25 anos
ARCHITETTO: ANDREA PIRLO E SEUS 44 ANOS DE “BLACK TIE”
Professore, Maestro ou Mozart, o eterno meio-campista italiano, sempre jogando "de terno", completa mais um ano de vida neste 19 de maio
Seu uniforme é Black Tie, dizem que joga de terno
Apelidado de Architetto, Andrea Pirlo no Milan é eterno
Talentoso com a bola nos pés, sua batuta é a chuteira
Construtor de jogadas, na produção do vinho é a videira
A orquestra toda gira em torno de seu ritmo
Seu toque de elegância torna o problema em algoritmo
Maestro da banda de Brescia, passou por Inter e Reggina
Mas em busca da sintonia, tornou-se rossoneri com gana
Andrea Pirlo: Architetto de uma geração
De alma rubro-negra, poeticamente não era católico
Por mais que seja do Panteão dos craques, é diabólico
Suas cobranças de faltas tinham o apelido de maledetta
A famosa batida folha seca tornou-se uma arte do “capeta”
Com toques curtos refinados e lançamentos com harmonia
Arquitetou diversas filarmônicas, mantendo sempre a sintonia
Decerto, na melodia da Azzurra, foi o regente da orquestra
Assim, na final da Copa do Mundo de 2006, a Itália terminou em festa
Com exímio controle de bola, era a redonda que corria
Organizando, afinando os músicos, mas sempre com maestria
Visão de jogo apurada, chutes com crueldade e passes com perfeição
Era o toque da alvorada colocando intensidade no meio-campo da composição
Um gênio da arquitetura: Pirlinho
Made in Italy, estudou um brasileiro como plano cartesiano
Traçou um ponto em comum e tornou-se virtuose em bolas paradas, como Juninho Pernambucano
Dessa forma, Pirlo tornou-se Pirlinho, um italiano com traços tupiniquins
É como se Arturo Toscanini fosse um pouco João Carlos Martins
Os Bianconeris se renderam ao seu adágio com pensamento presto
Por fim, o Tio Sam requisitou a poesia de um Hefesto
E o fogo deste Diavolo Milanista incendiou todo o planeta
Conquistando toda a Terra ou, de forma poética, a destruindo como um cometa
Almirantes Rotineiros
No tempo em que festejavam
Os dias de meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto
Sou hoje um corpo frio
Sou mal amado pela escolha que fiz
Apenas por comodismo e conveniência
Sou tudo que me acostumei
Triste, melancólico, morto na besta vida que me propus ter
Vida sem amor,
Na bobeira que me agarrei por medo
O que eu sou hoje é tempo
Como eu te compreendo como pessoa
Como te amo sendo pessoa
Não, não morremos enquanto memória
Não fui eu que fiz anos, foste tu.
Fácil e bom para escutar
Lindo, difícil de entender
O saber tem seu lugar
Sabedoria é quase tudo
Talvez Etnólogo
Tenho me surpreendido comigo mesmo através do que venho escrevendo há alguns anos, e as vezes me pergunto, fui eu quem escreveu isso?
Pós Modernidade, tempos difíceis para os etnólogos que vivenciam e experienciam costumes de sociedade e povos diferentes, tentando sobreviver ao globalitarismo, cada qual, seguira o seu caminho imposto ou os mais afortunados escolhidos.
Como os monges, nós "etnólogos" mergulhamos nas sociedades e culturas, como um monge mergulha em busca da mais profunda paz na meditação, nos isolando, e ao mesmo tempo nos conectando com outras dimensões de verdades desconhecidas.
De varias palestras que participei e em sigilo comuniquei, dizem que sou intelectual, sem se recordarem de uma só frase e palavra dita, mas acham legal. Legal, simboliza, significa a lastimável condição de imobilismo e conformismo das massas imediatistas.
Pré-datado
“Anos atrás, quando eu mapeei mentalmente pela primeira vez o que significaria andar à frente, havia meia dúzia de arremessos em que eu pensava: Oh, isso é um movimento assustador e essa é uma sequência realmente assustadora, e aquela pequena laje e aquela travessia. Havia tantas pequenas seções onde eu pensava, mas nos anos seguintes, eu empurrei minha zona de conforto e a tornei cada vez maior até que esses objetivos que pareciam totalmente loucos acabariam caindo no reino do possível.”
Charles Darwin, Presente
Você é o resultado de 3,8 bilhões de anos de evolução, isto que se chama acordo.
O Impetuoso Eterno Retorno
Após anos tentando entender a generosidade de minha atitude, a interpretação do Übermensch é por demais generosa. Nunca consegui enxergar esta construção de Nietzsche, que na minha opinião, é apenas estética sem nenhum valor ético como um ser feliz, um ser satisfeito consigo próprio. Zaratustra gasta tanto tempo em críticas aos outros que, só resta uma sensação de estar lendo o texto de alguém frustrado com a existência. Um inimigo da vida real que propõe que a existência desejável é algo inatingível pelo homem.
