25 anos
Há alguns anos atrás por muito tempo eu pensei que podia voar; que seria um condor sobre o relevo fluminense; era uma ideia meio insana; parecia uma debilidade mental e assim fui intimado a uma terapia com um psiquiatra. por seis meses, duas por semana e quatro por mês frequentei a clinica do Dr Jartov hasstoff conceituado psiquiatra de descendencia russa. Passados seis meses e alguns dias, ao chegar na Clínica encontrei-a fechada; uma adolescente que reside no dificio e namora com o rapaz da cobertura, que não quis revelar seu nome , jura que viu jartov pulando da cobertura, mas seu corpo jamais foi encontrado. Acho que Jartov aprendeu a voar...
Ainda não tinha o terminal de ônibus, já faz alguns anos, num daqueles rompantes Laura saiu abruptamente e nunca mais apareceu; cheguei a sonhar com seu rosto adornado surgindo com sua cabeleira dourada sobre a superfície da lagoa numa espécie de medusa; eram pesadelos que me traziam insônias
e me aceleravam os batimentos cardíacos trazendo-me uma espécie de apneia, depois quando eu conseguia me restabelecer corria pra varanda e ficava contemplando aquele véu prateado pela lua; vinham- me as lembranças de histórias mais tristes; visagens criadas pelo tempo, de amores consumidos pelas águas, nas vozes marcantes e inconfundíveis de meus antepassados; era bem possível que para terceiros tudo ganharia um tom folclórico e lendário, mas quem ouvira de suas bocas, dadas as devidas proporções, percebia-se, tudo era verídico. Portanto nunca era surpresa quando um corpo aparecia boiando nas águas da lagoa; mas esse não foi o caso de Laura; não foi o encanto da lagoa ou o desencanto com a vida que a levou. Talvez exatamente o contrário; talvez o encanto com tudo que soprava na brisa e aquele murmurar apaixonante que movia silhuetas quando a lua cochilava sob alguma nuvem; aquele encanto que soprava notas de alguma música, trazendo a ilusão gratuita de que a vida pode ser bela; talvez isso. Meditando assim, perdi a conta das vezes que vi os primeiros raios da aurora, ouvindo feirantes armando suas barracas, na esperança vã de ganharem a vida com a venda de seus produtos. Ganhar dinheiro jamais será ganhar a vida; assim passaram-se os anos, de modo que Laura era uma figura arredia atrás das portas; uma moldura desalinhada que mal suportava a foto desbotada; uma curiosidade que suspirava na minha alma a querer saber onde lhe levara tanta pressa de viver. encontrava sempre alguém que fazia parte daquele grupo que bebia e se derramava à noite, então o sorriso indeciso de Laura voltava a bailar às margens da lagoa como um fantasma teimoso; mas agora eu tinha Mirna, de olhar suave e fala mansa, que me falava de grandes poetas e cantarolava boleros enquanto se balançava na varanda como se a vida fosse eterna.
Numa noite depois de um evento no passeio público, nos dirigíamos à praça do Ferreira, quando num dos bares que tocava em alto volume uma música brega eu a vi, estava sozinha, sentada a uma mesa e ostentava um copo de cerveja que ergueu num leve cumprimento arremedando um sorriso; percebi como ela sofrera a ação do tempo, como o tempo pode ser cruel! Seria melhor nunca mais tê-la visto e ficar com aquelas lembranças bonitas. Agora aquela angústia se sobrepunha e Laura não passava de uma lembrança melancólica.
PREFÁCIO
Trinta anos atrás eu amanhecia,
Encantado com as espumas
Que as ondas provocavam
Ao baterem impertinentes contra o quebra-mar
E politicamente radical
Com os cachos dos meus cabelos castanhos
Ou o black power do meu irmão; eu era um contestador
Há trinta anos atrás a gente sorria mais fácil
E era mais fácil ser politicamente radical
Há trinta anos atrás bastava um sonho,
Uma postura e a ilusão da democracia;
As utopias revigoravam nossa ideologia
Há trinta anos atrás,
Eu só tinha trinta anos
E trinta Anos era uma eternidade,
Agora eu tenho duas eternidades
E este desejo que arde
Como se eu tivesse treze anos
Cronologicamente o meu cérebro não se deu conta
Que passou tanto tempo
E meu coração não se deu conta de seus efeitos.
Ainda me encanto com o alvorecer,
Com os tons de cada estação,
Com os pássaros, com o que vejo ou só imagino...
Com essa coisa nova que tilinta, que sussurra, que sopra,
Que canta, que me desperta
Que me faz correr como se eu fosse um menino
E então qualquer momento é uma eternidade...
E eu sonho... é o meu destino...
Eu sonho...
Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus
QUARENTA ANOS DE GESTAÇÃO
Olhava as mulheres gravidas com mais atenção;
a gravidez é no mínimo um gesto de amor;
um gesto de amor que geraria outros gestos de amor.
A mulher é o maior presente de Deus para o homem.
