Almas que Nasceram uma para outra
JUNÇÃO DE ALMAS
(A sinfonia silenciosa da neurodivergência e do encontro)
Tudo o que é expresso através de gestos, olhares e palavras — entre presságios e enredos — vem sempre à tona em mim. Vou decifrando, no âmago de minha alma, os enigmas da vida: esses mistérios e segredos que instintivamente reconheço em ti e que se fundem em nós.
Encontrando, às vezes, a calmaria; em outras, tentamos organizar o quebra-cabeça que nos surge ao nos fundirmos no caos do mundo. Vamos decifrando que as diferenças são, na verdade, a nossa mais singela e telepática conexão.
E vamos caminhando de mãos dadas: uma hora tocando o céu, outra hora tocando o chão...
Lu Lena / 2026
No trono da liberdade as borboletas entram pela janela e fazem festa nas suas almas a pousar seus pés de águia. Eu observo e não me movo nas cores mais belas entre elas entrelaçadas. Nesse momento não quero pensar em nada, apenas olhar e divagar sobre as cores variadas que me deixam sobressaltada. Faço uma pausa de pensar em glória e alegria e a natureza me convida a ver os pássaros que esvoaçam na planície de vales pouco explorados, como se carregassem o propósito da humanidade. Os ouvidos da liberdade plenos dos ditames de seu espírito, voltam os olhos ao sol e fios de prata tecem teias inequívocas e sua empreitada ardilosa é digna de exílio. Dispersam os sonhos de prosperidade em primaveras e as flores regozijam o mensageiro da misericórdia no suspiro do mar a trazer lágrimas do céu das memórias. Louvados sejam o céu e o mar, que a terra vermelha contrasta. E o dia se passa. A lua se ergueu na cidade na quietude do sono do sol. A madrugada fria murmura ao vento melodias. Seja o que for, continuaramos a ser. A chuva torrencial no solo da solidão levam os galhos mortos e muito mais enterra nossas raízes na terra. Eis o que se espera em um momento de poético otimismo. Andamos altivos a carregar nossa honra e há vida em muitos mares muitos nunca navegados, idílicas paisagem para esquecer as andanças de nossos caminhos sobre a estrada. Por tal frugalidade os rios riam e seguiam rotas de margem. Um homem quieto e magro silenciava o mês de maio e escondia seu entendimento que certeiro seguia sem qualquer lamento, pois acariava as cordas vocais e suas mãos tocavam flautas inaudíveis no tempo de meu esquecimento e eu me transportava para águas passadas que já não me acrescentava alimentos de vida e minha sina era deixar passar o que passado está. Eu sou uma palavra gentil que atravessa os dedos do verso. Eu sou a filhas dos elementos que enaltece o momento presente.
Foi em um desses desencontros da vida, que nossas almas se encontraram, se falaram, se tocaram, e se conectaram.
Existem almas como o amanhecer,
pois você transborda por dentro.
Sua bondade não faz alarde,
é porto, é calma, é centro.
Admiro a arquitetura da sua alma,
feita de ética, de escuta e de zelo;
você transforma o caos em calma
só pelo modo de ser, sem apelo.
Mais que beleza que o olho alcança,
você tem a raridade do caráter puro:
é onde a gente ancora a esperança
e caminha com luz no escuro.
Existem almas como o amanhecer,
que trazem o sol sem pedir licença.
Não é sobre o que você faz,
mas sobre a paz da sua presença.
Admiro o silêncio da sua integridade,
essa alma que é porto e é prumo.
Sua ética é o que traz a verdade,
sua bondade é o que dá o rumo.
Há uma beleza que o tempo não gasta:
a luz que vem de quem é de verdade.
Para iluminar o mundo, você basta,
pelo simples dom da sua raridade.
Existem almas que são feitas de prumo,
onde o caráter é a bússola e o norte.
Admiro em você esse modo, esse rumo,
de ser ternura e, ao mesmo tempo, forte.
Sua alma tem uma luz que não oscila,
sustentada por valores que o tempo não move;
é a paz de quem na verdade se aquieta e brilha,
como quem passa ileso por tudo o que chove.
Aplaudo a integridade que mora no seu gesto,
a ética mansa que o seu passo conduz.
Em um mundo de sombras, você é o manifesto
daquilo que a alma possui de mais luz.
Há almas que são feitas de transparência,
onde a virtude é o alicerce e o teto.
Admiro em você essa rara coerência,
o brilho que nasce do que é reto.
Sua alma tem uma gramática própria,
escrita com ética, zelo e verdade.
É beleza que não se copia,
é o exercício da sua raridade.
Aplaudo o que você guarda no peito,
essa luz que não cega, mas guia;
admiro o seu jeito perfeito
de ser porto em qualquer ventania
Existem almas esculpidas em rocha,
onde a virtude é o que dita o valor.
