Amargo
Gosto Amargo
Sabendo que eras veneno,
ainda assim bebi.
Gole por gole,
como quem tem sede de infinito.
Era amargo —
mas eu disse a mim mesmo
que era amor.
Afundei-me nesse sabor fugaz,
ardendo na língua,
queimando por dentro,
e mesmo assim
não larguei o copo.
Tinha tanta sede
que me afoguei em ti.
Inocente fui,
ao acreditar que era eterno
o brilho do teu sorriso —
sorriso que, pouco a pouco,
devastou o que havia em mim.
Hoje restam
solidão e dor,
filhas de uma tragédia veloz,
sem aviso,
sem direção.
Caminho agora
entre ruínas,
recolhendo pedaços
de um eu que já não existe.
E o que sobrou de mim
não sonha,
não espera,
não ama —
apenas respira
no silêncio pesado
de quem aprendeu
que o veneno
às vezes
tem gosto de eternidade.
Aprendi que a "Espera" é o remédio mais amargo e incerto que existe. Pois mesmo em doses grandes, talvez não faça efeito...
"Se amanhã acordar com aquele amargo de arrependimento, tome um copo de água com açúcar e siga em frente 'Meu Bem'. Pior seria dormir com vontade."
-Aline Lopes
"Só quem já provou do veneno amargo das palavras, conhece o valor adocicado do silêncio."
-Aline Lopes
O saber amargo
Gritos de solidão foram ouvidos,
Abraços de ilusão foram dados,
O momento tempestivo foi subjugado,
Na razão o existencial é só um detalhe, o substancial recebe aplausos e o importante é incompreendido.
Eu sou o bem e o mal, o doce e o amargo, a luz e as trevas, o amor e o ódio,eu sou uma espécie de yin yan. Eu sou de peixes.
A Aliança das Três Gerações
O mundo repete um ditado amargo e cruel:
Que um pai cuida de muitos, mas poucos são fiéis.
Dizem que o filho se esquece de quem o gerou,
Mas essa mentira, sua casa já derrubou.
Na sua fortaleza, a regra é outra, é divina:
Onde a mãe é guerreira e a lição é o que ensina.
Você não caminha sozinha nesse zelo e cuidado,
Pois tem filhos que marcham com amor ao seu lado.
Eles são netos que trazem o zelo no olhar,
Não veem "peso", mas raízes prontas para amar.
Enquanto muitos abandonam e deixam ao léu,
Seus filhos constroem para os avós um pedaço do céu.
É a prova final de que sua semeadura foi certa:
A porta da honra está sempre ali, bem aberta.
Pois cuidar de quem foi nosso primeiro abrigo,
É o maior dos tesouros que levamos conosco.
Guerreira de luz, de fibra e de manto,
Que enxuga as lágrimas e transforma em canto.
Seu legado está salvo, a receita está feita:
Amor que respeita é a colheita perfeita.
-------------------- Eliana Angel Wolf
Trecho do poema
O riso jamais dado
Tosses secas estão sendo derretidas
no amargo chão cinzento dessa tempestade
Meu amargo mel
Lembro dos dias em que a gente se cruzava
Meu coração batia forte, a voz travava
Eu ensaiava mil maneiras de dizer
Mas o silêncio sempre vinha me vencer
Tanta coisa presa aqui dentro do peito
Um sentimento puro, sem nenhum defeito
Foi por medo que eu perdi você
Foi por timidez que deixei de dizer o que sinto
A sorte é que existe o papel
Pra confessar esse amor, meu amargo mel
Agora as noites são mais longas, pode crer
Penso no que a gente podia ter sido, ter
Cada palavra que não disse é um espinho
Que me machuca por seguir assim, sozinho
E nessas folhas eu me encontro e me liberto
Mesmo sabendo que você não está por perto
Foi por medo que eu perdi você
Foi por timidez que deixei de dizer o que sinto
A sorte é que existe o papel
Pra confessar esse amor, meu amargo mel
Café bueno.
Talvez seja o doce amargo dos acasos;
talvez você saiba bem o que falo.
O desencontro dos nossos lábios
deveria ser uma traição pintada por Picasso.
Pintura esta que, mesmo triste, enalteceria os teus olhos.
Olhos que habitam os reflexos dos sonhos
que tanto sinto falta nas noites de insônia
reforçadas com xícaras de café bueno.
O prêmio da mentira e da hipocrisia, da falsa devoção, é o fruto amargo que têm os seguidores desse tempo escuro e infeliz.
Um amor impossível.
Uma taça de fel.
Um amargo destino.
Um abrigo no céu.
Um desejo etéreo.
Uma dura sentença.
A ausência do mundo.
Uma vida em vão.
Um poeta.
Uma musa.
Divina ilusão.
Foram dados um ao outro
em tempos diferentes:
um viverá na morte,
o outro na inconsciência.
— Evan do Carmo
Bah…
tem saudade que nem mate amargo adoça.
O luto de um amor vivo é coisa triste, vivente.
Porque a gente segue andando,
sorrindo nas rodas,
arrumando o cabelo,
fazendo tudo certo…
mas por dentro o coração fica parado
na última vez que aquele amor olhou pra nós com carinho.
E pior que ele ainda existe.
Respira o mesmo céu,
anda pelas mesmas ruas,
mas já não pertence mais ao nosso abraço.
O tempo corre, mas a ferida não.
O mesmo vazio persiste, amargo e fundo.
Foi a palavra não dita, a incompreensão,
que nos lançou em lados opostos do mundo.
Não foi a falta de amor, e sim o medo.
A covardia sutil de quem se cala.
Guardamos o maior de todos os segredos:
a dor que o orgulho, em silêncio, instala.
Nada mudou.
Mas hoje, na moldura do "antes",
escutei sua voz — um fio de luz,
lembrando os juramentos distantes,
do amor que a alma ainda conduz.
E se a distância foi por nós criada,
eu creio na ponte que o tempo pode refazer.
Pois o que foi quebrado, em cada madrugada,
ainda pulsa em mim, e pode reviver.
Atividade policial é um remédio forte e amargo. Porém, eficaz para uma sociedade adoecida pelo crime.
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