33 anos

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Depois de 38 anos de capoeira descobri que, no final das contas temos é que treinar pra se defender e estudar pra vencer, pra fazer um jogo duro só com os fortes pois esses se tornam amigos e os fracos se tornam inimigos.

75 ANOS DO GRUPO DE ESTUDOS ESPÍRITAS FREDERICO FIGNER
UM MARCO DE LUZ — A LUZ PERENE DE NOSSO SENHOR
Há datas que simplesmente passam pelo calendário. Outras atravessam gerações.
75 anos de existência do Grupo de Estudos Espíritas Frederico Figner representam mais do que uma comemoração: constituem um capítulo de continuidade, trabalho e compromisso com o estudo do Espiritismo.
Setenta e cinco anos significam mãos que se sucederam, vozes que ensinaram, consciências que aprenderam, famílias que chegaram, trabalhadores que partiram e outros que permaneceram na vanguarda do serviço.
Ao longo dessa caminhada, muitos contribuíram para que esta fonte não se extinguisse.
E hoje, ao contemplarmos aqueles que atualmente sustentam suas atividades, é justo reconhecer-lhes o esforço, a dedicação e, sobretudo, a responsabilidade de receber uma herança que não lhes pertence individualmente: ela foi construída por muitas mãos e deve continuar servindo a muitos corações.
A imagem da fonte de Jacó nos oferece uma profunda inspiração: a água que dessedenta não existe para ser propriedade de alguém. Ela é oferecida a quem dela necessita.
Assim também é o conhecimento espírita.
E podemos recordar igualmente as redes de Pedro: redes lançadas ao mar para recolher peixes, numa tarefa que exige trabalho, perseverança e discernimento.
Que sejam, portanto, águas benfazejas e redes cuidadosas, capazes de oferecer alimento espiritual sem aprisionar consciências, esclarecendo sem impor, acolhendo sem infantilizar e estudando sem transformar a Doutrina em simples repetição de fórmulas.
Neste aniversário, recordemos também aqueles que trabalharam e ainda trabalham na vanguarda nos dois planos da vida.
Cada qual com suas características, seus limites, suas possibilidades e sua responsabilidade diante da tarefa.
Os que já retornaram à pátria espiritual não deixaram de fazer parte da história. E os que permanecem encarnados recebem agora a responsabilidade de continuar aquilo que outros começaram.
Há uma continuidade invisível no trabalho digno.
Mas essa continuidade somente conserva sua legitimidade quando permanece vinculada aos fundamentos que lhe deram origem.
Por isso, Kardec não pode ser apenas uma referência histórica numa celebração de 75 anos.
Seu trabalho representa uma base de estudo, método, exame racional e compromisso com a coerência doutrinária.
Os fundamentos precisam estar profundamente encrustados na bandeira que se levanta, não como ornamentação, mas como critério de zelo.
Porque uma fonte precisa conservar a qualidade de suas águas.
E uma rede precisa saber o que está recolhendo.
Não basta lançar redes; é necessário conhecer o mar.
Não basta oferecer água; é necessário cuidar da fonte.
Não basta falar em Espiritismo; é necessário estudá-lo, compreendê-lo e vivenciá-lo com responsabilidade.
Felizes aqueles que compreendem isso com humildade.
A vanguarda não significa esquecimento.
Vanguarda não é romper com as bases para parecer moderna.
Vanguarda é avançar sem perder a consciência daquilo que se recebeu.
É olhar para o futuro com os pés firmados no conhecimento adquirido.
É respeitar os que vieram antes sem transformar o passado em imobilidade.
É reconhecer os trabalhadores de ontem, valorizar os de hoje e preparar os de amanhã.
Os grandes construtores da Doutrina não pedem veneração; pedem compreensão.
E aquilo que receberam os primeiros trabalhadores do Espiritismo, aquilo que Kardec examinou, organizou e registrou, não deveria ser tratado como um peso sobre os ombros das novas gerações, mas como instrumento para que elas caminhem com maior lucidez.
75 anos são uma história.
Mas também são uma responsabilidade.
Que o Grupo de Estudos Espíritas Frederico Figner continue sendo fonte de estudo, espaço de fraternidade e campo de trabalho; que suas águas sejam límpidas para os que chegam e suas redes sejam lançadas com discernimento sobre o vasto mar da experiência humana.
Que os encarnados prossigam com humildade.
Que os desencarnados amigos continuem colaborando segundo suas possibilidades.
E que todos, em seus respectivos planos, compreendam que a verdadeira homenagem aos que edificaram esta história não está apenas em recordá-los, mas em zelar pela qualidade daquilo que nos confiaram.
Sob a luz perene de Nosso Senhor Jesus Cristo, que inspira o amor e a transformação moral, e sob a clareza dos fundamentos estabelecidos por Allan Kardec, que estes 75 anos não sejam apenas uma retrospectiva.
Sejam um compromisso renovado com o futuro.
Que a fonte continue aberta.
Que as redes continuem lançadas.
Que os peixes encontrados sejam beneficiados.
E que, depois de nós, outros possam dizer:
“Aqui houve homens e mulheres que compreenderam que servir ao Espiritismo é também cuidar, com humildade, da Doutrina que receberam.”
75 ANOS DE HISTÓRIA.
75 ANOS DE ESTUDO.
75 ANOS DE TRABALHO.
75 ANOS DE LUZ.
GRUPO DE ESTUDOS ESPÍRITAS FREDERICO FIGNER
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​"Decidir una vez cada cierto número de años qué miembro de la clase dominante ha de representar y aplastar al pueblo: tal es la verdadera esencia del parlamentarismo."
— Karl Marx

