Vozes
Quero ouvir as vozes que gritam, os berros que ecoam , por entre as flores da adolescência. Quero sim ,ficar surda para as maledicências de adultos cansados das lutas e cheios de suas verdades... Quero a alegria que contagia, uma certa rebeldia que encha minha vida de desafios, me impulsionando a viver..
Quero esses sorrisos verdadeiros, essa gana, esse exagero de ser.
Quero sim ter tempo pra junto adolescer e quem sabe junto também PODER CRESCER
Em meio a tantas gentes, a tantas vozes, mais se evidencia o meu silêncio.
Ali, todos tentando impor, ao elevar o tom, as suas verdades.
Ninguém ouve ninguém. Ninguém mais se ouve.
Houve quem tentasse. Em vão. E entre vãos escorrem o bom tom e a gentileza, essenciais para uma convivência saudável.
Não quero mentir
Alimento-me de vós
Alimento as vozes
E vocês
Alimentos
Ali
Malemal
Tenho um monstro faminto
Ele parece deus
Talvez não exista
Embora dependa de mim
Pois vive aqui
Alimento-o de mim
Alimento-me de vós
Alimento-te disto
Dito isto
Desculpo-me
E me despeço novamente
Pois não quero mentir
Oração da Noite
Meu Pai,
agora que as vozes silenciaram
e os clamores se apagaram,
aqui ao pé da cama
minha alma se eleva a Ti, para dizer:
Creio em Ti, espero em Ti,
e amo-Te com todas as minhas forças,
glória a Ti, Senhor!
Deposito nas tuas mãos a fadiga e a luta,
as alegrias e desencantos
deste dia que ficou para trás.
Se os nervos me traíram,
se os impulsos egoístas me dominaram
se dei lugar ao rancor ou à tristeza,
perdão, Senhor!
Tem piedade de mim.
Se fui infiel,
se pronunciei palavras em vão,
se me deixei levar pela impaciência,
se fui um espinho para alguém,
perdão Senhor!
Nesta noite
não quero entregar-me ao sono
sem sentir na minha alma
a segurança da tua misericórdia,
a tua doce misericórdia
inteiramente gratuita.
Senhor! Eu Te agradeço, meu Pai,
porque foste a sombra fresca
que me cobriu durante todo este dia.
Eu Te agradeço porque,
invisível, carinhoso e envolvente,
cuidaste de mim como uma mãe,
em todas essas horas.
Senhor! Ao redor de mim
tudo já é silêncio e calmo.
Envia o anjo da paz a esta casa.
Relaxa meus nervos,
sossega o meu espírito,
solta as minhas tensões,
inunda meu ser de silêncio e de serenidade.
Vela por mim, Pai querido,
enquanto eu me entrego confiante ao sono,
como uma criança
que dorme feliz em teus braços.
Em teu Nome, Senhor, descansarei tranquilo.
Assim seja!
Ámen.
PAI
Diante de ti, todas as vozes se calam.
Diante de ti, todos os olhares se curvam!
E não só por respeito, mas também por
carinho, admiração pelo homem que foste
e continua sendo, porque quem amamos
nunca haveremos de esquecer.
Sobre as saudades que sinto, continuam
cada vez mais profundas e afetuosas.
Nas minhas orações, mentalmente, você
vive presente, permanentemente.
E nessas vibrações positivas, carinhosas
é com entusiasmo e alegria que relembro
do homem iluminado, fonte inesgotável de
sabedoria. Mas é justamente quando me
reporto ao posicionamento criterioso passado
em ensinamentos de dignidade e honradez
brotado em nós, como semente pródiga,
fruto do teu único e verdadeiro amor que
cada vez mais descubro o homem sincero,
simples e digno pelo qual conduziste nossas
vidas. Todavia, hoje mais que nunca,
sentimos tua falta, porém tranquilos, sabemos
do plano superior em que te encontras.
Daqui, receba meu abraço e a certeza de que
cedo ou tarde haveremos de nos encontrar.
Paz e luz!
Que assim seja!
Não se deixe enganar pelas vozes que te cercam, deixe que seu coração te guie, e sua mente te destraia por esse mundo construindo de ilusões.
ouço sua respiração, mesmo quando estou em meio a vozes que não me significam nada.
Procuro seu olhar, quando percebo que já é noite e a solidão vem me assombrar.
Regurgito seu beijo, quando minha boca suplica pela sua.
Clono seu toque, mesmo que seja em pensamentos ,só para aliviar a falta que você me faz.
E você me diz:
louco demais!
entregue demais!
absurdo demais!
ousado demais!
E eu,
sincero demais!
te respondo:
Te amando demais!
das vozes roucas e aprisionadas
emergiu um canto carregando a dor,
carregando as lagrimas ignoradas,
levando consigo toda humilhação,
abrindo uma fenda na noite até então eterna,
clamávamos sobre nossos pés cansados:
Jesus nos salve,
e vem vocês mesmos,
estamos livres!
Vozes na minha mente tentam me tirar do trajeto,
tentam me fazer perder o foco
acontece direto,
Dizem que vão me fazer desistir, vão impor um decreto,
que o negocio é secreto, eu não ficarei quieto.
