75 ANOS DO GRUPO DE ESTUDOS ESPÍRITAS... Marcelo Caetano Monteiro
75 ANOS DO GRUPO DE ESTUDOS ESPÍRITAS FREDERICO FIGNER
UM MARCO DE LUZ — A LUZ PERENE DE NOSSO SENHOR
Há datas que simplesmente passam pelo calendário. Outras atravessam gerações.
75 anos de existência do Grupo de Estudos Espíritas Frederico Figner representam mais do que uma comemoração: constituem um capítulo de continuidade, trabalho e compromisso com o estudo do Espiritismo.
Setenta e cinco anos significam mãos que se sucederam, vozes que ensinaram, consciências que aprenderam, famílias que chegaram, trabalhadores que partiram e outros que permaneceram na vanguarda do serviço.
Ao longo dessa caminhada, muitos contribuíram para que esta fonte não se extinguisse.
E hoje, ao contemplarmos aqueles que atualmente sustentam suas atividades, é justo reconhecer-lhes o esforço, a dedicação e, sobretudo, a responsabilidade de receber uma herança que não lhes pertence individualmente: ela foi construída por muitas mãos e deve continuar servindo a muitos corações.
A imagem da fonte de Jacó nos oferece uma profunda inspiração: a água que dessedenta não existe para ser propriedade de alguém. Ela é oferecida a quem dela necessita.
Assim também é o conhecimento espírita.
E podemos recordar igualmente as redes de Pedro: redes lançadas ao mar para recolher peixes, numa tarefa que exige trabalho, perseverança e discernimento.
Que sejam, portanto, águas benfazejas e redes cuidadosas, capazes de oferecer alimento espiritual sem aprisionar consciências, esclarecendo sem impor, acolhendo sem infantilizar e estudando sem transformar a Doutrina em simples repetição de fórmulas.
Neste aniversário, recordemos também aqueles que trabalharam e ainda trabalham na vanguarda nos dois planos da vida.
Cada qual com suas características, seus limites, suas possibilidades e sua responsabilidade diante da tarefa.
Os que já retornaram à pátria espiritual não deixaram de fazer parte da história. E os que permanecem encarnados recebem agora a responsabilidade de continuar aquilo que outros começaram.
Há uma continuidade invisível no trabalho digno.
Mas essa continuidade somente conserva sua legitimidade quando permanece vinculada aos fundamentos que lhe deram origem.
Por isso, Kardec não pode ser apenas uma referência histórica numa celebração de 75 anos.
Seu trabalho representa uma base de estudo, método, exame racional e compromisso com a coerência doutrinária.
Os fundamentos precisam estar profundamente encrustados na bandeira que se levanta, não como ornamentação, mas como critério de zelo.
Porque uma fonte precisa conservar a qualidade de suas águas.
E uma rede precisa saber o que está recolhendo.
Não basta lançar redes; é necessário conhecer o mar.
Não basta oferecer água; é necessário cuidar da fonte.
Não basta falar em Espiritismo; é necessário estudá-lo, compreendê-lo e vivenciá-lo com responsabilidade.
Felizes aqueles que compreendem isso com humildade.
A vanguarda não significa esquecimento.
Vanguarda não é romper com as bases para parecer moderna.
Vanguarda é avançar sem perder a consciência daquilo que se recebeu.
É olhar para o futuro com os pés firmados no conhecimento adquirido.
É respeitar os que vieram antes sem transformar o passado em imobilidade.
É reconhecer os trabalhadores de ontem, valorizar os de hoje e preparar os de amanhã.
Os grandes construtores da Doutrina não pedem veneração; pedem compreensão.
E aquilo que receberam os primeiros trabalhadores do Espiritismo, aquilo que Kardec examinou, organizou e registrou, não deveria ser tratado como um peso sobre os ombros das novas gerações, mas como instrumento para que elas caminhem com maior lucidez.
75 anos são uma história.
Mas também são uma responsabilidade.
Que o Grupo de Estudos Espíritas Frederico Figner continue sendo fonte de estudo, espaço de fraternidade e campo de trabalho; que suas águas sejam límpidas para os que chegam e suas redes sejam lançadas com discernimento sobre o vasto mar da experiência humana.
Que os encarnados prossigam com humildade.
Que os desencarnados amigos continuem colaborando segundo suas possibilidades.
E que todos, em seus respectivos planos, compreendam que a verdadeira homenagem aos que edificaram esta história não está apenas em recordá-los, mas em zelar pela qualidade daquilo que nos confiaram.
Sob a luz perene de Nosso Senhor Jesus Cristo, que inspira o amor e a transformação moral, e sob a clareza dos fundamentos estabelecidos por Allan Kardec, que estes 75 anos não sejam apenas uma retrospectiva.
Sejam um compromisso renovado com o futuro.
Que a fonte continue aberta.
Que as redes continuem lançadas.
Que os peixes encontrados sejam beneficiados.
E que, depois de nós, outros possam dizer:
“Aqui houve homens e mulheres que compreenderam que servir ao Espiritismo é também cuidar, com humildade, da Doutrina que receberam.”
75 ANOS DE HISTÓRIA.
75 ANOS DE ESTUDO.
75 ANOS DE TRABALHO.
75 ANOS DE LUZ.
GRUPO DE ESTUDOS ESPÍRITAS FREDERICO FIGNER
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