A Inteligencia Nao se Mede
INDECISÃO
Será que sou o que penso
Falo ou escrevo?
Será que sou eu? Mesmo...
Ou não sei se sou o que penso
Que sou.
Se não penso o que falo
E não falo o que escrevo
Às vezes penso que falo
O que penso
E escrevo o que penso
Que sou.
BEM OU MAL
Não sei se sou bom ou mal...
Vivo ou morto
Se aporto ou voo
Se desejo ou renego
Se desato ou fico
Se bom, inexisto
Quando não tô presente
Na presença do bem e do mal
Será que o bem não é vil?
Ou, o mal infinitamente são?
ILUSÕES:
Oh! Tempo intempestivo!
Que marca as rugas
Que ficam e não passa
Viril pecador que mata e amordaça
Sempre retruca fazendo ameaças
Antanho vividos, sofridos sem graça
Tempo que corre morre, e não passa.
BLACK POP:
A Black pop é um mal chique
Não é aquele mal escarrado, nojento
A Black.
Ela curte veado, traveco, sapato e ladrão
A pop.
Não fuma, não cheira e não curte apertar
A mina.
Ela vota, brinca de roda e toca agogô
A negra.
É chique na lapa, na copa, no gueto
E até no pelô
O Black da negra.
Tingiu sem censura o branco encardido
“DEPUTA”... retrô.
PARALELAS
A vida que a mim consiste
Nos moldes que a razão emana
É certo, existir não existe
É concisa, fugaz e profana
O belo que a existência explicita
Enruga-se no primor da ode
No sonho da donzela se avista
E se perde a pretexto hoje
Quem dera se amanhã eu pudesse
Primar pela realidade insana
Quem sabe meu coração fenece
Ao ver enrugar-me a vida
Se bela, há de ser remota
Que nem a nossa ilusão avista.
É bastante pertinente que os artistas não caibam dentro de si
E explodam, transbordando de emoções...
Se houvesse um futuro melhor, eu não votaria no PT, porem não é salutar voltar a um passado muito, muito pior...
À PAZ:
Aqueles que não se tocam
Se abraçam ou se beijam
Não os conhecem
Uns aos outros
Tampouco, se amarão
Enquanto os homens
Dividirem territórios
As metástases da guerra
Triunfarão
E findará ao triunfo
Do único reino.
No casamento, amizade,
Ou amor
O acordo deve ser
Unilateral,
Se assim não o for,
Não haverá solidez.
UNIVERSO SEM FIM
Meu gigantesco universo
Pobre de ti que não ver!
É maior que teus pertences
Mais forte que teu querer!
Amiúda-se perdido, diante do teu prazer,
Não tem forças, nem guarida,
Quando teus olhos a mim ver...
CARA-METADE:
Minha cara-metade
Não se integra à minha
Outra metade!
O que não se é integro
Salutar não se pode ser.
Como terei saúde?
Sem a integridade do ser...
SACODE A POEIRA:
Sacudir a poeira?
Se não desalinho
Provoca sandice
Obstruindo as vias.
À volta por cima?
Pode ser metódico
E o método, quiçá,
Sem méritos.
POEMA TRISTE:
Quando me procurar
E não me encontrar
Deveras se fará tarde
Não chores!
Nem muito alarde...
Deixeis que o tempo enterre
As mágoas, as intempéries,
Aos sonhos que não se mede
Risos que antecedem
Soluços que há de vir.
Ah!...
Quando me procurar
E não me encontrar
Verás que a tudo inexiste
E assim eu te escrevi
Esse poema triste.
NADA SABEMOS SOBRE...
Que alma não almeja
Conhecer a alma?
Quem ao menos sonhará?
O coração de outrem é outro orbe
A quem não se vê, nem comunica-se,
Com quem não se há entendimento.
Nada sabemos sobre...
Quando de nossa própria
Aquelas que são alheias
Veem, gesticulam, e falam apenas,
No mais supomos alguma semelhança,
Ou mera coincidência.
A CRIANÇA QUE PERDI:
Esta noite eu não dormi, com meu siso,
Decidi... Viajei no passado (...).
E presente me encontrei com a criança
Que havia deixado a chorar na estrada sem tino
Do alto do consciente, a vi... E entendi.
Pra rever meus sonhos, planos, e desejos...
Eram todos fúteis!
Nasciam da fértil e quimérica imaginação
Daquela homérica criança.
Neste instante, inexoravelmente anseio
Seu resgate
Porém não me é dado êxito
Ah! Meu mundo surreal
Ofusca a aura clara
Do régio ser que um dia fui.
E dormi apenas eu...
MEU INCONSTANTE:
Não sei quem eu sou!
Tudo porque me conheço
Inconstante...
Não sei se queria ser como estou!...
O dom de ser feliz
Não me é mérito.
Destarte,
Eu não sou estou.
Amor?
Sentimento que não se explica.
Se bem ou mal;
Se volúvel ou se fraternal;
Se eunuco ou garanhão.
O amor não tem grão...
Tanto chão como quão,
É canção ou refrão!
Não se mede ou se pede,
É inverno ou verão.
Sol de primavera
Arco-íris ou sabão.
REALIDADE INCONTESTE:
(Nicola Vital)
A arte de escrever, cantar...
Não se sobrepõe à mera metafísica,
Confunde-se visceralmente
A evolução da mentalidade espiritual.
A mentalidade possui um processo
Em que você escrevendo... Ela
Vai conversando com você
Por viés satisfatoriamente palpáveis
Por vertentes verdadeiramente reais
E de bons legados.
Há qualquer coisa de bom em mim
Nesse momento,
Em que jamais explicaria
A metafisica.
Eu posso conversar com o místico!
Ante essa mentalidade,
Explicitar o pensamento ascético
Que me proporciona à letra.
07Set2015.
FILHO DA OUTRA!...
(Nicola Vital)
Eu pintei o meu Deus
E marquei para mim.
Não me deram azul,
Nem dourado!
E a cor foi carmim.
Não me deram bolas,
Não me viram à hora
Que malhei toda cola
Não pintaram, enfim.
Não brindaram-me a escola,
Onde rola a bola
E a bola rola
Só na cor de cetim.
Eu fiquei de fora,
facultaram-me a esmola
Meu padrão é morim
E o Deus de nanquim.
02Set2015.