Antigamente as vozes tiravam das partituras composições capazes de acalorar o mais frio dos corações. Hoje temos um verdadeiro incêndio de partituras ao som de uma chacina de vozes. Ah, se os veteranos soubessem o que os calouros têm feito com a música...
A moça olhava para uma das mãos, distraída. Ignorava as vozes, as gargalhadas exageradas, o bater de garfos nos pratos, o arrastar de cadeiras, as buzinas lá fora e todo o resto do mundo. Estava mergulhada em pensamentos, talvez inundada deles, quase se afogando. Estava parada como uma estátua vazia, mas aposto com qualquer um que estava tão cheia e agitada quanto um show de rock. Ela era linda, mas de um jeito triste. Tinha os cabelos da cor do mais puro mel, os braços compridos que terminavam em mãos tão sutis que me faziam imaginar como seria o seu toque, a postura um pouco curvada de quem já sofreu muito e não aguenta mais o peso de tanta descrença e os lábios cerrados em um sorriso duvidoso. De repente virou-se como se tivesse acabado de chegar ao mundo e encarou aquele rapaz com um olhar lânguido que quase implorava que lhe pegasse no colo, lhe cantasse uma canção e lhe pusesse pra dormir. Ele retribui com os olhos de quem promete que vai te ninar pra sempre. A moça simplesmente ignorou e voltou a encarar sua mão, como quem se vê tomada por um desejo que ameaça romper as barreiras do corpo. De súbito, arrancou a bolsa da cadeira, colocou-a sobre o balcão e começou a remexer procurando alguma coisa. Tirou um telefone celular e sua carteira. Digitou um número no celular e hesitou. Apertou o aparelho como quem tenta afastar uma tentação, sem saber que ceder-lhe é a forma mais eficaz de se livrar dela. Parecia tão docemente perturbada! Colocou novamente o aparelho onde lhe trouxe. Fixou os olhos em mim e de uma forma seca pediu:
- Traga-me um café, por favor. Mas puro, sem açúcar, ou leite, ou creme. E que venha em uma xícara bonita.
Mas vejam só! A moça se afundava cada vez mais no amargo do café, para que assim ninguém percebesse a doçura que trazia em seus lábios. E confundia-se com seu próprio pedido, tentando arduamente tornar-se uma pessoa amarga, mas que não conseguiria jamais, exatamente pelo fato de estar pura, com uma aura completamente branca ao seu redor. Levantou-se inquieta. Percebi números em sua mão - Deve ser o número de alguém para quem queria muito telefonar, mas a mágoa impedia. Certamente alguém por quem nutre fortes sentimentos e que talvez esteja longe... não! talvez esteja por perto mas ainda assim longe demais. - e quando voltou do banheiro, não estavam mais lá. Sentou-se. Tomou seu café como quem é obrigado a tomar cicuta. E continuou olhando para a sua mão, distraída numa tristeza suave. Pagou a conta e foi embora carregando o peso do "e se". Certamente não tinha nada pra falar ao telefone, mas tinha ao menos o desejo de ser lembrada ao utilizar essas ondas sonoras pra transmitir uma voz melódica e doce, como o creme que faltou em seu café
Há quem diga que o amor morreu. Todavia não perceberam sua condição. Mas suas vozes já não podem mais falar e serem ouvidas sem que denuncie o próprio desfecho da ilusão quotidiana que chamam de vida.
- Prisão
Agora aqui neste lugar...
Gritam vozes mudas, de tantas vezes ter o mesmo querer...
Surdos de ouvir tantas falsas explicações...
Cegos de tanto ver coisas inexplicáveis...
Mãos ensangüentadas de tanto o querer fugir...
Do querer viver...
Do querer sorrir...
Do querer amar...
Enxarcados de depressão pelas tempestades de chuvas vermelhas...
Envergonhados pelo querer provar o contrário, enquanto aqui a injustiça permance no topo...
Perdidos pelo desespero...por caminhos que já não levam a lugar algum...
Pensamentos obscuros,pela falta de luz de esperança...
Respirações ofegantes,por inexistência do oxigênio da vida...
Corações já partidos, pela enorme falta de amor...
...a inexistência...
Do querer salvar...
Do querer acontecer...
Do querer renascer...
Agora aqui neste lugar...
...que leva até a morte em minutos...
...permanece a falta da cura...a falta da vida...
14/08/2005
Daqui de dentro não vejo o mundo girar, é tudo escuro e frio também.
Ouço vozes de vida lá fora, Más não consigo abrir a porta.
Parece não haver outro motivo quando as luzes se apagam e as vozes se calam. Procuro no escuro meus sentidos, mas perdi. Eu me perdi.
As vozes em mim são tantas... Algumas dizem muito. Outras não dizem coisa com coisa. Mas eu gosto mesmo é dessa interação entre o pensamento e o sentir a coisa-mundo lá fora e aqui dentro
Hoje eu decidi me ignorar,
não vou ouvir as vozes da minha cabeça.
Eu só me cansei, por agora, dessas dúvidas
que logo se dissolverão no ar.
Criaturas sem lugar para ir, vagam ao som de vozes falsas que se propagam no mais profundo abismo da inocência.