Em cada cinco anos, as árvores pensam que o machado é um dos seus porque tem um cabo feito de madeira e ignoram o facto de que durante quatro anos, elas escolhiam tristemente.

"OBSERVE A TRAJETÓRIA DE CONFUCIO, filósofo Chinês: "AOS 15 ANOS COMECEI A APRENDER, AOS 30, ESTABELECI-ME, AOS 40, NÃO TINHA DÚVIDAS" Ademar de Borba

No decorrer dos anos a exigência com a beleza vai aumentando, ela tem que vir de dentro.

A entrega inconsequente a tentação pode transformar momentos de satisfação em anos de arrependimento.
Há desejos que queimam e aquecem por um instante mas depois deixam apenas cinzas.
Nem todo prazer vale o preço daquilo que podemos perder por buscá-lo.

O asfalto sempre soube o nome de Joaquim. Ele era o homem de 60 anos que corria pelas ruas da cidade grande desde os seis anos de idade. Cresceu na periferia cinzenta, em um cortiço apertado perto dos trilhos do trem. Filho de uma lavadeira que trabalhava dezoito horas por dia, ele não tinha brinquedos nem espaço, mas descobriu cedo que a rua era de graça. Ele corria pelos becos de terra batida para esquecer o estômago vazio, corria para não se misturar com a violência que engolia os garotos da sua idade e corria simplesmente porque o vento no rosto era a única coisa que o fazia se sentir dono de si mesmo.
Na idade adulta, a vida continuou pesada. Joaquim trabalhou por quase quarenta anos como gari, correndo atrás do caminhão de lixo todas as noites, debaixo de sol ou de chuva temporal. Era um trabalho invisível, mas ele o fazia com uma dignidade rara. Joaquim conhecia cada morador de rua pelo nome, e muitas vezes tirava do próprio bolso o dinheiro de um pão para entregar a quem não tinha nada. Ele limpava a sujeira do mundo e, nas madrugadas em que não estava trabalhando, continuava correndo pelas avenidas desertas. A corrida não era um esporte para ele; era o seu santuário, o único momento em que não era o homem que recolhia as sobras dos outros, mas sim um homem livre.
Ele finalmente havia conseguido se aposentar. Suas articulações doíam pelo cansaço de uma vida inteira de trabalho braçal, mas seus pés continuavam firmes no asfalto. Até que a brutalidade do acaso o alcançou. Na calçada de uma padaria, enquanto tomava seu café da manhã, um motorista embriagado perdeu o controle do veículo e o prensou contra a parede de concreto. Joaquim não teve culpa de nada. O impacto destruiu sua coluna. No hospital, os médicos informaram que o trauma na medula era definitivo e que a paralisia total avançaria pelo corpo em poucas horas, tirando dele para sempre a capacidade de andar ou correr.
Foi uma injustiça imensa com alguém que passou a vida inteira fazendo o bem e cuja única alegria era o movimento. Joaquim não merecia aquele fim. Ele olhou para as pernas cobertas pelo lençol e soube que não sobreviveria trancado em uma cama de hospital. Sua alma morreria muito antes da carne.
Naquela mesma madrugada, sentindo a dormência começar a subir pelos tornozelos, ele arrancou os acessos do braço. Desabou da cama, arrastou-se pelo chão até a saída de emergência e ganhou a rua escura. Sob o ar frio da madrugada urbana, ele forçou os joelhos trêmulos e, por um último esforço de pura teimosia, o corpo obedeceu. Joaquim começou a correr.
A paralisia subia como uma maré lenta por suas pernas, mas ele continuou avançando pelas avenidas vazias da periferia. Sem sentir o impacto dos tênis velhos contra o chão, ele corria guiado apenas pelas suas memórias. A cada quilômetro, sua mente resgatava o passado: lembrou-se de si mesmo correndo na chuva para levar o remédio da mãe quando era jovem, dos dias de trabalho correndo atrás do caminhão com um sorriso no rosto e do menino que apostava corrida com o barulho do trem nos trilhos do cortiço.
Ao amanhecer, ele alcançou as margens de um pequeno lago esquecido no limite entre a cidade e a rodovia, o único lugar com árvores onde ele costumava descansar na infância.
