A Inteligencia Nao se Mede
Distribuo Atritos com Garantia Estendida
Lamentavelmente não acumulo cifrões,
Muito provavelmente por inaptidão,
De resto, tanto acúmulo.
Acumulei...
Saberes, palermices, sabores,
Prazeres, crendices, descrenças,
Compadres, tolices, amores,
Novidades, mesmices, plateias...
Acumulei...
Hematomas, saltitos, cafunés,
Excursões, alardes, historíolas,
Ruínas, empates, calmarias,
Tralhas, capotes, estreias...
Faço tuas as minhas palavras,
Sem risco de devolução.
Mesmo isso sendo o cúmulo,
Sugiro como princípio, uma única encíclica:
Neste parágrafo, sede travessão.
E em negrito maiúsculo sublinhado
ACUMULAI
Movediço
Sou possuidor de valiosas crenças, das quais não abro mão e defendo violentamente; edificantes, todavia o descarrilamento, faz-se tragicômico. Portanto e justamente por isso, até o final do dia, muito provavelmente, por este ou aquele motivo, eu já as tenha descartado.
Seria até mesmo poético,
Se não fosse o fedor putrefato,
De molho à bolonhesa,
Com gás mostarda.
Mas enfim,
Nem sempre poesia cheira bem.
E com relação ao mecanismo de ejeção,
Fidedigno profissional da logística; Remessa enviada com sucesso.
Agora caberia aos recursos naturais Cumprirem seu ofício,
Fazendo a recepção,
Servindo como destinatários.
Era uma manhã de terça,
Recordes pulverizados na maratona.
Como de costume,
Eu estava propositalmente atrasado.
Ao somarmos o sofrimento de uma vida,
Concluímos que toda e qualquer morte,
Não pode ser outra coisa, senão branda.
É possível que levemos
Muito tempo ainda
Para compreender,
Quão estratégica era a atitude dela,
Soube esperar o momento certo,
Algo extremamente difícil
Até mesmo para quem é munido
E amparado por longos períodos
De experiência prática de vida,
Mas sim, ela sabia esperar
E o desfecho sempre será surpreendente,
Se permitirmos, com que ele aconteça.
Despeço-me da letra,
Do leitor e da leitura;
Para estar com ela.
Lamentavelmente,
Não sei contar histórias,
Nunca aprendi.
A narrativa que me perdoe,
Mas foi na rima que me perdi.
Brunná e a Esperança que não Cessa
Havia tudo sido combinado,
Com cautelosa antecedência,
No prazer a apreciação,
Do repouso ao movimento e potência.
Mas quem afinal
Dentre estes que arriscam prever,
Haveria de enfim suspeitar,
Que tanto talento irrompe,
No dilúvio devastador de poder.
Tu podes tudo o que pensas ?
As perdas pertencem ao pódio ?
Conquistas são consequências,
De derrotas, do amor e do ódio.
Brunná e a Esperança que não Cessa,
Se intensifica e não cessará.
Posso afirmar bulhufas de fato,
Exceto pela parte que me toca,
Insisto que teu toque provoca,
A esmagadora prova de que
O que pode ser provado,
É ciência que não nos interessa.
Não fazemos ideia
Dos porquês,
Ocupamo-nos
Apenas, do aroma dos buquês.
Que restem penas,
Cheiros, perfumes, odores,
Penachos, farroupilhas.
Que restem arenas,
Termas, gladiadores,
Pomares, pantomimas.
Que seja esta nossa sina.
Que reste apenas,
Rima sobre Rima.
[A lição de Biel: Sorrir ao partir]
Simplesmente um pássaro que não podia voar,
Raramente se queixava, se empenhava em insistir,
Particularmente nunca o vi reclamar,
Sua grande qualidade era sorrir ao partir.
Jamais partilharia a sensação de voar,
Estar no alto das nuvens e dali acenar,
Mas ele podia sem nenhum impedimento,
Sair da atmosfera só com seu pensamento.
Sabia que esta condição, Não o impediria
De buscar a mais longínqua sabedoria.
Simplesmente um pássaro que não podia voar,
Raramente se queixava se empenhava em insistir,
Particularmente nunca o vi reclamar,
Sua grande qualidade era sorrir ao partir.
Se um pássaro sem asas aprendeu a lutar,
Quem somos nós para duvidar,
Da vida só o máximo devemos extrair,
E se tivermos que ir, vamos sorrir ao partir.
Simplesmente um pássaro que não podia voar,
Raramente se queixava se empenhava em insistir,
Particularmente nunca o vi reclamar,
Sua grande qualidade era sorrir ao partir.
