Amor Adolescente
As vezes me pergunto se o Bebé, a Criança, o Adolescente que eu era ontem poderia se orgulhar do Adulto que me tornei hoje!!!
Sopro de vento
Sopro de luz
Sopro de cor
Brilho de vida brotando
Adolescente frágil
Luminescente
Com meu primeiro amor
Lentamente
Apenas adivinhando
Em mim o amor sensitivo
Faz-me ver azul
Traz-me luzes sem sombra
Encontro ser perda
Tranqüilidade de brilho de luz
Brilho de bolha sutil
Colorindo a descoberta
De quem é gostoso gostar
E então me entrego inteira
A nossa emoção que desperta
Sorrindo cores
Navegando ares
Numa só sinfonia
Abraço o mundo
Moro com as nuvens
Explodindo
Bolha e brilho de fantasia
Vejo-te longe flutuando
Será que vindo ao me encontrar?
Sinto-me outra vez pequena
Meu coração bate forte
Medroso de ainda não estar pronto.
Para esquecer você
Mudo meu rumo
Ponho-te de lado
Viajo pequena pequeninha
Por mares e ares procurando aflita
Aquela alegria
Do que era antes amado.
Mas se na musica me envolvo
Escuto você
Criando doçura
Na voz quem canta
Na guitarra que explode
Em transe
Só vejo a sua ternura
Isolo-me
E busco os brilhos
De mim criança
Mas lhe querendo astronauta
Vagando estrelas a minha procura
Eu única
Luz cor energia esperança
Procurando pelas flores
O seu perfume
Sempre sutil
Todas as cores meu sonho cavalga
Criando amores rompendo auroras
Reluzente
Voando anil
Rio por nada
Por nada chora
Desconheço-me
Sou só da emoção magia encantamento
Meu pensamento se distancia
E de repede
Mudo já me estresso
Sinto-me frágil
Deslizadora solta
Faço meu todo o sentir do mundo
Contenho em mim todo o universo
Inexplicável
Sentir de um coração revolto
Contido
O azul explode
Em mim doçuras
Que quero viver só com você
Abro meus olhos te vejo
Brilhante
Voando vindo de mil aventuras
Agora já sei
Pra tudo que sinto
Só há um por que
E tão simples tão frágil
E se você me perguntar, que eu respondo
Como toda certeza
Eu amo você!
sonhei contigo a noite toda
e acordei faminto,
as vezes penso que sou adolescente,
que sou um menino...
e toco e toco e canto e grito o teu nome
princesa toma um banho
lava o rosto, esquece o mal jeito
sou um sujeito desprezível
mas te desejo, doce, accessível
mas não uma cadela
me diga não sempre que for possível,
sempre que for possível não cuspa não
o amor é meio sujo
mas não é intragável nem perecível
sonhei contigo a noite toda,
foi foda acordei sozinho...
Então a mãe chegou para o filho adolescente, visivelmente drogado e aconselhou:
-meu filho, você já tem dezessete anos,
porque você não arranja uma namoradinha de quem você goste
e que também goste de você
e pense num futuro de construir um lar; pare com esse negócio de usar drogas!
Então o filho respondeu:
-Aos quinze anos eu ainda pensava assim mãe;
mas então começaram as bebedeiras,
brigas e seguidas traições entre a senhora e o pai;
naquele tempo eu ainda usava drogas, mas então vocês se separaram...
agora a droga que me usa...
A transição de adolescente para adulto em mim, além da incompatibilidade, é árdua, é pesada, é intensa, é desmotivadora e ao mesmo tempo é esperançosa. São muitos opostos em constante atrito!
Eu fui uma criança/adolescente estranha... quando menina gostava de brincar sozinha na minha casinha que ficava escondidinha no quintal; aos 13/14 anos lia K. Gibran e muitas vezes preferia ficar sozinha lendo ou escrevendo na minha Remington ( não sei bem o motivo... mas acredito que entre todos foi o melhor presente que o meu pai me deu), matava algumas aulas de religião e educação física para ir namorar na praia deserta durante o inverno. Detalhe importante: eu namorava o Mar.
