Almas que Nasceram uma para outra
AMIZADE.
“Quando duas almas tornam-se amigas, o tempo passa a caminhar mais devagar, como se quisesse ouvir suas conversas.”
O Emaranhado Cósmico das Almas.
Por Celso Roberto Nadilo
Há um sentimento de emaranhado quântico nos sonhos que dividimos; estamos ligados por sentimentos, observando uns aos outros em perfeito equilíbrio. As luzes de outros universos nos guiam e nos mostram os moldes de um mundo no qual somos únicos. Sempre tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto da compreensão... A ponto de que, se nos encontrássemos ou soubéssemos da existência mútua, ambos deixaríamos de existir. Esta poesia cósmica é voltada para a aurora, como o canto do pássaro a cada amanhecer.
Mesmo que marquemos os nossos destinos e sejamos egoístas e destrutivos, ainda existimos em uma utopia de compreensão e paz — até que o vizinho decida fazer um churrasco e comemorar, até o amanhecer, a futilidade do futebol.
É no sono profundo que temos convicções de outras realidades. Damos livre-arbítrio à alma. Alguns dizem que ela não existe, pois a desilusão da vida religiosa os transformou profundamente em seres frios, realistas e sensatos; contudo, estagnados na profundidade de sua própria evolução. Parecem-se com os alienados pela perspectiva de seu líder político de estimação ou de sua crença religiosa.
Eu vejo tudo com a liberdade de compreender aquilo em que acredito: o limite da criação e a evolução. Afinal, evoluímos sonhando dentro de uma caverna, buscando o mundo espiritual e uma vida melhor para todos. Evoluímos pensando, olhando para outros mundos, indo aonde ninguém foi, descobrindo novos sonhos e horizontes dentro de nós mesmos. Buscamos as estrelas para reencontrar o que fomos em um momento único e surreal.
No escuro do espaço, não sinto medo; vejo descobertas, conhecimento e novas oportunidades de ampliar o ser ou de se conhecer melhor. Quando vejo o incrédulo que não conhece a própria alma diante do universo, enxergo um terraplanista na desilusão do seu ser perante a grandeza universal.
Quando morremos, caminhamos para a escuridão. Quando vi meu desespero refletido no espelho, olhando para o infinito, percebi que olhava para o abismo — e vi que o abismo olhava de volta para mim. Percebi que nada é definitivo ou eterno diante do tempo. As almas existem, e não como as metáforas daqueles que abrem o jornal da mesma forma que abrem suas mentes: moldadas em um conhecimento frio e abstrato.
O cosmos é muito maior do que podemos imaginar para sermos meros joguetes de uma mente que viaja para a morte ou que deixa de existir meramente no curso da evolução existencial. Para continuar além da perspectiva, somos a verdade da equação que mostra o relativismo em sonhos — as respostas que temos hoje porque, um dia, acendemos a luz dentro das cavernas. Nossas almas tocaram os céus, e vimos espíritos que tocam nossas vidas.
Entre a dúvidas as almas são rebatadas ou são parte do sistema que observam seus atos ate não conseguimos contemplar o proprio caos.
O sabor das almas aniquiladas pelas vertentes do horizonte sem fim.
A partida da equação do linear.
Vozes se repetem num marco...
Fenômenos expostos pela ganância; o ser químico torna-se o estado inerte da matéria.
Sendo prólogo da continuidade, começa a exploração do universo.
O monolito carrega dizeres em várias línguas — mais uma vertente para viajar pelos mansos braços cansados da origem do cosmos.
Sonsas falanges fantasmas, feitas de nuvens gasosas, mostram a centelha original por um instante. Avançamos no contínuo efeito das ondas massivas e vemos emoções dentro de grãos de areia.
Ventos de outrora, fora a metamorfose do antigo sol morto pela imensidão da ignorância humana.
O ser humano, recriado numa bolha, tem sua existência desenhada no cosmos em cada luz que se apaga.
Por Celso Roberto Nadilo
"Quando duas almas se dão as mãos no céu,
não há nada na terra que as separe!"
Haredita Angel
27.10.13
Encontro de almas
Nossos olhos se cruzaram;
Nossos corpos se engalfinharam;
Entre braços, pernas, mãos;
Doces murmúrios e então...
Nossas bocas se encontraram;
Nossas línguas se tocaram e explodiram todas as estrelas do céu...
Foi tamanho o arrebatamento que no ápice do momento eu acordei.
Foi um sonho e nunca mais te vi...
Foi um sonho e nunca mais te tive...
-Tem sonhos que o sono não traz duas vezes!
Haredita Angel
27.09.18
Vocês não têm a nada a fazer, senão ganhar almas. Portanto, gastem e sejam gastos nesta obra. John Wesley. Conferência em Bristol - 1745.
