Abismo
Caminhas em círculos, sempre voltando
para o mesmo abismo, onde te deixas cair.
A felicidade, para ti, é miragem,
e não ousas tocá-la, por medo de quebrar.
Sabes os caminhos, mas escolhes o desvio,
como se o fracasso fosse tua morada.
É mais fácil acreditar que não mereces,
do que tentar e falhar de novo.
Teu maior inimigo é o espelho,
onde vês apenas o peso das sombras.
E assim, te autosabotando,
construís tua prisão de silêncio.
O que esperas não vem,
e o que foges, te persegue.
Assim, sobrevives em pedaços,
sem jamais se permitir ser inteiro.
A solidão, um abismo negro e profundo,
Onde me afogo em lágrimas amargas,
Sem esperança de salvação, sem alívio para a dor.
A cada suspiro, um pedaço de mim se desfaz.
Buscando respostas para aquilo que sentimos, transcendemos
Quem criou este abismo? E por que ele não para de olhar para mim?
Guia-me dentro do abismo mais profundo, onde o esquecimento consome o meu ser e atormenta minha alma condenada. Que apenas a sua luz poderá me alcançar, pois a ti me entrego para reunir os fragmentos que ainda restam de mim. Seja meu na escuridão eterna, o último sopro de esperança antes que eu me perca para sempre.
"Angústia"
Meu coração é um abismo,
Um poço sem fundo, sem luz,
Onde a dor e a tristeza,
Se debatem em uma luta cruel.
Minha alma é um labirinto,
Onde eu me perco, sem saída,
Onde a angústia me sufoca,
E a esperança é apenas uma ilusão.
Eu sinto-me preso,
Em uma armadilha de desespero,
Onde a cada passo, eu me afundo,
Mais e mais, em um mar de dor.
Meu espírito é um fogo,
Que arde em chamas de desespero,
E não há água para apagá-lo,
Apenas a dor, que me consome.
Eu grito, mas ninguém ouve,
Eu choro, mas ninguém vê,
Eu me debato, mas não há escape,
Apenas a angúst
Somente você, poderá cair magnificamente no abismo de minha alma. E me fazer demasiadamente refém do seu eu mais profundo.
Meu coração se depara em um abismo de aflição. Me destes a jura ilusória de um tempo que não existe, portanto não encontro refúgio em meus pensamentos.
Segure minhas mãos, não me deixe cair
Nesse abismo escuro chamado tédio.
Segure-me firme, não me solte daqui,
Desse alto penhasco que é o medo etéreo.
Estou à beira de um triste desabar,
Preso à rotina que fere e consome.
Acorde-me agora, ensine-me a amar,
Dê vida aos desejos que o tempo some.
Explane em meu peito os mais belos sentidos,
Pois quero você, e só seu eu sou.
Em seus braços me perco, me acho, me sigo,
No amor que em mim para sempre ficou.
O equilíbrio é quem sustenta o líder sem oscilação. Do abismo, labirinto e despenhadeiro do fracasso, e entrega-o ao sucesso.
José Guaracir
Poema: "Escuro"
Autor: Diego Fernandes @devoidvessel
O abismo é meu único lar. É o único lugar onde me sinto verdadeiramente seguro e confortável.
Por anos ali fiz morada, e dali olhava para fora, vislumbrando os fracos que não tinham este tipo de privilégio.
Com o tempo voltei a ser um fraco, a sombra deu lugar a luz, e a luz me cegou e queimou.
Hoje volto de joelhos, me entregando ao estável vazio, implorando por aceitação e certo de que ali é meu lugar, e que nunca mais devo sair de lá, pois lá nada me atinge, nada me aflige, e posso esperar o doce abraço do oblívio.
O Abismo e o Eco
Eles vêm, de olhar vazio,
sem ver, sem saber, sem perguntar.
Marcham—não, rastejam—
com a certeza tola dos que nunca duvidam,
com o fervor triste dos que nunca pensam.
Erguem aos céus um nome, um vulto,
uma sombra que os consome,
um charlatão de feira, um embusteiro de trapos,
que lhes promete um mundo feito de espelhos
onde só veem o que querem ver.
E riem!
Riem do meu desespero,
da minha fúria que a ninguém toca,
do meu nojo que os diverte.
Saboreiam o ódio que os denuncia,
porque sabem que nada os toca,
que nada os convence,
que nada os redime.
E eu, que vejo?
Vejo ruínas erguidas como templos,
mentiras coroadas como verdades,
a história dobrando-se sobre si mesma
como um espectro de vergonha.
Dizem-me: "A história julgará."
Mas que história?
Se forem eles a escrevê-la?
Se o mundo for seu?
Se a verdade for extinta
como um lume apagado no vento?
E então?
E então nada.
Talvez reste apenas o eco,
o resquício de um tempo que poderia ter sido.
Talvez reste apenas este grito—
este grito inútil,
este grito impotente,
este grito que ninguém quer ouvir.
Cai no abismo de uma traição, buscando força e sabedoria em Ti.
Com os joelhos ao chão, peço perdão por meus erros.
Senhor, livrai-me da angústia, me leva até Sua casa,
Onde só a bondade eterna existe.
Venha a mim, Senhor, sou Teu servo.
Salva-me desta dor, toca os corações e traz misericórdia.
E enquanto isso
o planeta incivil de
Março desespera nu abismo
o suor clementino que rebentará mais
tarde em olhos nervosos de primas viris.
O Amor como Essência e Questionamento da Existência
O amor é o eco da alma no abismo,
A busca incessante pelo que não se vê,
É a verdade oculta, o eterno paradoxo,
Onde ser e não ser se entrelaçam ao viver.
É a essência que transcende o corpo,
Mas que ainda assim, o abraça em fogo,
É o abismo e o céu, a queda e o voo,
O desejo de ser e de se perder no outro.
Não é a posse que o define, mas o vazio,
O espaço que se preenche de presença e falta,
É o questionamento do ser e do não-ser,
A dúvida que nos molda e nos exalta.
Amar é entender que nada se sabe,
E, ainda assim, buscar, persistir e crer,
É a eternidade fugindo do tempo,
E o momento, carregado de infinito, a se fazer.
O amor é a pergunta que se torna resposta,
É o mistério que nos habita e nos chama,
O que existe e não existe, o que é e não é,
A filosofia do ser que se desvela na trama.
