Amizades Antigas

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As promessas antigas voltam como roupas apertadas. Tentam servir um corpo que não é mais o mesmo. Algumas chegam a machucar, outras, aquecem ainda. Aprendi a escolher quais vestir e quando renunciar. Despir-se também é forma de honestidade.

As mágoas antigas têm trilhas que lembram histórias de guerra. Passo com botas e tomo cuidado para não reabrir feridas. Algumas ainda sangram quando piso no lugar errado. Por isso caminho devagar e olho os pés. Aprendi a ser mestre em passos suaves.

Existem dores tão antigas que acabam confundindo-se com a própria identidade de quem as carrega.

Guardo meus sentimentos como quem guarda cartas antigas, amareladas pelo tempo, escondidas no fundo de uma gaveta.
Não porque não existam, mas porque nem sempre encontro coragem para entregá-las a alguém.
Aprendi cedo a sorrir quando doía, a responder "estou bem" quando a alma estava cansada.
Então escrevo.
Faço da poesia minha confissão, das metáforas meu abrigo, e dos versos a voz que raramente deixo sair.
Mas às vezes o coração se pergunta quanto tempo consegue carregar sozinho aquilo que nasceu para ser dividido.
— Helaine Machado

Os bancos controlam o poder, substituindo as antigas monarquias. Enquanto mantiverem esse domínio, a miséria não terá fim. Os banqueiros e grandes empresários preferem a desigualdade, pois ela garante sua riqueza e o sustento de uma classe trabalhadora submissa. Eles manipulam os políticos para servir aos seus próprios interesses, enquanto a política se transforma em um jogo de aparências. A verdadeira solução para a pobreza não virá enquanto os bancos continuarem controlando o sistema econômico e as decisões políticas.

AMIGOS DAS ANTIGAS


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


No terreiro da infância,
Tudo era simplicidade;
Cada amigo era um irmão,
Criado na lealdade.
Não havia interesse,
Só carinho e amizade.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Era bola, era peteca,
Era pipa pelo céu;
Carrinho de rolimã,
Sonho doce feito mel.
Quem caía logo via
Outro amigo ser fiel.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Na tarefa da escola,
Sempre havia união;
Um emprestava o caderno,
Outro dava explicação.
Se um não sabia a resposta,
Todos davam solução.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Também tinha em casa o jeito
De ajudar sem reclamar;
Varria o terreiro cedo,
Ia a água buscar.
Terminada a obrigação,
Já corria pra brincar.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Nos passeios de domingo,
Cada riso era canção;
Piquenique lá na praia,
Com farofa e emoção.
O mar lavava os pés,
E a amizade o coração.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Vieram os quinze anos,
Festa, encanto e emoção;
Vestido rodando ao vento,
Brilhava o salão.
Os amigos celebravam
Mais um sonho em construção.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Depois veio a formatura,
Conquista de cada irmão;
Abraços, fotos e risos,
Misturados à emoção.
O futuro abria portas
Para uma nova estação.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Cinquenta anos passaram
Como um sopro pelo ar;
Mas as velhas brincadeiras
Ainda fazem gargalhar.
Quando a turma se reencontra,
A infância volta a morar.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Nem só de festa viveu
Nossa bonita jornada;
Também houve despedidas
Na estrada iluminada.
Alguns partiram primeiro,
Deixando a saudade guardada.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Cada nome é uma lembrança,
Cada riso uma oração;
Quem partiu vive na história,
Na memória e no coração.
A amizade vence o tempo
E também a separação.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.


Se existe riqueza eterna
Que dinheiro não comprou,
É o abraço de um amigo
Que o destino conservou.
Deus abençoe essa amizade
Que o tempo nunca apagou.


Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.

A gente ainda quer amar,
Só não queremos,
Novos machucados.
Nas antigas cicatrizes.

Abrir mão das antigas certezas cria o intervalo perfeito de presença, onde você deixa de ser quem era e começa, em silêncio, a se tornar quem veio para ser.

Ja’ me cansei de escutar
novidades antigas...


