Acorde Arrependido mas Nao Durma com Vontade

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Almocei ao lado de um casal. Ela dizia “você não tem atitude”. E ele ficava quieto. Ela dizia “custava ter se oferecido pra me levar, você sabia que eu tava nervosa”. Ele só coçava a testa. Ela dizia “cê pagou quanto”. Ele fazia com os dedos “três”. Ela gritava “três paus??? tá vendo, cê tem preguiça de procurar”. Ele enfiava a cabeça na palma da mão esquerda. Ela dizia “cê vai querer tentar?” Ele olhava o cardápio. Dai ficaram em silêncio uns vinte minutos. Até que ela falou “seu suco não veio, quer o meu?”. E ele quis. Amar um homem é, basicamente, desistir.

Ponha uma pedra pesada em cima dos julgamentos de quem não se importa contigo e siga em paz o teu caminho. Deus te fez em beleza, obra prima de Suas Mãos. Diante disto, o que mais importa? Ser feliz, em paz, em gratidão, em harmonia... e surdo... a tudo que não constrói.

Uma mulher não deve sequer olhar
para um homem que não é capaz
de fazer o mínimo para estar ao seu lado.

“Eu desejei não ser mais eu pra ser qualquer coisa que pudesse ser sua. (..) E eu fiquei quietinha, te esperando, rezando pra você ver que amor maior não tem.”

"Não é preciso ter pressa. A impaciência acelera o envelhecimento, eleva a pressão arterial e apressa a morte. Tudo chega a seu tempo.
Não se pode colher nada antes que amadureça. A fruta colhida verde é azeda ou amarga e não faz bem à saúde.
Quando alguém tenta realizar algo antes do momento propício, com certeza provoca uma situação incômoda e acaba prejudicando a si próprio ou a outras pessoas."

O parto

Três dias de parto e o filho não saía:
— Tá preso. O negrinho tá preso — disse o homem.
Ele vinha de um rancho perdido nos campos,
E o medico foi até lá.
Maleta na mão, debaixo do sol do meio-dia, o médico andou até aquela longidão, aquela solidão, onde tudo parece coisa do destino feroz; e chegou e viu.
Depois, contou para Glória Galván:
— A mulher estava nas últimas, mas ainda arfava e suava e estava com os olhos muito abertos. Eu não tinha experiência nessas coisas. Eu tremia, estava sem nenhuma idéia. E nisso, quando levantei a coberta, vi um braço pequeninho aparecendo entre as pernas abertas da mulher.
O médico percebeu que o homem tinha estado puxando. O bracinho estava esfolado e sem vida, um penduricalho sujo de sangue seco, e o médico pensou: Não se pode fazer mais nada.
E mesmo assim, sabe-se lá por quê, acariciou o bracinho. Roçou com o dedo aquela coisa inerte e ao chegar à mãozinha, de repente a mãozinha se fechou e apertou seu dedo com força.
Então o médico pediu que alguém fervesse água, e arregaçou as mangas da camisa.

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Ressurreições / 2

Eram os tempos da ditadura militar no Brasil.
Os generais deixaram-no entrar para que morresse em sua própria terra. Darcy Ribeiro chegou do exílio e uma ambulância, que o esperava ao pé do avião, levou-o diretamente ao hospital.
Darcy sabia que estava com câncer, e que o câncer tinha devorado pelo menos um de seus pulmões, mas estava alegre de alegria por estar na sua terra e sentir que ela estava tão sempre-viva e dançadoura.
O irmão de Darcy chegou da cidade de Montes Claros. Vinha para se despedir. Sentado ao lado de Darcy no hospital, olhava os próprios pés. Estava choroso e sombrio e Darcy tratava de levantar-lhe o ânimo. O cirurgião tomou Darcy pelo braço e levou-o para caminhar pelo corredor:
— Não quero desanimá-lo — disse —, mas acho que o senhor deve preparar-se para o pior. Se o seu irmão sair vivo, será um milagre.
Darcy não pôde conter o riso, e o médico não entendeu.
No dia seguinte, foi operado. Darcy despertou com um pulmão a menos. Como tem tantos, nem percebeu.

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As formigas

Tracey Hill era menina num povoado de Connecticut, e se divertia com diversões próprias de sua idade, como qualquer outro doce anjinho de Deus no estado de Connecticut ou em qualquer outro lugar deste planeta.
Um dia, junto a seus companheirinhos de escola, Tracey se pôs a atirar fósforos acesos num formigueiro. Todos desfrutaram muito daquele sadio entretenimento infantil; Tracey, porém, ficou impressionada com uma coisa que os outros não viram, ou fizeram como se não vissem, mas que deixou-a paralisada e deixou nela, para sempre, um sinal na memória: frente ao fogo, frente ao perigo, as formigas separavam-se em casais e assim, de duas em duas, bem juntinhas, esperavam a morte.

p.231

A gente não se apaixona por quem vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: o que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?

Senhor, abençoe nossa semana. Compreendemos que a alegria não é um pecado, sacrifício não é uma virtude.

[...] Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida.

O principezinho, que me fazia milhares de perguntas, não parecia sequer escutar as minhas. Palavras pronunciadas ao acaso e que foram, pouco a pouco, revelando tudo.

[O Pequeno Principe cáp. III]

Contra o buraco negro por onde nós mesmos seremos sugados, simplesmente não há solução.

E foi tão bom constatar que não me atinge mais. Não me entristece, não me aborrece, não me tira o sono. Passa por mim. Mas, não me atravessa. Foi-se o tempo. E foi-se o tempo faz tempo.

Você não é perfeito, um homem perfeito teria a maior paciência do mundo em me curar dessa minha loucura, e você tem a maior paciência do mundo em aumentar a ela.

Não deveria ser tão importante quem você é, ou quem é o outro. Importante de verdade é se somos capazes de acima de toda diferença, nos amarmos. Nos respeitarmos. E construirmos um mundo melhor, no qual habitemos em harmonia. O Grande Mestre nada nos pediu além disso.

Não é platônico, é apenas esperançosamente silencioso!

No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio.

Ela sabia o que era o desejo – embora não soubesse que sabia. Era assim: ficava faminta mas não de comida, era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço. Tornava-se toda dramática e viver doía.

Clarice Lispector
A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

TODA MULHER TEM O HOMEM QUE MERECE
Toda mulher tem o homem que merece. O mesmo não se pode dizer dos homens.

Ora, se uma mulher tem um homem que a valoriza, que a respeita, e principalmente, a ama imensamente ou se não tem nada disso no homem que está ao seu lado, é por que ela escolheu assim, e gosto não se discute.

Mas nós, homens, por melhores que sejamos ou venhamos a ser, jamais conseguiremos merecer a Graça que é o Amor, o Carinho e os melhores sentimentos de uma mulher.

Por que a Mulher é um ser em tudo tão adorável que para compensar tanta graça, a eternidade inteira seria pouco para amá-la, e mesmo um amor infinito seria, assim, insuficiente!...

E o ser humano pode tolerar uma semana de sede, duas semanas de fome, muitos anos sem teto, mas não pode tolerar a solidão. É a pior de todas as torturas, de todos os sofrimentos. Cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.

Só um ser humano maduro não tem medo de si mesmo.