O quadril travou por completo. Joaquim desacelerou no ritmo exato em que o controle de suas pernas desaparecia, até que os pés se fixaram na terra de uma vez por todas. Ele parou na beira da água, o corpo inteiro tremendo pelo esforço sobre-humano, e desabou de joelhos na grama.
Ele chorou. Foi um choro silencioso, pesado, o choro de um homem que passou sessenta anos apanhando da vida, mas que havia cruzado a sua última linha de chegada exatamente como escolheu: livre.
Joaquim olhou para o reflexo do sol nascente na água do lago, o mesmo sol que iluminava suas corridas quando ele era apenas um menino inocente fugindo da fome nos becos do cortiço. Ele não olhou para o céu com raiva do motorista que o atropelou, nem com rancor do mundo que sempre lhe deu o lixo e o esquecimento.
Com as mãos trêmulas apoiadas na terra úmida, ele respirou fundo o ar frio da manhã. Juntou o restinho de ar que ainda sobrava em seu peito cansado e, com as lágrimas escorrendo pelos sulcos do rosto enrugado, moveu os lábios. O sussurro saiu rasgado, mas firme:
— Obrigado... por terem me aguentado até aqui.
Não era um agradecimento ao destino cruel, mas sim um obrigado direcionado às suas próprias pernas, que nunca o abandonaram. Um obrigado ao seu corpo velho, que o carregou por tantas madrugadas solitárias e que guardou forças para lhe dar aquela última gota de liberdade.
Joaquim deitou-se de lado na grama, encolhendo os braços junto ao peito e recolhendo as pernas agora completamente paralisadas, como um menino cansado que finalmente chega em casa depois de um longo dia de correrias. Ele fechou os olhos devagar. O coração valente do gari deu uma última batida orgulhosa e parou.
À distância, o som dos motores e o barulho da cidade grande começavam a aumentar. O mundo acordava para mais um dia comum, inteiramente indiferente ao fato de que mais um homem honesto e inocente era injustiçado e encontrava seu fim.

Rezar é como mandar um e-mail para um suporte técnico que faliu há dois mil anos: você se sente melhor por ter reclamado, mas o problema continua lá, rindo da sua cara.

O sentido da vida é para a frente, mas o meu GPS existencial está recalculando a rota há dez anos.

Eu mudo de rota a cada dez anos porque me recuso a ser o museu de mim mesmo. Se eu não me trair de vez em quando, acabo virando estátua, e estátua só serve para os pombos da mediocridade cagarem em cima.

Minha conta é simples: uma única vida intensa vale mais do que mil anos de conversas vazias e sorrisos falsos. Se o paraíso é cheio de gente chata, prefiro que meu tempo acabe logo.

Se vivesse 10 mil anos, seria tempo suficiente para mudar de religião, sexualidade e ideologia política inúmeras vezes? Será que isso de fato traria mais clareza ou apenas mais confusão?

O que diabos fazer durante um milhão de anos no suposto paraíso cristão? Aquele lugar não passa dum tédio infinito disfarçado de recompensa, um inferno repetitivo e sem escapatória.
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Não desperdiçamos apenas anos; desperdiçamos as pessoas que poderíamos ter sido dentro deles.

O fato de determinado comportamento existir há milhares de anos não o transforma em direito.

A sociedade colhe, anos depois, aquilo que seus legisladores semearam sem perceber.

A comunicação pode construir reputações em anos e destruí-las em segundos; o Direito precisa aprender a medir a assimetria temporal entre construção e ruína.

Há amores que atravessam os anos justamente porque jamais foram submetidos à arquitetura da permanência.

Durante milhões de anos, a humanidade viveu como os animais. Então, em algum momento, despertou aquilo que nos tornaria singular: o poder da imaginação. Aprendemos a falar e, com as palavras, começamos a transformar a realidade.