Nada de tão novo esiste
nessas humanas cantilenas modernas
onde a pré-histórica
desumanidade hipócrita persiste...
✍©️@MiriamDaCosta

🌬🌪⚡Ode à Iansã (2)


Senhora dos ventos que carregam histórias antigas,
dos trovões que chamam pelo nome o que deve despertar,
das tempestades que lavam a alma
como quem lava um altar profanado pelo tempo.


Óh Iansã!
Quando tu ergues teu braço,
a poeira se transforma em dança,
as folhas ganham voz,
os instintos se lembram de si mesmos.
És tu quem movimenta o que dorme,
quem assopra coragem
nos recantos mais frágeis do peito.


Óh Iansã!
Tua ventania não destrói:
revela.
Desnuda o que estava encoberto,
arranca máscaras,
afina verdades.
Rainha que conduz os espíritos
com a firmeza de quem conhece
os segredos da travessia,
leva contigo as sombras que colecionei,
os medos que herdei,
os silêncios que engoli.


Óh Iansã!
Devolve-me apenas o que é vivo,
o que é chama,
o que é livre.
E quando tua tempestade passar,
que eu me reconheça de novo
(limpa, inteira, acesa)
como folha que balança,
mas não quebra
e não cai.


Óh Iansã!
Tu és o instante entre o relâmpago e o silêncio,
o sopro que vira destino,
a dobra invisível onde o tempo se curva.
És o vermelho que dança na rotação do mundo,
a espada que corta o ar em espirais de fogo,
o búfalo que rompe as portas
do que ficou esquecido.


Óh Iansã!
No teu vento vivem vozes antigas,
ancestrais que conversam com as folhas,
mensagens que se escondem nos giros do ar.
Quando chegas,
os véus caem.
Quando falas,
as sombras se recolhem.
Quando danças,
o universo escuta.


Iansã, Rainha das passagens,
daquilo que se move entre mundos,
do que muda sem pedir desculpa:
abre o portal do novo em mim.
Que eu aprenda contigo
a ser vento quando necessário,
tempestade quando inevitável
e brisa quando o amor falar mais alto.


Eparrey Oyá!!!
✍©️@MiriamDaCosta

Jardim de Pragas Antigas


Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nada. Até que chegou a aula de sociologia, a professora estava lecionando sobre cultura, e entre uma palavra e outra trouxe o exemplo do carnaval, uma cultura muito forte no Brasil. Quando que do nada percebi os diversos comentários horríveis: ‘O povo que vai pro carnaval deve ir pro inferno’, ‘esse povo da Bahia, que cultua a macumba, é do demônio’. Isso e muito mais foi o que alguns meninos falaram. O clima ficou pesado, senti como se tivesse caído uma tempestade em cima de mim, a umbanda faz parte de mim, e escutar aquilo colocou-me no tão temido inferno que eles acreditam.


Fiquei pensando naqueles meninos, esses atos não são de agora, remetem ao passado, são como ervas daninhas em um jardim florido, mas que apesar de destruir todos os diferentes à sua volta, tem raízes profundas, tão fundas que remetem ao descobrimento das terras que conhecemos hoje. São plantas tão bem estruturadas que não são mortas com qualquer veneno, a cada novo ser que nasce nesse jardim, ele é brutalmente infectado, fazendo-o proferir a mesma praga de seus antecessores. Aqueles que não são contaminados, sofrem com essa praga, combatem-na com toda a sua força, são pessoas que ainda acreditam na salvação desse canteiro. Esses novos seres que nascem, são os únicos que podem acabar com o padrão de contaminação, já que estas plantas jovens têm seus caules mais puros e se olhassem para outro lado, poderiam se agarrar em vegetações firmes, assim seriam livres dessas ervas daninhas.


O silêncio ecoava pelos corredores, era uma quietude que doía e ao mesmo tempo ardia na alma, tudo aquilo estava sem controle, nenhuma palavra vinha para acalmar aquela tempestade, e nem se quer uma tentativa de segurar aquelas pragas. Tudo estava já danificado, eu teria de ser forte, já que ninguém estava lá para arrancar as ervas daninhas. Mas mesmo que calassem-nas, não adiantava mais, raízes profundas não morrem com o corte do caule, devem ser tratadas em essência.