Quando Nietzsche propõe o teste do retorno em Gaia Ciência, parece que propôs algo tão insólito como a contemplação suicida de alguns monges quando buscam para atingir o Nirvana através do jejum infinito. O eterno retorno, não é apenas impraticável, é indesejável.
Não sou especialmente sartreano, mas como eu poderia esperar ser livre num contexto de perfeição das ações. Penso que o erro e o arrependimento façam parte das nossas bençãos. São uma parte fundamental da mudança e a mudança é o desejável. O caminho tortuoso é verdadeiramente o Nirvana possível e desejável.
Atingir a meta, chegar ao fim do caminho é o inferno, ser o super-homem, viver de acordo com o eterno retorno é a morte. É o fim da aventura humana de erros, acertos, delícias e arrependimentos, amargores e doçuras. Não almejo o tempo para vivê-lo numa espécie de plenitude utópica. Sou um adorador do tempo em todas as suas dores e sobretudo na sua inconsistência tão fluida.
Como eu poderia respeitar o despautério de desejar uma vida perfeita, tão perfeita que, não mais se quisesse mudar uma nota em sua existência. O Super-homem está morto, pela própria definição do seu criador.
A vida não é feita de anos, meses ou dias. É feita de momentos. Um instante de felicidade pode iluminar uma vida inteira de escuridão. Um olhar, um abraço, uma palavra dita na hora certa pode mudar o rumo de tudo. Não é sobre contar o tempo, mas sobre viver o que realmente importa dentro dele.
Um homem se torna dígno de ser ouvido, quando, depois de anos praticando suas ideias, começa a falar sobre suas ações
Sua arrogância
Foi pela idade substituída
No diagnóstico feito pela vida
Você em dois anos envelheceu dez
Pouco juízo
Falta de conselhos muitas vaidades
Dispensando tantas oportunidades
Hoje você vive sozinha e carente
Segunda chance
Depois dessa idade é um presente raro
O mundo não poupa, o tempo cobra caro
Não perdoa juros nem dá prazo a gente
Letra de Vicente Nery
A satisfação de uma vida plena não está na quantidade de anos que vivemos, mas na qualidade de vida interior que nutrimos no momento presente.
O amor é tão irônico. Qualquer criança de três anos sabe amar, mas quando cresce e se torna adulta, começa a ter dificuldades.
Nem sempre o primeiro amor é a primeira namorada ou namorado. Às vezes passamos anos ao lado de uma pessoa que nunca amamos verdadeiramente, mas por quem sentimos um enorme carinho. E então a gente percebe que aqueles cinco ou seis anos de namoro com a pessoa “errada” se tornam abstratos demais para ser chamado de amor; e que um único dia ao lado da pessoa certa são as melhores vinte e quatro horas da nossa vida.
Misticismo
Um minuto de conexão
Cem anos sem explicação
Silêncio contido, disperso
Paz no sentido reverso
O que contém a letra M?
O que há por trás dela?
Misticismo e tudo treme
Na contínua passarela
Opções em transposição
No infindável rumo
Quatro ou um milhão
Eu encontro ou sumo!
Por que existe alfabeto?
Só enxergo uma agora
Sob outros olhos, perto
Distante, indo embora
Semelhança que atrai
Diferença que apedreja
Esperança que se vai
Coração que esbraveja.
Tatuado com açoite
Passam os carros, passam os anos
Uma mesma vida com outros planos
Crescimento alheio às megalópoles
Impaciente com as conversas moles
Mesma rua da infância sem crianças
Não há brinquedos, novas andanças
Habitante do arquipélago da lacuna
Que nos jornais não renderia coluna
O pessimismo é fruto da observação
Fecham-se os olhos, cai outra noite
Continua sendo perdoável ter razão
Ainda que esteja tatuado com açoite
Supera e se recolhe à sua caverna
Existe tranquilidade mesmo sazonal
Não alimenta crença na vida eterna
Otimismo deveras querer ser imortal.
Resguardo da pátria
Faz 15 anos que ele foi à guerra
E, desde então, não mais voltou
Sua mulher continua no casebre
Recordando tudo o que passou
Tantos planos estão esfacelados
Em nome do resguardo da pátria
Contudo, a bandeira bem tremula
Representada por militar ou pária
O governante motiva o confronto
Pois não terá de pegar em armas
Vê o desenlace pelos bastidores
Enquanto famílias são ceifadas
Não há real vencedor na batalha
Muitos entregam seu maior bem
Tratando com artilharia pesada
Fatalmente se dizima alguém
Histórias ricas resultando em pó
De corajosos que agora jazem
Um pranto que retumba no ar
É o dos que ficam à margem
A mulher ainda está esperando
Já que ele prometeu o retorno
Em uma promessa incumprível
Do soldado morto em Livorno.
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