Almas que Nasceram uma para outra
" Sabia que as nossas duas almas se tinham cruzado, não pelo olhar nem pela fala, mas pela impressão íntima de termos partilhado o mesmo silêncio primordial."
Suzana Travassos Valdez
In "Livro"
QUE A HUMILDADE E PUREZA, PROPAGUE EM NOSSAS ALMAS DE FORMA COTIDIANA, PARA QUE POSSAMOS SER SOLIDÁRIOS E AMOROSOS COM O PRÓXIMO.
Com o mundo do avesso
Muitas almas boas estão expostas.
Não se assuste se enxergar um pouquinho de Deus em alguém.
“Algumas almas vêm com mais luz do que o corpo pode conter. Há presenças que permanecem além do tempo.”
Eu e você.
Sintonia.
Fúria de desejos,almas que se completam.
Então veio vendaval,cacos e destroços a beira-mar..
Talvez a maré me leve com sua força e eu me atraque novamente em teus braços.
Só mais uma vez...!
Mais que beijos, a poesia mistura as almas,
tece fios de luz entre nossos silêncios.
Nosso amor é um rio que não conhece margens, corre livre, levando nossos nomes.
Amar você é respirar dentro do seu abraço,
onde o tempo desiste de marcar as horas.
Meu corpo se dissolve em seu calor,
e o mundo se faz pequeno, apenas nosso.
Quando me vejo em seus olhos, sou completa, um reflexo que o universo aprovou.
Não há espelho que mostre tanta verdade,
nem noite que apague esse brilho.
Sinto um amor antigo, de outras vidas,
como se fôssemos estrelas reconhecidas.
Nosso encontro é um verso já escrito,
um destino que a alma nunca esqueceu.
Somos dois rios que se encontram no mar,
duas vozes que se fundem em canção.
Não há distância que nos separe,
nem tempo que apague nossa essência.
E se um dia a memória nos faltar,
o coração saberá repetir nossa história.
Pois mais que beijos, mais que versos,
somos almas que se reconhecem.
Por que?
Oh pai, por quê? Por que, entre tantas almas,
submeter a minha pobre carne a isto?
Talvez eu não seja um bom soldado
para a guerra que o senhor planeja, não aqui, não assim
Eu não entendo, temo o mais tremendo, mas
ainda assim não entendo. Por quê?
Este monte de carne imundo já não se sustenta,
desgasta-se em silêncio
Da calda de ferro em vermelho vinho
que mina sob a fina camada
de gordura que encobre o rádio,
aos silenciosos pingos de pH 7,0
E o fim? Quando chega?
Virá pelas mãos mansas do tempo,
ou serei eu a fechar as cortinas?
“Seres humanos são, e sempre serão maldosos, mas Ele, tem misericórdia de suas almas incapazes de serem puras”
Encontrar, neste mundo, almas puras, sinceras e honradas
é como tocar o invisível valor de um tesouro escondido —
uma raridade silenciosa,
como quem descobre, entre pedras comuns,
uma joia de brilho eterno.
Atila Negri
Amar
Amar é fazer o ninho,
Que a duas almas contém,
Ter medo de estar sozinho,
Dizer com lágrimas: vem,
Flor, querida, noiva, esposa...
Cabemos na mesma lousa...
Julieta, eu sou Romeu:
Correr, gritar: onde vamos?
Que luz! que cheiro! onde estamos?
E ouvir uma voz: no céu!
Vagar em campos floridos
Que a terra mesma não tem;
Chegamos loucos, perdidos
Onde não chega ninguém...
E, ao pé de correntes calmas,
Que espelham virentes palmas,
Dizer-te: senta-te aqui;
E além, na margem sombria,
Ver uma corça bravia,
Pasmada, olhando p'ra ti!
Quero sumir .
Hoje quero sumir
porque a sociedade negocia almas
como moedas de troca.
Até os laços de sangue
enxergam valor apenas na utilidade,
enquanto definhamos lentamente,
com medo da solidão —
até descobrirmos que a solitude
é menos cruel que a companhia vazia.
Hoje quero sumir
porque sinceridade virou risco,
solidariedade virou discurso,
e respeito, uma peça de museu.
No lugar disso,
valores distorcidos governam,
usurpando o que havia de mais puro:
a alma limpa,
a verdade sem cálculo.
Quero sumir
para não testemunhar
os exploradores da fé,
os corruptos de consciência,
os vampiros da inocência
devorando o melhor das pessoas.
A humanidade se corrompe a cada instante,
se autodestrói chamando isso de progresso,
e elimina o simples,
o básico,
o essencial de ser feliz.
Criaram uma manada domesticada,
entorpecida por um sistema
que destrói o intelecto,
atrofia a consciência
e sepulta a justiça e a honestidade.
Hoje quero sumir
porque me sinto um estrangeiro neste mundo,
um erro fora da engrenagem.
Prefiro caminhar só
a viver no meio do caos
que desacredita os afetos
e transforma amizades em personagens.
Percebo que não me encaixo mais.
Vivo em conflito constante
entre o certo e o errado,
entre o bem esquecido
e o mal normalizado,
entre o homem que ainda sente
e o homem sociopata que aprende a sorrir.
Cansei de confrontar
manipuladores da mente,
que usam fragmentos da verdade
para sustentar grandes mentiras.