Da vida só o máximo devemos extrair,
Quando tivermos que ir, vamos sorrir ao partir.
Para Além da Extensão de Meus Atos
Temo, que não possa viver de outra maneira,
Se não na forma de combustível fóssil,
Sou insustentável por mim mesmo.
Só ajo por combustão
E meus derivados são nocivos,
Minhas fontes que não são renováveis,
Tem se exaurido com velocidade alarmante.
Em meu cartel particular,
Promovo commodities especuladas,
Que monopolizam meus recursos,
Em prejuízo daquilo que tenho de melhor,
Causando estragos, irreversivelmente permanentes,
Que abalam o egosistema.
Em meus escombros,
Me escondo
De mim.
Conquanto,
Sou eficiente
Em denunciar-me.
Elma
Uma tarifa salgada, novos reajustes, aumentos, mas não por isso ela seria menos doce. Separava com zeloso cuidado os centavos de troco, cafeteira carregada com elixir poderoso, abaixo de sua janela. Aquela cabine era uma sauna e se mantinha abafando, hoje o dia amanhecera ameno, projetava-se um princípio de primavera, brisa massageando a fronte, o caixa há algum tempo vinha emperrando. Na rádio tocava algum lançamento internacional, de algum artista, cujo nome ela não pronunciaria com clareza, a cancela desregulada motivava um cansaço extra. O expediente seria longo naquela réstia dominical, mas a amazona veterana, determinada, mantinha-se concentrada no resumo da ópera. alerta, Tinha feito promessa pras crias, quando chegasse jantariam pipoca com suco de polpa e enfim, quem sabe, terminariam aquele quebra-cabeça de duas mil e trezentas peças.
Tornando-se pura e simples constatação;
Não estamos sós, nunca estivemos.
A cada passo, fabulosos espaços revelados.
De fato, somos a besta no labirinto,
Ou será que o labirinto ao nosso redor,
Foi quem bestializou tudo de sublime em nós,
Ou, ainda que a criatura resguarde,
Uma fração de tua natureza inviolável,
Esta se encontra barbaramente domesticada.
Assim inflamo-me contra
As comprovações e incongruências.
Após as infinitas milhas alcançadas,
A única distância que realmente importa,
É aquela que percorremos em nosso interior.
Só me inspiro faminto,
Num estado contínuo de náusea,
Então, de tudo me nutro,
Et la belle poésie,
É o agradável processo de regurgitação.
E confesso-te aqui,
Noite passada exorcizei a sangue frio,
Nossos piores medos.
Se existe coisa mais bela no mundo,
Que um sorriso bobo,
Inda não encontrei.
Caso não queira-me como teu,
Deixe-me ficar com tua pena,
Já que não voo, nem me vou,
Poderei ao menos permanecer,
Respirando
Alto,
Floreando
Amores.
Principessa minha.
Ela ainda não sabia,
Mas era dona da matéria-prima,
Com que os encantamentos eram feitos.
Permita-me,
Converter-te no próprio amor
E o amor próprio,
Que se ame.
Não há âncoras,
Há coragem,
E a ancoragem que naufrague.
Mesmo que nada tenhamos,
Ainda teremos nós.
Uma porção de insistência,
Cercada de resistência
Por todos os lados.
Deixo-te me levar,
Por franca-espontânea atração.
Deixe-me navegar,
Nesta ondulada vastidão.
Tragado no redemoinho,
De tua astuta maresia.
Bastava, a simples combinação,
Dela e do Violão,
Para que o mundo todo
Encontrasse harmonia.
Não tenho nada
especificamente
contra as pessoas,
até que elas provem
que são dignas
do meu ódio
e ressentimento.
Em todas tentativas falhas, fui assertivo
não acredito
que algo possa
ser respondido
com certeza
irrefutável,
não acredito
nem sequer
que algo possa
ser respondido,
mas ainda assim,
passo meus dias
irrefutavelmente,
a tentar responder
tudo.
07/10/23
Mel
não havia nada de doce nela,
era fúria e vontade de poder.
a menos que ela
quisesse, ser doce,
nesse caso era glicose pura.
um olhar profundo,
um caminhar fluído,
um sorriso desconfiado.
por incrível que pareça,
nela, força e precisão
caminhavam juntas,
lado a lado, de mãos dadas.
percorria 800 metros,
na velocidade da luz.
podia ver através da tua alma
e ela via através da minha.
pequenos dedos entrelaçados,
uma flexão firme de joelhos,
força e precisão,
impecável.
11/10/23