Quando bateu o sinal para finalmente ir para casa, fechei a mochila e fui caminhando para casa. O peso da mochila era gigante, o silêncio amedrontador da escola misturado com todas aquelas ervas daninhas ao meu redor, e aquela tempestade imensa em cima da minha cabeça. Refleti o caminho todo, não sou como eles, pensei, e é isso que importa. Enquanto mergulham em águas turbulentas, eu vivo a minha fé, e caminho por jardins límpidos. Claro, tenho muita vontade de curar suas pragas, mas não sou capaz, só eles próprios podem acabar com um padrão imposto em seu interior. Só sei de uma coisa, algum dia a própria terra em que estão plantadas, cobrará o preço, o inverno chega e só fica quem é verdadeiro e saudável por dentro.

⁠Como ousa me prender em memórias tão antigas?
Um amor não superado, um adeus que nunca foi dado
A sua ausência é uma dor que não consigo curar
O seu amor permanece para sempre

De certa forma, é um peso a carregar
Pois queria ter me livrado de tudo isso
de todas essas memórias que não posso superar
de uma história gravada no meu coração

Eu procurei encontrar você em outras pessoas
Mas só piorou a situação
porque você foi o único que marcou a minha vida
e mostrou que do passado sempre irei lembrar

Apesar de feridas antigas machucarem profundamente, existe cura no tempo e novos recomeços surgem trazendo luz, porque toda tempestade cessa quando a esperança reconstrói nossa paz interior.

“A volta do Brasil ao terceiro mundo é algo bem planejado e executado por forças antigas e poderosas.”

Minha revolta é apenas prova daquilo que não mais ouso dizer. Palavras duras, mágoas antigas, são só provas do que não se foi, mas marcou profundamente como cicatriz em carne viva.
Ah, se eu pudesse dizer... Ah, se pudesse apenas ouvir... Ah, se pudesse entender tudo o que realmente sinto por ti...
- Marcela Lobato

Deixe o passado no cemitério dele; parar de cavar sepulturas antigas é o primeiro passo para voltar a respirar.

Nós imperfeitos, encontro perfeito


Não cheguei inteiro, confesso,
trouxe rachaduras antigas no peito,
silêncios que aprenderam a gritar sozinhos e um coração que já apanhou tentando amar.
Você também não veio ilesa, mas quando nossos cacos se tocaram,
não cortaram — se reconheceram.


Foi no tropeço que o destino sorriu,
porque não foi perfeição que nos uniu, foi a coragem de permanecer mesmo frágeis.
Entre erros, aprendemos o ritmo do outro, e no desalinho dos dias descobrimos que o encaixe mora
justamente onde falta um pedaço.


Te amar não apagou meus abismos,
mas me ensinou a atravessá-los com luz.
Te amar não curou tudo,
mas deu sentido às dores que ficaram.
Porque quando você fica,
até o caos aprende a descansar
e o medo perde a voz.


Talvez amar seja isso:
não gostar apenas do que é bonito,
mas escolher o que é real, todos os dias, mesmo quando dói.
Dizem que nem tudo que gosta é amor, não acha?

Carrego trincas feitas de promessas antigas, mas foi teu riso que me ensinou a brilhar de novo.

Meu coração


Meu peito já foi casa cheia de ecos,
vozes antigas que o tempo não levou, mas desde que você tocou meu silêncio, até o vazio aprendeu
o que é amor.


Você chegou como quem não promete, mas fica…
sem pedir explicação,
e nesse espaço onde antes era ausência, plantou presença
dentro do meu coração.


Te amar não foi cura imediata,
foi processo lento, quase imperceptível, como luz entrando
por frestas pequenas,
até tornar o escuro algo impossível.


Se um dia eu fui feito de nada por dentro, hoje transbordo o que você construiu, porque onde antes só havia vazio, agora existe um “nós”… que nunca existiu.

Apagar fotos antigas,
é deletar memórias sem
utilidade pra vida.