Hipócritas —
raça de víboras,
túmulos caiados,
limpos por fora,
ocosos por dentro.
O mundo conseguiu me expulsar.
Hoje sou uma alma errante
em meio ao caos,
à discórdia
e à ganância que impera.
E talvez sumir
seja apenas
uma forma silenciosa
de continuar sendo inteiro.
Esse é o grito que muitos retém dentro da sua alma. O medo do despertar e de manter a sua essência.
Atila Negri
"Seja criterioso com os caminhos que percorre e com as almas que caminham ao seu lado, porque elas possuem o poder em nutrir o melhor em você ou lhe esvaziar sem que percebas a tempo."
Contravento das Almas e a Doutora do Avesso
Dizem que existe, escondida entre estradas que levam a lugar nenhum, uma cidade chamada Contravento das Almas.
E dizem mais: quem entra lá precisa tomar cuidado…
porque até a lógica costuma sair de cabeça pra baixo.
Em Contravento, quase todo mundo é especialista.
Especialista em tudo.
De manhã, o padeiro comenta geopolítica.
À tarde, o frentista resolve crises do país.
E à noite, a praça vira tribunal —
onde ninguém estudou direito… mas todos têm certeza absoluta.
Aliás, direito é o forte da cidade.
Há advogados de profissão…
de vocação…
e principalmente de ocasião.
Mas nenhuma figura é tão emblemática quanto ela:
A célebre Doutora do Avesso.
Uma espécie de artista da argumentação.
A Doutora não discute — ela transforma.
Pega um fato, vira pelo avesso, ajeita as palavras…
e devolve como se fosse outra coisa.
E o mais curioso?
Quase convence.
Sua especialidade são as causas difíceis.
Aquelas que tropeçam na própria lógica…
mas que, nas mãos dela, ganham maquiagem, discurso e até aplauso.
Há quem diga que já defendeu o indefensável com tamanha firmeza
que o público não sabia se discordava… ou ria.
Lembra um antigo julgamento da cidade —
em que o advogado foi tão brilhante
que o tribunal inteiro ficou dividido entre a sentença… e o espetáculo.
Em Contravento, isso não é exceção.
É método.
Porque ali, mais importante que a verdade…
é a versão.
E versões, meu amigo, não faltam.
A cidade já foi próspera — dizem os mais antigos.
Tinha comércio forte, ruas vivas, gente acreditando.
Hoje… ainda tem gente.
Mas acreditar virou artigo raro.
Os mesmos que reclamam que nada cresce
são os que não regam.
Os que criticam o comércio
são os que compram fora.
E os que desconfiam da própria terra
plantam dúvida até onde podia nascer esperança.
Há até um costume curioso:
Muitos fazem questão de que os filhos nasçam longe dali —
na capital, de preferência.
Como se o primeiro choro precisasse de endereço mais importante.
Mas o tempo passa…
E um dia, sem aviso, o menino solta:
— “Ô pai… fecha a porteira!”
E pronto.
Contravento reaparece.
Inteira.
Sem pedir licença.
Porque ninguém foge completamente do lugar
de onde aprendeu a ser.
Enquanto isso, na praça, o tribunal segue aberto.
A Doutora do Avesso discursa.
Alguém rebate.
Outro distorce.
E no fim… ninguém muda de ideia.
Mas todos saem com a sensação de vitória.
É uma cidade curiosa.
Não anda pra frente.
Não anda pra trás.
Ela gira.
Gira em torno de si mesma —
defendendo versões,
acusando verdades
e absolvendo ilusões.
E no meio desse espetáculo… sempre há aplausos.
Às vezes sinceros.
Às vezes por hábito.
Às vezes… só pra não ficar feio discordar.
Mas, ainda assim, existem alguns.
Poucos.
Gente que não discute — faz.
Não distorce — constrói.
Não precisa convencer — vive.
Esses não sobem no tribunal.
Não aparecem.
Não gritam.
Mas talvez — só talvez —
sejam eles que ainda impedem
que Contravento desapareça de vez…
engolida pelas próprias palavras.
Porque, no fim das contas…
Em Contravento das Almas, ninguém perde uma discussão —
a verdade é que já deixou de participar faz tempo.
✍️ Nereu Alves
Sob o céu cinza e molhado da cidade,
Odores de almas abandonadas,
Mulheres tristes, como tardes encharcadas,
De uma cidade cheia de gente perdida,
E outras que nunca foram encontradas.
Um espaço que se move, dissimulado,
Ela veio, mas nada mudou,
A nave parada no vasto espaço,
A estrela quase se apaga, no fracasso.
Hoje mesmo, sob o céu de cinza,
Vi uma estrela, no contraste da sala Grande Otelo,
Parecia triste, como atriz em desgraça,
Era a faísca que acendeu meu olhar sem selo.
Olhos que amaram, mas não foram amados,
Tentaram se encaixar na máscara requerida,
Ela veio só com a alma revelada,
Esqueceu a fala, quis ser a própria vida.
Ela derramou uma lágrima, silenciosa,
Dor contida na língua de guerra,
No fronte, firme, em sua causa silenciosa,
Enfrentando a batalha verdadeira.
Sob o mesmo céu de chuva, molhado,
Ela era a gota que cai do céu,
Na terça-feira cinematográfica, em pranto,
A estrela ruiva, com voz, corpo, alma e fala.
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