Eu continuo estranha...
Quando o adolescente descobre a solidão ele se sente o mais infeliz dos seres humanos, depois que a pessoa tem uma certa idade.. eu acho ridiculo as pessoas que chegam pra mim e se queixam “eu sou sozinho” todos nós somos sozinhos.
SINESTESIA
Todos nós somos sozinhos
Na pele e na alma.
Quando adolescente a solidão
Fazia-me sentir-se o mais infeliz dos humanos.
Hoje, sinto essa necessidade de estar sozinho.
A solidão é condição sine qua non do ser humano.
Adultos são tristes e solitários.
Apesar de perigosa e viciante
Nada assustadora.
Remete ao cerne das inspirações.
Sobre o amor a solidão se acalma.
Criança possui fantasia...
Às vezes, preciso encontrar a criança
Que deixei no passado a chorar
Solidão, a fantasia!
Viva a fantasia!
Colossais figuras humanoides
Viajam na imaginação dos amantes.
Quando eu era uma adolescente quase crente, meu sonho era chamar atenção do mundo.Agora, eu quero ser invisível para o mundo.Eu Desejo Chamar Atenção Somente de Deus.
Amadurecer...
Num dia você é uma criança
Inocente
No outro uma adolescente
Cheia de problemas
Esperando que tirem de você
A responsabilidade de estar crescendo
Alguma pessoa
(Inspiração adolescente)
Andando num lugar muito movimentado
Notei pessoas de vários tipos.
Eu não pensava normalmente,
Sonhava com algo...
E foi com esse pensamento
Que deparei com dois olhos,
Olhos grandes, crianças...
Estes eram puros,
Pareciam castanhos!
Traziam, bem no fundo,
Tristezas não reveladas,
E alegrias que nos enganam.
Eras uma quase criança; então um apelido se fez!
Olhamo-nos...
Meus olhos não são sonhadores
Como os das crianças...
Mas sim de querer paz!
Tu, apesar da idade,
Apesar do tamanho,
Tinhas um rosto tão jovem, infantil...
Será que nunca mais verei,
Aqueles olhos castanhos,
De tristezas não reveladas
E alegrias que nos enganam?
Sim, foi só um relance!
Mas só os olhos falam da alma? Do caráter?
E os sentimentos?
Talvez sejam verdes!
Diferentes dos meus...
Talvez teus olhos, enormes,
Sejam a revelação do mais puro amor!
Ou me enganei?
Será que nunca mais verei,
Aqueles olhos castanhos,
De tristezas não reveladas
E alegrias que nos enganam?
Outros passos eu dei.
E me fui...
Pensando sempre nos olhos tão sonhadores
Que põem qualquer um a sonhar
E a pensar em amar!
Tudo desapareceu.
Morreu!
Seguistes um caminho, para mim indiferente...
E eu segui o meu, que para ti é desconhecido.
Na verdade, nunca mais te vi!
Agosto/ 1967
Sonhos maravilhosos
(inspiração adolescente)
I
Sonhei, tu estavas entre estrelas...
Uma festa só de luzes!
Meu amor junto a mim!
II
E como em murmúrios de lágrimas,
E em tinir de cristais,
Começamos a dançar
A nos amar
A correr em pleno salão...
Tu estavas em plena emoção,
E tua sensível alma
Não cabia em si de alegria!
III
Ao veres o sol bem longínquo
Gritastes e me chamastes:
__ A M O R
IV
Uma vida nunca imaginada,
Com grandes seres em jornada
Para nos mundos estranhos o amor colocar.
E eles vieram a mim,
Deram-me a vida sem fim...
V
Mas os murmúrios não paravam,
E continuamos dançando lá no alto...
