Amigo Palhaço
Não me tome como um palhaço. Pois com apenas um sorriso, lhe mostro que sou o dono do circo e você é a piada!
Cansei de ser palhaço... Uma hora a gente cansa de tudo... cansa até das pessoas que fazem da gente o que bem entender... que acham que estão certas o tempo todo, que se acham melhores ou superioras... tchau pra você... Cansei de pessoas que hoje estão com você e amanhã te dão as costas. Adeus pra você. Espero nunca mais te ver.
►O Palhaço III
Mil motivos poderão pedir
Razões razoáveis
Para querer te fazer sorrir
Mas, hoje o palhaço está aqui
Buscando apenas te fazer rir.
Não é necessário outro motivo
Ele não sofrerá nenhum desvio
Talvez ele será imprevisível
Para te deixar alegre ele fará o possível
Fornecerá sentimento mais que devido.
Nem sempre estará usando nariz vermelho
Talvez esteja vestido de qualquer jeito
Em seu dom a roupa não lhe diz respeito
Pode te proporcionar felicidade
Com chinelos nos pés
Pois é.
No inverno ou no verão
Fora de casa ou não
Basta chamar, se talvez precisar
Que ele irá te ajudar
Quando a depressão te alcançar
Ela irá expulsá-la.
O palhaço poeta
Pobre palhaço cheio de graça
Anunciando o espetáculo no meio da praça
Faz palhaçada
Leva o povo ao riso
Jogando palavras
Por puro improviso
É metáfora, metonímia e ironia
Seu pequeno espetáculo composto de eufemismo
Mas o palhaço se entristece por ver tanta alegria
Por lembrar que no fim da noite escreverá mais uma poesia
Rasgará sua alma e colocará no papel
Toda dor que esconde atrás dum sorriso.
Brilhante mesmo é saber ser cômico sem ser palhaço, ser dramático permanecendo simpático, ser importante sem arrogância, e dar emprego a vida antes de empregar a morte.
O maior palhaço é aquele que ri do outro, pois, jamais sabe que a graça da qual ri, pode ser relativa a si e não ao outro.
E se me perguntam quem sou, digo: sou apenas mais um personagem, O palhaço que se mascara quando tira a máscara, "liso que nem quiabo"!
MOTE: "PALHAÇO QUE RI E CHORA"
I
Pinta o rosto, arruma palma
Dentre os néscios e sábios
O riso aflora-lhe os lábios
A dor tortura-lhe a alma
Suporta com toda calma
Desgostos a qualquer hora
Quando que bem, vai embora
Vive num eterno drama
Pensa, sonha, sofre e ama
Palhaço que ri e chora.
II
Se ama alguém com desvelo
Deixá-lo é martírio enorme
Se vai deitar-se não dorme
Se dorme, tem pesadelo
Sentindo um bloco de gelo
Lhe esfriando dentro e fora
Desperta, medita e cora
Sente a fortuna distante
Julga-se um “judeu errante”
Palhaço que ri e chora
III
Pelo destino grosseiro
A vida jamais lhe agrada
Se sente a alma picada
Tem que ir ao picadeiro
Não pode ser altaneiro
Não tem repouso uma hora
Chagas dentro, rosas fora
Guarda espinhos, mostra flor
Misto de alegria e dor
Palhaço que ri e chora.
IV
Palhaço tem paciência
Que da planície ao pináculo
Este mundo é um espetáculo
Todos nós, a assistência
A falta de inteligência
Gargalhamos qualquer hora
Choramos sem ter demora
Sem ânimo, coragem e fé
Porque todo mundo é
Palhaço que ri e chora.
Sabe, as vezes tenho a impressão que a vida não passa de um grande circo. Com o palhaço, o mágico, o equilibrista, o trapezista, o domador e a contorcionista. Porque ela exige de nós todas essas habilidades.
A paixão de um palhaço
Onde estará a paixão desse palhaço?
Quem, com tamanho atrevimento,
Despertara esse encanto?
