Amigos Nao Precisa ser do Mesmo Sangue

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O segredo para não ter tédio, pelo menos para mim, é ter ideias.

A arte não imita, interpreta.

Não é verdade que a morte é / o pior de todos os males; / é um alívio para os mortais / que estão cansados de sofrer.

O virtuoso não serve a música. Serve-se dela.

Não se pode pedir ao artista mais do que ele pode dar, nem ao crítico mais do que ele pode ver.

A glória em vida é algo problemático: é aconselhável não se deixar deslumbrar por ela, muito menos estimular.

O amor-próprio dos tolos desculpa o das pessoas inteligentes, mas não o justifica.

Aqueles que não precisam de trabalhar chamam o trabalho de virtude para enganar quem trabalha.

A autoridade não se consegue sem prestígio, nem o prestígio sem distanciamento.

A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de construção pessoal.

A imaginação não é mais do que a pessoa arrebatada nas coisas.

As liberdades não se concedem, conquistam-se.

Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.

Quando presto algum serviço a um amigo ou lhe zelo os interesses, não há motivo para que me louvem; pois creio que apenas pratiquei um ato indigno de censura.

Não se pode chamar leitura a essa tremenda quantidade de tempo que se perde com os jornais.

Pouco dizemos quando o interesse ou a vaidade não nos faz falar.

Um homem que acaba de arranjar um emprego já não faz uso do espírito e da razão para regrar a sua conduta e as suas atitudes perante os outros: toma de empréstimo a regra do seu posto e da sua situação; donde o esquecimento, a altivez, a arrogância, a dureza e a ingratidão.

Se ofenderes o teu vizinho, é melhor não o fazeres pela metade.

Canção de Primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

José Régio
Filho do Homem

Não falar para o seu século é falar com surdos.