A partir de agora não falem de qualquer pessoa ausente, mas somente de Deus e de nossas almas.
É maluquice acreditar em missões de vida, em destinos traçados e em almas que se reconhecem através das eras? Uns chamam de loucura; outros, de fé. Mas, no fundo, essa espera é a minha forma de não aceitar o ordinário. Sou a guardiã de uma porta cuja chave só eu tenho, aguardando por quem um dia me pediu para esperar, prometendo que, embora os caminhos se desencontrassem, o reencontro valeria o peso de toda a nossa saudade.
Dizem que almas predestinadas estão conectadas além desta vida, mas a verdade é que o meu espírito habita essa eternidade enquanto o meu corpo padece no tempo do relógio. Acordo todos os dias com uma imensidão no peito, sentindo que ninguém é suficiente, que ninguém é capaz de tocar a chave que guardo para um dono que parece nunca chegar. É um conflito constante entre o plano espiritual, onde a conexão é absoluta, e a vida corpórea, onde a distância me faz temer estar perdendo os dias enquanto planejo a minha fé.
Talvez a minha 'loucura' seja apenas a teimosia de ser fiel a um sentimento que o mundo, tão acostumado ao desapego e à pressa, já não sabe mais sustentar. Sei que me pergunto, com o coração apertado, se estou perdendo a vida ou se estou, na verdade, construindo algo que poucos têm a coragem de viver: a lealdade absoluta ao invisível.
Sim, é maluquice. É a maluquice de quem prefere a dor de uma espera grandiosa à facilidade de um encontro vazio. E, enquanto a chave permanece aqui, guardada, sigo sendo a guardiã dessa porta, equilibrando-me entre a certeza da alma e a angústia da carne, esperando que o pulso dos nossos corações finalmente se sincronize outra vez.
Muita oração sem amor gera religiosidade; amor com oração gera ganhadores de almas.”
#PalavraQueTransforma
As almas mal resolvidas são engenheiras do caos, sua missão silenciosa é que a sua paz seja o próximo campo de batalha da desordem delas.
As almas rasas não suportam o peso da profundidade e invariavelmente se afogam no mar de quem ousa pensar e sentir.
A vida é sobre colecionar almas, não coisas, porque as coisas enferrujam, mas as conexões te salvam do vazio.
Há almas que são a própria combustão poética, incandescentes mesmo vestidas com o tecido mundano da prosa, sua beleza não é a métrica, mas a substância indomável de sua essência.
Estive entre ossos secos e almas já sem brilho, um cemitério de olhos que não mais ardia. Corvos pousavam nas minhas falhas, cravando olhares como pregos, aguardando o instante em que eu iria finalmente ceder. O vento cheirava a metal e pó, passos distantes soavam como facas nas paredes do peito. Como um carvalho retorcido pela tormenta, segurei o que restava de mim. Juntei raízes como dedos enegrecidos, afundei-os na terra estilhaçada e bebi, com avareza, o pingo de água que sobrava. A umidade tinha gosto de lembrança e sangue seco. Numa fenda da planície estéril, meu cárcere aberto ao sol, apareceu uma lâmina tão pequena que quase se escondia, uma promessa miúda, de luz, como se a aurora tivesse voltado com as unhas quebradas.
Cada fibra do meu corpo lutava contra o esquecimento, contra a areia que roçava os tendões e tentava sepultar a centelha final. A areia não era neutra: sibilava, entrava pelas gengivas, raspava a língua. Sobreviver não bastava. Havia que coagular a dor, transformá-la: o peso da solidão, o sussurro venenoso da desistência, tudo virou húmus amargo para uma vontade que recusava morrer.
O solo rachado não ofereceu descanso, ofereceu lições. Rachaduras cuspiam pó que cheirava a ossos e foi nelas que aprendi a perfurar, a furar a crosta do desespero com unhas encravadas. Busquei, com um fervor áspero, uma nascente que se escondia debaixo do olhar dos mortos, uma força profunda, mútua com a escuridão, que não se entrega ao alcance.
As sombras permaneceram comigo, não como inimigas, mas como mapas invertidos: eram faróis que apontavam para onde eu jamais devia olhar de novo. E então, o tronco que antes dobrava sob o sopro do mundo começou a endireitar, não por graça, mas por insistência, por teimosia sórdida. Mesmo naquele deserto que parecia ter consumido até a fé, a vida voltou, torta e obstinada, rasgando a casca do nada para cuspir, por um instante, seu próprio clarão, sujo, ferido, impossível de apagar.
Perdido entre o silêncio dos ossos secos e o eco de almas vazias, busco no norte o caminho do vento para, enfim, ter o ímpeto de navegar contra a correnteza que tenta me levar de mim mesmo.
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