Mulher é divino. Mas a gestação de que falaria não era a de nove meses, era uma gestação de quarenta anos.
Poeta é um ser em eterno estado de gestação.
Assim aos primeiros olhares tudo é descoberta,
tudo é belo, tudo é paixão;
poeta se apaixona pelo menos sete vezes por dia
e sete vezes vai e volta à plutão.
Assim passeava no limite de seu universo,
até descobrir que era um feto em forma de versos,
uma gestação de toda uma vida... então um dia talvez nasceria AMORAMORA
Sonhar cansa. No auge dos dezoito anos, sonhando com a mesma coisa, já não restam esperanças de que um dia se torne realidade. Sentir-se inútil, velha demais para tentar — ainda que, no fundo, seja apenas uma distorção. Entretanto, a pressão despenca sobre você como um navio de toneladas, de uma vez só. Uma implosão debaixo d’água. Tudo irrita: as pessoas privilegiadamente ingênuas, moldadas por criações brandas e seguras, que subestimam seus problemas, seus sentimentos. E como dói… a cabeça, os olhos, a barriga, o coração, o apêndice, as costas, os nervos, as pernas, a respiração. Dói existir.
Todas as lágrimas que, por longos três anos, guardei, vêm à tona agora — de uma vez só. Receio que nem todos os lugares tenham um banheiro onde eu possa chorar escondida. Foram tantos meses engolindo o choro que, a qualquer momento, um gatilho vindo do fundo do meu ser pode me desabar de dentro para fora. Sei que, daqui a alguns anos, vou olhar para trás e pensar que meu sofrimento foi prematuro, que ainda dava tempo. Mas eu não quero chegar até lá para viver o que acabei de narrar. Quero olhar para trás e perceber que sofrer foi necessário para crescer. Que a frustração com a realidade me moveu, de verdade. Quero, com todo o meu ser, olhar para trás e ter orgulho de mim — por ter ficado, e por ter escolhido seguir.
Nos anos 60, os hippies eram admirados por todos . Nos dias de hoje, temos medo deles por não sabermos se eles são apenas hippies.
Na vida devemos ser persistentes como a gota d'água que após milhões de anos pingando, faz um furo na pedra. No final das contas, cada gota d'água contribuiu, retirando alguns átomos das moléculas da pedra.
VOZ PRECIOSA
Ouvi sua voz perto de mim, de repente viajei sete anos atrás em apenas dois segundos, lembrei-me de todos os momentos em que ouvia suas conversas com ela, sei que aquilo era turbulento mais lá no fundo do meu coração, eu não ligava, porque vocês estavam sempre lá, os dois sempre juntos, mas depois percebi que aquilo era apenas uma lembrança, que durou apenas dois segundos, mas foram os segundos mais longos e preciosos da minha vida . Porque eu vi vocês se abraçarem e dizer eu te amo.
Tudo bem que ainda não cheguei aos cinqüenta anos, e creio que no pique em que encontro-me será uma experiência maravilhosa...
À minha alma similar, minha gemelar de 3 anos de diferença, mãe mais nova, filha dos meus maiores cuidados. Àquela que não há medidas e interposições, está sempre nos meus planos, sonhos e lembranças. A você, minha irmã, feliz aniversário.
Algo assim como filme catástrofe dos anos 80
quando surgiam as evidências dos
acontecimentos ruins
sempre tinha o inconsequente que se posicionava contrário as atitudes que poderiam evitar a tragédia anunciada
aqui, na vida real
o inconsequente é presidente
Você pediria sigilo de 100 anos da sua honestidade, caráter, coisas dignas, honestas e boas que fez?
Que tipo de pessoa apesar de perceber as verdades (sim, porque o mal é óbvio e o comportamento denuncia!) ainda insiste em defender e apoiar o mau-caratismo? Isso é honra, moral e bons costumes? Isso é Deus acima de tudo?
Após longos anos de ausência, perguntei ao meu velho avô:
- O que aconteceu por aqui? Por que nossos campos já não são mais belos?
Com a mesma simplicidade de sempre, ele respondeu-me, sem demonstrar qualquer espanto:
- Não houve nada, meu filho. Foi você que cresceu tanto, que já nem consegue mais ver as coisas que antes sentia.
Ian, 12 anos!
"E se o mundo fosse acabar amanhã…
eu não me arrependeria de nada.
Porque todos os dias
eu me entreguei por inteiro."
Para Lana e Ian
O frio que vem de dentro
Aqui está bem frio.
Faz uns três anos que não ficava assim.
Mas não é a esse frio que me refiro.
O meu vem de dentro —
de uma saudade,
de uma ausência...
É a falta de algo que nunca tive,
não nesta vida...
e nem sei dizer em qual deve ter sido,
mas meu corpo sente —
e não desiste.
Fui dormir,
e meu peito queimava gelado,
se expandindo por todo o corpo,
me deixando gélida.
E não há edredons,
nem cobertores que me aqueçam,
até que eu durma
e, finalmente, o esqueça...
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