Quem, que com sua graça e doçura,
O deixaste assim?
Ele que se julgava apaixonado pelo riso,
Acabou-se se apaixonando pelo beijo
Suave e doce que ganhara...
-Por que me beijas?
Perguntava em silêncio.
E o silêncio por sua vez o devorava!
Sua hostilidade era tamanha...
Seus medos eram muitos...
-És de verdade?
-É moça, Menina ou mulher?
E mais uma vez o silêncio predominava.
Boca, não saiu palavra,
Mas ela na pressa saiu.
Debruçando-se em lágrimas,
Aquele palhaço põe-se a caminhar,
Em ruas sem nome...
Em lugares distantes...
Sem rumo...
Onde?
Ele a amava... Se via apaixonado,
Não sabia o que fazer,
Já se encontrava perdido pelos encantos...
Ela nada lhe disse,
Então viu que o seu destino era sofrer...
Pobre homem, feito de carne e de sangue,
Como qualquer outro,
E como qualquer outro,
Também sofre por amor.
No picadeiro dos seus sonhos,
A pessoa que domina é aquela de outrora,
Dona daquele beijo...
Daquele suave e doce beijo,
Ao qual se enamorou,
E agora se dissipou...
Partiu-se...
O tempo pra sempre guardou!
Aquele tempo.
Triste tempo.
Tempo inexorável.
E o Palhaço que se julgava perdido de amor,
Decidiu escrever mesmo estando amargurado,
Não teve vergonha de dizer e assumir,
Que hoje é mais um palhaço apaixonado!
No circo cheio de luz
Há tanto que ver!...
"Senhores!"
- Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores -
"Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga"
O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo à multidão.
Ri, palhaço!
Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir!
Será que ficamos tão tolos quando estamos apaixonados? Com que cara ficamos? Cara de palhaço, pateta? Ou seria débil-mentais?
O Palhaço
Estou tranquilo.. respiro um pouco..
Me sinto sufocado, acendo um cigarro..
Espero o próximo espetáculo..
Bom, seja o que Deus quiser..
Jogo o cigarro no canto..
Vejo que ele toca a lona..
E logo logo tudo começará..
Olho no espelho..
Me vejo fantasiado, assim como você tanto quer..
Talvez como você tanto quis ver..
Você disse que assim seria, talvez não tenha ouvido..
Ou ignorei.. por talvez achar que era um momento importante..
Mas, me vejo.. lindo.. como sempre achei que fosse..
Um lindo sorriso desenhado no rosto..
Aquele nariz vermelho, que lembra a única coisa na qual me fez me sentir eu..
Olhos azuis desenhados sobre minhas pálpebras..
E quando fecho os olhos..
..Gotas caem abaixo deles tirando a tinta branca..
Manchando o que uma vez foi um rosto alegre..
E agora destruído, arrasado.. Ajeito a gravata..
Vejo que você não esta onde deveria estar, assistindo tudo..
E eu como se provocasse risos...
...Ando lentamente, movendo o rosto para os lados..
Olho pro chão, e vejo o AllStar..
Que parece comprido e mais pesado quando ando..
Ao meu redor, todos apontam e dão gargalhadas a cada passo meu..
Carrego arrastando algo no chão..
Meu orgulho, amarrado ao meu coração..
Olho na multidão.. lá em cima.. e lá está você..
Mais uma vez.. choro, me humilho, grito seu nome..
E mas uma vez.. você vira o rosto e ri..
Dizendo algo no ouvido de um garoto que está ao seu lado agora..
Me despeço do público agora..
Tudo tão vazio e sem esperanças..
Espero a cortina se fechar lentamente..
Novamente, as lágrimas escorrem pelo meu rosto..
Porque teve que ser assim ?
O fogo se alastra sobre as pilastras, todos correm..
Eu fico só.. mais uma vez..
Uma última vez.. sozinho, pra ver o circo pegar fogo..
No fim das contas, só eu me queimei..
Porque a vida sempre foi uma piada sem graça..
.. Assim como eu ..