Não buscam o palco, nem a vã glória,
são feitas de ética e de puro amor.
Admiro a elegância do seu pensamento,
essa alma que é abrigo, que é base, que é cais.
Sua postura resiste a qualquer contratempo,
é a nobreza de quem não se vende jamais.
Há um brilho em você que o olho não explica,
é o rastro de luz de quem vive no bem.
A sua presença é o que no mundo fica:
essa alma rara que ninguém mais tem.
A tarde alastrava sobre as várzeas encantadas e as almas vagavam na claridade sagrada das catedrais construídas com trabalho escravo, na vasta aragem a se espraiar nas páginas da eternidade. Eu me questionava quem fica e quem parte, quem é inerente e quem já vai tarde, pois acordei e a lógica me olhava atenta e me entreguei à razão, que muito sabe dos dividendos, a cobrar a velocidade do vento. A névoa alaranjada abraçava a paisagem abandonada de seres que não são mais nada. A chama da palavra rasgava a calma da alvorada. E muito mais eu pensava se na vida há quem permanece e na estrada muitos se esquecem. Era minha reflexão nas flores orquídeas de minha constatação. E deixo passar suave, sem alarde, quem parte. E me sinto mais serena se sei em quem depositar meus vales verdejantes nas colinas de ramagens esvoaçantes na exuberante luminosidade da tarde. Entre templos silentes, o azul tece preces de um tempo ascestral e me conduz ao natural elemento da natureza onde mora a certeza da sinceridade, pois tudo cresce no seu tempo. A essência perene desce lentamente pela veredas e eu me entretenho com segredos entre espelhos, que refletem nosso estado de espírito quando o crepúsculo veste a pele das serras e escurecem ecos celestes que percorrem vertentes. E cada verso fala em despedida se nunca sei o caminho da vida, mas o brilho invisível dos lírios se dilui, em sinos antigos que cintilam na vigília da alma em estado de perene calma. O passado se lembra sem viver, pois é uma forma de regresso e eu escolho seguir em frente, sempre em frente, pois a íris exibe caminhos de abundância em quem segue adiante. O meu boi morreu, o que será de mim? Manda buscar outro, oh maninha, lá no Piauí. Minha vida segue em cantiga de roda e eu mesma traço a minha rota. Eu sou meu poema autoral que nasceu na aurora boreal. Eu traço no infinito o meu próprio destino. Sempre em frente, sempre em frente.
Existem almas feitas de templo, onde o silêncio guarda o saber. Não cobram aplauso, viram exemplo, ensinam a arte de compreender.
Algumas almas se cruzam
pra nunca mais voltar ao normal,
viram rota, viram vício,
viram falta… visceral.
Sobre a medida de punição dos espíritos e das Almas que estiverem no Geena.
Aparentemente, pode parecer que todo o Inferno, quando for lançado no Lago de Fogo e Enxofre, O Geena, sofrerá igualmente, o mesmo grau de dor ou de queimação. Refiro-me tanto a Demônios quanto às Almas Humanas. Mas, à luz da Filosofia, Arte, Poesia e Teologia, ( afora depoimentos alhures, dos mais diversos!) entendemos que, se no Primeiro Inferno, onde jazem as Almas Humanas condenadas, há várias alas de punição, cada qual com um grau de pena aplicada, conforme a natureza de seu pecado praticado, na Terra, então não seria justo que, no Geena, pecados menores, fossem punidos com a mesma intensidade de pecados maiores praticados. Entendemos de forma absolutamente resumida, dizendo que, no Geena, isto é, no fogo eterno, que, cada um que lá estiver, irá queimar num grau ou numa intensidade; uma Alma numa, outra em outra intensidade, conforme o pecado que praticou. Em outras palavras: o fogo do Geena, arderá em cada um, numa intensidade proporcional. Embora todos que hão de estar lá, sejam mergulhados naquele inimaginável Mar de fogo, cada qual sentirá um nível de queimadura eterna, na Alma...
Às 08:51 in 12.10.2025
A normalidade é o necrotério das almas vibrantes. Prefiro o meu caos particular, torto e incompreendido, do que essa simetria higienizada que vocês chamam de saúde mental, mas que cheira a formol e conformismo.
Um dia todas as almas se reunirão para julgar deus por seus vários pecados. Resta saber a sentença: destruição total ou banimento ao eterno esquecimento?
Se deus tem um backup de todas as almas, então está liberado matar, porque ninguém destrói ninguém de verdade, só antecipa o encontro.
Deus é aquela avó que nunca está satisfeita. Ela ignora o resto do buffet e vai direto nas almas mais espiritualizadas, porque, depois de bilhões de anos, o paladar divino ficou exigente demais para qualquer coisa que não tenha gosto de nirvana.
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