Como se estivéssemos num palco.
VI
Meus melhores dias,
Minhas melhores horas tinham que terminar,
Morrer...
E a linda valsa nunca escutada,
Seus lindos traços jamais imaginados,
Findaram...
E só lembro:
Os murmúrios como as lágrimas,
Os tinires como em cristais,
O começo da dança,
- A valsa,
O salão todo em luz,
Estrelas...
1967
Tentações humanas
(Inspiração adolescente)
Da escuridão gélida da noite,
Sem conter um ar de vida em cores,
O feroz ser das multidões longínquas
Fez-se mais uma vez presente!
Conseguias derrubar montanhas onipotentes,
Destruir mil vidas encarniçadas.
Enquanto outras, ainda mais desgraçadas,
Se debruçavam no mundo tristemente...
Em cada face amiga que surgia,
Mais um tremor entre o céu e a terra se fazia,
Mais uma vez plantar seu ódio conseguias!
Tu, o que queres?
O que desejas?
Nenhuma resposta!
Mas algo era certo: era o diabo que surgia!
Agosto/1968
Perdão do esquecimento
(inspiração adolescente)
Pequei!
Se pequei, pecastes mais!
Eu gritei...
E de um surdo eco me arrepiei.
De joelhos mais uma vez fiquei...
Procurei teu olhar sem encontrá-lo.
Queria-te por toda força junto a mim.
Mas nada fazia sentido...
Tudo desfeito!
O amor que nos unia, findou.
Ódio em teu olhar notei!
Compreendi que entre nós tudo estava acabado...
Chorei noites, fiz nascer dias.
Construí e imaginei mortes.
Mas seu perdão eu nunca mais teria...
1968
Sem nome
(inspiração adolescente)
Iluminou-se um caminho.
Fez-se em chamas o Universo.
Estrelas entreolharam-se
Mas simplesmente não se viram...
-- e nem podiam.
Voltaram-se todas para o mesmo caminho...
Num pequeno fim de mundo
Encontram e iluminaram um tesouro,
Tesouro que transmitia amor...
Era um pequeno mundo sem fim,
Onde um menino surgiu, abençoando a Humanidade!
Dezembro/ 1969
.P.A.L.A.V.R.E.A.N.D.O.
PRIMEIRA NEUROSE
(inspiração adolescente)
Sou eu,
Simplesmente isso:
Neurótica.
Vinda de neuroses!
De um caminho...
... beira da loucura!
Sem cura,
Sem remo.
Vai devagar infiltrando-se em minh’ alma.
Escolhe um canto,
Ali mora...
Instala-se!
Cresce e depois simplesmente morre.
Sim, vem com ela a morte.
Eternamente.
Sempre.
Leva-me e leva-o também.
Sempre assim.
Amém!
Jan/ 1969
SEGUNDA NEUROSE
(inspiração adolescente)
Neurose ou loucura?
Até o título mudei.
Passou à frente.
És segunda!
A primeira? Destruída...
Esta? Maltrapilha, fulgurante.
Também, caminha!
Ah, sim, resides em mim.
És amiga nova.
Bem-vinda sejas!
Queres ficar? A casa é tua.
Não mais minha... nem da outra, a primeira.
Como vês, sou bem mais tua amiga.
__ Mas, notes bem, não confia.
Vás levando.
Mores em mim!
Fiques mais. Assim... caminha.
Não tenhas dó.
Há muito não sei disso...
Sou sozinha!
Ah, o amor?
Quantos o temem.
E tu?
Não respondes... é impossível.
Tu és destruição.
O amor constrói. Cria vidas!
Bem, como eu sei?
__ Já amei:
Tomei uma flor...
Rebusquei-a. Maltratei-a até!
Mas ela era perfeita!
Quem não a amaria?
Como vês, quem não ama alguma coisa?
E tu, amas também?
Set/ 1970
