados,
e a pergunta arde, sempre:
o que vale mais... O poder ou a alma?
E no fim, quando as cartas caem,
resta a vertigem de saber:
a magia nunca foi sobre vencer,
mas sobre perder... E ainda escolher.


#themagicians

EQUAÇÃO INVISIVEL


A vibração corre invisível,
fio elétrico entre mundos,
tecendo pontes que o olho não vê.
Um pede, outro oferece,
mas na verdade é a mesma chama,
o mesmo anseio vestido em vozes diferentes.
E quando se encontram,
não é sorte,
não é acaso. É a matemática secreta do universo,
equação escrita no silêncio,
resposta que brota no instante certo,
como se o cosmos conspirasse para unira fome e o pão,
a sede e a fonte,
a pergunta e a resposta.
Dois que não se buscavam,
mas já estavam destinados
a se reconhecer na mesma necessidade.

Nem tudo que é visto é sentido, e nem tudo que é sentido precisa ser visto. O essencial está entre os espaços vazios que só a alma consegue preencher.

"INTERVALO ENTRE O GRITO E O RISO"


Há dias em que o caos veste perfume
e passa por paz, só pra te confundir..
Você olha o céu, ele tá bonito demais
mas sabe que amanhã chove, e tudo bem.
porque no fim, o que salva não é o sossego,
é o intervalo entre o grito e o riso,
onde a alma respira, meio cansada,
meio viva, totalmente sua.

Às vezes é preciso se perder no ruído,
pra achar o sentido há tanto perdido.
Entre telas e vozes, distantes,
encontrei no silêncio, o que é importante.

Minha mente dança entre mundos
e mares,
Meu coração se perde ese encontra em lugares.

Ninguém nasce forte, a gente vira, no atrito entre a dor e a decisão de continuar.

"Entre notas, palavras e cores, sou quem transforma silêncio em sentido, e momentos em eternidade."

A vida é ponte entre medo e ação,
decidir é cruzar sem pedir aprovação.
Empoderamento não nasce do grito,
nasce do silêncio que sustenta o rito.

Entre a lei escrita e a vida concreta há um abismo onde a ética urbana deveria construir pontes — mas frequentemente apenas observa o vazio.

O conflito moderno não é entre certo e errado, mas entre o que o Direito consegue ver e o que ele ainda não reconheceu.

Escrever sobre Direito é, muitas vezes, escrever sobre o intervalo entre o que deveria proteger e o que efetivamente abandona.

“Entre o fato e a norma existe um abismo que o sofrimento ocupa primeiro.”

“A justiça não é eterna, ela é constantemente renegociada entre medo e esperança.”