Água
Bebo um copo de água. A quantidade de água que uso para lavar este copo é maior do que a quantidade que bebi. Algo está errado.
Você me questionou numa noite comum. Enquanto eu partia, você se apressou em me alcançar e segurou meu braço com firmeza. Com intensidade, você fitou meus olhos e me perguntou: 'Por quê?' Eu respondi, confuso: 'Oi?' Você persistiu: 'Por que está distante e age de forma fria?' Naquele momento, meu coração acelerou descontroladamente. Eu lutava para encontrar palavras que explicassem por que me afastara de ti. Decidi recorrer a uma analogia para expressar meus sentimentos.
'Quando estávamos juntos, eu me sentia como um nadador olímpico, vencendo todas as competições. Dava o meu máximo e sempre saía vitorioso. Era uma sensação incrível, completa. Olhar para a água me fazia sentir que poderia superar qualquer desafio, como se eu e a água estivéssemos ligados para sempre. Então, um dia, sofri uma lesão e me disseram que nunca mais poderia nadar. A tristeza tomou conta de mim. Não conseguia imaginar minha vida longe da água, mas tive que aceitar minha nova realidade. Porém, recebi notícias de que poderia voltar a nadar. Fui tomado por um turbilhão de emoções. Não sabia se deveria ficar feliz por retornar à água ou temer ter esquecido como nadar, correndo o risco de me afogar. Apesar das dúvidas, decidi voltar a nadar. E no momento em que mergulhei, senti aquela conexão incrível. Era como se cada célula do meu ser soubesse exatamente o que fazer.'
Terminei de falar e mergulhei no profundo de seus olhos castanhos. 'Você é minha água', eu disse. 'Basta um simples movimento de suas pálpebras e já anseio por me perder na vastidão de seu ser.'"
É como o correr das águas que a existência procura sentido, ou talvez simplesmente significâncias tardias no caminho. A chuva quando cai, não parece liberta para a salvação dos que sonham o verde frágil de seu encolhimento?! Água não tem barreiras; quando inquieta translada um novo começo, num instante revoluções para outras vidas. E nós, quanta água permanece adormecida? Quantos mergulhos mais precisamos para não recuar dessa sobriedade restaurada que não hesita e nem dormirá outra vez?! Água é lançamento imediato de momento nascido que nunca encontra estranhamento; como de um tempo antigo que vive em nós o entendimento de não pensar, apenas molhar a vida e sonhos num provável respiro de existir água.
Quanto à Fonte de Oxigénio para Respiração, os Seres Vivos Terrestres ou do Planeta Terra classificam-se em dois grupos.
1. Aquáticos:
Na sua Respiração utilizam o Oxigénio dissolvido na Água. Exemplo: Peixe.
2. Aéreos:
Na sua Respiração utilizam o Oxigénio do Ar Atmosférico. Exemplo: Homem.
CONFUSÃO MENTAL COMO EFEITO DA MEDITAÇÃO INTENSIVA
A Meditação Intensiva, que é essencialmente de Concentração, pode causar Confusão Mental!
Essa Confusão Mental resulta do excesso de hormona de relaxamento e do cansaço da área do Encéfalo, respetivamente, produzida e posta em ação durante a Meditação Intensiva!
Essa Confusão Mental pode ser resolvida por consumo da quantidade certa de Água, atividade física e descanso!
RIO SEM ÁGUA '
Eu sem você, sou noite
sem um céu estrelado .
Sou dia sem chuva ou sol,
Apenas um dia nublado.
Eu sem você sou passarinho
sem ninho,
com asa quebrada,
sem ter onde pousar;
eu sem você, sou noite escura
Sem o brilho do luar.
Sou um rio sem água....
sem você não sou nada,
um alambique sem cachaça;
apenas um viajeiro
Procurando encontrar
Um mar de onda agitada
Sorrindo das tristuras da vida,
Terminando assim, minha jornada !
Mesmo sem ti, insisto em prosseguir,
Nas ondas suaves, com calma,
Como nos contos de fada
Pois sei que nos amores que a vida nos dá,
Encontrarei motivos para amar,
a nobreza de uma verdadeira alma !
Maria Francisca Leite
Direitos Autorais Reservados sob a Lei -9.610/98
salpico de água
todas as discussões
deveriam ser
na hora do banho.
é quando todas as respostas
escorrem pela cabeça
e as mais sagazes falas
escapam atrasadas pelos dedos.
É por isso que um simples copo de água e um corpo de mulher compartilham o mistério da vida: ambos carregam em si o potencial de nutrir e gerar novas existências.
a água é essencialmente viva, e só se torna viva quando em movimento, e quando está em movimento, permite que outros também vivam, somos compostos por água, movimentar-se é o segredo da vida.
Sou semelhante à água, ocupando todos os lugares que me são permitidos. No entanto, onde não sou bem-vindo, prefiro desconsiderar e seguir por outra direção, tranquilo e sem ressentimentos.
Soneto ÁGUA NO SERTÃO
Quem foi que disse que não existe
Abundância d'água aqui no sertão
A seca braba aqui até que persiste
Com este sol arretado de quentão
Mas a água com toda força resiste
E se espalhando nesta imensidão
De céu azul e de gente que insiste
Luta, labuta e ama ver esse verdão
Que é verdade dura só alguns dias
Mas é sinal que há água no Sertão
De chuvas que ainda que erradias
Caíram no sertão formando bacias
Aguando a terra que alivia apertão
Trazendo esperança e vidas sadias
REZO ELEMENTAR
Que ser é esse, escorrendo-se em vida, o presente
Derramando-se como relva, regando-nos ao deleite
Como se lírios fôssemos, no paraíso do onipotente
Mesmo que vivamos no dúbio inferno de estimação.
Banha-nos a torre de nosso ego, a insensibilidade
Batiza-nos nos refúgios e sagrados altares pagãos
Em mantras noturnos da santíssima ancestralidade
Pelos tambores cardíacos dos corações irmãos.
Lava-me em acolhimento e amor, ao recém nascido
Antes que o cordão se rompa da raiz, da querência
A mãe germe do broto divino, sagrado, adormecido
Aurora de minh'alma, desabrochando-se, à sequência.
Que ser é esse que me banha de fluidos universais
Que transborda-me em pensamentos, e vontades
Que transcende-me de meus desertos sentimentais
Que irriga os amores eternos das minhas mocidades.
Que ser é este, que me põe a ser, ser elementar
Que me põe a olhar meu espelho vivo e trágico
Que me pare no leito de morte de minha ancestral
Ao mesmo tempo em que me mostra, mágico.
Batiza-me, oh santa medula mãe, de mãos serenas
Pondo-me no espelho interno de minh'alma
Na quietude de seus lírios, artemísias e sucenas
Na edificação da verticalidade de minha calma.
Prontifica-me em verbo à luz, em ética, à direção
Põe-me em silêncio, poetizando-me de memórias
Ao procurar as notas do amor, da paz, da emoção
Esperando minhas verdades ou crenças irrisórias.
Pedro Alexandre.
